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Economia
12-02-2019, 23h46

Guedes sofre 1ª derrota oficial no governo

Ministro é fiador de Bolsonaro como FHC foi de Itamar
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

De certa forma, Paulo Guedes está para Jair Bolsonaro como FHC esteve para Itamar Franco. O ministro da Economia é o principal fiador do atual governo.

Do Hospital Albert Einstein, Bolsonaro arbitrou a primeira derrota oficial de Guedes e da equipe econômica. A proteção tarifária aos produtores de leite do Brasil contra os concorrentes da União Europeia foi mantida como queriam a ministra Tereza Cristina (Agricultura) e os ruralistas, apoiadores entusiasmados de Bolsonaro na campanha eleitoral.

O liberalizante e privatista Guedes teve de recuar, como ficou evidente no tuíte em que o presidente disse hoje que a ministra da Agricultura e o governo mantiveram “o nível de competitividade” dos produtores de leite do Brasil.

Guedes tem gordura para queimar. Ele já disse que vai concentrar a sua energia para vencer a guerra: aprovar a reforma da Previdência. Faz sentido.

Mas hoje perdeu uma batalha. Se episódios do tipo se repetirem, o mercado vai começar a retirar o entusiasmado e acrítico apoio que dá ao atual governo.

*

Matadas no peito

Corretamente, o ministro Luiz Fux decidiu suspender duas ações penais contra o presidente Jair Bolsonaro. A imunidade presidencial em relação a atos alheios ao atual mandato está no artigo 86 da Constituição.

Com Michel Temer, abriu-se um precedente ruim. O STF decidiu que o titular do cargo mais importante do país poderia ser investigado, mas não processado. Havia diferenças jurídicas, um na fase de inquérito, outro com denúncia aceita.

Mas Fux blindou Bolsonaro completamente, o que é certo e deve valer para o atual e futuros presidentes. Eles merecem o devido sossego constitucional para governar.

As duas ações são baseadas na recriminável conduta de Bolsonaro, que disse que a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) não merecia ser estuprada. Essa violência contra a mulher foi considerada crime quando o STF aceitou a denúncia da Procuradoria Geral da República.

Fux deu uma bela ajuda a Bolsonaro ao embarcar na estratégia protelatória da defesa do acusado. Matou no peito de forma errada quando agiu assim. Agora, matou no peito restabelecendo um respeito à Constituição que não deveria ter sido quebrado.

*

Abuso de poder

É grave o episódio de vazamento de uma investigação da Receita Federal sobre o ministro do STF Gilmar Mendes no qual o próprio órgão reconhece não haver crime. Se não tinha crime, por que vazou?

Ora, para manchar a reputação de Mendes e de sua mulher, a advogada Guiomar Mendes.

Se esse absurdo ocorre com um ministro do STF, imagine em relação ao cidadão comum. Houve o chamado abuso de poder.

Os fãs do rigor penal nos olhos dos outros poderiam aumentar a gravidade de atos abusivos praticados magistrados, integrantes do Ministério Público e membros da Receita Federal. Usar o poder do Estado contra desafetos políticos fere a democracia.

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Trapalhada federal

Essa CPI Lava Toga estava com pinta de retaliação à decisão do presidente do STF, Dias Toffoli, de determinar que a eleição para presidente do Senado fosse via voto secreto.

O Judiciário merece ser escrutinado como foram o Legislativo e o Executivo. O padrão Lava Jato precisa apurar corrupção de magistrados e membros do Ministério Público. Mas essa CPI soou como mais uma trapalhada da Casa Civil a fim de um revide político apressado e ruim para quem está no governo.

*

Laranjal

A “Folha de S.Paulo” revelou outro caso de candidata a deputada federal usada como laranja pelo PSL. O episódio mais recente envolveu o presidente do partido de Bolsonaro, o deputado Luciano Bivar (PE). A PF (Polícia Federal) entrou no caso.

Algo semelhante também aconteceu com o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, eleito deputado federal pelo PSL mineiro com o mesmo expediente cítrico.

Tantas laranjas evocam o caso Fabrício Queiroz, que anda em banho-maria desde a eleição. O crescimento do laranjal tem potencial para criar problemas para o Palácio do Planalto.

O presidente Jair Bolsonaro tem cobrado a PF a esclarecer o atentado que sofreu no ano passado. A Polícia Federal, num inquérito, concluiu que foi uma ação solitária de alguém com problemas psiquiátricos.

A insistência do presidente é tática diversionista. Ele deveria cobrar da PF empenho semelhante para investigar o laranjal do PSL para ter coerência com o discurso moralista de campanha.

*

Jeitoso

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), costurou um acordo para dividir o comando das comissões da Casa entre os partidos. Ele está tentando apaziguar ânimos após a sangrenta disputa pelo comando do Senado. Agiu certo ao costurar um acordo com as bancadas.

Essa ação é positiva para a agenda legislativa do governo, mas será preciso ver a conduta cotidiana na condução do Senado para averiguar se a habilidade política de Alcolumbre será mantida.

Fato raro

No atual clima de intolerância no Brasil, a reação da opinião pública à morte do jornalista Ricardo Boechat foi um dos raros momentos recentes de união do país, notou um filho inteligente de um amigo. A romaria de políticos de várias tendências ao velório do jornalista evidenciou disso.

Ouça abaixo os comentários feitos hoje no “Jornal da CBN – 2ª Edição”:

Comentários
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  1. Ronaldo disse:

    Está tudo,mas tudinho mesmo como dantes no quartel d’Abrantes. Não sei se isso é bom ou ruim, afinal democracia plena sempre incluiu desvios de conduta que levaram a muita coisa ruim, já os regimes de exceção apenas conseguiram manter em sigilo tais desvios. Não tenho saudades de nada dos velhos tempos e honestamente não vejo no horizonte nada de realmente novo se aproximando apesar de acreditar nas boas intenções de quem está no poder. O problema é que segundo o senso comum, de boas intenções o inferno está cheio !

  2. Demostenes Salem disse:

    Longe do exagero de direitistas de língua grande e que ainda falam em “comunismo” como argumento das mazelas ocorridas e causadas pelo Poder Legislativo, o que se observa é um governo montado num píncaro das controvérsias econômicas, o atual Ministro Guedes, e a incompetência do “fazer”. Nem sempre em uma democracia é possível o fazer, valendo mais o “harmonizar”. Nesse ponto, Alcolumbre tem tentado ser o “Renan” do PSL, mas visivelmente corporativista como o malfadado Rodrigo Maia que na pior das hipóteses deveria ser apenas “vereador” de sua cidade.

  3. walter disse:

    Kennedy, acho uma excelente medida, a proteção dos nossos produtores; diferenças com seus auxiliares, sempre vão ocorrer, acho positivo que o presidente mantenha sua linha de promessas; a bancada ruralista, terá um papel fundamental em suas aprovações no congresso…as duas ações, suspensas pelo FUX contra o presidente, são previstas ao chefe da nação; são ações, que já deveriam estar extintas…a correções sobre a critérios que punam Juízes, que cometam desatinos, devem estar claras; claro que o judiciário não quer, mas deverá estar prevista; quanto ao Gilmar, não pode se achar acima dos cidadãos de bens, o que prova que aí tem…o atentado ao presidente, não foi uma ação isolada, aqueles advogados da defesa confirmam, o atentado…vejo mais acerto no senado, do que na câmara…temos que seguir acreditando no presidente, que deverá ter alta, ainda esta semana, isto vai mostra melhor suas ações; este apego aos eleitores, vão nortear grandes vitórias..

  4. CERVEJA DA CHAPADA disse:

    Gostei do texto… Me pareceu informativo e não partidário. A narrativa nos traz fatos e deduções equilibradas.
    Jornalista de verdade trabalha assim.
    Parabéns!

  5. DIRETO AO ASSUNTO: LAVA JATO MODELO GERAL X É PRECISO ESTANCAR ESSA SANGRIA! disse:

    Quem mata ou tenta matar dolosamente alguém, tem problemas psiquiátricos. E isso não justifica crimes. Há evidências de haver gente por trás de Adélio. Havia motivos de sobra para muita gente querer que Bolsonaro fosse assassinado. Como havia muita gente por trás do assassinato do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel; ex-prefeito de Campinas, Toninho do PT; ex-vereadora Marielle; PC Farias do governo Collor; etc. Se as Polícias quiserem, elucidam esses crimes e muitos outros semelhantes. O modelo é a Lava Jato colocando na cadeia os corruptos do Executivo, Legislativo e empresariado! E é preciso, urgentemente, Ministério Público Federal, Polícia Federal, Receita Federal, Povo nas Redes Sociais, Povo nas Ruas, promoverem uma “Lava Toga” para limpar o Judiciário e uma “Lava Assassinos”, para que cesse a reação dos bandidos, inspirada no brado “É PRECISO ESTANCAR ESSA SANGRIA”, proferido por um bandido perigoso, assustado com os efeitos da Lava Jato.

  6. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    O senador Alcolumbre está demonstrando excelente habilidade na chefia do Senado, mas não poderá jamais deixar na conta da impunidade a atitude indecente, ilegal e indigna da senadora Katia Abreu ao retirar desonestamente os documentos da mão do já eleito presidente da Casa.

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2019-07-21 09:40:35