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24-02-2017, 12h12

Eu não sou seu negro

Documentário americano expõe atualidade das questões raciais
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DANIELA MARTINS
BRASÍLIA

Em tempos de problematização do uso do turbante em textão do Facebook, mais vale correr para o cinema e assistir ao documentário “Eu não sou seu negro”, do diretor haitiano Raoul Peck, que concorre ao Oscar deste ano.

O filme utiliza como base narrativa os manuscritos do escritor americano James Baldwin, que pretendia debruçar-se sobre a história dos negros americanos a partir da luta de três ativistas: Martin Luther King, Medgar Evans e Malcom X. Baldwin morreu no final da década de 80, sem chegar a terminar o livro.

As páginas que escreveu, no entanto, possuem força suficiente para conduzir o filme, lidas pela voz de Samuel L. Jackson e intercaladas com trechos de discursos do autor e com as sempre contundentes imagens dos conflitos raciais dos anos 60.

Os três ativistas tentaram, a partir de abordagens diferentes, modificar o cenário de preconceito, opressão e supressão de direitos civis em que era obrigada a viver a população negra americana em um regime oficial de segregação. Todos tiveram o mesmo destino: foram assassinados.

Tanto nos EUA quanto no Brasil e em todos os demais países que passaram pela experiência de uma economia baseada no trabalho escravo, pesquisas que analisam renda, escolaridade, moradia, perfil da população carcerária e violência policial são claras ao demostrar que a desigualdade social entre brancos e negros é um fato inegável e muito atual. Ainda que os processos históricos possam ter caminhado de formas distintas em cada país, o resultado dessa cisão ainda é profundo e evidente em todos eles.

Não é por outro motivo que o filme une as falas dos ativistas do passado às imagens de conflitos étnicos e mobilizações que tomaram as ruas americanas em tempos recentes. A questão permanece viva, ainda que parte da população prefira não enxergar isso.

Baldwin relembra o relacionamento que teve com uma moça branca na juventude. Ambos sabiam que ela estaria mais segura se caminhasse pelas ruas à noite sozinha, mesmo sendo mulher (e por isso exposta à violência), do que ao lado de um negro. Ele ressalta que uma nação com tal fragmentação em seu interior é, na verdade, frágil e inviável.

Se o caminho da mudança passa pela violência, pela integração, pela afirmação ou por quaisquer outros, nem mesmo King, Evans e Malcom X chegaram a um consenso. Mas sempre estiveram unidos pela mesma causa. Causa que, afinal, ainda grita, machuca e nos envergonha.

Veja abaixo o trailer do filme:

Comentários
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  1. walter disse:

    “O ser humano caro Kennedy, será destruído pelo ódio…Lá no EUA o preconceito é mutuo; veja o titulo do Filme do Samuel L. Jackson…tem um apelo agressivo, e a questão não é esta; se é negro amarelo ou vermelho; enquanto o “dito ser humano”, medir as pessoas pela conta bancaria, considerando seus interesses; medimos os outros, pelo tamanho do nosso EGO; teremos o preconceito cada vez maior, como na Europa. No Brasil, a coisa é feia demais, aqui, o preconceito é subterrâneo, conheço inúmeros, que até mantem negros, e pessoas muito humildes a sua volta, disfarçam bem…e quando as pessoa simples de tudo, carregam um preconceito doentio, no fundo do baú…A humanidade prepara um fim anunciado; trata se de uma espoleta poderosa, onde o gatilho somos todos nos…seja lá por qual motivo, carregamos o estigma da destruição ao próximo…nossa suposta genialidade não existe de fato; não nos preservamos como outros seres que habitam a terra…estamos fadados a desaparecer…

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