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Política
29-10-2019, 19h56

Hienas de Bolsonaro são estratégia de desconstrução do Brasil

Além de fugir do caso Queiroz, objetivo é destruir instituições
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

O presidente Jair Bolsonaro disse que foi um “erro” o tuíte de ontem no qual comparou a hienas o STF, veículos de imprensa, partidos políticos, instituições da sociedade civil, entre outros supostos opositores. Na peça, Bolsonaro é retratado como um leão acossado.

Não se trata de “erro”, como disse o presidente, mas de estratégia para desviar o foco dos áudios de Fabrício Queiroz insinuando que pode deixar de ser um homem-bomba sob controle. Deu certo. O país ignorou Queiroz e só fala do leão e das hienas desde ontem.

Trata-se de uma estratégia de ataque permanente, estimulando conflitos. O objetivo é a desconstrução do Brasil, a destruição institucional do país.

É bom citar o trecho de um discurso de Bolsonaro feito na Embaixada em Washington em 17 de março na presença de Olavo de Carvalho, escritor de extrema-direita e guru da família presidencial, e Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump e articulador de movimentos de extrema-direita mundo afora.

Bolsonaro disse: “O Brasil não é um terreno aberto onde nós pretendemos construir coisas para o nosso povo. Nós temos é que desconstruir muita coisa. Desfazer muita coisa. Para depois nós começarmos a fazer. Que eu sirva para que, pelo menos, eu possa ser um ponto de inflexão, já estou muito feliz”.

Essa é a estratégia que ele vem aplicando à risca. A prometida “retratação” não havia acontecido até 18h25 na conta do presidente no Twitter. Mas o assessor internacional de Bolsonaro, Felipe Martins, já postara horas antes nessa rede social uma dobrada na aposta das hienas que impediriam o leão de governar.

Martins escreveu: “O establishment não gosta de se ver retratado, mas ele é o que ele é: um punhado de hienas que ataca qualquer um que ameace o esquema de poder que lhe garante benefício e privilégios às custas do povo brasileiro. Isso só mudará quando o Brasil se tornar uma nação de leões”.

O assessor reflete o que se passa na cabeça do presidente e do seu entorno de extrema-direita. Já Bolsonaro deveria assumir claramente a sua responsabilidade pelas postagens, mas tentou diluir a a própria culpa. Protegeu o filho Carlos Bolsonaro e afirmou que outras pessoas têm sua senha.

Isso é até mais grave, pois as redes sociais são usadas por ele para se comunicar oficialmente. Um instrumento desse tipo nas mãos de algumas pessoas pode criar fatos contrários ao interesse nacional. Por isso, Bolsonaro tem de se responsabilizar.

Fizeram bem os ministros do STF que criticaram o presidente, Celso de Mello e Marco Aurélio Mello. Dias Toffoli, de novo, confundiu conciliação com tibieza. Passar pano para Bolsonaro é normalizar um ataque às instituições. É como as democracias morrem.

Ouça esse comentário a partir de 7 minutos e 48 segundos no áudio abaixo:

Comentários
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  1. walter nobre disse:

    Kennedy, o vídeo chega a ser hilário, nada que possa ser aceitável, a esquerda em bons momentos adoraria estar a frente disso; acredito que o fato é lamentável, por utilizar de um ardil, para afirmar não estar aqui para publicar…o presidente ´precisa levar o País mais a sério, já que esta postura não contribui com suas intenções futuras. A partir do Ano que vem, deve ter uma postura séria, já que os brasileiros esperam tal comportamento do representante maior da nação. Todos os meios de comunicação devem colabora com verdades, e publicações sóbrias e honestas.

  2. Paulo Argolo disse:

    Não é a Lava-Jato que é “messiânica” e sim os Bolsonaro e seu entorno mais próximo.

  3. ANDRE disse:

    Congratulações a Marco Aurélio e Celso de Mello, acho que são hoje os ministros que mais defendem a democracia e a constituição do país.

  4. Wilson disse:

    Mais de 500 anos de história.
    História construída a tão duras penas: trezentos anos de odienta escravidão; aniquilação de inúmeros povos indígenas; exploração colonial como poucas (só pudemos editar livros 308 anos após o “achamento do Brasil”; subserviência a Portugal, depois à Inglaterra, depois aos EUA e agora ao BID, FMI e Clube de Paris; conflitos emancipacionistas locais aplacados e punidos; guerras com vizinhos (Argentina, Uruguai e Paraguai); etc.
    Após tanto esforço, damos de cara com “hienas” e “leão”, em um suposto paralelismo que inexiste na natureza.
    Hienas e Leões não são bons ou maus. São animais moldados como predadores pela evolução. Com fome, hienas atacam e podem matar e comer um leão. Com fome, leões podem atacar antílopes, gnus e matá-los para lhes servirem de alimentos.
    É bobagem o pretenso “antagonismo” Hiena-Leão. Sugestão: assistir mais “Animal Planet” e menos “Desenho Animado”. Aliás, Hienas não riem, mas há pessoas que conseguem rir de uma besteira dessas.

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