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Política
20-05-2013, 4h56

Os erros de Dilma


Estilo centralizador e rejeição a conselhos de aliados e auxiliares agravam fraqueza da articulação política da presidente

 

A articulação política é uma das áreas mais fracas do governo Dilma. Esse fato é agravado pelo estilo da presidente Dilma Rousseff de tomar medidas de forma centralizadora, tentando impor a sua vontade sem amarrar politicamente o que deseja com todos os atores envolvidos no tema.

A presidente é uma pessoa séria. Tomou medidas positivas no governo, como reduzir os juros a um patamar civilizado. Corretamente, preocupa-se em combater a inflação com um olho no crescimento. Ou seja, tem méritos.

Mas Dilma tem cometido muitos erros. A alta popularidade pode ser um veneno para governantes, que passam a achar que são donos da verdade e assumem um comportamento arrogante. Há relatos de ministros e de empresários que dizem que a presidente não escuta conselhos e que dá broncas homéricas que deixam desconcertados auxiliares e interlocutores.

Ou seja, uma presidente assim não ouve informações importantes que a contrariam, mas que serviriam para guiar sua ação. Há relatos de que um ministro deseja informar algo e ela logo vai dizendo: “Eu já sei o que é isso. Você tá errado etc.”.

Há relatos de ministros que não têm coragem de dizer que ela está equivocada ou mal-informada. Há relatos de que até o melhor caminho para motoristas do Palácio do Planalto ela procura ensinar em Brasília. E, parece piada, há relato de que um dia um motorista deixou o volante e um assessor teve de assumir a direção. Numa versão, essa cena teria acontecido quando Dilma era ministra. Noutra, quando presidente.

Dilma é uma presidente que raramente fala com a imprensa. Dá aquelas entrevistas rápidas, de quebra-queixo, mas dificilmente se submete a uma conversa em que aborda com calma questionamentos. Isso está errado. É uma receita ruim para um presidente da República. Um presidente deve ter mais humildade e deve ouvir mais críticas e conselhos.

FHC fez o Plano Real porque montou uma equipe, um trabalho de time. Lula saiu popular da Presidência porque ouvia ministros, empresários, sindicalistas e políticos. Um presidente deve ter o desejo de ser contestado e contrariado. Dilma prefere reuniões com poucas pessoas.

A presidente Dilma precisa fazer uma reavaliação sobre seus métodos políticos e administrativos. Apesar de ter 39 ministérios distribuídos entre aliados, tem dificuldade para aprovar projetos importantes no Congresso. Há algo errado aí. E não dá para o Palácio do Planalto culpar os aliados. O problema está no próprio governo.

 

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