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Entrevistas
18-05-2016, 22h01

‘Excesso de gasto e intervenção na economia foram erros de Dilma’

Correção de rumo deveria ter começado com Lula, mas Dilma exagerou, crê ministro
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, diz que o governo Dilma Rousseff cometeu dois erros capitais: “excesso de gasto público” e “intervenção em preços, intervenção na economia”.

Para Meirelles, estímulos econômicos do governo Lula em 2008 e 2009 foram corretos, mas já poderiam ter sido retirados a partir de 2010. No entanto, crê que Dilma agiu com “muito exagero” e gerou a atual e grave crise econômica. Apontou erro da petista no relacionamento com o Legislativo.

“As medidas tomadas em 2008 para reaquecer a economia foram corretas e bem-sucedidas. Foram consideradas, inclusive por órgãos internacionais e multilaterais, o próprio FMI (Fundo Monetário Internacional), como um modelo a ser seguido por países em crise. (…) Olhando retrospectivamente, poderiam ter sido já retiradas gradualmente durante o ano de 2010. (…) Claramente, a partir daí houve muito exagero.”

Para resolver a atual crise econômica, “se não houver nenhum imposto, as despesas têm de ser cortadas mais profundamente”, avalia o ministro da Fazenda.

Meirelles defende um teto para as despesas públicas que seja fixado pelo Congresso. “Isso é uma boa possibilidade. Eu gosto dessa alternativa porque ela é constitucional e já harmoniza todas as demais vinculações constitucionais. (…) Uma alternativa, o Congresso é que vai decidir, pode ser um percentual das despesas totais do governo, por exemplo.”

Segundo ele, gastos em saúde e educação deveriam “estar submetidos a uma regra de teto geral” a fim de que o Estado tenha “solvência” e capacidade de “geração de emprego e renda”. O ministro da Fazenda afirma que o crescimento da economia virá mais rapidamente se o Congresso aprovar logo as medidas que serão propostas pelo governo.

Meirelles diz ser “razoável” estimar que o buraco nas contas públicas neste ano fique na faixa de R$ 134 bilhões a R$ 150 bilhões. Defende regras mais duras para aposentadorias da iniciativa privada a fim de evitar calote no futuro.

Prega idade mínima de 65 anos para aposentadorias e mesmas regras para homens e mulheres. Recomenda aumentar o tempo de contribuição e que as novas regras valham para quem já está no mercado de trabalho.

Indagado se descartava candidatura presidencial em 2018, desconversa: “Não estou pensando neste assunto”. Rebateu a acusação de golpe contra Dilma e disse que a Lava Jato pode gerar efeito positivo no futuro, legando ao país empresas com melhor governança.

A seguir, a íntegra em dois vídeos e texto da entrevista concedida ao SBT na tarde de quarta-feira, em Brasília.

*

Parte 1

Parte 2

*

Kennedy Alencar: Ministro, vamos começar falando sobre um assunto que interessa muito a todos os brasileiros, a questão da Previdência. O senhor acha que seria um bom parâmetro se estabelecer uma idade mínima igual para homens e mulheres e que seja uma idade de 65 anos?

Henrique Meirelles: Nós ainda estamos estudando o assunto com uma coisa em mente: mais importante ainda do que quando exatamente vai ser o início do pagamento da aposentadoria, é que o aposentado ou quem está contribuindo hoje tenha a segurança de que vai receber a aposentadoria e que serão aqueles valores. Então, é muito importante que a Previdência Social seja financiável e tenha condições de, no longo prazo, cumprir as suas obrigações.

KA: Tem de fazer a reforma hoje para não ter calote na aposentadoria no futuro? É isso?

HM: Exatamente, você colocou de uma forma clara. Nós já temos Estados que já estão com alguns problemas. Temos muitos países em que já vimos a Previdência não conseguir cumprir as suas obrigações e não conseguir pagar as aposentadorias. O que nós precisamos é garantir que sejam regras razoáveis, justas, e que todos os trabalhadores e contribuintes fiquem seguros de que vão receber a sua aposentadoria decente e justa.

KA: A expectativa de vida está aumentando. Ter uma idade mínima é importante?

HM: Idade mínima é muito importante. Exatamente pela questão que você coloca. Cada vez mais existem pessoas que se aposentam relativamente cedo e que depois ficam um período muito longo aposentadas. O que é ótimo, que a expectativa aumente. Mas eu tenho, por exemplo, conhecidos e conhecidas que estão tendo mais tempo de aposentados do que trabalhado. Então, é importante que tudo isso seja levado em conta.

KA: Mesmas regras para homens e mulheres?

HM: Isso nós estamos estudando ainda, dentro inclusive dessas questões de expectativa de vida.

KA: Mas seria o ideal?

HM: A maior parte dos países está caminhando para essa direção.

KA: No Brasil, os mais pobres começam a trabalhar mais cedo. Uma crítica que se faz sobre estabelecer uma idade mínima é que ela pode penalizar os mais pobres. Quem começar a trabalhar, por exemplo, com 15 ou 16 anos, se fixada uma idade mínima de 60, vai trabalhar 45, 44 anos. Se for 65, trabalhará por 50 anos. É possível que haja uma combinação de idade mínima com um tempo de contribuição maior do que existe hoje?

HM: Tudo isso é uma possibilidade, tem vantagens e desvantagens. Evidentemente que sempre se pode colocar regras, estou falando teoricamente, de que um tempo de contribuição maior possa ter um resultado que leve isso em conta. Em resumo, é importante que seja justo. É o que você está colocando: é justo ou não é justo para a pessoa que trabalhou mais? O que é importante é que a Previdência consiga pagar.

KA: E que não penalize os mais pobres. Pelo que eu entendi, o benefício pode ser proporcional ao tempo que contribuiu. Contribuiu mais tempo, um benefício maior. Contribuiu menos tempo, um benefício menor?

HM: É uma possibilidade. Nós estamos inclusive com um grupo de trabalho entre governo, centrais sindicais, Congresso etc., exatamente para chegarmos a uma visão que contemple o ponto de vista de todos, mas com um objetivo: que a Previdência Social tenha capacidade de cumprir as suas obrigações.

KA: Esta semana o senhor falou uma coisa importante, diferenciou direito adquirido de expectativa de direito. Hoje, a regra para o trabalhador que vai se aposentar pela previdência privada é que o homem contribua durante 35 anos e a mulher durante 30 anos. Se ele contribuiu durante 35 anos mas ainda não pediu a aposentadoria, ele já está com o direito adquirido. Eu, que ainda não contribuí durante 35 anos, não tenho o direito adquirido, tenho uma expectativa de direito. A reforma tem que atingir quem tem expectativa de direito. É isso que vai acontecer?

HM: Essa é a minha opinião. E acredito que é o que deve prevalecer. Mas, de novo, não tem ainda uma proposta finalizada e acordada. A primeira reunião desse grupo de trabalho foi hoje. Portanto, estamos no início do processo. Esperamos ter uma proposta em 30 dias.

KA: Essa ideia de valer só para quem ingressar no mercado de trabalho a partir de hoje, na sua opinião, não resolverá o problema, do ponto de vista financeiro, no futuro?

HM: Não. A questão financeira da Previdência, não. Evidentemente, é melhor, é uma coisa um pouco mais generosa e que não preocupa ninguém que já está trabalhando. Por outro lado, é algo que vai fazer efeito daqui a tanto tempo que, até lá, a Previdência já terá tido problema financeiro.

KA: Para quem está com 60 anos e eventualmente venha uma mudança nessa expectativa de direito, como é que o mercado de trabalho vai absorver alguém nessa idade? Não é difícil?

HM: Certamente é mais difícil. Mas 70 anos é uma idade superior a qualquer idade mínima colocada dentro do que é prática hoje na maioria dos países. Existem alguns países que têm idade até de 67 anos, nesses países que têm uma expectativa de vida maior do que o Brasil. Mas 65, normalmente, é a norma para a qual se está caminhando nos diversos países.

KA: Seria um bom parâmetro para o Brasil?

HM: Aparentemente sim, é a norma na maioria dos países hoje.

KA: Em relação a tempo de contribuição, para encerrar esse assunto da Previdência, um tempo de contribuição de 40 a 43 anos faz mais sentido do ponto de vista atuarial? Seria uma faixa na qual o governo está pensando em trabalhar?

HM: É uma faixa que, de novo, tem sido usada em muitos países. Por que é que eu estou colocando isso? Por uma razão muito simples, nós não temos uma proposta. O que nós temos são diretrizes gerais baseadas nas experiências de outros países que têm uma Previdência Social consolidada, bem-sucedida e que a população está muito satisfeita com ela. Mas que também é financiável. Nós precisamos levar essa mensagem para a população. Você tem que olhar também as finanças da Previdência, saber até que ponto o deficit da Previdência está crescendo de maneira que possa ameaçar o futuro da própria Previdência. É importante que olhemos tudo e é nosso dever de homens públicos levar as informações para você, que está nos assistindo, saber do que se trata e por que nós estamos discutindo isso.

KA: Dois colegas de ministério do senhor, Geddel Vieira Lima, da articulação política, e Romero Jucá, do Planejamento, demonstraram resistências à nova CPMF. O senhor falou que, se necessário, proporia a CPMF. Estamos vendo um quadro de um buraco nas contas públicas muito grave. Há quase um consenso entre os economistas da necessidade de elevar tributos. Dá para sair dessa crise só cortando gastos ou a gente vai ter que elevar impostos, ainda que temporariamente?

HM: Se necessário. Os ministros têm razão de que a CPMF é algo que tem efeitos que não são muito positivos na economia. Qualquer aumento de imposto, na realidade, tem efeitos que hoje, no Brasil, não são totalmente positivos, tem custos importantes. Idealmente, não tem imposto nenhum. Dito isso, nós precisamos cobrir um deficit público, diminuir um deficit público, e fazer com que a dívida pública pare de crescer. É a mesma coisa na vida do telespectador, na minha e na sua. Se nós começamos a gastar muito mais do que ganhamos, a nossa dívida vai subindo e uma hora tem problema. Se nós vamos cortar diversão, cinema, ou se vamos ter de cortar alguma coisa mais séria ou se vamos trabalhar mais para aumentar a nossa receita, o nosso salário, isso aí é uma questão das possibilidades e da opção de cada um.

KA: Uma elevação temporária de impostos faria com que a dívida pública parasse de crescer num ritmo muito mais rápido.

HM: A ideia é a seguinte: se não houver nenhum imposto, as despesas têm de ser cortadas mais profundamente. As despesas públicas. Em tese, é possível não ter um aumento de imposto, mas os cortes são importantes. Nós estamos fazendo cortes de todos os tipos no governo.

KA: Nós já estamos em recessão, não é tão fácil cortar assim. A arrecadação está caindo.

HM: Exatamente, é esse o problema. Apesar disso, nós achamos que, no momento em que a economia começar a recuperar a confiança porque o governo está tomando as medidas necessárias, porque as contas públicas começam a ter uma outra dinâmica, começam a evoluir de uma forma diferente da dívida, em resumo, começa a diminuir o crescimento, a crescer mais devagar e, de repente, a dívida vai parar de crescer e todo mundo puder ver isso, o nível de confiança aumenta.

KA: Então seria melhor elevar o imposto para fazer isso mais rápido?

HM: O nível de confiança aumentando, só com essa expectativa eu já começo a encontrar comerciantes. Desde uma pessoa que tem uma loja no interior do Ceará até grandes redes de varejo começam a me dizer que as pessoas começam a ir mais à loja. As vendas estão recomeçando devagar, mas você já vê mais disposição de comprar.

KA: CPMF será uma decisão sua e do presidente Temer?

HM: Sim. E do Congresso.

KA: Haverá votos no Congresso para aprovar uma medida dessa se for necessário?

HM: Isso aí é o que nós vamos ver. Nós vamos ter de negociar com o Congresso se for necessário. De novo, nós vamos apresentar as alternativas. Podemos não aumentar imposto, não tem problema. Desde que os cortes de despesas sejam aqueles. O que é importante é apresentar para o Congresso e para a sociedade qual é a realidade. O importante hoje é dizer a verdade.

KA: Por que o governo está demorando a anunciar as medidas? O mercado financeiro está muito ansioso. O senhor fala que vai devagar porque está com pressa, mas já há uma certa ansiedade. Por que não anunciar logo de uma vez?

HM: É natural a ansiedade do mercado. O mercado funciona, no dia a dia, apostando. Eu trabalhei no setor privado muitos anos, conheço muito bem. Dirigia instituições que tinham mesa de operações. E os operadores eram nervosos, queriam saber. Mas isso não pode direcionar medidas de profundidade como as que nós estamos discutindo aqui. São medidas que impactam a economia, que impactam as pessoas, que impactam o país como um todo. Isso precisa ser estudado. Por exemplo, quais são as medidas? Nós precisamos, em primeiro lugar, saber qual é o tamanho do problema, qual é o buraco.

KA: O buraco nas contas públicas.

HM: Então, nós estamos fazendo conta ainda. Esperamos que até sexta-feira nós tenhamos o tamanho disso. A partir daí, vamos começar a propor as medidas. Primeiro, temos de fazer o diagnóstico. Está doente? Vai olhar primeiro o que é antes de tomar remédio.

KA: No domingo, eu tive uma informação de que esse buraco estaria girando em torno de R$ 134 bilhões e R$ 136 bilhões e que poderia chegar a R$ 150 bilhões. É uma faixa que faz sentido?

HM: É uma faixa razoável. São estimativas, existe muita coisa que ainda não dá para saber. Por exemplo: qual será o total de impostos a ser pago por aqueles que vão legalizar e repatriar recursos que estão no exterior? Vamos ou não vamos apresentar algumas medidas que farão efeito já este ano? Elevação de impostos, por exemplo. Serão ou não serão aprovadas? Quanto tempo? Existe aí uma série de coisas importantes, mas que demandam ou estão demandando que se façam estimativas. Isto é, o que é mais provável? Nós vamos calibrando isso e vamos chegar a um número bem preciso. De novo, uma estimativa.

KA: Uma estimativa bem precisa do que vai acontecer no ano?

HM: É, uma estimativa. Pode mudar um pouco para lá e para cá, mas pelo menos as hipóteses são sólidas.

KA: Isso vai acontecer até sexta-feira, então é lícito supor que semana que vem tem medida concreta?

HM: Semana que vem nós começamos a trabalhar para fazer as medidas concretas, porque nós já temos o número, já temos o diagnóstico.

KA: Ministro, a inflação volta ao centro da meta em 2017 e 2018 ou vai demorar mais tempo?

HM: Esperamos que volte o mais rápido possível. Isso é papel do Banco Central. Ontem, nós anunciamos o Ilan Goldfajn, que vai ser sabatinado e aprovado pelo Senado. Esperamos que aprovado. E, a partir daí, vamos começar o trabalho. Agora, a inflação já dá sinais de arrefecimento. E eu acredito que, com a situação fiscal do país com ajuste correto, fazendo com que as despesas públicas comecem a diminuir e a confiança na situação fiscal do país aumente, isso faz com que a inflação possa cair mais rápido, na medida em que diminui a injeção de dinheiro do gasto público na economia.

KA: Essa convergência para o centro da meta, que é de 4,5%, vai acontecer no ano que vem ou vai demorar mais um pouquinho?

HM: Vamos aguardar mais alguns meses para ter noção de qual é esse efeito nas expectativas e na própria inflação corrente.

KA: O senhor defende um teto para as despesas públicas? Estabelecer um teto no Congresso para as despesas públicas?

HM: Isso é uma boa possibilidade. Eu gosto dessa alternativa porque ela é constitucional e já harmoniza todas as demais vinculações constitucionais.

KA: É uma sinalização de médio e longo prazos boa?

HM: Exatamente. Primeiro, quanto vai investir em saúde? Quanto vai investir em educação? Hoje, muitas vezes, essas medidas não conversam entre si. Uma alternativa, o Congresso é que vai decidir, pode ser um percentual das despesas totais do governo, por exemplo. Então, se harmoniza todo o processo. Segundo, é o que você falou, isso dá uma sinalização de médio e longo prazos, faz com que todos passem a ter segurança de que as finanças do Estado brasileiro, do governo brasileiro, são sustentáveis.

KA: Desvinculação de gastos obrigatórios, flexibilizar os gastos em saúde e educação, o senhor é a favor?

HM: Eu acho que, mesmo que sejam mantidos, eles têm que estar submetidos a uma regra de teto geral. Exatamente para fazer com que aquilo que é mais importante, isto é, a solvência, a capacidade do governo de se financiar e a economia de crescer, seja preservado. No fundo, o importante é a geração de emprego e renda.

KA: Quando, então, a economia vai voltar a crescer e o desemprego vai cair?

HM: Nos próximos trimestres. Vai depender muito da eficiência de todas essas medidas, do efeito, das aprovações no Congresso, da rapidez disso tudo. E das expectativas de todas as pessoas de acreditar nessas medidas. Vai depender muito, portanto, da velocidade de aprovação de tudo isso e de como toda a população vai passar a acreditar que vai funcionar mesmo, como já aconteceu.

KA: Se o Congresso apoiar, a economia volta a crescer mais rápido?

HM: É isso.

KA: A recessão está muito forte. A inflação está alta, mas está caindo. Há possibilidade de queda dos juros até o final do ano?

HM: Eu não gosto de opinar sobre o Banco Central, exatamente porque eu já fui presidente do BC e agora, como ministro da Fazenda, não quero botar nenhum tipo de constrangimento ou pressão indevida. Eu acho que o Banco Central está bem qualificado, é um grupo técnico excelente, não só os atuais como os futuros. Eu gosto muito daquela equipe toda e eles são perfeitamente qualificados para tomar a decisão certa.

KA: Muitos críticos da política do governo anterior diziam que os problemas começaram em 2008 e 2009, já no governo Lula. Na época, o senhor era presidente do Banco Central. Outros dizem que não, que a atual crise é uma herança do governo Dilma, que errou na dosagem econômica e em várias medidas que tomou. A atual crise econômica teve origem no governo Lula ou no governo Dilma?

HM: A situação é um pouquinho mais complexa do que essa. As medidas tomadas em 2008 para reaquecer a economia foram corretas e bem-sucedidas. Foram consideradas, inclusive por órgãos internacionais e multilaterais, o próprio FMI, como um modelo a ser seguido por países em crise. As ações foram muito bem tomadas em 2008 e 2009 e o Brasil cresceu bastante. Chegamos, em 2010, a crescer 7,5% ao ano. Agora, possivelmente existem algumas medidas de incentivo fiscal que foram corretamente tomadas naquele período, que, olhando retrospectivamente, poderiam ter sido já retiradas gradualmente durante o ano de 2010. Como foi feito na política monetária do Banco Central. O BC, em 2010, já retirou os compulsórios, começou a subir os juros, normalizou toda a parte monetária e cambial. Porque a economia já estava crescendo.

KA: A correção deveria ter começado, então, já no governo Lula?

HM: A questão toda é que não era tão claro. Retrospectivamente, olhando para trás, a parte fiscal poderia ter feito como foi feito no Banco Central. Mas ainda era uma recuperação. Claramente, a partir daí houve muito exagero.

KA: A partir do governo Dilma?

HM: 2011.

KA: Qual foi o principal erro que o Brasil cometeu para viver uma crise econômica tão aguda?

HM: Dois erros, principalmente. Primeiro: excesso de gasto público. E, em consequência, a incerteza que foi crescendo na economia. Segundo: intervenção em preços, intervenção na economia.

KA: Segurar reajuste na gasolina, no preço da energia?

HM: Gasolina, eletricidade, até hoje tem problema no setor elétrico. Isso tudo gerou um efeito de contaminação. É normal, as pessoas se assustam. Eu me lembro de uma reunião que tive com um grande investidor internacional, um dos grandes do mundo que investem em companhias diversas, e ele falou que iria parar seus investimentos no Brasil. Investimentos em produção, que geram empregos. Mas por quê? Porque o governo está controlando preços e, daqui a pouco, estará controlando o preço da Coca-Cola. Eu disse que não se estava falando de controlar preço de refrigerante ou comida ou tecido, houve, de fato, a intervenção em preço de gasolina. Mas ele achou que governo que começa a intervir em preço… Então, essa insegurança se espalhou, esse foi o problema. Ninguém sabia onde aquilo iria parar, gerou uma preocupação e a economia começou a ir para baixo, as vendas caíram, as companhias começaram a demitir, os investimentos caíram.

KA: Foi o grande erro da presidente Dilma?

HM: Sim.

KA: o senhor descarta concorrer à Presidência em 2018?

HM: Eu já respondi a esta questão, eu sou candidato a fazer um bom trabalho no Ministério da Fazenda.

KA: Mas a pergunta é outra, se descarta concorrer em 2018.

HM: Não estou pensando neste assunto…

KA: Como é que o senhor responde à crítica de setores da esquerda e do PT de que o atual governo, do qual o senhor está participando, chegou ao poder por meio de um golpe?

HM: O meu entendimento é de que foram obedecidos os pressupostos constitucionais por instituições que têm poderes constitucionais para fazê-lo. Então, é um governo legítimo. Você pode discordar: “foi injusto”. Você pode discordar da decisão de um tribunal, cada um tem direito à sua opinião. Agora, o juiz ou os juízes têm poderes constitucionais para isso. Estão lá para fazer isso, exercendo o seu poder constitucional. Estão fazendo constitucionalmente, então não configura uma quebra do Estado de Direito. Muito pelo contrário.

KA: Para registro histórico, ministro. Há uma informação de que, em dezembro, o ex-presidente Lula teria convencido o senhor a aceitar ser ministro da fazenda do governo Dilma. Isso de fato aconteceu? O senhor poderia ter sido ministro já em dezembro, substituindo Joaquim Levy?

HM: Olha, eu prefiro não revelar conversas que foram privadas, não foram públicas. Eu prefiro respeitar as pessoas. É uma das minhas características respeitar todas as pessoas, políticas ou não.

KA: Tradução: sim. (Risos)

HM: Não, não, não.

KA: Ministro, qual é a sua avaliação sincera sobre os pontos negativos e positivos do governo Dilma?

HM: Eu acho que pontos negativos claramente foram relacionados a esse intervencionismo na economia, essa visão de um Estado que controla a vida das pessoas, do comércio, da indústria, dos trabalhadores. Esse eu acredito que foi o problema maior. E, além do mais, houve também uma dificuldade política de um bom relacionamento, de um bom trânsito constitucional e institucional com os poderes, o Legislativo principalmente.

KA: Ponto positivo?

HM: Acho que existiu, de fato, uma preocupação social que já veio do governo do Lula e que foi mantida pela presidente. E isso é uma coisa já estabelecida no Brasil hoje, a preocupação com o social, a preocupação em garantir um padrão de vida mínimo para a população brasileira. E eu acho que isso é positivo.

KA: O senhor é ministro da Fazenda, mas isso tem uma importância política grande. Qual é a sua avaliação sobre a Operação Lava Jato? Qual é a importância dela para o Brasil?

HM: Acho muito importante, acho que está mudando costumes e acredito que mostra a força das instituições brasileiras. Quando eu, meses atrás, falava no exterior ou mesmo aqui no Brasil sobre os problemas, eu dizia que o Brasil tem algumas forças institucionais muito grandes. O Brasil tem o Judiciário independente, o que significa Juízes e promotores; o Brasil tem uma imprensa livre e independente, isso é muito importante; o Brasil tem eleições livres e regulares, isto é, o governador, os vereadores, o prefeito, o deputado e o presidente da República tomam posse e as eleições são livres e regulares; e o Congresso também é soberano. Portanto, eu acho que são forças institucionais que estão mostrando agora o seu efeito e que vão mostrar, no futuro, que são muito importantes. Essa é uma das razões pelas quais eu acredito no Brasil.

KA: Há muita queixa de que a Lava Jato tem um efeito imediato negativo para a economia porque afetou empresas importantes. Mas alguns também lembram que, no futuro, isso também pode legar ao Brasil empresas com uma governança mais moderna, com mais compliance. O senhor acredita nisso?

HM: Acredito que o efeito no futuro será positivo. Evidentemente, há questões de curto prazo que precisam ser resolvidas para essas empresas poderem continuar a trabalhar e produzir, independentemente da punição dos eventuais culpados. Mas eu acho muito positivo, muito importante e fundamental para o futuro do país.

Comentários
30
  1. Ciro d'Araújo disse:

    Com a previdência pública (que é de fato o grande problema de curtíssimo prazo) qual a proposta? Não vi na entrevista

    • Cristiano disse:

      Não sei se estava se referindo a previdência dos servidores públicos, mas esse problema foi resolvido em 2013 quando se vinculou ao teto do INSS complementado por uma previdência privada facultativa.

  2. Afonso Celso disse:

    Resumindo,vai acorrer um confisco de direitos.A CONSTITUIÇÃO esta sendo rasgada.Porque não cabrar dos grandes devedores,mudar a lei de recuperação judicial,que só beneficia os proprietários da empresa.Temo pelo meus ativos financeiros principalmente papeis de curto prazo e poupança que dentro da ótica do Ministro não são direitos adquiridos pois ainda não ocorreram O ataque vai ser muito mais profundo do que o confisco do COLLOR que ate hoje o STF não conclui os processos.

  3. Maria da Consolação disse:

    Não há como discutir o aumento da idade para 65 anos sem que seja garantido ao trabalhador a permanência em seu emprego até essa idade. Além disso, há profissões que não há como a pessoa trabalhar até os 65 anos, pois sequer conseguirão chegar até lá por conta da insalubridade a que são submetidos – trabalhadores da construção civil, da lavoura, que trabalham com produtos químicos e outros que fazem serviços pesados. Seria cruel e desumano fixar essa idade para essas pessoas. O Sr. Henrique Meireles certamente deve ter “amigos” que recebe aposentadoria há mais tempo que contribuiram. Mas não é o caso da maioria da população.

    • Sônia Maria de Oliveira disse:

      Bem lembrado! Imagine os trabalhadores de minas… E a fórmula 85/95 ainda é a mais justa, pois combina idade com tempo de contribuição.

  4. Fabio disse:

    Para um governo da elite não me admiro que eles achem um erro investir em bolsoa familia, mais medico, minha casa minha vida, prouni, fies, etc. Fato é que com crise ou sem crise a Dilma manteve todos o programas. Agora se eles acham que estamos em crise porque não criam um imposto sobre grandes fortunas e aumento o imposto inventarios de grandes heranças. Enfim como sempre governo de elite coloca o pagamento do pato nas costas dos mais pobres

    • Fabio disse:

      Quando falta dinheiro, vc continua gastando, ou vc economiza, tem que ter cortes, a questão é aonde, a CPMF foi uma proposta que o PT não conseguiu emplacar, mas seria um imposto bem mais fácil de ser arrecadado, e o imposto sobre grandes fortunas, tb tem que ser revisado , mas a questão maior é o dinheiro que pagamos para manter o executivo o legislativo e o judiciario, é uma fortuna e mesmo assim não funciona.( Funcionário Público sempre foi é a elite nacional )
      Repara que estas questões de previdência a publica nunca é questionada, ai que esta o rombo
      que vai quebrar o sistema, na previdência publica.
      Perguntas para se fazer quanto custa este pais, quanto é arrecadado e quanto é desviado, e a principal é saber se da manter isto aqui em pé.

  5. Wagner disse:

    Sobre auditar a divida publica que amarra o Brasil, nada de nada.

  6. Pasquale disse:

    Parabéns PT,um rombo magnífico!!!!
    Estilo dívida da Petrobras

  7. Claudinei disse:

    Por que o governo não divide a previdência em duas: uma destinada aos trabalhadores que efetivamente contribuem e que devem ter seus direitos respeitados e outas destinada aos benefícios decorrentes de risco social que o governo resolve dar como auxilio-reclusão, pensão a quem nunca trabalhou e etc…
    Pelo que entendi tudo é pago com o orçamento da Previdência Social, que é obtido através das contribuições dos filiados ao INSS, ou seja, os contribuintes do INSS que pagam para se aposentar também pagam o auxílio-reclusão, pensão a quem nunca trabalhou e outras beneficias que o governo resolva fazer, ou seja, essas beneficias não são pagas por todos os brasileiros, através de tributos, mas somente pelos filiados ao INSS.
    Tenho certeza que uma previdência composta somente trabalhos que efetivamente contribuam e bem administrada funcionara de forma efetiva, sem risco.
    O problema é que o governo sempre usou esse dinheiro para outros fins, agora a conta não fecha.

    • Marcos disse:

      Apoio…. Não é justo quem trabalha e gerando recursos para o País, seja penalizado em benefício de quem nunca trabalhou. Não é justo que quem nunca trabalhou se aposente na mesma idade de quem trabalhou e ainda por vezes recebe a mesma coisa de quem recolheu para a previdência.

  8. J. L. A. E. S. disse:

    Não existe almoço gratis. Dessa forma, as pessoas devem parar de querer fazer caridade com o chapéu alheio. Se tudo que existe tem um preço e tem que ser pago, a discussão correta é “como pagar”. Mais que justo que pessoas momentaneamente sem possibilidade de arcar com essas obrigações sejam assistidas, até que se insiram na força produtiva. O que não dá para admitir é que uma meia duzia de pessoas que cheguem ao poder, usufruam de forma indevida de suas benesses. Ainda mais quando esses beneficios são distribuidos de forma sorrateira, ao largo das leis e da transparencia, e ainda fazendo crer que os mais pobres estão sendo ajudados, quando na verdade estão levando o país à bancarrota.

  9. Candido disse:

    Para quem não produz, é muito fácil falar em aumento de impostos! Medidas como incentivo a regularização de débitos e diminuição da máquina pública e da burocracia, que devem ser feitas de fato. SEM AUMENTO DE IMPOSTO. 13 anos de intervenção dessa esquerda retrógrada já deu!

  10. nao poderia deixar passar essa sem comentar,o governo comete erros na economia,no todo em geral,e nós cidadaos que nao temos nada com os erros deles ,temos que pagar a conta com impostos ,faça me o favor né
    assim fica dificil,e ainda por cima querem que trabalhemos até 65 anos de idade,qdo nos aposentarmos ,vamos curtir o que ,a velhice ,só se for

  11. Valdir Marques de Souza disse:

    Mais uma vez a conta da incompetência dos governantes vai ficar para o povo pagar, como se os aposentados ganhassem tão bem como os políticos.

  12. Sônia Maria de Oliveira disse:

    A regra 85/95, que evolui para 90/100 (2026) ainda é a mais justa. Se o problema é a expectativa de vida, deveriam ampliar gradativamente essa fórmula para 95/105 e não estabelecer uma idade mínima para quem já está na ativa e, principalmente, para quem está na expectativa de se aposentar nos próximos 2 ou 3 anos. E a regra deveria ser igual para todos. Quem não contribui não poderia ter direito à aposentadoria. Por que não aumentam o tempo de contribuição de 15 para 20 daqueles que hoje podem se aposentar por idade?

  13. joao dias disse:

    O excesso de gastos irresponsáveis não se deu somente com recursos do Tesouro Nacional. Gastos irresponsáveis também se registraram nos Estados e Municípios brasileiros. Criou-se até uma definição de que governante bom é aquele que usa de toda artimanha para aumentar o endividamento público e com carência de curto prazo. Sem prévia seleção de prioridades e planejamento correto, os recursos são devorados rapidamente, não esquecendo os aditivos. Há poucos dias, uma grande empresa, denunciada no Lava-Jato, se retratando das irregularidades praticadas, confessou reconhecer que ela e outras grandes e médias empresas, passaram a achar que o delito não era crime. Mostrou para os governos da união, estados e municípios , que a prática de suborno pode ser imediatamente sanada, contratando obras ou quaisquer serviços, com dinheiro em caixa e a tempo certo de execução. A economia anual para o erário será de bilhões de reais.O ministro Henrique Meirelles, com sua equipe, deve controlar a torneira

  14. ajp disse:

    Porque ninguém fala em acabar com os privilégios da previdência dos funcionários públicos.
    porque não criar uma previdência unica, com DIREITOS IGUAIS para todos os brasileiros.

    • Carlos Augusto disse:

      Quando se fala em privilégio dos funcionários públicos, quem são esses funcionários? Qual a categoria desses funcionários? Se falarmos em privilégio de funcionários públicos do alto escalão do Governo, seja no âmbito Federal, Estadual e Municipal, aí pode ser repensado sobre o impacto dos gastos público com esses funcionários. A maioria dos funcionários públicos no País e em todas as esferas, não ganham grandes salários, estão sem aumento real há anos e tem sido lhe negados diversos direitos, essa categoria de funcionário público, a operária, que trabalha ali no dia a dia junto a Sociedade e que não ganham um salário satisfatório, que não tem material para trabalhar, que não tem condições ideais de trabalho, esses operários funcionários públicos merecem respeito. Numere a categoria de funcionários públicos com muitas regalias e altos salários e benefícios e cobrem desses a revisão dessa política injusta, porque a grande maioria não tem esses benefícios todos, são do povão!

  15. Alberto disse:

    A situação do país é terrível e a sociedade devem pensar que futuro teremos.Direitos e deveres esse é o ponto crucial.

  16. E VIVA A LAVA JATO, JUIZ SERGIO MORO, MPF, PF, RF, TCU E TODOS OS BRASILEIROS COM VERGONHA NA CARA! disse:

    “EXCESSO DE GASTO PÚBLICO” E “INTERVENÇÃO EM PREÇOS, INTERVENÇÃO NA ECONOMIA”.
    Com todo meu respeito, mas acho que faltou o exmo. sr. Ministro acrescentar: “E MUITA ROUBALHEIRA”.
    Creio que talvez não o tenha feito por saber que a roubalheira aos cofres públicos não seja exclusividade desses últimos desgovernos, embora antes nunca tenha alcançado os últimos patamares quando governantes, partidos e empresários corruptos se juntaram para formar a mais periculosa quadrilha de roubadores dos cofres públicos da História!
    Mas eu gostaria de acrescentar que, com os atuais quadros políticos, sem uma lei que puna com pelo menos 30 anos de cadeia em regime fechado, sem benefícios, todo envolvido em roubo a cofre público¸ a roubalheira aos cofres públicos não cessará no país!

  17. CARLÃO disse:

    Estou convencido que o modelo político não só do Brasil, mas na vasta maioria do países está entrando em Colapso, como Roma na antiguidade. O que assistimos na votação do impedimento da Presidenta Dilma na Câmara dos Deputados, foi um circo de horrores talvez nunca visto antes em qualquer lugar do planeta, pessoas da pior espécie representando uma sociedade insatisfatória. Não é possível mais seguirmos esse modelo político e eleitoral, se isso acontecer estamos fadados a um fracasso bem pior que a falência da Previdência e dos SUS. Há 30 anos escutamos os mesmos discursos, as mesmas propostas, e no final tudo arrebenta do lado mais fraco, há um círculo vicioso de promessas, fantasias, frustrações, e decepções, é preciso aproveitar o que temos de melhor na sociedade: As Pessoas do Bem ! Não precisar mais de políticos, será o trunfo da honestidade sobre os corruptos !

  18. DONG disse:

    O EXCESSO DE GASTO PÚBLICO, esta nos altos salários e regalias absurdas dos servidores públicos federais, estaduais e municipais.
    O Povo Brasileiro não te como manter mais esta estrutura com pagamento de impostos.
    Vai ocorrer muita sonegação de impostos e gente deixando de honrar suas contas se não for feito.

    • Carlos Augusto disse:

      Concordo em parte, mas, quando você fala de regalias e altos salários de servidores públicos federais, estaduais e municipais, na verdade, quem são esses servidores? Porque eu sou servidor público estadual e não tenho regalias e nem altos salários. Trabalho junto a população, quase sem condições nenhuma de trabalho, sem materiais, sem investimentos, tenho que dar conta dos serviços e faço de tudo para fazer o melhor para o atendimento a população porque essa é a minha profissão e a população não tem culpa da falta de investimentos do Governo nos serviços oferecidos. Há anos estou sem aumento real no salário, os reajustes inflacionários sempre são abaixo da inflação e isso quando é pago, estou a 30 anos no serviço público e não tenho FGTS, se saísse hoje, sairia sem direito a nada, tenho um desconto alto no salário para a Previdência do Estado, para receber quando me aposentar e ninguém sabe se isso realmente acontecerá, veja o exemplo dos aposentados no RJ que não estão recebendo??

    • Carlos Augusto disse:

      Complementando comentário anterior! Os servidores públicos do baixo escalão do Governo, são como qualquer outro trabalhador, tem salários baixos, não tem regalias, estão há anos sem aumento real nos salários, não tem FGTS, trabalham em situações precárias, enfim, são operários, então, não diga regalias e altos salários de servidores públicos! Pesquise e numere as categorias desses servidores públicos que tem regalias e altos salários, porque são a minoria em se comparado a população que trabalha ativamente. Estes servidores estão em posições diferenciadas no Governo, trabalham em seus gabinetes confortavelmente, tem várias regalias e bons salários e grande parte deles estão no Congresso Nacional e decidem a nossa vida, esses são os maiores beneficiários, cheios de regalias e altos salários, esses sim, deveria haver uma revisão para que haja um equilíbrio no erário, porque são minoria e detém a maior renda, enquanto a grande maioria passa necessidades e privações.

  19. joao dias disse:

    É Ideal que o País saiba, através da Equipe Econômica do Governo, a realidade nas Contas da União, Estados e Municípios, fazendo uma trajetória de crescimento, a partir da renegociação no Governo de FHC, mostrando receitas e despesas, com destaque para a rubrica de ” Pessoal “. A eficiência na governança não pode excluir o controle de endividamento de Estados e Municípios. Se cobram uma carga tributária abusiva da sociedade, sem o retorno ideal em benefícios econômicos e sociais esperados, não há porque a União, Estados e Municípios deixar de lado os rigores na aplicação dos recursos públicos, incluindo financiamentos. É Importante, também, que através de dados do TCU , o País saiba do montante de recursos gastos com obras inacabadas e não prioritárias, nos últimos 15 anos. Nesse momento de corrente positiva para um Brasil melhor e nos trilhos, a TRANSPARÊNCIA TOTAL É O MELHOR REMÉDIO.

  20. Carlos Augusto disse:

    Outra coisa, complementando o comentário anterior; funcionário público não tem FGTS, se ela trabalhar 30 anos e de repente sair do serviço público, ele não recebe nada, sai com uma mão na frente e outra atrás, não tem FGTS para funcionários públicos, deles são descontados um alto valor no salário na ativa para previdência do Governo, seja, Federal, Estadual e Municipal, o regime é estatutário, não é CLT. Nisso ninguém se refere, que funcionário público trabalha a vida toda e não tem Fundo de Garantia FGTS como tem todos os trabalhadores regidos pela CLT. Então, ante de criticar ou condenar funcionários públicos dizendo que tem muitas regalias, pesquise e numere de qual categoria pertencem esses funcionários públicos, porque a categoria operária está na mesma situação do trabalhador comum, porém, ser for do alto escalão do Governo e principalmente da classe política, esses tem altos salários e muitos benefícios que podem ser revistos!

  21. Por isto que eu sou favorável que se venda tudo. Todas as empresas estatais devem ser vendidas. Faça dinheiro se desfazendo das empresas estatais. O ganho é duplo. Primeiro o governo arrecada com a venda das empresas e depois diminui despesas com a folha salarial, já que os funcionários vão junto com as empresas. Talvez até triplo! Por que os novos proprietários farão mais investimentos na empresa desembolsando recursos privados, movimentando o mercado e pagando impostos.
    Chega de artistas viajando para Cannes com recursos públicos para fingir defender a democracia, quando na verdade querem é desfilar em Cannes com os seus casacos de MinC comprados com o dinheiro público.
    O povo não quer mais sustentar mordomias! O povo quer resultados práticos na saúde, educação, segurança e transporte e geração de empregos. Só isto!

  22. […] “Se não houver nenhum imposto, as despesas têm de ser cortadas mais profundamente”, diz o ministro, em entrevista ao SBT. […]

  23. Leandro disse:

    Além de não dá certo o projeto de poder do PT deixou um belo rombo para nós e a próxima geração pagar, lamentável.

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2020-09-30 15:18:53