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Política
04-05-2017, 8h41

Governo fez concessões erradas na reforma da Previdência

Resultado é reforço dos lobbies corporativos por regras diferentes
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KENNEDY ALENCAR
SÃO PAULO

Sabida há semanas, a situação real do governo na reforma da Previdência é a seguinte: tem os votos na comissão especial da Câmara, mas não alcançou o número necessário para obter uma vitória no plenário da Casa.

Ontem, o Palácio do Planalto reagiu duramente contra mais uma concessão a um setor do funcionalismo que seria feita pelo relator da reforma, Arthur Maia (PPS-BA), e o pressionou a não incluir os agentes penitenciários nos grupos que já obtiveram regras especiais e mais suaves do que os demais trabalhadores.

O governo fez isso porque tinha os votos para aprovar na comissão o relatório que já foi negociado numa primeira rodada de alterações e queria guardar munição para o plenário. Na situação atual, está claro que o governo terá de ceder mais ao plenário da Câmara para aprovar a reforma da Previdência.

Se cedesse ontem, teria de ceder mais ainda no plenário, desfigurando uma reforma que já começa a ser mal vista pelo mercado financeiro. Logo, vai jogar para fazer mudanças na última hora e num novo pacote que garanta os 308 votos de que precisa para aprovar a reforma em dois turnos de votação na Câmara.

O governo está colhendo o que plantou ao indicar Arthur Maia para relatar o texto da reforma. Hoje, há uma avaliação interna de que deveria ter sido indicado um parlamentar com mais capacidade de resistir a pressões. O presidente Michel Temer também contribuiu para esse clima de tentar ganhar no grito quando recuou na questão dos servidores estaduais.

Arthur Maia cedeu aos policiais civis, federais e rodoviários que invadiram a Câmara em meados de abril. Depois, ele cedeu aos policiais legislativos. Portanto, o próprio governo e o relator abriram a porteira das concessões de uma reforma que começaria com regras para todos, com exceção apenas dos militares, e que já beneficiou categorias do funcionalismo com normas mais benéficas do que o conjunto dos trabalhadores, especialmente aqueles do chamado regime geral, que são os da iniciativa privada.

Ou seja, o governo preferiu ceder a lobbies corporativos, que apelaram para a violência, a manter a ideia correta de regras universais para aposentadoria daqui em diante. Errou e está colhendo os frutos dos seus erros.

Não faz sentido o argumento do governo de que não aprovaria a reforma da Previdência se não tivesse feito concessões ao funcionalismo. A mais recente pesquisa Datafolha mostrou que 71% dos entrevistados se opõem à reforma da Previdência.

Essa reforma tem a rejeição da maioria da sociedade. Se tivesse convencido essa maioria, não teria de ceder a minorias mais organizadas e que já ganham, na média, salários e aposentadorias bem mais elevados do que a maioria dos trabalhadores da iniciativa privada.

É legítimo que os setores do funcionalismo façam reivindicações para manter seus benefícios, mas, numa hora em que há enorme discussão sobre o ajuste das contas públicas, com uma regra de teto orçamentário que poderá ser inviabilizada sem reforma da Previdência, não faz sentido o governo atender a esses pleitos.

Infelizmente, é uma questão de escolha. E o governo escolheu penalizar os mais trabalhadores que ganham menos.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    O país está vivendo a maior crise de representatividade da história. É algo semelhante à Venezuela, só que aqui a ditadura é sindical… Aqui quem manda é pelego !

  2. Joaquim disse:

    O pior é que o povão ainda acha em sua total ignorância, que esta turma esta protestando para protege-lo.

  3. Alberto disse:

    Todas essas considerações não foram levadas em conta quando o STF permitiu o acúmulo de aposentadorias pelos políticos, coisa, que nós, cidadãos, não poderemos ter, mesmo contribuindo para a previdência após a aposentadoria.

  4. Temos direito como povo de não acreditar na necessidade da Reforma da Previdência como está sendo empurrada aos quase incertos futuro aposentados. Muitas vezes não precisamos de ser um Ministro da Fazenda, nem o da Economia, para se arriscar na matemática. Queiram ou não queiram partidário de TEMER, o governo tira 30% dos recursos previdenciários para pagar despesas dele mesmo. É notória a sonegação de 33% de tudo que é produzido, quem não crer nisto, que examine a visão do Fisco sobre sonegadores. Oras, 1º o governo devia parar a sangria, com fim de todos os supersalários e superaposentadorias (aquela sem poupança do beneficiário que suporte o benefício – e devíamos fazer o mesmo para as Fundações Fechadas), 2º- ele deixa de sacar 30% do caixa do INSS, 3º cria um plano de extinção a sonegação (a declarada pelos empresários – conforme evidência da Lava Jato), 4º toma os bens de todos que agiram com tráfico de influências, 5º vamos valorizar o voto e mudar todo mundo. Maia = Bancos Priv

    • Joaquim disse:

      Miguel a sua visão de mundo é o mundo ideal, em que nada dá errado. Em que é possível cobrar de pessoas físicas e jurídicas que não mais existem ( o maior devedor do INSS é as VASP ). Em que o governo pode impor a ferro a sua vontade, infelizmente existe um tal de direito adquirido. E por fim você acha que o governo esta ai para defender você e ele na verdade esta defendendo a se próprio. Quem já viu e viveu uma moratória não quer outra. Por favor acorde.

  5. walter disse:

    Caro Kennedy, como venho afirmando por essência, o governo Temer é mais do mesmo, não tem legitimidade, e nem personalidade; mantém o rabo preso, como as raposas felpudas; demonstrando com clareza, que só esta fazendo, o que é necessário, já que os seus indicados, para negociar são pífios, e estão arrolados nos escândalos da lava jato…
    culparem o Arthur Maia agora; são indicados pelo próprio PMDB, quando não, pelo PSDB, que sempre foi mais competente nisso; por falta de opções internas, indicam qualquer “pangare”, com o serraglio na justiça, e o ministro da saúde como exemplo; não há como fazer mais concessões; vc tem razão, o trabalhador vai arcar com todos os ônus; não será uma reforma para longo prazo.

  6. Edmundo José Pedroza Moraes disse:

    Como podemos aceitar reformas tão importante de um governo ilegítimo com este. Só se envolvem em mentiras e bandidagem. Fora ” TEMER ” e sua camarilha.
    Q DEUS NOS ACUDA.

  7. Waldir de Jesus Seabra disse:

    Que PAIS é ESSE…
    É, continuamos nas mãos de FEUDAIS.
    Propina e negociação forçada, demitindo funcionários pra se ter votos. Pra mim é igual à corrupção. Na grande maioria o corrupto é que força a situação.
    Cortar na carne como o Tremer falou em entrevista, seria cortar as aposentadorias e benefícios elevados que os Feudais teem. Infelizmente a matemática não bate. Pra eles 2+2=6 pra nós trabalhadores é 2. Diminuam esse monte de partidos, parlamentares, sindicatos. Enxuguem a maquina administrativa Municipal, Estadual e Federal. Escada se varre de cima pra baixo. Tá dito

  8. Carlos Gomes disse:

    Se o governo cobrasse dos devedores da Previdência, 427 bilhões, não precisaria fazer reforma alguma. Pagar aposentadoria a quem não contribuiu…DRU 35% e outros desvios.
    Tudo uma questão de gestão!!!!

    • MARILENA disse:

      Nossa meu querido amigo Carlos Gomes! Você disse tudo! Tudo o que eu venho falando a mais de 2 meses. Que o Temer cobre dos Estados, Prefeituras, Bancos (quase todos) JBS (Friboi), Vasp, Varig, etc. Não precisará nem de Reforma! Esses ricos nunca foram cobrados, devem quase 500 bilhões para a previdência. Cadê Ordem e Progresso??? Será que o Temer quer que o filho dele trabalhe para o resto da vida e receba na aposentadoria um salário mínimo mixuruca como é hoje? Ele sabe que em 2018, deixa esse carguinho de presidente e vai curtir com a mulher novinha dele e com todo dinheiro que tem além dos 33 mil por mês da aposentadoria que recebe então não está nem ai para os brasileiros pobres. Falei abobrinha né: Porque que o filho dele vai querer trabalhar com toda essa fortuna do pai? Affff

  9. Jairo Augusto da Rocha Zanardo disse:

    Sou Agente Penitenciário e não quero privilégio, só que imagina alguém com 62 63 anos tendo que conter presos de 20 e poucos anos… Falar que é lobby corporativista é fácil, quero ver abrir uma galeria com mais de 40 presos você e mais 2 agentes como é a rotina. Se alguém tem que ter aposentadoria especial a primeira profissão de estado teria que ser o Agente Penitenciário. Se esse profissional não necessita então nenhum outro precisa.

    • rozy nulman disse:

      Você escolheu essa profissão:ninguém obrigou.

      • ALESSANDRE L NIZA disse:

        Rozy, que insensibilidade. Ninguem obriga, claro, mas alguém terá de fazer o serviço. O que sugere é no mínimo cruel. As pessoas enfrentam certas situações mediante alguma vantagem, pode ser salarial ou algum benefício. Se os servidores que passam por isso não tiverem algum benefício, isso acarretará diminuição dos interessados, com concomitante diminuição da qualificação e assim por diante. Não é assim que se resolve.
        Normalmente essa questão do servidor não é bem esclarecida pela imprensa. O próprio Kennedy aqui no blog se esquece disso, de mostrar que os servidores pagam mais previdência do que os outros trabalhadores, e que a maioria não teem FGTS, nem seguro desemprego, nem aviso prévio, ou seja, não teem os mesmo direitos que um cidadão comum.
        Por isso Rozy, até entendo sua reação e atitude, pois vc como a maioria, é mal informada e a imprensa é muito culpada por isso, pois demonizam os servidores sem esclarecer os pontos acima.

      • Ricardo disse:

        Nossa, como vc é bom em argumentação!

        Porque uma pessoa escolheu uma certa profissão, ela não pode desejar melhores condições de trabalho? Você também deve ser trabalhador. Não sou agente penitenciário, mas posso imaginar a impropriedade de agentes penitenciários e policiais com 60 /65 anos tendo que conterem criminosos.O brasileiro, nessa idade, está todo acabado e doente.

  10. Geraldo Gomes Pires disse:

    Ainda em fevereiro deste ano, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional divulgou um levantamento onde foi constatado que os devedores da Previdência Social têm uma dívida de R$ 426,07 bilhões, o valor devido pelas empresas equivale a três vezes o valor do deficit da categoria, a qual fechou o ano de 2016 em R$ 149, 7 bilhões. Mas por que é tão difícil cobrar esses devedores?
    Para o professor de direito previdenciário no Departamento de Direito do Trabalho e da Seguridade Social, Doutor e Livre-Docente pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), Marcus Orione, o que existe é uma real falta de interesse político em tratar seriamente um assunto que, por si só, resolveria o problema da Previdência.
    Além disso, o especialista ressalta que empresas isentas de pagar contribuições em cima do valor bruto salarial de seu empregado também contribuem para o rombo. Outro fator problemático apontado por Orione é a Desvinculação das Receitas da União (DRU), que atualmente representa

  11. MARISTELA ALVES GONCALVES disse:

    Este governo comunista não tem moral em falar em reformas. Este sujeito foi vice de Dilma duas vezes. Ele é cúmplice de tudo que o PT fez contra o povo brasileiro!!!!!

  12. na minha opinião para melhorar a previdencia e renda para o país!
    fim da aposentadorias para politicos, redução de altos salarios para eles porque politico NÃO É PROFISSÃO! . portanto dois salarios minimos para qualquer um deles indepedente de cargo. se fosse dois salarios minimos para politicos ainda não ia faltar pretedentes quem não gostaria de ganhar dois salarios mimnimos para não fazer pois repito não é profissão! e sem nenhuma mordomia todos os gastos deles teria que
    sair do propio bolso. são muitos politico e cada um deles até vereadores que é o cargo mais baixo tem direito a ter acessores com isso mais salarios jogado no lixo e faltando para desenvolver
    o pogresso do brasil!

  13. Carlos Cogliatti disse:

    IGUALDADE ENTRE HOMENS E MULHERES?NA PREVIDÊNCIA NÃO, NÉ? Tem que igualar a idade da aposentadoria para homens e mulheres. Se as mulheres trabalham também em casa os homens que na sua maioria trabalham em serviço pesado suportando peso nas costas, carregando e descarregando caminhões, no trabalho que necessita de fôrça física como na construção civil, os caminhoneiros e motoristas de ônibus que cruzam as estradas desses País.Os homens morrem mais cedo ou ficam inutilizados com problemas de coluna etc. Isso você não vê! Muitos deles também tem segunda jornada, pois tem tarefas domésticas quando moram sozinhos ou a mulher não gosta de ajudar em casa a não ser ver novelas! Direitos e deveres pra todos

  14. Luiz Pumgartten disse:

    Interessante é notar que hoje temos mais gente aposentada como trabalhadores rurais sem nada contribuir do que existem cadastrados pelo IBGE como existentes no trabalho rural. Ou seja, muita corrupção, que acontece porque como nada contribuem para o INSS, solicitam uma “cartinha” dos sindicatos rurais (sabemos quem são estes pelegos petralhas) e de posse disto o INSS aposenta os “coitadinhos” com um salário mínimo. Vergonha são as mordomias que recebem os políticos, juízes e seus satélites policiais e outros incluindo os dos sindicatos rurais. Não vai dar certo esta pseudo reforma. Ou seria para todos ou é melhor sair de fininho com esta enganação.

  15. gilson bittencourt disse:

    Estatisticamente o autônomo por descredito futuro nos governos e fundos de bancos ou precarização dos salários, mais ainda agora sem força alguma para negociar, “individualmente direto com patrão,é aceitar ou ser substituído, a fila é grande”, contribui infinitamente menos que o de carteira assinada.

    Vai quebrar o caixa de dinheiro dos aposentados que contribuíram a vida toda e agora na sua vez de sacar suas economias os governos que já utilizaram as economias dos aposentados para outros fins e fez desonerações para aumentar o lucro do empresario erra novamente ao desobrigar o recolhimento de uma parte do salario do empregado para previdência, já contabilizada que hoje é repassada para o consumidor no preço do produto e serviço. Não sai do bolso do empresário e sim do consumidor.

    Falta o temer mudar o texto da reforma da previdência para garantir a previdência publica já paga pelos aposentados, com recursos do tesouro, “sistema de proteção social” pois está mudando o modelo atual.

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2020-04-09 22:41:46