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Kennedy Alencar

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Geral
16-02-2018, 8h31

Intervenção federal e ministério da Segurança são medidas ruins

Buscam compensar fracasso na reforma da Previdência
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KENNEDY ALENCAR
SÃO PAULO

Não há nada de novo na crise de segurança pública do Rio de Janeiro que justifique uma intervenção federal no Estado. Mas ontem o presidente Michel Temer, com aval da cúpula do Congresso, decidiu adotar essa medida, que deve ser anunciada hoje.

Essa decisão tem mais motivação política do que administrativa. Para o governador Luiz Fernando Pezão, que fez o pedido de intervenção, é uma forma de passar para outras mãos a responsabilidade por um grande abacaxi.

Para o presidente Michel Temer, a intervenção federal gera uma mudança de foco no noticiário e reduz o dano do virtual fracasso da reforma da Previdência. Quem dita o tema do debate, a agenda em discussão, tende a levar vantagem.

O debate sobre a reforma da Previdência, que teria a sua hora da verdade na semana que vem, dará lugar a uma intervenção federal para cuidar de um tema que preocupa a população em geral. Nesse sentido, pode trazer um ganho político no curto prazo, mas também pode ser uma ilusão. Se der errado, esse ganho vira prejuízo. Há riscos nessa aposta na intervenção federal, que pode levar o governo para um Vietnã, um atoleiro.

Em primeiro lugar, não há nada que uma intervenção federal possa fazer que seja diferente do que poderia ser realizado por um gabinete de crise integrado entre o governo federal e o Estado do Rio de Janeiro, com trabalho combinado entre polícias, Força Nacional de Segurança e Forças Armadas.

Outro problema: as Forças Armadas vão receber uma batata quente. Elas não têm treinamento para fazer segurança pública. São moldadas para eliminar o inimigo. A segurança pública é uma tarefa inadequada. Há militares de alta patente que acham ruim esse tipo ação. Agora, a responsabilidade sairá das mãos de Pezão. Vitórias e derrotas ficarão na conta de Temer e das Forças Armadas.

A criação de um Ministério da Segurança Pública, com transferência da Polícia Federal da Justiça para essa nova pasta, é outra medida que traz riscos.

O atual governo está no seu último ano de mandato. Criar uma nova pasta e mudar estruturas numa área tão delicada não parece ter lógica administrativa. Não é um assunto exaustivamente debatido com a sociedade. É mais um coelho que sai da cartola.

Um Ministério da Segurança Pública seria praticamente engolido pela Polícia Federal. É enorme o risco de aumentar o corporativismo de uma categoria que busca autonomia administrativa e financeira. Criação de ministério não é tarefa de fim de governo.

Há uma Secretaria Nacional de Segurança Pública, a Senasp, no âmbito do Ministério da Justiça. Criar ministério e fazer intervenção federal não garantem a solução dos problemas de segurança pública. Políticas públicas bem desenhadas, integradas e de médio e longo prazo é que podem resolver uma questão tão delicada. Colocar tropa para cercar morro não é solução.

Seria importante debater os temas das drogas e da crescente população carcerária _nesta questão o Poder Judiciário tem papel fundamental. Também seria primordial discutir uma política efetiva para impedir a chegada de armamento pesado ao crime organizado. Isso tudo é mais complexo do que criar ministério.

No atual clima de campanha eleitoral, o governo espera ter encontrado uma agenda popular. Vamos aguardar o anúncio detalhado hoje dessa intervenção e da eventual criação do Ministério da Segurança Pública para ver se as medidas vão além de um palanque político-eleitoral.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    Concordo com a matéria do ilustre jornalista… é criar mais cabide de emprego e cortina de fumaça sobre o que realmente interessa que é a inadiável reforma da previdência e a cassação de privilégios.
    Basta endurecer a legislação penal e a lei de execução penal. Além disso, tirar do papel a já aprovada redução da maioridade penal.

    • walter disse:

      Perfeito cara Maria Aparecida, e Kennedy…a reforma da previdência é imprescindível, aos interesses mais imediatos para todos; se o temer não entendeu isso ainda, não deveria estar no comando…a bem da verdade; estão pressionando o temer todos os dias, com o caso Rodrimar, onde as suspeitas são procedentes…mesmo assim acredito ainda, na reforma da previdência a “fórceps”, ele também…Quanto a intervenção no RIO, se fossemos sérios, já deveria ter ocorrido, pelo conjunto da obra…ali deve ter tolerância Zero, até um “toque de recolher”, deveria ser considerado…os bandidos estão treinando a luz do dia; aquele idiota do “Manzão”, deve muito; deveria estar preso, ao lado do cabral…o País esta em convulsão, por motivos óbvios; estes canalhas que nos “representam”, estão todos com o “rabo preso”, querem levar tudo em “banho maria”; totalmente incompetentes a olhos Nus…

  2. Sebastiao Augusto Canabrava disse:

    Fazer reforma da previdencia sacrificando trabalhador e’ uma atrocidade.
    Sim, e’ preciso igualar servidores publicos e trabalhadores da iniciativa privada. Nao e’ por que passou em concurso que precisa ter tantos previlegios (estabilidade, altos salarios, altas aposentadorias, altos “auxilios”, etc). Para o servidor publico concursado, estabilidade ja’ seria um bom ganho.
    Tambem seria interessante (mas ninguem ventila) que todos os salarios de todos os poderes tivessem como referencia o salario minimo. Ai’ nao teriamos os reajustes votados por politicos, por desembargadores e ate pelo presidente (no caso, o nao reajuste).
    Aproveitando o gancho, vai recado por Sr Walter: Sim, eu sei que nao e’ o Sr quem comenta. Realmente, os comentarios, o tipo de escrita, opiniao, etc; e’ tudo diferente. Nao e’ o Sr. Deve ser o Papai Noel, ou o Curupira, oxala Saci-perere. Talvez um vampiro. Isto vampiro. Nao seria o Temmer, seu ex-pupilo? Opa, voltamos ao ponto inicial.

  3. José Ricardo disse:

    Concordo com o comentário. Esta medida é simplesmente para tirar o foco do fracasso da reforma da previdência. Hoje na segurança devemos discutir seriamente a liberação da maconha (que praticamente está liberado) e posteriormente sobre outras drogas. Isso retiraria o poder do tráfico e este dinheiro sujo passaria a ser contabilizado, tirando o poder do crime organizado. Estas medidas não são fáceis de se fazerem mas é urgente a discussão deste pontos. Hoje a bebida é liberada e bebe quem quer. Fuma cigarros quem quer. A mesma coisa seria para a maconha e outras drogas, mas tudo devidamente cadastrado e com belas campanhas esclarecedoras do mal que isto causa. Depois cuidar do sistema prisional e levar o estado para as comunidades carentes.

  4. Fabio disse:

    Kennedy, o Temer e seu desgoverno é a face mais real do caos que se transformou o Brasil.
    Temer é o pior presidente da historia do Brasil e como tal seus atos constituem os piores possiveis.

  5. Mario Junior disse:

    Acredito que o caminho de endurecer a lei é o fim de um processo, o problema deve percorrer questões mais eficientes de médio e longo prazo, como muito bem pontuou a matéria. Não é só mudar o texto da lei que as coisas serão resolvidas como em um passe de mágica, se assim fosse ninguém mais beberia e dirigia, já que a lei nesse aspecto é bem severa aos condutores.
    Proposta como da redução da maioridade penal devem ser discutida amplamente com a sociedade civil e não somente pensadas a partir de crimes que causem grande comoção social ou de oba oba de período eleitoral.
    Infelizmente nesse mar de lama que é nossa politica nacional o papel d educação como fator primordial da mudança social nem se que é mencionado na politicas publicas. Esse sim a médio e a longo prazo resolveriam grande parte dos problemas nacionais.

  6. JESSE DE MOURA ROCHA disse:

    Concordo com a materia supra. No bojo dos problemas que por certo as forças armadas encontrarão, estão a falta de comando das polícias Militar e Civil do Rio de Janeiro pela falta de pagamento dos soldos e horas extras à tropa e aos policiais e principalmente da já conhecida interveniência do crime organizado nos órgãos envolvidos na segurança pública do Rio como enfatizou o ministro da Justiça do governo Temer.

    Para a população carioca que vive nas periferias, é mais fácil conviver com a falsa segurança das milícias do que confiar no poder constituido.

    O exército terá muito pouco tempo para entender este emaranhado de problemas já que a intervenção tem data marcada para o seu término.

  7. BRAGA BH disse:

    Porquê o Rio de Janeiro? Acaso não existem outras capitais da federação em situação pior que a do Rio? Não seria apenas uma forma de mudar as notícias dos jornalões tirando o foco da malfadada reforma(?) da Previdencia? Ou é uma tentativa de calar os protestos que começam a pipocar em todos os cantos do pais? Nosso exercito não tem treinamento de patrulha em grandes centros. O treinamento é para caçar e aniquilar o inimigo! Estão neste momento colocando dentro dos morros do Rio um barril de pólvora com pavio curto. Se ocorrer algum massacre indubitavelmente o ‘morro vai descer’!!!

  8. Marcos MIranda disse:

    O Rio de Janeiro é um estado em estado de guerra. Se não se faz nada, critica-se. se algo é feito também. Errar porque se tentou, é melhor que omissão. Acho que uma intervenção duradoura pode ter bons resultados. Soldados correm o risco da cooptação urbana. Porém , confio mas na no serviço de inteligência do Exército que das polícias. Boa sorte, Cristo Redentor.

  9. Então é uma cortina de fumaça que visa encobrir o fracasso do Governo em votar a reforma da Previdência.

  10. JUDICIÁRIO E FORÇAS ARMADAS, UNI-VOS, POR AMOR AO BRASIL! disse:

    Vemos o resultado de Executivo e Legislativo dominados pelos corruptos. O espírito do “liberou geral” através dos exemplos dos presidentes, governadores, prefeitos, senadores, deputados, vereadores, grandes empresários etc, “suspeitos, investigados, processados, condenados, presos” – é transmitido do trombadinha ao traficante – afinal, “ladrão que rouba ladrão…”
    E a coisa se agrava muito quando dentro do Judiciário os corruptos conseguem plantar “defensores” – os muito bem definidos como “disenterias verbais e decrepitudes morais” que, através de todo tipo de artimanha protegem os corruptos, seja através de interpretações deturpadas da lei, vistas dos processos, engavetamentos de processos, libertação da cadeia, prescrições etc. Mas há esperança: que a contaminação dos corruptos do Executivo e Legislativo se restrinja aos poucos “disenterias verbais e decrepitudes morais” dentro do Judiciário e, em hipótese alguma, atinja as nossas Forças Armadas!

  11. Paulada disse:

    Meu caro, todo mundo que tem o mínimo de senso crítico sabe que o foco dessa intervenção é expandi-la para o país, invadir a Venezuela por ordem dos EUA e inviabilizar (cancelar) a eleição de 2018. Não tem pra onde correr. Isso aí que tomou conta do país nunca quis governar nada.

  12. Jorge de Olivera disse:

    Eu nao concordo com essa política atual, não sou a favor de muitas reformas propostas e impostas por esse governo, mas ficar de braços cruzados enquanto nós cidadãos de bem, somos massacrados pelo aumento da violência, é como jogar a toalha definitivamente, acredito que a intervenção militar não resolva o problema, mas amenize a vida do povo que vive apavorado e sem o mínimo de respeito, onde o seu direito elementar de ir e vir foi torado. sou a favor de uma intervenção militar a nível nacional, não há um candidato que mereça estar no governo hj, todos são farinha do mesmo saco, se não é o pai é o filho, ou o neto, então nada vai mudar até que estes sejam erradicados da política, tem que haver intervenção militar e mudanças no código penal, os direitos humanos não vivem, a nossa realidade, quem tem condições se afasta, mas quem não tem vive as margens dessa podridão, intervenção militar já, consertar e corrigir as mazelas existentes, depois investimentos em educação, saúde e seguranç

  13. ANDRE disse:

    O presidente Temer está se utilizando da crise de segurança pública no Rio, para tentar passar a imagem de um homem de atitude, usando as forças armadas, como já fez em outros momentos. Tenta se eximir da incompetência sua e dos seus antecessores na questão de segurança. Fala dos bandidos e do crime organizado, como se estivesse muito longe deste mundo, como se a corrupção fosse um tipo de crime mais civilizado. È preocupante e lamentável que a única coisa que ele e o governador do Rio tenha a oferecer é o emprego das forças armadas, pois não precisa ser especialista em segurança para perceber que dá mesma forma que se elimina um tumor lhe cortando a irrigação sanguínea, o crime também se atrofia, cortando lhe a alimentação de armas e de dinheiro. Mas será que realmente, eles tem interesse em combater o crime que assola o pais?

  14. Jacson Portolon disse:

    Políticas públicas eficazes, multidisciplinares e intersetoriais, que envolvam os poderes públicos, governantes e sociedade civil nas decisões da segurança pública, mesmo parecendo utópico, seria talvez uma das saídas mais conscientes e menos violenta. Talvez fosse de longe uma solução absolutamente definitiva, mas é a que menos me parece estúpida para quem realmente pensa no povo.

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