aki

cadastre-se aqui
aki
Política
20-08-2019, 9h19

Estratégia de Bolsonaro é destruição institucional do Brasil

Processo de escolha de PGR é maior inimigo da Lava Jato
4

Kennedy Alencar
BRASÍLIA

Já passamos há muito tempo da dúvida se há interferência indevida e autoritária do presidente Jair Bolsonaro em órgãos do Estado Brasileiro. Estamos diante de um processo de destruição institucional do Coaf, da Receita Federal, do Inpe, do Ibama, do ICMBio, da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, entre outros órgãos do país.

Também inexiste dúvida a respeito da intenção do presidente no processo de escolha do novo chefe da PGR (Procuradoria-Geral da República): enfraquecer o Ministério Público buscando alguém que não incomode familiares e aliados e o próprio presidente do ponto de vista “ético”.

O “padrão” Lava Jato, que agora sabemos pela Vaza Jato como operava, deixa Bolsonaro desconfortável para o exercício do poder. Ele gostava desse “padrão” quando aplicado aos seus adversários políticos.

Hoje, o inimigo da Lava Jato não é a Vaza Jato, que expôs um modus operandi que corrompeu o sistema judiciário com abusos inadmissíveis para operadores do direito, que conhecem a lei.

Está claríssima a tentativa de destruição institucional. As interferências do presidente em órgãos de Estado não decorrem de motivos nobres nem porque ele foi eleito e tem o direito de fazer o que quiser. Um presidente da República pode muito, mas não pode tudo. A Constituição, demais Poderes e o sistema de freios e contrapesos da democracia impõem um claro e adequado limite. Mas Bolsonaro não aceita essas barreiras porque é um demagogo e autocrata.

Na “Folha de S.Paulo”, Celso Rocha de Barros escreveu um artigo que vale a pena ser lido: “Aparelhamento Bolsonarista”.

O Brasil assiste ao enfraquecimento das suas instituições. São normais divergências técnicas, políticas e conflitos internos em qualquer governo. Mas as intervenções de Bolsonaro têm caráter pessoal.

Ao tirar credibilidade e enfraquecer instituições, fica mais fácil adotar medidas autoritárias contra elas, como indicar para o comando de órgãos de Estado e não de governo pessoas que precisarão entender a necessidades do mando presidencial.

Trocando em miúdos: essas alterações, como tirar o Coaf da Fazenda e alojá-lo no Banco Central com novo chefe, como pressionar por trocas em posições na PF e na Receita, como demitir o presidente do Inpe, resultam da contrariedade presidencial com a democracia e de eventuais incômodos a parentes e aliados.

*

Encolheu

Há paulatino enfraquecimento do superministro Sergio Moro (Justiça), que encolheu em face do material já exposto pela Vaza Jato, mas também pelas ações de Bolsonaro. Moro perdeu tamanho político desde o dia em que aceitou ser ministro.

Do ponto de vista da opinião pública, Moro era maior do que Bolsonaro em novembro do ano passado. Hoje, o ministro da Justiça não dá explicações convincentes sobre o que revelou a Vaza Jato. Não aceita o padrão ético que usou em relação aos outros quando juiz _ recusa-se a dar informação sobre o que disse a Bolsonaro no caso do inquérito dos laranjas do PSL.

Restou ao superministro ser defendido por esse núcleo do bolsonarismo que atua nas redes sociais divulgando fake news e tentando destruir reputações. Ouça esses comentários no áudio abaixo:

Comentários
4
  1. walter nobre disse:

    Concordo Kennedy, com a falta de tato do Jair em certos manejos; porém, casos como o COAF esta tendo ajuda, interferências maléficas dos três poderes, inclua se com veemência o Supremo a “cama de gato” instalada pelos poderes, vem desde as capitanias com gente sem principio, querem impor ritmo, nesta hora unem se contra qualquer governante; neste instante, insurgem contra a Lava Jato, não fosse o efeito extraordinário da operação, já não estaria mais em pé…quanto a PGR, esta cuidadoso, já que o candidato Dallagnol foi “prejudicado”, continua a promover a limpeza; quanto ao Dr Moro, esta experimentando a política como ela é…continuará muito forte, o tempo vai mostrar sua retomada com Força…importante, salvo pelo caso Flavio, o presidente nada deve, a pretensa tentativa na inclusão dele, mostra a escuridão

  2. […] “destruição institucional” em curso foi verbalizada por Bolsonaro num jantar na nossa embaixada em Washington no dia 17 de […]

  3. Eduardo disse:

    Kennedy boa noite! Só posso dizer que infelizmente concordo contigo. Digo infelizmente pois essas “peraltices” do nosso presidente vão custar caro ao povo brasileiro. Continue assim sempre como um algoz dos maus e corruptos governantes. Seja como um farol pois iremos precisar para atravessar esse momento de trevas.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados

Não serão liberados comentários com ofensas, afirmações levianas, preconceito e linguagem agressiva, grosseira e obscena, bem como calúnia, injúria ou difamação. Não publicaremos links para outras páginas devido à impossibilidade de checar cada um deles.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

 
2019-09-22 00:36:02