aki

Kennedy Alencar

cadastre-se aqui
aki
Política
02-12-2015, 22h28

Governo já esperava ataque de Cunha

É escandaloso aceitar pedido no dia em que PT nega proteção
10

Kennedy Alencar
BRASÍLIA

O governo já esperava a decisão de Eduardo Cunha de aceitar o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff _especialmente após a decisão da bancada do PT de não proteger o peemedebista no Conselho de Ética da Câmara.

Cunha sempre deixou claro que poderia tirar o pino da granada do impeachment a qualquer momento. Faz isso agora para tentar se salvar.

É muito simbólico que o presidente da Câmara tenha tomado a decisão justamente no dia em que a bancada do PT fechou questão orientando os deputados do partido no Conselho de Ética da Câmara a não salvar o presidente da Casa de um processo de cassação de mandato. Cunha está usando uma prerrogativa do cargo para retaliar.

No final da tarde, o governo ainda estava digerindo a notícia, mas já contava com ela. Existem agora dois caminhos. Um deles é político: reunir votos para enfrentar uma votação na Câmara. O governo precisará ter mais de um terço dos 513 deputados para barrar o impeachment.

Não é difícil obter esse apoio para quem está no governo. Mas é claro que essa discussão vai dominar o noticiário político.

Havia dentro do governo, nos últimos dias, uma percepção de que não era mais possível adiar o enfrentamento desse processo de impeachment.

Se salvasse Eduardo Cunha no Conselho de Ética, haveria depois um recurso no plenário da Câmara, uma votação aberta. Na semana passada, uma votação aberta no Senado sobre o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) mostrou que seria mantida uma sintonia com a opinião pública. Foi mantida a prisão do Delcídio que havia sido decidida pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Se houver uma votação aberta, provavelmente Eduardo Cunha seria derrotado. O PT e o governo seriam chantageados novamente.

Pesou na avaliação do governo a sensação de que a chantagem não teria fim. Isso ficou claro com a decisão do PT de não apoiar Eduardo Cunha. Ato contínuo, ele aceitou um pedido de impeachment.

Cunha já havia dado várias entrevistas em que estipulava prazos para tomar uma decisão. Seria no final de outubro, passou para 15 de novembro. Cunha sempre jogava ora com a oposição, ora com o governo, para ver quem poderia salvá-lo.

Como o governo e o PT tomaram a decisão de não socorrê-lo, ele aceitou um pedido de abertura de processo de impeachment.

Há ainda uma frente jurídica à qual o Planalto deverá recorrer. Primeiro ao STF, contestando a decisão de Cunha, dizendo que a presidente não cometeu crime de responsabilidade. E a mudança da meta fiscal de 2015, que acabou de ser aprovada, ajuda um pouco nesse sentido, porque a presidente não pode ser acusada de desrespeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal.

O plano do Palácio do Planalto, por meio do PT, é apresentar um recurso ao STF. Primeiro, sob a alegação de que a presidente Dilma não teria cometido crime. Segundo, será feita uma avaliação jurídica. Alguns deputados do PT têm discutido apresentar ao Supremo o argumento de que Eduardo Cunha só aceitou o pedido em retaliação à decisão do PT e que teria, portanto, abusado de uma prerrogativa em benefício próprio.

Os deputados pretendem juntar declarações antigas de Cunha em que ele afirmou que decidiria em determinada data.

É uma tremenda coincidência. É escandaloso que o presidente da Câmara, que sofre graves acusações, aceite abrir um processo de impeachment justamente no dia em que o PT se nega a salvá-lo.

Ouça o primeiro comentário na “CBN”, às 18h56, logo após a decisão de Cunha:

Mais tarde, às 20h11, outro comentário, sobre tom duro do discurso da presidente Dilma:

Veja também as análises no “SBT Brasil”:

Entrada 1

Entrada 2

Comentários
10
  1. Mauro disse:

    Era óbvio, claro e fatal, que Cunha tiraria o pino da granada, ao ser encostado na parede, sem contar com o apoio do PT.
    Queiram ou não, o PT no desespero suicida de continuar sua tentativa de governo, vai abandonando seus aliados e seus membros a própria sorte, pois já sentiu que defender o indefensavel é dar tiros no próprio peito e com a tatica de ir segregando “mortos e feridos”, vai andando metro a metro para defender seu território, a todo o custo e a todo preço.
    Eduardo Cunha, a despeito de todas as acusações que lhe são imputadas, faz parte da base governista e a postura do PT de abandona-lo a própria sorte, pode resultar em um intenso e imprevisivel “fogo amigo”, onde o espirito de corpo, pode sim causar danos sérissimos a base governista, podendo levar a “morte” lenta e dolorosa da presidenta.

    • Joaquim disse:

      Mauro deixa eu discordar de vocês dois, quem tirou o pino da granada, foi o próprio governo, que não governa. Que alimenta a corrupção, que só pensa na próxima eleição.
      Dilma, Cunha e Renan, façam um bem para o pais e para vocês RENUNCIEM.

  2. Wilson disse:

    O texto contem um equivoco. O governo tentou ate o ultimo minuto salvar a pele do Cunha. Foi o PT quem o rifou.

  3. antonio barbosa disse:

    Felizmente para o Brasil o fim está próximo. Daqui para frente não haverá mais governo, ou seja, nada diferente do que acontece desde que Dilma assumiu no primeiro mandato. Quem governa o Brasil ainda é o Lula que nunca largou o osso, mesmo estando nos bastidores. Dilma é um aspone, nada além disso. Contudo Lula está com um pé em Curitiba e já não consegue mais articular nada. Fim de feira. Agora vamos aguardar as avalanches de protestos e queira Deus que isto não termine em pizza, caso contrário iremos todos para o fundo do poço aonde existe uma pá.

  4. Advogado do Diabo disse:

    Cunha cometeu suicídio político. Deve ter ficado irado ao saber que não teria mais apoio do PT e perdeu a cabeça, literalmente. Presumo que ainda vai se arrepender amargamente do que fez. E é curioso notar como os políticos hoje em dia não são mais políticos, não agem mais politicamente. A melhor coisa que Cunha poderia ter feito é não ter feito nada. Ir para casa, tomar um banho e destilar seu ódio em alguns goles de whisky. Dizem que é evangélico e os evangélicos acreditam fortemente em um deus que resolve problemas materiais. Mas… o sentimento da perda do poder foi mais forte e ele decidiu dar o “murro na ponta da faca”. Não há mais esperanças para ele. Vai passar seu último natal como deputado. Será cassado, oxalá condenado e talvez até preso. Ficará inelegível e verá seu poder esvair-se em comentários negativos. Enfraquecido, será a refeição das hienas e dos chacais do planalto central. Mas não tenho dó dele, que colha o que plantou.

  5. José disse:

    Que morram abraçados, Cunha e Dilma se merecem, e na boa Kennedy, escandaloso é o que o PT fez com o Brasil e com o próprio PT.

  6. Pedro Gomes disse:

    “São inconsistentes e improcedentes as razões que fundamentam este pedido. Não existe nenhum ato ilícito praticado por mim. Não paira contra mim nenhuma suspeita de desvio de dinheiro público. Não possuo conta no exterior, nem ocultei do conhecimento público a existência de bens pessoais.

    Nunca coagi ou tentei coagir instituições ou pessoas na busca de satisfazer meus interesses. Meu passado e meu presente atestam a minha idoneidade e meu inquestionável compromisso com as leis e a coisa pública”. (Dilma Roussef).

  7. Paulo disse:

    a política brasileira ultimamente (ou será que foi sempre?) se resume a isso: chantagem e retaliação de ambos os lados.

  8. Alberto disse:

    O governo foi surpreendido,isso sim. O resto é perfumaria.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados

Não serão liberados comentários com ofensas, afirmações levianas, preconceito e linguagem agressiva, grosseira e obscena, bem como calúnia, injúria ou difamação. Não publicaremos links para outras páginas devido à impossibilidade de checar cada um deles.

2020-11-30 07:22:58