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Política
23-09-2014, 9h49

Forças Armadas deveriam parar de negar realidade

Mea culpa sobre ditadura de 64
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Postado por: Daniela Martins

A Comissão Nacional da Verdade considerou “positivo” que as Forças Armadas não tenham negado a ocorrência de desaparecimentos, torturas e mortes em instalações militares durante a ditadura de 64. No entanto, apenas não negar é um passo insuficiente.

O Estado brasileiro já reconheceu, nos governos Fernando Henrique e Lula, que houve desaparecidos, mortos e torturados pela ditadura militar. Foi criada uma lei para reparar as vítimas e seus familiares. Depois, o Estado resolveu registrar esses crimes e abusos oficialmente.

A Comissão da Verdade é apenas a continuidade natural e necessária desse processo, para que seja feito um registro histórico mais preciso e oficial, a fim de que nunca mais um episódio dessa natureza se repita no Brasil.

Esse papel da Comissão da Verdade, que não tem o poder de punir ninguém, é questionado pelos familiares das vítimas. Em outros países, ditadores e torturadores foram presos e punidos. No Brasil, há um entendimento do Supremo Tribunal Federal de que a Lei da Anistia, de 1979, vale para perdoar os torturadores.

O Estado brasileiro já trata de forma branda uma passagem criminosa das Forças Armadas, que deram um golpe de Estado e instituíram um regime de força e de exceção que acabou com a democracia no Brasil durante 21 anos.

O mínimo que as Forças Armadas deveriam fazer é parar de negar a realidade. Um mea culpa seria um passo para a superação de um dos capítulos mais tristes da história do país.

No entanto, o comandante do Exército, Enzo Peri, enviou em fevereiro um ofício a todos os quartéis do Brasil proibindo que dessem informações sobre desaparecimentos, torturas e mortes em dependências do Exército. Disse que centralizaria as informações.

Agora, o Exército se limita a dizer que não contradiz a Comissão Nacional da Verdade, mas não colabora para ajudar a esclarecer as circunstâncias de desaparecimentos e mortes. A Aeronáutica diz que não pode contestar que houve graves violações. E a Marinha dá a resposta mais absurda, de que não tem provas para negar ou confirmar o que diz a Comissão Nacional da Verdade.

A atitude das Forças Armadas mostra que ainda prevalece em sua cúpula um resquício de mentalidade autoritária e de insubordinação em relação ao poder civil. As novas gerações de militares teriam a ganhar com uma mudança de atitude e de mentalidade.

O ministro da Defesa, o diplomata Celso Amorim, tem feito um bom trabalho. Mas precisa cobrar de forma mais incisiva do Exército, da Marinha e da Aeronáutica que virem a página de 1964 com dignidade.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. Rubens disse:

    Bom dia, Kennedy. Esse tipo de distensão proporcionada pelo subordinado comandante Enzo à Comandante-em-chefe das Forças Armadas do Brasil, é a própria revelação de que, habitualmente, essa categoria prefere “pegar no tranco”; só enxerga disciplina a partir da verticalização de sua própria patente.

  2. willians disse:

    Acho muito difícil que antigos generais venham a público hoje e revelem as barbaridades que, em nome do país, fizeram. Entrar no mérito de quem estava certo ou errado, é uma discussão para gerações (uns vão dizer que revolucionários lutavam por uma causa justa, outros que eram um bando de comunistas e que a melhor coisa que se fez foi extirpá-los de vez, até de suas próprias existências. Assim como muita gente vai dizer que eram libertários, lutavam pela liberdade, e que desumanamente a “ditadura” os estraçalhou, assim como fazem as muitas ditaduras pela história)…O que podemos conjecturar? Que, assim como hoje, haviam pessoas de bem e outras não, assim como é hoje…

  3. Almir disse:

    Gozado que as Forças Armadas negam a ditadura e a extensão dos crimes mas não abrem mãos de invocar a Anistia! Se existiu Anistia, por decreto de um presidente militar, é porque houve crimes a serem perdoados. Se a Anistia fosse só para os crimes dos civis, já que os militares “não teriam cometido nenhum”, por que este medo de falar sobre os 21 anos de exceção? Quem se cala consente. Mesmo perdoados, o que nem todos concordam, há a necessidade de se impor a verdade. A História reclama isto. Ou então, para ficarmos coerentes, diremos que naquele período também não haviam ações terroristas.

  4. Ciro Gemelli Junior disse:

    Até hoje existem atrocidades. Tanto de policiais contra bandidos e vice-versa. Mas o que proporciona tudo isso são essas nossas leis feitas por pessoas que só enxergam o próprio umbigo. Infelizmente no Brasil o passado não serve de professor para melhorar o presente!!

  5. Manuel Luiz Lopes disse:

    É inexplicável a postura assumida pelas forças armadas! Os fatos estão à vista de todos! Por que não assumir e punir quem deve ser punido? Quem pratica crime punível, deve ser punido. Ponto final! Qual a razão de não assumirem que “outros”, no passado cometeram esses crimes? Não é a corporação que está em julgamento, mas os que praticaram os crimes comprovados pelos que sofreram diretamente tais ações. Acordem e não prolonguem a sangria!

  6. ANISTIA A TODOS OS CRIMES COMETIDOS ENTRE BRASILEIROS "DONOS DA RAZÃO"! disse:

    Pelo que entendo a anistia foi para os dois lados. Ninguém tem dúvida de que foram cometidas barbaridades, dos dois lados – mas sem nenhuma dúvida que muito mais do lado dos militares, porque sua força era muito superior, em todos os sentidos.
    Mas o que interessa não é medir quem cometeu mais atrocidades.
    O que não se pode deixar de considerar é que a estupidez se deu entre “brasileiros”, cada um se julgando o dono da razão.
    Muito mais importante do que procurar querer levar a tribunais, cadeias etc os brasileiros militares que compunham um dos lados, é analisar tudo e admitir a grande estupidez que é qualquer guerra, mais ainda dentro do próprio país, entre brasileiros.
    A grande lição que devemos considerar como aprendida, é admitir que toda vez que grupos ideológicos deixam de se respeitar como cidadãos de livre pensar, não se vendo mais como “adversários” e sim como “inimigos”, chega-se ao caos da intolerância.
    Não podemos nos esquecermos que muitos civis, alguns até exercendo cargos políticos ou públicos, hoje, faziam parte do grupo político que sustentava politicamente o governo militar, através do partido político chamado de “Arena”: Paulo Maluf e José Sarnei são dois nomes que me vêm logo à mente, mas há muitos outros. Deveriam tais “colaboradores” também irem parar no banco dos réus, se fossem os autores das barbaridades levados aos tribunais?
    Há uma frase do José Sarnei em que ele “justifica” o AI-5 – o golpe mais mortal desferido pela ditadura militar aos seus opositores, quando ele disse, em 1971: “O AI-5 É UMA TRANSIÇÃO IMPOSTA PELA NECESSIDADE DA DEFESA DE VALORES MAIORES”.
    Não podemos desconsiderar que José Sarnei foi o primeiro presidente da República, pós ditadura militar (com a morte de Tancredo Neves, eleito) e hoje é Senador da República, um dos principais braços políticos do governo atual!

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