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Política
21-08-2019, 7h53

Flerte PSDB-PSL enterra de vez ala tucana social-democrata

Partido vai mais para a direita; Aécio é um dos pais de Bolsonaro
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

O PSDB de João Doria, governador de São Paulo e potencial candidato à Presidência em 2022, tenta conquistar parcela do bolsonarismo hoje alojado no PSL, o partido do presidente da República.

É um movimento que enterra de vez a ala tucana histórica e social-democrata e joga ainda mais o PSDB para a direita.

O bolsonarismo chegou ao poder quando seu público de extrema-direita atraiu uma parcela do centro político, esta mais inclinada à direita e também antipetista.

Há parlamentares insatisfeitos no PSL, especialmente com as atitudes autoritárias cada vez mais evidentes de Bolsonaro. Doria quer conquistar esses “moderados” do bolsonarismo como Alexandre Frota, digamos assim. É uma forma de fortalecer o seu projeto presidencial para 2022.

Esses insatisfeitos do PSL têm boas relações com partidos do Centrão, grupo de legendas conservadoras que é decisivo para aprovar projetos no Congresso. Esses descontentes também possuem laços com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

PSDB e DEM têm emitido sinais claros de que poderão montar uma aliança para enfrentar o bolsonarismo de extrema-direita nas eleições de 2020 (municipais) e 2022 (nacionais, incluindo a presidencial).

Nesse contexto, Doria tenta se distanciar de Bolsonaro, não tão depressa que pareça ingratidão à fase do voto “Bolsodoria”, mas lentamente a fim de manter laços administrativos fundamentais entre o Estado de São Paulo e a União.

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Aécio é um dos pais de Bolsonaro

O diretório paulista do PSDB seguiu o desejo do municipal e pediu a expulsão do deputado federal Aécio Neves (MG) do partido. É hipocrisia, o tal falso moralismo tucano, porque Aécio hoje é um político insignificante, acusado de corrupção no caso da delação de Joesley Batista (2017).

Quando Aécio presidiu o partido, tucanos paulistas e paulistanos não foram tão corajosos. Esse movimento para expulsar o mineiro faz parte desse “novo PSDB”, que tem uma feição algo bolsonarista para tentar colocar Doria na Presidência da República.

Registro: Aécio é um dos maiores responsáveis pela chegada de Bolsonaro ao poder. Em 2014, quando desrespeitou regras escritas e não escritas da democracia, contestando a vitória de Dilma, contribuiu para o desarranjo institucional que se instalou desde então e tanto mal fez e faz ao Brasil.

O tucano mineiro teve participação decisiva na radicalização do debate público e no aumento da intolerância política no país. Aécio e o impacto da Lava Jato na opinião pública, alimentando o antipetismo e o falso moralismo, foram fundamentais para que um político inexpressivo à época chegasse ao comando do país. Isso é História. Uma parte dela está contada neste documentário que produzi para a “BBC World News” em 2018.

Ouça no áudio abaixo a partir dos 4 minutos e 5 segundos o comentário feito ontem no “Jornal da CBN – 2ª Edição”:

Comentários
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  1. LUciano J. L. Jorge disse:

    Parabéns, como sempre bem informado e principalmente extremamente lúcido ao comentar o desfecho do sequestro no Rio de Janeiro.

  2. walter nobre disse:

    Gosto de suas conjecturas Kennedy, mesmo quando não concordo; ligar o Aécio e o PSDB ao Bolsonaro, é uma viagem espacial, já que o partido é heterodoxo, como a maioria no País, não posso falar sobre postura do PSL, más posso afirmar que o Dória esta inovando em seu reduto; pretende sim, união absoluta, com quem puder, para tentar destronar o Jair, considerando seus atos incertos, como apoio ao Planalto e suas reformas, esta ligado ao DEM, por história, pretendem criar uma chapa puro sangue, na época certa…Sabemos todos nos o tamanho da proteção do Aécio, vem de cima, já que as comprovações são graves demais, deveria estar preso; sabe demais sobre seu partido, deveria estar expulso a muito tempo; sabemos todos,ali também não tem santo.

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2019-09-20 02:13:54