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Política
31-08-2017, 8h06

Janot considera delação de Funaro complementar à de Joesley

Devolução de acordo à PGR atrasa, mas não mata denúncia contra Temer
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Apesar de o ministro Edson Fachin ter devolvido o acordo de colaboração premiada do doleiro Lúcio Funaro para ajuste na Procuradoria Geral da República, a decisão não deve impedir o uso da delação em nova denúncia contra o presidente Michel Temer. Ou seja, atrasa, mas não inviabiliza.

Relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, Fachin recebeu o acordo de delação premiada anteontem. Fez uma análise rápida e remeteu de volta a colaboração para ajuste ontem mesmo. Ou seja, decidiu de um dia para o outro. Isso é evidência de que agiu com celeridade, o que interessa a Janot.

Se for feito o ajuste com rapidez, como deve acontecer na Procuradoria Geral da República, a análise de Fachin tende a ser célere também. De quebra, a devolução para Janot ajuda a responder a eventuais críticas da defesa de Temer de uma homologação automática, a serviço de perseguição política. Será uma surpresa se Fachin homologar o acordo de Funaro após a saída de Janot da Procuradoria Geral da República.

Janot tem um plano B. Se não houver a homologação, pretende oferecer a nova denúncia contra Temer com base nas investigações feitas a partir das delações dos executivos da JBS. Mas Janot considera que a colaboração de Funaro é fundamental para dar mais peso à nova acusação contra Temer. O procurador ainda tem algum tempo, porque o mandato no comando do Ministério Público Federal vai até 17 de setembro.

A colaboração do doleiro é tida como fundamental para a nova denúncia contra Temer. Janot avalia que obteve de Funaro uma delação complementar à de Joesley Batista. A colaboração do doleiro preencheria lacunas que ficaram abertas com as colaborações dos executivos da JBS.

Há rumores de que Funaro fez uma mudança de versão em relação aos recursos que recebeu de Joesley. Antes da delação, sustentava que seriam recursos devidos por trabalhos prestados à JBS. Agora, teria admitido que esse dinheiro funcionaria para que ele ficasse calado na prisão em relação a supostos atos de corrupção praticados em benefício de integrantes da cúpula do PMDB e do presidente da República.

A partir da gravação que Joesley fez da conversa com Temer, Janot sustentou que o presidente teria dado aval à compra do silêncio de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara que está preso em Curitiba. Temer nega. E a frase dita na conversa não sustenta a acusação.

A delação de Funaro traria mais elementos nesse sentido, envolvendo pessoas próximas ao presidente. Temer já disse que não conhece Funaro, que pode tê-lo cumprimentado numa encontro rápido e que tem medo “zero” de revelações do doleiro.

No início de agosto, Janot foi derrotado na Câmara na apreciação da primeira denúncia que fez contra Temer. Os deputados barraram a autorização para o Supremo Tribunal Federal analisar a acusação de corrupção passiva. Para uma segunda denúncia, Janot precisa de mais munição. Ele crê que a delação de Funaro fortaleceria a consistência da sua flechada.

*

Retrocesso ambiental

O governo perdeu a batalha de imagem perante a opinião pública em relação à Renca (Reserva Nacional do Cobre e seus Associados). Razão: a decisão de extinção da reserva é um equívoco. A opinião pública está certa ao questionar a abertura da área para a mineração.

A péssima repercussão teve influência na decisão da Justiça Federal e sinaliza que dificilmente o governo vencerá a batalha jurídica. Apesar de haver pequenos garimpos ilegais, a área é bem preservada.

A extinção da reserva só vai agravar a pressão predatória em torno das áreas de conservação ambiental e das terras indígenas. O governo já tem dificuldade de fiscalizar garimpos ilegais na reserva. Imagine com o fim da Renca.

Há ministros que pretendem aconselhar Temer a desistir dessa extinção. Mas o lobby das mineradoras é forte na base de apoio do governo no Congresso. E Temer precisará de votos na Câmara para enfrentar uma nova denúncia de Janot.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. Edi Rocha disse:

    “A colaboração do doleiro preencheria lacunas que ficaram abertas…”. É lamentável que haja denúncias com “lacunas”. É preciso se trabalhar com responsabilidade. Se há algo consistente contra o presidente então que se apresente. Se ver indícios de crime mas ainda não há provas, então busquem essas provas. A justiça só é válida se seguir a lei. Do contrário, fica fácil o congresso simplesmente ignorar a acusação, e o país se arruinando. Juizes e procuradores precisam parar de agir politicamente e serem técnicos no que fazem. Se as provas realmente forem tecnicamente incontestáveis, podem deixar que a opinião pública cuida do congresso.

  2. walter disse:

    Haja paciência caro Kennedy, nestes escândalos das denúncias contra temer, não fazem verão, já que não há maior impacto, que o homem da mala; foi submetido a julgamento,e foi postergado para o final do mandato do presidente, exatamente pela pressão do janot, a mando da oposição, para mante-lo paralisado, sem realizações no governo; já deu o que tinha que dá, pelo menos agora…fato Grave mesmo, a extinção da reserva…a RENCA, o próprio nome já sugere, os “pequenos” garimpeiros já causam ali…ninguém sabe, porque o temer se meteu nesta fria; não há clima, não é momento…se fosse para autorizar qualquer exploração ali; deveria se feito um estudo, a longo prazo, por empresas capacitadas; não pode ser uma aventura; não será autorizado,não ter objetivo prático, salvo as especulações.

  3. Reinaldo Ferreira Guimaraes disse:

    Caro Kennedy, não ouvi opinião publica nenhuma reclamando da pseudo extinção da reserva de cobre, o que ouvi e acho que todos que são honestos em sua opiniões, é que alguns artistas, notadamente os que estão ricos, como Gisele, Caetano e outros que não moram no Brasil e querem que aqui continue na pobreza, uma opinião fora de qualquer padrão técnico.

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