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Política
07-03-2019, 8h15

Golden shower mascara despreparo e suspeitas de corrupção

Barbárie é usada como arma política no debate público
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Kennedy Alencar
São Paulo

Jair Bolsonaro e seus filhos Flávio, Eduardo e Carlos usam a bárbarie como uma arma política para mascarar o despreparo do presidente, as suspeitas de corrupção que rondam membros da família e as relações perigosas do clã com milicianos do Rio de Janeiro.

A selvageria no discurso político é método. Bolsonaro agiu assim a vida inteira. Era previsível a repetição da fórmula quando chegasse ao Palácio do Planalto.

Surpreendem-se apenas aqueles que aceitaram a “normalização” de Bolsonaro na campanha eleitoral, tratando-o como um candidato democrata. Ao longo de sua carreira política, ele defendeu a ditadura militar de 1964, dedicou o voto pró-impeachment de Dilma ao torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, ameaçou a imprensa, atacou gays, quilombolas e mulheres. É um autocrata.

Em 2018, empresários, militares, políticos, jornalistas e eleitores optaram pelo autoengano para evitar o retorno do PT ao poder e para implementar um programa econômico ainda mais conservador do que o do governo Temer. A enxurrada de fake news que beneficiou Bolsonaro foi considerada uma novidade eleitoral e não um crime contra a democracia.

Também é curioso achar que o ministro Sergio Moro (Justiça) é vítima de uma “bolha” do bolsonarismo radical muito atuante na internet. Moro estimulou o crescimento dessa bolha. Quando juiz, o hoje ministro ajudou a criar o monstro que poderá devorá-lo, como fizeram jornalistas que hoje estão espantados com o modus operandi do presidente da República.

Pouco antes do Carnaval, Fabrício Queiroz, ex-assessor parlamentar de Flávio Bolsonaro, deu a seguinte explicação ao Ministério Público. Tomava dinheiro de funcionários empregados legalmente no gabinete do então deputado estadual para contratar informalmente mais assessores para trabalhar para Flávio Bolsonaro.

Confessa um crime para acobertar a suspeita de outro: apropriação indébita de salários de funcionários da Assembleia do Rio. Pelo padrão Lava Jato, a fragilidade de tal justificativa já teria desencadeado uma série de pedidos de prisões temporárias e preventivas de Fabrício Queiroz, seus familiares e funcionários envolvidos.

O que fez o clã Bolsonaro? Usou a bárbarie como arma política para desvirtuar a atenção de uma acusação de corrupção contra Flávio Bolsonaro, hoje senador pelo PSL do Rio.

Em tuítes escritos geralmente num português capenga, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) abriu fogo, sobretudo contra a imprensa.

No Twitter, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) agiu como um monstro moral, desrespeitando a dor do avô Lula que perdera o neto Arthur de 7 anos de idade.

Na mesma rede social, o presidente da República publicou um vídeo escatológico em reação às críticas e xingamentos que recebeu nos blocos de Carnaval. Pegou um acontecimento isolado e sem relevância para generalizar e depreciar a nossa maior festa popular. Um presidente da República não pode fazer isso com um ativo cultural e turístico do país. Prejudicou a imagem do Brasil perante o mundo.

No “Jornal da CBN – 2ª Edição”, na faixa das 18h às 19h, haverá uma análise mais detida desse tema.

Em resumo, as redes sociais são usadas pela família Bolsonaro para não ter de explicar a perda de mercado para os Estados Unidos, que vão vender mais carne e soja para a China. O presidente também não responde à completa falta de rumo na articulação política em geral e na reforma da Previdência em particular. De propósito, o clã deixa em segundo plano trapalhadas de ministros que não estão à altura dos cargos que ocupam.

No debate público, leva vantagem quem consegue ditar a agenda em discussão. Bolsonaro e filhos escondem o despreparo para o poder com uma nuvem de tuítes que coloca o “golden shower” no centro do debate público, deixando as questões que interessam ao país em segundo plano. Eles também acenam para esse núcleo original do bolsonarismo que só tem a oferecer ao país regressão social e fundamentalismo político.

A seguir, ouça comentários feitos na semana passada e que não foram postados nesse blog como de costume:

26/02

27/02

28/02

Comentários
14
  1. BENJAMIM PEREIRA VILELA disse:

    Lúcido o comentário. Estou preocupado, pois o presidente está muito focado nas questões ideológicas e deixando de lado as questões econômicas.

    • walter disse:

      Caro Benjamin, e Kennedy, o presidente tem correções a serem feitas sim, mas não vamos esquecer as cabeçadas dos últimos na cadeira, principalmente, diante de tantas DISTORÇÕES no País…um presidente eleito, e isto só aconteceu pelas promessas feitas, onde a insatisfação geral, é ignorada por todos os membros centrais constituídos, na condução do País; estes poderes, deveriam sofrer reformas, de Quatro em Quatro anos, e continuam, pela manutenção absurda, do apogeu, neste País, desde a retomada, a tal democracia deformada, que herdamos; ganhando 30 mii mês, muitos já aposentados, vão discutir o que?…temos vícios no USO DO DINHEIRO PÚBLICO, verdadeiras aberrações, e isto incomoda, uma certa rede de televisão por exemplo, que esta barbarizando, quando seu principal membro, já morto, aplaudia a ditadura; transferir culpabilidade, a um presidente, que ousa falar a verdade, não estava nos planos desta gente; ninguém de fato, quer um País livre de tantas sacanagens constantes em Brasília.

  2. Jaqueline Oliveira disse:

    Caro Kennedy, você me representa. Muito obrigada por tanta lucidez diante do caos que atravessa a política do nosso País.

  3. quero receber seus artigos e comentários

  4. BRAGA BH disse:

    estes quatro trapalhões estão fazendo um “golden shower” na cabeça de todos os brasileiros. Principalmente daqueles que acreditaram que poderia ser diferente e votou neles.

    PS.: aguardando ansiosamente o comentário de tres figuras hilárias que sempre estão presentes por aqui!!

  5. Robson Macedo Barreto disse:

    O despreparo de Bolsonaro já era evidente desde a campanha eleitoral. No primeiro debate ficou nítida a falta de conteúdo, daí sua ausência nos demais debates. Sua maior sorte foi a facada, pois daí em diante usou a desculpa da não liberação por parte dos médicos para fugir do candidato opositor. Então nos encontramos nessa situação, ter um presidente incapaz para a imensa responsabilidade de comandar uma nação tão complexa como o Brasil.
    Que Deus tenha piedade de nós.

  6. Jaime Página disse:

    Pois é, meu caro, não tem pior cego que aquele que não quer ver. E o Brasil do Bolsonaro faz bem em não vender carne e soja para a China, não vai alimentar esses comunistas que pregam a destruição da família cristã ocidental (pensamento bolsonarista)

  7. Tiago disse:

    O ANTIPETISMO só produziu aberrações: Collor, Temer, Pitta, Kassab, Dória, etc. O Bolsonaro é apenas a maior delas. Não adianta agora reclamar ou fazer cara de paisagem, enquanto o Brasil não se curar dessa doença, o ódio antipetista insano, vai ser daí para pior. Não podemos achar que depois de tanto ódio e tanta injustiça como o linchamento moral e político de Dilma e Lula iriam produzir alguma coisa boa para o Brasil.
    Parabéns Kennedy por mais uma análise certeira que reproduz de maneira precisa aquilo que milhões de brasileiros pensam.

  8. Ayer Campos disse:

    A suposição é política, o fato é mental.

  9. J K disse:

    O pior de tudo é que tem muita coisa que pode ser feita, especialmente no campo econômico, mas aparentemente ninguém percebe que o país não pode ficar tanto tempo assim nesse estado de letargia, pois ninguém toma a frente. A Dep. Joyce ensaiou falar algo tal como retomada de obras paralisadas, etc. mas o spoiler deixou o cenário mais tumultuado. A meu ver, ela quis pular na dianteira para parecer a “mentora administradora”, mas acredito que o min. Paulo Guedes e mesmo o PR estão reféns dessa sub-administração que vai impondo-lhes a agenda, deixando-os confusos em relação a qualquer iniciativa que devesse ser tomada. Se estão fazendo isso para manter a situação frágil, usando como instrumento de pressão no parlamento e na opinião pública para aprovar a nova previdência, então a estratégia é pior. Bolsonaro não vai conseguir governar. Pode ser que caia, mas se não, serão 4 anos de pancadas e ainda vai ter que entregar enxuto para o próximo.

  10. J K disse:

    Nooosssaaa, essa pauta é quente !!
    Quanto ao ataque disfarçado ao carnaval…. eles bem que podiam conversar com os prefeitos de cidades litorâneas e estâncias turísticas para perceberem quanto a arrecadação sobe por conta desse feriado. É um verdadeiro processo de distribuição de renda onde o endinheirado das cidades busca, locais onde hajam características que atendam o perfil. Não sei se é o período de maior movimentação de pessoas entre cidades, mas deve estar entre os 3 maiores. Pergunte ao prefeito de SP o que ele achou. Em relação às aberrações relaxadas, corrige-se melhor ampliando a oferta de educação aos jovens, depois disso, quando houver uma igualdades maior de possibilidades de acesso, então podemos debater. Falou para a plateia dele, quase dando satisfação.

  11. J K disse:

    Sobre o Guaidó, tenho dito: O pano de fundo de toda essa movimentação é o tráfico internacional. Todo mundo sendo manipulado no tabuleiro global, inclusive o Trump. Se é isso que chamam de Nova Ordem Mundial, eu não quero chegar a ver operando não. É a “uberização” da política, onde as regras quem faz sou eu (sic), conforme a minha conveniência. Não importa qual, o que , nem como se regula. Eu faço e pronto. E posso mudar a regra simultaneamente para atender a necessidade de uma outra frente controlada por um parceiro se reportando ao mesmo “head”.

  12. Veronildo Pessoa disse:

    Caro Kennedy, sou servidor público do INSS, logo não sou um privilegiado. muito pelo contrário. Ouço sempre a CBN quando vou trabalhar e você é um dos poucos jornalistas que me representam. Em todas suas colocações, sempre lúcidas. Infelizmente, nosso povo manobrado que foi pelas redes sociais, colocou na presidência um idiota político. Mas, o Bozo está fazendo apenas o que ele prometeu na campanha. Ele não está enganando ninguém. Agora, todos nós vamos ter que aguentá-lo.

  13. Miguel Ângelo disse:

    Boa matéria. Aguardem o pronunciamento de 100 dias de governo. Possivelmente teremos nele o esquecimento de 100 anos da escravidão. Falarão da Reforma Trabalhista como instrumento de regulação do mercado. E tentarão vender juntamente a isto a Reforma da Previdência. Duas invenções que tornam o brasileiro mais perto dos chineses, do que dos trabalhadores alemães, franceses. Ancorar a aposentadoria a previdência via capitalização é um tiro nas conquistas sociais. Ao governo, o luxo de não mais ser obrigado corrigir as aposentadorias, já que os juros bancários é que comandarão as correções do bolo financeiro, e suas retiradas. E Kennedy, a pergunta que ninguém se faz para daqui 30 anos. E se o salário mínimo tiver ganhos real e for 4x mais do que agora. O que você aposentado terá como poder de compra? Nada! Mas alimentos, moradia, e saúde – remédios, médicos, terão correção em seu valor comercial. Reforma sem garantia de um mínimo, não é reforma. É somente desmonte ou demolição. Acordem!

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2019-06-20 20:44:35