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Geral
12-02-2019, 10h21

Incêndio e chacina no Rio merecem profunda investigação

Governo repete visão da ditadura sobre Igreja Católica
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

É do Flamengo a responsabilidade maior pela morte de 10 jovens no incêndio da última sexta-feira num alojamento no centro de treinamento do clube. Houve negligência ao deixar que aqueles meninos dormissem em local impróprio.

Nesse episódio, há também uma cadeia de responsabilidades de autoridades públicas. Bombeiros, prefeitura e governo do Estado devem responder na medida de suas faltas.

Esse drama humano comove mais porque vidas jovens cheias de sonho foram ceifadas. Morreram meninos que viam no futebol uma forma de ascensão social, com seus sonhos profissionais e desejos pessoais de melhorar a vida dos parentes.

A indústria do futebol movimenta cifras significativas no Brasil em salários e direitos de transmissão. A diretoria do Flamengo tem evitado entrevistas com medo da responsabilidade penal e cível que lhe cabe. O clube tratou vidas humanas com lógica mercantil.

Esses meninos são mão de obra barata. O clube faz investimento baixo para tirar um craque ou gênio de um grupo deles. Houve negligência do Flamengo. Aqueles jogadores não poderiam estar dormindo onde estavam.

É bom que a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, tenha dito que o Brasil vivencia onda de tragédias evitáveis. Isso vale também para o Ministério Público e a Justiça, que, se tivessem trabalhado melhor em outras tragédias, teriam evitado a onda à qual Dodge se referiu.

É fundamental investigar e punir responsáveis.

Ouça o comentário sobre essa tragédia a partir dos 4 minutos e 30 segundos no áudio lá embaixo.

*

Licença para matar?

Também na sexta, uma chacina no Morro Fallet-Fogueteiro no Rio de Janeiro merece ser investigada a fundo para evitar que haja uma licença para matar pobres, sobretudo jovens negros.

Até agora, 15 mortes decorreram da ação policial de sexta. Há relatores de moradores que apontam suspeita de execução. A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e a Anistia Internacional pediram investigação. A Polícia Civil está apurando.

É importante não lançar suspeitas com leviandade. Mas a letalidade policial vem crescendo no Brasil e no Rio. O governador Wilson Witzel assumiu o poder com a retórica do tiro na cabecinha de quem portar um fuzil.

O pacote jurídico de Sergio Moro é visto com reserva por boa parte da comunidade jurídica. O ministro insiste num caminho que vem dando errando: aumentar o rigor penal. As medidas de Moro, na sua maioria, são regressivas.

É desejável que a polícia combata o crime com policiais treinados para usar a força na medida certa. O poder de repressão do Estado tem limite para evitar a barbárie. Portanto, é preciso investigar a fundo essa chacina.

O que aconteceu no Rio não pode virar um novo normal, uma espécie de licença para matar. Mesmo que as pessoas buscadas pela polícia sejam criminosas, não poderiam ter sido executadas. Isso sem falar do risco de simplesmente assassinar inocentes. É preciso averiguar se a ação foi correta ou não.

Ouça o comentário sobre esse assunto a partir dos 23 minutos e 36 segundos no áudio no fim do texto.

*

Atraso federal

No domingo, o jornal “O Estado de S. Paulo” publicou importante reportagem de Tânia Monteiro, experiente na cobertura de assuntos militares e no cotidiano de presidentes da República. Título: “Planalto vê Igreja Católica como potencial opositora”.

O ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general da reserva Augusto Heleno, disse ver com preocupação um sínodo que o papa Francisco quer fazer neste ano a respeito da Amazônia.

Com base em relatos da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), o governo enxergou a Igreja Católica como potencial líder oposicionista no Brasil. Parece coisa da ditadura militar de 1964, elogiada por integrantes da administração Bolsonaro. E Heleno é tido com moderado.

A coisa é grave. Revela visão anacrônica e autoritária. Há interesse global e brasileiro em discutir num fórum capitaneado pelo papa as questões da Amazônia, especialmente no que se refere aos direitos de nossas populações indígenas e quilombolas.

Ouça no áudio abaixo a partir dos 26 minutos e 30 segundos o comentário sobre a reportagem do “Estadão”:

Comentários
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  1. walter disse:

    Certamente caro Kennedy, este absurdo no Flamengo, reflete o futebol brasileiro, segue um poder obscuro, e sem qualquer respeito ao País, sem regras, e com dinheiro sem origem legitima, para movimentar Bilhões; estes jovens morreram, como o Povo de Brumadinho; por total falta de autoridade, para punir desmandos dos grandes exploradores…Quanto ao RIO e SP, estes governos terão muito com o que se preocupar, se quiserem fazer diferença;até agora muita conversa, e nada de prático oficialmente…investigar crimes no RIO, me desculpe caro, quando??? O Papa Francisco, tem demonstrado posições políticas clara, recebe um maduro, e nenhuma palavra positiva, por aqui…o General Heleno tem razão, a igreja não deve assumir posições radicais, e nenhuma região…aliás, o Igreja Católica deve muito ao Mundo, por seus agressores no celibato, não punidos; o Mundo continua em desordem extrema…

  2. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    Nem a OAB, nem a Anistia Internacional têm moral para investigar o que quer que seja !
    São instituições políticas, tendenciosas e claramente ideológicas de esquerda, falta isenção e credibilidade… além de honestidade!

  3. ANDRE disse:

    O pessoal do novo governo parou no tempo, acha que ainda está nos primeiros anos da década de 70.

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2019-05-24 04:35:07