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Kennedy Alencar

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Geral
19-09-2017, 8h20

Jantar de Trump e Temer serve de propaganda a Maduro

Reunião evoca política do "grande porrete" usada na América Latina
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Um jantar em Nova York comandado por Donald Trump para pressionar líderes latino-americanos traz lembranças sombrias das intervenções americanas na região. Um encontro desse tipo acaba servindo de propaganda política doméstica para o presidente Nicolás Maduro.

O foro para esse tema deve ser a OEA (Organização dos Estados Americanos), não uma reunião liderada por Trump que evoca a política do grande porrete da qual os Estados Unidos foram useiros e vezeiros na América Latina.

Foi um erro, por exemplo, o presidente dos Estados Unidos ameaçar Maduro com intervenção militar, o que gerou reação contrária em toda a América Latina. Parece que Trump ontem quis fazer mais propaganda do regime de Maduro, que ganha fôlego com esse tipo de manobra diplomática desastrada para fortalecer o seu governo autoritário.

O Brasil pode fazer muito pouco para ajudar a solucionar a crise na Venezuela. Em política externa, é preciso ter interlocução. O governo Temer errou desde o início com a Venezuela. Transformou a crise venezuelana numa propaganda da guinada da política externa brasileira quando José Serra assumiu o Itamaraty no ano passado. Foi uma gestão desastrosa. O ministro Aloysio Nunes Ferreira segue os mesmos passos em relação à Venezuela _uma potência petrolífera que tem fronteira com o Brasil e que recebeu investimentos da empresas nacionais.

O Brasil queimou todas as pontes com o governo Maduro e tomou partido da oposição venezuelana. Logo, pode fazer muito pouco. Já atuou para suspender a Venezuela do Mercosul. Sem interlocução com todos os lados da crise, fica difícil agir como mediador. O Brasil perdeu poder no seu papel de liderança natural na América Latina.

Com uma nova Assembleia Constituinte que usurpou poderes do Legislativo e com suas investidas sobre o Judiciário, Maduro transformou a Venezuela numa ditadura. Mas o Brasil e os EUA conversam com ditaduras quando lhe são convenientes. China e Arábia Saudita são exemplos clássicos.

A solução para a Venezuela deve ser buscada no âmbito da OEA, com a tentativa de restabelecer canais de diálogo entre oposição e governo e com a retomada de um calendário de eleições limpas. Infelizmente, há poucos sinais de avanço nesse sentido. Pelo contrário.

A Venezuela sofre uma crise política e econômica aguda, inclusive com desabastecimento alimentar. Ameaçar com mais sanções, como faz Trump, só vai aumentar o sofrimento da população e o exôdo para outros países.

*

A entrevista do prefeito de São Paulo, João Doria, à série “Cenários 2018”, do SBT, foi um dos temas do comentário no “Jornal da CBN”. Veja a íntegra da entrevista neste link. E ouça abaixo o comentário na rádio:

Comentários
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  1. Fabio disse:

    Kennedy, o Temer e a quadrilha dele não tem moral com ninguém, são usurpadores da democracia e estão no poder resultado de um golpe parlamentar organizado pela Ocrim do senhor Temer.

    • walter disse:

      No fundo caro Fabio, o Trump não esta nem aí com o Brasil…falar dos desmandos,e suspeitas fortíssima, de Orcrim; não nos permite esquecer, que o PT também nos colocou nesta saía justa; fomos condenados a dois “mandatos da dilma” por tabela…esta corja esta se valendo, desta condição, para tentar ganhar tempo…quem sabe assim consigam, se livrar da condição de réu, por processos anteriores e futuros; sempre tiveram a mão do supremo a favor dos mesmos…Quanto ao comercial a favor do maduro caro Kennedy; sinceramente não vejo como, já que o brasil não comunga com a “política” ditatorial adotada lá; estamos sim a merce de alguns, como Aloyzio Nunes, que de certa forma; tem forte tendencia a gostar da bagunça.

  2. rogerio marques disse:

    A objetividade do comentário contrasta com a subjetividade do título. Ouvi o comentário há pouco na CBN e gostei. A questão não é que esse encontro em Nova York venha a servir de propaganda para Maduro. É a estupidez do fato em si, a injustiça histórica que esse encontro tenta ressuscitar.

  3. ANDREa disse:

    Engraçado os EUA preferem continuar a comprar o petróleo da Venezuela de maduro, ditadura que critica, do que comprar da Arabia Saudita, ditadura que apoia. Qual seria o motivo? Com relação ao Brasil, não pode fazer nada mesmo, virou um figurante nas relações da América Latina, entregou o mistério das relações exteriores para trombadores, com nenhuma experiência em chancelaria. Mas o que esperar de um mau aluno de geografia que confunde Noruega com Suécia, Paraguai com Portugal e ressuscita a União Soviética em pleno 2017. A América Latina precisa com urgência retomar o caminho da democracia, muito ameaçado com os últimos acontecimentos.

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