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03-09-2019, 7h42

Greenwald deu aula de jornalismo e democracia no “Roda Viva”

Vaza Jato fortalece, sim, o combate à corrupção no Brasil
31

Kennedy Alencar
BRASÍLIA

A entrevista do jornalista Glenn Greenwald ao programa “Roda Viva” foi muito útil para explicar princípios básicos do jornalismo à opinião pública. Também serviu para mostrar de forma didática a força das revelações da Vaza Jato, que expuseram o modus operandi ilegal de estrelas da Operação Lava Jato.

Greenwald deu uma lição básica de jornalismo: o repórter pode publicar qualquer informação obtida de fonte que agiu ilegalmente se houver interesse público em jogo. O jornalista não pode cometer crime para obter informação. Greenwald, que já havia dito isso inúmeras vezes, repetiu ontem no programa de TV.

Ele também agiu corretamente ao proteger  as suas fontes, como a ex-deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) e o hacker. O sigilo da fonte é um direito constitucional de todas as democracias avançadas. Não há reparos a fazer às condutas de Greenwald e Manuela.

Obviamente, o crime de hackeamento merece ser apurado, mas o mais importante é investigar o conteúdo das revelações feitas pelo arquivo do “The Intercept Brasil” e diversos outros veículos de imprensa e repórteres que verificaram a autenticidade do material.

Combater o crime cometendo crimes é uma grave forma de corrupção do sistema judicial. Isso é perigoso para a democracia porque esse sistema deveria garantir um devido processo legal a todos os cidadãos. Bandidos não têm o mesmo nível de compromisso com a lei que operadores do direito.

Juízes e procuradores, que aplicam a lei, não podem agir como justiceiros. Milícias começaram assim.

A Vaza Jato, como disse Greenwald, fortalece o combate à corrupção no Brasil. Refina procedimentos. Estabelece limites que um agente da lei não pode cruzar nunca. Formalidades importam no direito para garantir a segurança jurídica de todos os cidadãos.

O ex-juiz Sergio Moro, o procurador da República Deltan Dallagnol e outros integrantes da Lava Jato tentam justificar um comportamento abusivo e ilegal em nome de um bem maior: prender corruptos. Isso é, basicamente, dizer que os fins justificam os meios. É cinismo e corrupção, como afirmou Greenwald.

Apurar métodos corruptos de agentes públicos que deveriam seguir a lei é importante para o futuro do jornalismo e da democracia no Brasil. Em entrevista ontem ao “Jornal da CBN – 2ª Edição”, o ministro Gilmar Mendes defendeu a apuração do conteúdo da Vaza Jato.

Greenwald inclusive reconheceu erros, o que é honesto da parte de um jornalista. “Errou? Corrija” é um princípio basilar que todos nós jornalistas sabemos e devemos aplicar. O jornalismo não tem compromisso com o erro, especialmente dos poderosos.

Na balança da Lava Jato, há outro ponto fundamental: corruptores se deram muito bem na comparação com corruptos. Houve uma estratégia deliberada de criminalizar a política que contribuiu para eleger o presidente Jair Bolsonaro.

Recomendo que assistam ao “Roda Viva” com Greenwald, que foi ao ar ontem na TV Cultura. O programa tem sido comandado pela competente jornalista Daniela Lima. Foi um golaço a entrevista.

*

Entrevista esclarecedora

Na noite desta terça, no “Jornal da CBN – 2ª Edição”, voltei a falar da entrevista de Greenwald ao “Roda Viva”. Escute a partir dos 7 minutos e 25 segundos no áudio abaixo:

Comentários
31
  1. Paulo disse:

    Faltou comentário sobre o ataque dos próprios jornalistas do roda viva a liberdade de imprensa. Pareciam ditadores babando censura. Atacaram o Glenn simplesmente por fazer jornalismo. Foi um show de horrores.

    • Paulo Estrela disse:

      Pois é! Fiquei me perguntando se aqueles jornalistas cursaram mesmo uma faculdade de jornalismo. Será que na faculdade não ensinam isso? Os colegas deles publicam todos os dias vazamentos de informações e ninguém é acusado de crime ou falta de ética. Felizmente tiveram uma aula no Roda Viva. Será que o Glenn distribuiu certificado de participação pra eles?

    • walter nobre disse:

      Kennedy, estaria tudo certo não fosse a omissão do Glenn, em não submeter a Policia federal as tais transcrições criminosas, continuando a insistir de forma orquestrada, de acordo com o calor do momento; NÃO ERAM FONTES, ERAM INFORMAÇÕES DO HACKER, QUE TINHA TOTAL INTERESSE NESTA SITUAÇÃO BISONHA, nada justifica todo o espetáculo, para não dar em NADA, já que os procuradores são honestos de origem, se atravessaram em algum momento, foram atos que não alteraram casos; este crime foi encomendado, para descredenciar a Lava Jato de qualquer forma…Enfim, não há inocentes em todo este processo, o que realmente deve ser apurado, QUEM foi o mandante…isto importa!

    • walter nobre disse:

      Exatamente! A postura da maioria dos entrevistadores foi lamentável, sobretudo dos representantes do Correio Braziliense e de O Globo.

  2. Rudi disse:

    É confortador saber que ainda existe imprensa que se pauta pela independência e correção.
    Parabéns Kennedy e Greenwald. Tem luz no fundo do túnel.

    • Parabéns Kennedy, subscrevo, integralmente, sua matéria em nome da liberdade de imprensa e da democracia.
      O Glenn deu a nós leigos e a muitos pseudos jornalistas, inclusive todos da bancada do Roda Viva, uma aula de jornalismo, profissionalismo e conduta ética.
      O comportamento dos jornalistas da bancada do Roda Viva não envergonha somente à categoria e à profissão, mas a todos nós brasileiros e brasileiras que REALMENTE não toleramos nenhum tipo de corrupção, independentemente da sua autoria.
      Pela primeira vez em minha vida eu comemoro o fato do futuro deste país estar na mão de uma americano: Glenn Greenwald.

  3. BRAGA-BH disse:

    Se estivesse vivo, acho que Freud iria achar uma amaravilha a entrevista de Glen. Profissionais da mesma categoria defenestrando um trabalho sério e fático de um companheiro. Porquê? Muito provavelmente porque nãoa ceitam que erraram. Não aceitam que foram manipulados, que foram usados e que não fizeram o seu trabalho de jornalismo investigativo de maneira descente. GG mostrou ontem a eles que recebeu um material bombástico, teve o trabalho de avaliar os fatos, investigar toda a nuance da reportagem e, de maneira bem didática e homeopática, está mostrando aos outros como é realmente feito um bom trabalho jornalístico.
    Parabens ao GG pela persistencia, Parabem ao KA pode se manter firme neste lamaçal que é a mídia brasileira!

  4. Joãozinho disse:

    Foi dinâmico e inteligente as Respostas de Greewald

  5. Carlos Sete disse:

    Kennedy, continue sendo esse jornalista verdadeiro e equilibrado, você representa o verdadeiro profissional.

  6. Guilherme disse:

    O Roda Viva não pratica jornalismo de verdade há anos. É partidário, quando entrevista qualquer pessoa situada mais à esquerda, fica valente, para não dizer leviano. Quando o entrevistado -e de direita, fica submisso e bajulador. Temos que deixar bem claro, o Roda Viva está na coleira de seu mantenedor o Governo de SP, que é sinônimo de PSDB. Greenwald é destemido e articulado, colocou os cães da grande mídia, travestidos de entrevistadores, no bolso. O Brasil carece de verdadeiros jornalistas.

  7. Foi perfeito o Glen não se pode negar o conteúdo, o jornalista recebe a informação e verifica a sua autenticidade, sendo verídico tem que ser publicado, principalmente de interesse público.

  8. ruy marcondes garcia disse:

    Não há como deixar de apontar uma certa dose de corporativismo de sua parte, ao não se referir ao comportamento indecente de alguns de seus colegas jornalistas durante a entrevista.

  9. Júlio César Onofrio disse:

    Da Constituição Federal de 1988:
    Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
    X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;
    XII – é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal.
    Por acaso Greenwald tinha ordem judicial?

    • Diule disse:

      Por acaso foi o Greenwald que furtou os dados? Claramente você não viu a entrevista.
      Se for por questão de ordem judicial a maiorias das reportagens teriam que ser censuradas.

    • André disse:

      Você deixou cair este aqui, do mesmo artigo:

      XIV – e assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional.

  10. VANESSA disse:

    Eu também percebi um pouco de ataque ao Glen, mas, ele respondeu
    prontamente a todas as perguntas de maneira clara. Eu acredito que
    ainda teremos muito a agradecer pela ousadia e coragem do jornalista Glen e do jornal The Intercept.

  11. Julio Moreira disse:

    O Plano A dos lavajateiros, sempre foi abrir o caminho e prendendo Lula e Demonizando o PT, para que o PSDB chegasse ao poder pela pessoa do Dória, o PSDB pisou no próprio rabo e se auto-imolou, o Bolsonaro caiu de para-quedas na lavajato e foi bem vindo e ajudado , mas o Jair traz consigo filhos corruptos, idiotas e arrrogantes, traz as milícias a eles ligados, traz a ignorância do Bolsonaro, tanto é verdade que seu Guru é um doido varrido, foi proibido de participar de debates, e por aí vai, se tudo tivesse dado certo e o Dória tivesse sido eleito presidente, o Green já estaria na cadeia. Hoje felizmente sabemos que temos uma justiça ACOVARDADA, uma PF direitista, um MPF conivente e sem compromisso com a legalidade, uma imprensa secularmente antí-democrática e quem for o próximo mandatário no Brasil já terá explicitado Quem é Quem nesse jogo de poder.

  12. Carlos Evaldo Makiak disse:

    Parabenizo vocês pela informação correta que estão dando ao jornalismo, mas vejo pouca atitude tomada contra os corruptos: Moro, Dalgnol etc. Espero haver punições aí, porque se não continuaremos a viver a “República de bananas”.

  13. ANDRE JUNGMANN PINTO disse:

    Parabéns Kennedy, o jornalismo precisa de gente como vc e Glenn

  14. Jefferson Cabral disse:

    Apesar do esquema preparado p encurralar Glenn, os jornalistas do governo foram derrotados, alguns até com tom de humilhação.
    Francamente, tantas perguntas imbecis que o entrevistado deitou e rolou.
    Tinha que vir um cara de fora p escancarar essa sujeira, mas um cara destemido, sumidade. A imprensa brasileira tem preservar esse cara, que inclusive corre riscos!!

  15. uilson santos disse:

    Uma entrevista de comadres e compadres. Parece mesmo que haviam combinado com o entrevistado as perguntas e respostas. Nada se falou dos grandes especialistas do direito que nada viram de anormal nas conversas de Moro e Dallagnol, a exemplo da grande ministra Eliana Calmon, do respeitável Ayres Brito e do admirado Ives Gandra Martins. Notamos que a mediadora da entrevista estava absolutamente insegura, escolhendo palavras para não pressionar o entrevistado e desagradar a direção da casa. A representante do Correio Brasiliense estava construindo perguntas de modo a facilitar as respostas do Glenn, no que se chama de “levantar a bola para o outro cortar por cima da rede”. Tudo nos pareceu ensaiado. Até mesmo o representante de O GLOBO – do grupo duramente criticado por Gleen – se manteve light, estava desconfortável para fazer criticas mais duras. Teve grande receio do efeito “corporativismo”.

  16. Elson disse:

    Achei a entrevista excelente e as respostas do Greenwald me surpreenderam! Principalmente quando foi perguntado se Moro poderia se tornar presidente. A resposta dele foi: se Jair Bolsonaro foi eleito, qualquer um pode ser eleito presidente do Brasil!

  17. Allan Sales disse:

    Uma cena pavorosa/A TV virando abismo/Jornalista inquisidor/Como coisa do fascismo/E o Glen pondo por cima/ Uma aula de jornalismo (poeta Allan Sales)

  18. antonio coquista disse:

    kennedy, boa tarde, sou seu leitor e escutador assíduo da CBN mas realmente faltou um registro sobre a bancada de jornalistas que entrevistaram o GLENN, horrível, jornalistas que foram escolhidos a dedo para atacarem o GLENN. como diz MINO CARTA jornalista que ser mais que o dono do Jornal…..

  19. yared disse:

    os inquisidores do Roda Viva rasgaram a ética e jogaram no lixo o bom jornalismo, que informa, denuncia e investiga aqueles que se acham acima do bem e do mal. agiram como fascistas, será que fariam o mesmo com o Bolsonaro? parabéns ao Glen Greenwald,por sua postura.

  20. Sebastiao Brito disse:

    Mostrou, de forma bastante clara, o que falta na maioria de jornalistas brasileiro, mais preocupados com a aparência física.Em alguns momentos parecia que nem sabiam o que perguntar. Tiveram uma aula de jornalismo

  21. Beto Res disse:

    Parabéns ao Greenwald, Kennedy, Reinaldo Azevedo, Juka Kfouri, José Trajano, Sakamoto, José Simão. Vocês são jornalistas sérios e imparciais. Parte da imprensa se vender e tolerar os atos do Moro e do Deltan é verdadeiro atentado a democracia. Já vimos isso no passado e a maioria dos jornalistas da Record, SBT, Redetv e Globo vão pagar caro por fazer “jornalismo de faz de conta”.

  22. Jorge Carlos disse:

    “A entrevista do jornalista Glenn Greenwald ao programa “Roda Viva” foi muito útil para explicar princípios básicos do jornalismo à opinião pública”.

    E mais: aos jornalistas presentes. Foi constrangedor os jornalistas perguntadores não saberem ou questionarem princípios basilares no jornalismo.

    Mas, sabe-se lá, o por quê disso. Ignorância ou má-fé, ou os dois.

    Enfim, como estamos, numa democracia, e a liberdade de expressão deve sempre viger.

  23. DARLEY ALVES FERNANDES disse:

    (Bandidos não têm o mesmo nível de compromisso com a lei que operadores do direito) […] Acho que esse é o ponto. É preciso entender que a lei é o que dá direito e autoridade a seus agentes, mas ela também limita as suas ações. Bandidos não vêem esses limites, eles aderem o lado oposto daquilo que a lei permite, por isso são transgressores. Juízes, Procuradores não podem ignorar a lei quando ela limita as suas ações, inibindo justamente que eles cometam ilegalidades. O interessante é que “homens da lei” sempre usam argumentos de bandidos, transgressores, quando a lei limita suas pretensões espúrias a ela mesma.

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