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Política
30-04-2018, 19h16

Esquerda sofre mais com violência política do que direita

Há semelhança entre morte de Marielle e tiros em Curitiba
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Há semelhanças entre o assassinato da vereadora Marielle Franco no dia 14 de março e os tiros disparados contra o acampamento de partidários do ex-presidente Lula na madrugada de sábado, no dia 28.

O episódio do último sábado é menos grave porque não houve mortos. Também não teve o grau de planejamento do assassinato de Marielle e do motorista Anderson Gomes. Mas os dois acontecimentos são atentados que refletem um crescimento da intolerância no debate público e do incentivo ao ódio como arma política.

Nos dois episódios, houve tentativa de culpar as vítimas, como se o trabalho de Marielle a favor dos direitos humanos e contra a violência policial fosse uma provocação que levou à sua morte. No caso do acampamento, foram comuns os comentários de que não teria acontecido se aquelas pessoas não estivessem ali por perto, protestando a favor do ex-presidente Lula.

Ora, essas pessoas estão exercendo um direito democrático de manifestação e negociaram com as autoridades do Paraná a mudança do local onde passariam a noite. Se há incômodo dos moradores do local ou da própria Polícia Federal, é preciso negociar uma forma de o protesto gerar menos transtorno. Mas algum transtorno é da natureza dos protestos.

Outra comparação indevida que foi feita nos últimos dias: haveria um confronto proporcional entre forças de direita e esquerda. Isso é falso. Esse confronto é assimétrico. A esquerda tem sofrido mais.

O homem que foi protestar na porta do Instituto Lula no dia da decretação da prisão do ex-presidente estava exercendo seu direito de protesto. É inaceitável a agressão que o levou à UTI de um hospital _ele teve alta hoje.

Esse foi o episódio mais grave que ocorreu até agora tendo como agressor alguém do campo de esquerda. E, nesse caso, a vítima também não deve ser responsabilizada. Os agressores precisam ser responsabilizados e responder perante a lei.

A pichação no prédio da presidente do STF, Cármen Lúcia, em Belo Horizonte deve ser condenada. A invasão do apartamento que a Justiça atribui a Lula no Guarujá durou horas. Os invasores se retiraram após negociação.

Marielle Franco e Anderson Gomes foram assassinados. Tiros atingiram um ônibus da caravana do ex-presidente Lula no Paraná. E agora, no Paraná, um atirador disparou contra pessoas que dormiam num acampamento em Curitiba.

É muito grave o que está acontecendo no Brasil. Todos os líderes políticos deveriam agir com mais responsabilidade, especialmente os candidatos à Presidência. Não deveria existir campeonato de violência. Mas, se é para dar o devido peso aos fatos e tratá-los com o rigor da honestidade intelectual, a intolerância no debate público e o ódio na política têm ferido a esquerda num grau bem maior do que têm atingido a direita.

Aliás, a história do Brasil é prova de que a esquerda sofre mais com a violência política do que a direita.

*

Outros temas

No “Jornal da CBN – 2ª Edição”, também comentei uma eventual aliança nacional entre PSDB e MDB, com possibilidade de Henrique Meirelles ser vice de Geraldo Alckmin. Falta combinar com Meirelles, Alckmin e Paulo Skaf, pré-candidato do PMDB ao governo paulista. Essa aliança é um desejo do candidato tucano ao Palácio dos Bandeirantes, João Doria. Por ora, é mais especulação do que algo concreto.

Impactos da reforma trabalhista, a possibilidade de paz na Península Coreana e atentados no Afeganistão também foram analisados hoje em conversas com a Renata Colombo. Ouça os comentários no áudio abaixo:

Comentários
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  1. J K disse:

    O ensaio pra um acordo definitivo na CN tem mais haver com o que se passa no Brasil de momento do que se pode imaginar.
    O mesmo grupo que “bancou” o empurrão Trump na goela do mundo, interfere na Rússia e empresta ciência aos norte coreanos. Alguém acredita que eles possam ter alcançado o estágio de desenvolvimento tão rápido se não for por ação externa ?
    Sendo assim, parece que alguém falou no ouvido de Trump sobre a bobagem inútil que ele vinha construíndo o que o fez voltar atras rapidamete, afinal, orgulhosos morrem de medo de passarem vergonha em público.
    A máquina que engendra toda essa estrutura também opera entre nós. Aqui, tentam emplacar o Trump deles já que na França e Alemanha falharam.
    O alívio na CN não significa alívio imediato aqui entre nós , mas pode servir como propaganda para entendermos que nada vai adiantar eleger um PR que se diga “contemporâneo” mas que não tenha como meta PRIMEIRA pacificar o país.

  2. walter disse:

    Caro Kennedy, não vejo nada em comum, e contra a esquerda, no atentado do RIO contra a Marielle, e Curitiba; caso do Rio, a polícia não chegou a lugar algum até agora, pode ter sido um evento pessoal, contra a vereadora; atentado sim a postura combativa, que causou prejuízos para algum grupo…enquanto que em Curitiba, a descrição dos fatos, encaminham se, a provocação e reação; segundo consta, passou um carro preto, xingando os sem nada, que reagiram com pedras…momentos depois, passou um homem a pé, que os provocou novamente, passando a atirar a exmo…tentar construir fatos políticos, destes crimes comuns, não agregam valores caro; não há provas, são provocações mutuas…estes sem terras, são ignorantes, e sabem o tamanho da exposição…Falando em Meirelles, se o Alkimin topar, será vice; esta mais hábil, que o próprio temer; não deixa de ser uma vitória para todos; sinceramente; mais do mesmo…

  3. Walter Monzon disse:

    Senhor Kennedy, você esqueceu quem começou toda essa onda de agressão com separação de classes sociais e um enorme despropósito com as autoridades e o povo brasileiro? Quem plantou está colhendo hoje o ódio que irresponsavelmente implantaram. Mas e normal esta sua declaração visto que em geral o povo brasileiro tem memória curta.

  4. MARCOS CAMARGO TEIXEIRA disse:

    Achei que voce forçou muito a barra em comparar ao ver semelhanças entre o assassinato de Marielle e o atentado em Curitiba.

    O primeiro, foi um assassinato premeditado, planejado para calar a boca de uma delatora. calar a boca de alguem que estava incomodando os criminosos.

    O segundo, foi um atentado pouco pensado de alguem que esta de saco cheio dessa luta da esquerda defendendo um criminosos condenado. Esta errado ele? Erradíssimo nao pode sair atirando. Mas isso nao tem ligação alguma com o assassinato da Vereadora

    AO fazer isso, vc esta indiretamente dizendo que quem atira em acampamento é um membro de uma facção criminosa, quando na verdade ele é um lobo solitário.

    A intolerancia armada que aconteceu em curitiba tem outra raiz. tem a raiz no carnaval da prisao do lula, de usar a voz de senadores para falar o que nao deve, ameaçar, como ameaçaram o lider do MST… Muito grave, repito, mas nao tem nada a ver com Marielle

    • Dimas disse:

      O segundo, foi um atentado pouco pensado de alguem que esta de saco cheio dessa luta da esquerda defendendo um criminosos condenado. Esta errado ele? Erradíssimo nao pode sair atirando. Mas isso nao tem ligação alguma com o assassinato da Vereadora
      Como assim, “esta de saco cheio dessa luta da esquerda defendendo um criminosos condenado”. Eu estou de saco cheio de ver gente da direita chamando a esquerda de corrupta e votando em Alckmin, Aécio, Serra, Temer e cia bela. Então posso dar um tiro na cara de quem faz isso?
      Não tolero a turma de verde amarelo com imagens de Lula em roupa de presidiário. Não tolero coxinha fazendo vigília na porta da FIESP. Todos que tiverem o mesmo sentimento que eu estão liberados para passar fogo nessa canalha. É isso?
      Quanto aos tiros seja o de Marielle, os no ônibus ou esse na vigília de Curitiba não podemos afirmar nada mas desconfiamos de muita coisa dado os indícios apresentados.

    • Alberto disse:

      Perfeito comentário caro sr Marcos Camargo Teixeira.

    • Jonas disse:

      A vereadora estava incomondando a polícia e os militares no Rio, por isso não tente agora mudar os fatos.
      Boa parte da direita brasileira é movida a ódio, sempre foi. Foram às ruas levando cartazes exaltando tortura e morte enquanto pediam (de novo) por um golpe de estado. Foram aplaudir um torturador do DOPS que fazia discurso em plena Av. Paulista. Foram tirar selfies com o batalhão de choque da polícia que não está nem aí para a massa de manobra. Frequentemente posam para fotos mostrando fuzis, rifles e outras armas.
      Pregam violência pois são ignorantes e não tem nada na cabeça além de prepotência e violência.
      E se sofrem violência por parte dos outros, aí eles não gostam e reclamam, já que são hipócritas.

  5. Ton Pereira disse:

    É lamentável o que está ocorrendo no país, onde a mídia e a justiça se mostram parciais.
    Foi lamentável a pichação no prédio da ministra Carmem Lúcia, mas é inacreditável que tenha maior repercussão que a tentativa de assassinato em Curitiba.
    O Brasil, especialmente os da direita, que se intitulam “defensores da ética e moral”, e isto a qualquer preço, mesmo que, um juiz de primeira instância, que realiza um importante serviço ao país, haja acima da lei, como um super-herói, que tudo pode, passando por cima da constituição, desrespeitando direitos e o enfraquecido supremo, agindo por conveniência, como na divulgação de áudios proibidos, conduções coercitivas, vazamentos seletivos para uma emissora de TV, anúncios de acordos de delações como respostas ao supremo, ignorando o que não é conveniente, onde cito o caso do advogado Tacla Duran.
    Espero que após tudo isto, a justiça atinja o cidadão Moro, que como qualquer outro, não está acima de lei e deve responder por seus atos.

  6. Mariza disse:

    Kennedy, esta violência deve acabar. Os políticos devem parar com o discurso tradicional que eu governo para os pobres, eu governo para o agronegócio, eu governo para um grupo. O governo deve ser para toda a população do país. Quem gera riqueza é a sociedade de um modo geral (pobres e ricos).

  7. Wellington Alves disse:

    Parece que só foi legítimo acampar em frente a FIESP pedindo impeachment e em frente ao quartel (na região do Ibirapuera) pedindo intervenção.

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