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Economia
16-08-2019, 9h11

Imitando o chefe, Paulo Guedes fala muito e entrega pouco

Errou com Argentina e é responsável por economia ruim
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

“Desde quando o Brasil precisa da Argentina para crescer?”, indagou ontem o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Desde sempre quando os dois países se formaram, passaram a ter relações comerciais, políticas, diplomáticas, culturais etc.

Essa pergunta mistura uma arrogância com uma ignorância que um ministro da Economia do Brasil não deveria ter.

Brasil e Argentina têm economias complementares. A Argentina produz bens importantes para o Brasil. Nós produzimos bens fundamentais para nossos vizinhos, atividade vital para nossa indústria. A balança comercial é superavitária em benefício brasileiro..

A Argentina é a terceira maior parceira comercial do Brasil. Nós somos o principal parceiro comercial dos hermanos. Nascido em 1991, o Mercosul está ancorado nessa relação.

As relações com a Argentina não devem ser tratadas como uma questão de governo, mas de Estado. Guedes não pode ameaçar deixar o Mercosul se o governo argentino não for do seu gosto ideológico. Ele não pode falar absurdos desse tipo, imitando o presidente Jair Bolsonaro.

Um ministro da área econômica tem sempre de medir bem o impacto das suas palavras, porque elas guiam as expectativas dos agentes econômicos. Os discursos de Guedes têm impacto sobre a economia real, podem afetar para o bem e para o mal a geração de empregos, a taxa de inflação, a política comercial com outros países etc.

Pedro Malan, que foi ministro do governo FHC, era muito habilidoso na condução da economia porque sabia respeitar a liturgia do cargo que ocupava. Não é arrogante. É culto e ponderado.

Malan media bem as palavras por saber que as declarações tinham peso perante os agentes econômicos do Brasil e do exterior.

Outros ministros agiam como Guedes. Por exemplo, Guido Mantega, que ocupou a Fazenda nos governos Lula e Dilma, falava demais, fazia previsões que não se confirmavam e foi se desmoralizando com o tempo.

Paulo Guedes está imitando Jair Bolsonaro. Não deveria fazê-lo.

*

Piada internacional

Ontem mesmo, o presidente da República fez provocações infantis e toscas à chanceler Angela Merkel, uma das políticas mais respeitadas do planeta. Disse que a Alemanha deveria usar a verba congelada do Fundo Amazônia para proteger suas florestas e ampliá-las. Ora, ele não sabe nada da Alemanha, que tem florestas bem cuidadas e preservadas.

Bolsonaro provocou também a Noruega, que, de fato, sofre críticas pela exploração de petróleo e gás no Mar do Norte, mas é um país que gasta bilhões para ter uma economia mais sustentável e de menor impacto ambiental. Inclusive, a Noruega congelou verba do Fundo Amazônia.

Que vergonha internacional essas declarações de Bolsonaro produzem! Que dano causam ao país! Vão custar empregos de brasileiros.

 

*

Escalada e disparate

Guedes não pode dizer que o Brasil vai se retirar do Mercosul, se a chapa Alberto Fernandéz-Cristina Kirchner vencer as eleições e querer discutir aspectos do bloco comercial. O Mercosul e a União Europeia fecharam um acordo importante para o Brasil que levou 20 anos a ser concluído.

Se o governo Bolsonaro não dinamitar o acordo com a União Europeia, porque há sinais preocupantes nesse sentido, o acerto será importante para o Brasil. Guedes não pode entrar nesse jogo de escalada com a Argentina, que deve ter a sua soberania respeitada. Se algum problema surgir no âmbito do Mercosul, o ministro da Economia deveria ter um comportamento para apaziguar conflitos e não estimulá-los diante da perspectiva da vitória da oposição argentina.

Aliás, se o ministro não sabe, Néstor e Cristina Kirchner governaram a Argentina e o Mercosul sobreviveu. E Maurício Macri e Alberto Fernandéz, um moderado, já esfriaram os ânimos por lá. Alguém do governo poderia informar melhor o ministro brasileiro sobre política argentina para ele parar com disparates.

*

Bacia das almas

Ao falar de privatização, Guedes disparou outra bobagem no estilo deixa que eu chuto. Afirmou que o Brasil tem de privatizar tudo, tem de vender tudo. Na pasta da Economia, o empresário Salim Mattar, que não tem experiência em gestão pública, chefia a Secretaria Geral de Desestatização.

Falar em vender tudos sinaliza uma imagem de que ativos do povo brasileiro serão jogados na bacia das almas. Um programa de privatização tem de ser planejado com cuidado, com experiência de gestores públicos, para que ativos do Estado sejam eventualmente vendidos pelo melhor preço.

Essas coisas não podem ser tratadas como venda de bananas em fim de feira. O estilo de Guedes lembra aquele famoso meme do Tite, técnico da seleção brasileira: “Fala muito…”.

*

Assuma suas responsabilidades

No início do ano, a previsão do crescimento da economia brasileira era de 2,3% do PIB (Produto Interno Bruto). Hoje, o mercado prevê que o PIB irá crescer 0,8% ou até menos. Essa quebra das expectativas positivas é responsabilidade das ações do governo. É responsabilidade do “superministro”.

A Reforma da Previdência aprovada na Câmara não é a do Paulo Guedes, mas a do Rodrigo Maia, presidente da Casa, e do Centrão. Caíram a capitalização e as mudanças que prejudicavam os mais pobres no Benefício de Prestação Continuada e nas regras de aposentadorias rurais. Permaneceu a fábrica de privilégios que Guedes prometeu combater. Mais uma coisa que ele prometeu e não entregou. Militares e forças policiais foram beneficiadas porque o presidente da República atropelou o ministro da Economia.

A reforma tributária que vingará será a do Congresso. Rodrigo Maia já deixou cristalino que não vai passar CPMF travestida de imposto novo. É o Congresso que está ditando a agenda econômica do país, não Guedes.

O poder real está nos gabinetes de Rodrigo Maia (DEM-RJ) e de Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente do Senado. Maia e Alcolumbre estão tomando as medidas para minimizar as ações desastradas do governo.

Já temos um presidente que fala barbaridades todos os dias. Diz absurdos que não podemos normalizar. Paulo Guedes, também responsável pela área de indústria e comércio, não deveria trilhar o mesmo caminho.

Nos gabinetes de Brasília, nas conversas com empresários no Rio e São Paulo, Guedes está ficando com a fama de falar e não entregar. Toda semana anuncia alguma coisa que depois desmancha no ar. Políticos em Brasília estão vendo isso.

Há um governo real com mais de sete meses. Expectativas econômicas positivas desceram ladeira abaixo. A responsabilidade maior é de Guedes. Ele é o “superministro” da economia.

Ouça o comentário abaixo:

Comentários
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  1. walter nobre disse:

    Kennedy a logica do Paulo Guedes, é precisa diante do momento econômico Mundial; a situação da Argentina, independente de quem ganhe, é terrível, mas isto a muito tempo, por vícios e comodismo; estamos sempre na berlinda, diante das ameaças que sempre vieram de lá, quando o ministro prevê, a saída do Mercosul, caso não haja coerência com o país vizinho, é inteligente; não podemos mais tutelar qualquer posição a nossa volta; por isso nossa relação com EUA e China, devem dar Norte a maiores negócios, e quem sabe em breve, com alguns países da Europa; devemos arrumar a casa…quanto ao ministro não ter sido profundo em seus intentos, a previdência explica muito bem pela demora do congresso, na correção de vícios anteriores…

  2. Lucas disse:

    O problema real é que Guedes. na verdade, pode falar essas coisas porque ele fala e fica por isso mesmo. Não acontece nada. E ainda tem um monte de gente que acha certo ele dizer essas coisas e defende o que está acontecendo porque, na cabeça deles “a culpa é do PT” e da oposição, que jogam contra, na visão deles. Na verdade a culpa é deles, que não conseguiram aprovar a reforma que queriam, mesmo fazendo toma-lá dá cá…

  3. Miguel disse:

    E liste onde eles aparecem mais: na área médica: num Brasil que poderia colocar para assistência de primeiros socorros e sutura qualquer um profissional com treinamento para isto. Não precisamos para sutura e curativos de um médico com 10 anos de estudos. Mas o CRM não deixa. Para que melhorar as escolas públicas. Mistura povão e ricos, mas disto surgem pedidos de melhoria social. Então, deixemos os pobres fingirem que aprendem. E aos ricos, na maioria nos cabides do Governo – antes muito pior na Ditadura, agora com Bolsonaro – volta ao mendigueiros biônicos que até a mulher compartilharam com os militares para pagar de bacana. Então filhos de classe média alta e alta: magistrados, políticos em todas esferas, bobos em pedestal da administração de Federações, Confederações, militares de alta patente, todos pagos por nós povão, aprovam pagar a educação paga – por quem? Eles? Não você da classe média e linha da pobreza. Nós em nossa miséria fazemos a economia da classe média e rica.

  4. Miguel disse:

    Bolsonaro é a imagem do atraso. Para tanto que ele diz. E a forma que ele se expressa. Olhar o governo que temos agora, nos leva a séculos de atraso. Suas expressões para o mundo. Envolvem sempre a briga interna que ele tem para se assumir e sair do armário. Cultura é falar de religião. Ora Bolsonaro, voltamos ao assunto: o Sr. não deveria ser aceito em Igreja alguma. É um promíscuo em todas suas falas; é um adúltero, promove a violência contra os 5 ps, está próximo ou diz que não, pelo o que já temos nos jornais, com milicianos amigos, parentes no tráfico. Em verdade, não sabemos como nossos líderes religiosos, a bancada da fé (enterrada por todos vocês em brasília), ainda lhe dirigem a palavra. Para agora ele só falta. Virar defensor que ao humanos seja obrigatório banhos de fezes, que fará pela sua cultura, o bem para saúde. Um governo sem religião séria, sem economia estruturada, sem justiça (Moro-o ilusionista), sem vergonha. Lava Jato ideologia de crimes contra a Justiça séria.

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