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Kennedy Alencar

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Geral
11-06-2020, 19h46

EUA vivem revolução na qual militares entendem que devem ficar fora da política

General se desculpa por caminhada com Trump após repressão a protesto
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Kennedy Alencar
WASHINGTON

O general da ativa Mark Miller, chefe do estado-maior das Forças Armadas nos EUA, pediu desculpas por ter dado a entender que haveria intromissão militar na política doméstica.

Mais graduado oficial ativa nos EUA, Miller se desculpou por ter aparecido numa foto caminhando com uniforme de combate ao lado do presidente Donald Trump na praça Lafayette em 1º de junho, a segunda-feira em que manifestantes foram reprimidos dura e ilegalmente por protestar em frente à Casa Branca.

Miller disse: “Eu não deveria ter estado lá. Minha presença naquele momento e naquele ambiente criou a percepção de envolvimento de militares em política doméstica. Como oficial da ativa, foi um erro com o qual aprendi, e sinceramente espero que nós possamos aprender com ele.”

Foi um recado direto para o presidente, que sofre um duro golpe dos militares americanos, que têm comportamento totalmente diferente dos colegas brasileiros. Nos EUA, os militares entendem que têm de ficar fora da política doméstica e que devem prestar continência ao poder civil. São funcionários de Estado, não do presidente de plantão.

O pedido do general Miller repercutiu também nas Forças Armadas. Foi um sinal para toda a tropa de que ela não deve embarcar nos movimentos autoritários de Trump. A atitude do presidente em relação aos protestos foi comparada por generais da reserva à de ditadores de repúblicas de bananas.

O secretário da Defesa, Mark Esper, e pelo menos outros cinco generais da reserva, incluindo Colin Powell, que chefiou o estado-maior das Forças Armadas, também se manifestaram contra Trump. Mark Esper disse ser contra o uso do Ato de Insurreição, de 1807 (lei que permite uso de militares em ações domésticas). Generais da reserva afirmaram que o presidente desrespeita Constituição. Powell disse com todas as letras que Trump mente.

Uma revolução está em curso nos EUA. O apoio branco à causa negra cresceu muito, encontrando ressonância em toda a sociedade _inclusive em setores do Partido Republicano.

Há um debate nos EUA sobre rebatizar bases militares que receberam nomes de líderes confederados e derrubar estátuas e monumentos que homenageiam rebeldes que iniciaram a Guerra de Secessão (1861-1865). O pano de fundo dessa guerra foi a tentativa de Estados do sul de impedir o fim da escravidão, na qual estavam baseado o modelo econômico e social da região.

Nessa guerra, morreram cerca de 750 mil americanos, o maior número de baixas do que qualquer outro conflito do qual o país tenha participado. Há uma trauma até hoje. Em viagem pelos Estados do sul, é comum ver bandeiras confederadas até hoje em algumas casas.

Trump disse que não pretende mudar o nome de bases militares batizadas em homenagens a líderes confederados. Ele está bancando uma posição controversa hoje nos EUA, na qual há debate sobre derrubar símbolos de defensores da escravidão.

A atitude de Trump, que tem histórico racista, contribuiu para seu isolamento pelos militares e se refletiu em queda nas pesquisas na disputa presidencial contra o democrata Joe Biden.

Alguns militares já se manifestaram a favor da mudança de nome das bases militares. Dizem que os confederados eram traidores da Constituição.

Na Virgínia, foi derrubada uma estátua de Jefferson Davis, presidente da Confederação. A democrata Nanci Pelosi, presidente da Casa dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados), defendeu retirar estátuas de confederados que estão no Capitólio, sede do Congresso americano.

Na imprensa, há crítica ao plano de Trump de fazer um comício em Tulsa, Oklahoma, em 19 de junho, para um comício. Essa é a data do fim da escravidão nos EUA. Há 100 anos, houve massacre de negros nessa cidade. A viagem de Trump soa como provocação.

Com 16 dias de protestos em meio a uma pandemia, as reações e movimentos de Trump são acenos para uma base conservadora, de extrema-direita e, em boa parte, defensora da supremacia branca. Mas, até agora, os atos do presidente só o enfraqueceram, pois são vistos como exemplo do racismo estrutural da sociedade americana.

Ouça o comentário:

Comentários
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  1. No Brasil eles nunca saíram de dentro da política. Por isso é tão difícil o Brasil disse:

    Bons exemplos dos militares para a sociedade civil que os fomentam e preenchem fileiras em seus batalhões. Se pega aqui mudarmos o nome de ruas, avenidas, estádios, bases militares e fundações com nome de militares da ditadura. Iria se de bom agrado. Em verdade, dar nomes a ruas e construções é um ato sem valor social que está em moda pelos vereadores. O ideal se fosse dar o nome respeitando o esforço da sociedade que aceita viver em condições de sobre vida para pagar fortunas de salários aos 3 poderes. Seria colocar a sigla da UF, seguido do ano e nota de empenho paga. Ou mesmo só dar lhe um número patrimonial já que é um bem do estado (Município, Estado e Federação). Aí economizaríamos barbaridade de horas de trabalho nas Câmaras Municipais. Trump devido a seriedade das FFAAs americanas. Tende passar por tolo ao tentar manipular a imagem da melhor ou de uma das melhores FFAAs do Mundo. Aqui elas para manter postura de necessária. Entrega Alcântara. E faz um cabide de emprego público.

  2. Walter Nobre disse:

    Kennedy, nenhum general foi obrigado pelo Trump, a sair com ele, nem lá e nem em lugar nenhum. O General fez besteira, já que saiu, deveria demonstrar mai personalidade. Nesta confusão, somos parecidos também, embora nossos graduados sejam mais hábeis, não existem amarras, impostas por um civil, para impor condições. O Trump ganhou pontos importantes, patrocinados pelos militares por tabela, encontrou todos desarmados. A situação do Floyd, é um acontecimento semelhante a pandemia, já que o Mundo, junte se a isto, o momento nos EUA, diante de uma nova eleição a presidente. O pior pode acontecer, pode ser adiada as eleições lá, pelo crescimento do Covid, o que seria terrível para o Trump.

    • Diule disse:

      Walter, creio que o Senhor não acompanhou como foi a caminhada do General com Trump. O presidente dos EUA foi baixo e vulgar, usou uma atividade comum ao General para dar a impressão que este estava dando apoio ao ato de repressão.
      E mesmo que ele tivesse acompanhado por outro motivo ele demonstrou muita personalidade ao se desculpar.
      E todo comando militar possui amarras civis sim, no Brasil é a constituição.

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