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Política
02-10-2019, 19h29

Fala de Gilmar pode levar PGR a investigar pela 1ª vez conteúdo da Vaza Jato

Com razão, ministro bateu duro em Moro, Dallagnol e procuradores
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

A fala contundente do ministro Gilmar Mendes hoje no Supremo Tribunal Federal pode levar a Procuradoria Geral da República a investigar o conteúdo da Vaza Jato. Seria algo inédito em quase quatro meses de revelações sobre eventuais crimes e abusos de estrelas da Lava Jato, como o ex-juiz federal Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol.

Ao final da sessão de hoje do Supremo, Alcides Martins, representando a Procuradoria Geral da República, pediu a Gilmar Mendes que encaminhasse os fatos por ele narrados a um plenário que o ouviu em silêncio. Nenhum ministro saiu em defesa da Lava Jato. O próprio Gilmar disse ver um lado benéfico na operação contra a corrupção, mas afirmou, acertadamente, que não se combate crime cometendo crime.

Os fatos narrados por Gilmar Mendes fazem parte do arquivo do “The Intercept Brasil”, material compartilhado com outros veículos de comunicação e de autenticidade comprovada. A Vaza Jato expõe, desde 9 de junho, eventuais crimes e abusos de poder de integrantes da Lava Jato. Gilmar Mendes disse que muita coisa ainda virá à tona.

Até hoje, a Polícia Federal, sob o comando do ministro da Justiça, Sergio Moro, só se interessou em investigar o crime de hackeamento do Telegram de procuradores da República. Órgãos de controle têm ignorado suas responsabilidades institucionais. A fala de Gilmar obrigou a Procuradoria Geral da República a se manifestar sobre revelações de interesse público.

Gilmar Mendes foi duríssimo com Moro e Dallagnol e também criticou outros procuradores da República. O ministro do STF disse que Moro era “o verdadeiro chefe da força-tarefa” da Lava Jato em Curitiba, confundindo, ilegalmente, os papéis de julgador e acusador. Afirmou que Moro indicou testemunhas ao Ministério Público e sugeriu a procuradores e policiais federais a ordem de operações da Lava Jato para obter impacto midiático.

Nas palavras de Gilmar, havia uma “organização criminosa em Curitiba”. Ele fez questão de lembrar conversas no Telegram que mostravam tentativas de ataques a ministros do STF ou pura zombaria sobre o apoio de alguns. Citou ele próprio e Dias Toffoli, presidente da corte, como alvos de tentativas ilegais de investigação da Lava Jato. Disse que procuradores tentaram envolver Dias Toffoli na delação da OAS.

Lembrou como Dallagnol e Moro falavam que confiavam em Luiz Fux. Citou o relato de Dallagnol no Telegram de que Edson Fachin era um dos ministros do STF que jogariam no time deles contra outra ala do Supremo. Mencionou uma grosseria sobre Cármen Lúcia, chamada de “frouxa” numa conversa no aplicativo de troca de mensagens.

Segundo Gilmar Mendes, havia em Curitiba uma “máquina de provas ilíticas”. Para ele, houve uso de prisões preventivas alongadas como forma de “tortura” a fim de obter delações. Disse que quem usava e defendia esses métodos não merecia ter assento no STF, algo que foi visto como uma crítica à possibilidade de o presidente Jair Bolsonaro indicar Moro para uma vaga futura no tribunal.

Dias Toffoli também abriu a sessão com críticas à Lava Jato. Ele disse que o tribunal repudiava “os abusos e excessos e tentativas de criação de poderes paralelos e instituições paralelas”.

A Vaza Jato mudou o rumo dos ventos no STF. Gilmar acertou hoje ao discursar sobre eventuais crimes e abusos de integrantes da Lava Jato. Ouça o comentário a partir dos 2 minutos e 35 segundos no áudio no fim deste texto.

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Freios necessários

Amanhã, o STF vai decidir a extensão da derrota de Moro e Dallagnol no julgamento sobre direito de réus delatados falarem após réus delatores nas alegações finais _última etapa do processo antes da sentença do magistrado. Por 7 a 4, venceu essa tese, uma medida correta do Supremo. Ouça esta parte do comentário no começo do áudio abaixo:

Comentários
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  1. Antonio disse:

    Fica mais que evidente a esperteza utilizada pelo ex juiz e seus companheiros do Ministério Público em deixar para último as acusações dos delatores nos processos da Lava Jato. Dessa forma não haveria a contestação e o direito ao contraditório do acusado. As reais (e más)intenções desta turma fica demonstrado conforme segue. Em Ago/2015 Léo Pinheiro (OAS)é condenado a 16 anos por corrupção. Em seu primeiro depoimento em Junho/2016 Léo Pinheiro inocenta Lula. Em Nov/2016 o tribunal decide aumentar a pena de Léo Pinheiro de 16 para 26 anos. Em Abril/2017, em novo depoimento, Léo Pinheiro incrimina Lula, sem apresentar provas. Em Julho/2017 o juiz da Lava Jato reduz a pena de 26 anos para 2 anos e meio, com direito a prisão domiciliar e manutenção do patrimônio. Como pode um negócio destes? Vamos deixar de hipocrisias. É preciso mesmo dar um basta nas ilegalidades e arbitrariedades cometidas por Moro e seus comparsas do MP.

    • walter nobre disse:

      Kennedy, o procurador não vai dar atenção ao Gilmar, vai se dedicar, e levantar o que o Janot tem de tão grave contra ele? as conclusões do ministro só servem para soltar suspeitos e condenados; tem pedidos de impeachment vão se materializar. A confusão desnecessária na corte, com relação a condenações, a postura de juiz e juri, inaugurada este ano, os coloca de saia justa diante de outras autoridades; As controvérsias são em maioria dos juristas, desembargadores, ex ministro do próprio supremo ; as conclusões do Marco Aurélio, sempre contestadas, foram esclarecedoras ontem. Terão que fazer a lição de casa, evitando mais exposição

  2. […] informações do blog de Kennedy Alencar, o voto de Gilmar Mendes pode levar a Procuradoria-Geral da República a, finalmente, investigar a […]

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