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Política
14-12-2017, 8h19

Jucá fura narrativa do governo para manter reforma viva

Governo não tem votos para aprovar mudança na Previdência
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Ao jogar a toalha em relação à reforma da Previdência, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), acabou furando a narrativa que o Palácio do Planalto e a Câmara criaram para não gerar uma decepção muito grande no mercado financeiro e evitar danos à política econômica.

Jucá afirmou que a reforma seria votada em fevereiro devido a um acordo entre os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE). Como Maia e Eunício acertaram a votação ontem do Orçamento Geral da União, dificilmente haverá mobilização na Câmara na semana que vem para reunir quórum suficiente a fim de apreciar a reforma da Previdência.

O governo trabalhava para manter viva a esperança de aprovar a proposta em fevereiro. Com a bateção de cabeça entre os articuladores políticos do governo e a votação ontem do Orçamento da União, perde força a possibilidade de a Câmara apreciar a reforma ainda neste ano.

O Palácio do Planalto havia feito um discurso para organizar a retirada. Começar a discussão da reforma hoje e tentar votar na próxima semana, mas já admitindo deixar para fevereiro. Jucá jogou uma pá de cal nessa narrativa e expôs a fragilidade do governo. Não há votos para aprovar a reforma hoje e será difícil obtê-los até fevereiro.

*

Pero no mucho

O fechamento de questão do PSDB a favor da reforma da Previdência ajuda, mas não é suficiente para aprovar o projeto. Foi um fechamento de questão bem ao estilo tucano.

Há a ordem partidária dada pela Executiva para o deputado federal votar a favor da atual proposta, já desidratada, mas sem prever punição. O novo presidente do PSDB, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse ontem que o momento não era próprio para falar em punição, mas em convencimento.

Com esse fechamento de questão, pero no mucho, o governo avalia que terá entre 33 e 35 votos na bancada, formada por 46 deputados federais. Outros partidos que também fecharam questão não querem punir infiéis. Em resumo, o governo continua a procurar mais 50 votos para conseguir votar a reforma.

Para reunir esses votos, o Palácio do Planalto conta com uma pressão forte da imprensa e do empresariado a favor da reforma. Vai continuar com a campanha de publicidade para tentar diminuir resistências da sociedade como um todo, sustentando a tese de que o atual projeto acaba com privilégios dos servidores públicos.

Esse discurso é uma meia verdade. É fato que a nova proposta está socialmente mais justa. No entanto, militares continuam fora da reforma e já foram feitas concessões para policiais e professores, por exemplo.

A ação mais importante, porém, será um mapeamento nome a nome dos deputados e o cruzamento com benesses oficiais que já receberam. Em seguida, mais cargos e verbas entrarão na negociação para tentar convencer deputados a fim de atingir um patamar em torno dos 320 votos.

É errado o deputado condicionar o seu voto ao recebimento de cargos e verbas, mas é assim que o governo vai operar para tentar aprovar a reforma em fevereiro. Na prática, é o velho mercado de compra e venda de voto.

No entanto, haverá forte resistência de categorias mais organizadas do funcionalismo, que recebem salários e aposentadorias mais altas. O governo terá de lidar ainda com o ambiente eleitoral, que vai ganhando mais corpo na medida em que o tempo passa e joga contra o voto do deputado na reforma da Previdência.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”, que também falou do julgamento do STF sobre o poder da polícia negociar delações premiadas:

Comentários
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  1. Sebastiao Augusto Canabrava disse:

    A reforma evoluiu bastante do ponto de vista social (deixando fora BPC, trabalhadores rurais, exigencia de 25 anos contribuicao), mas ainda esta’ muito injusta. Como o KA ja’ disse ai em cima, houve concessoes indevidas. Por outro lado, esta reforma pisa no trabalhador que ja’ contribui algum tempo, pois muda uma regra durante o curso, ou seja, e’ como se fosse uma quebra de contrato. Entendo ser importante rever as aposentadorias do setor publico (pois, o trabalhador ao adentrar ao servico publico, com a estabilidade, fica facil contribuir por longos anos, enquanto o da iniciativa privada nao tem esta caracteristica – alem do que, apos os 50 anos, fica bem mais dificil ter sua carteira assinada em novo emprego), mas, a mudanca proposta pelo Vampirao Temmer, impacta mais o trabalhador da iniciativa privada. Muito injusta.

  2. walter disse:

    Infelizmente caro Kennedy, não há coerência na tal base aliada; temos um presidente doente, com problemas sérios; seus auxiliares desmiolados a sua volta, não ajudam…se o temer jogar de fato a toalha agora, pela minhas contas, só teremos a ultima semana de fevereiro, para tentar esta aprovação…este governo sobressalente, não funciona sem o PSDB…gastou se todas as munições, na defesa do dito cujo…este rodrigo maia, é uma negação; candidatíssimo ao governo do Rio…teremos carnaval, futebol, e finalmente as eleições…se nada novo nos surpreender, teremos um ano pífio…teremos um aumento de empregos informais, apesar de tudo; não dá para entender a oposição nesta hora, torcendo para o quanto pior melhor, isso não ajuda ninguém…estão dando munição aos novos candidatos, entre eles o bolsonaro…não teremos os velhacos de volta, quem sabe os novos, nos surpreendam…o País merece melhor destino…quem sabe, a limpeza atinja os 50% pelo menos…

  3. Marcelo de Souza disse:

    Vocês Congressistas apoiadores do Golpe já foram longe demais com esta questão. Estão subestimando o Analfabetismo Político do Povo brasileiro. Muitos ainda que timidamente não se posicionaram, mas já entenderam o recado e o recado aos Nobres se dará nas urnas em 2018. O que permite toda esta irresponsabilidade infelizmente é a Corrupção existente dentro da Justiça brasileira, não fosse isso vocês não estariam zombando de nossa cara. Deixem de serem Canalhas e cobrem dos devedores o rombo da Previdência, do nosso mísero contra cheque é descontado todo mês. Engana-se o empresário que acha que está lucrando com a Reforma Trabalhista, a curto, médio e longo prazo a resposta virá da pior maneira possível.

  4. Como estarão os inquéritos contra Jucá no STF? E as investigações da PF em Roraima, sobre seus familiares? E os do Renan Calheiros? disse:

    Por falar em Romero Jucá, como será que andam seus 8 inquéritos no STF( segundo noticiou o Estadão? E aquelas investigações, mandados de busca etc que foram noticiados pela mídia, em relação a familiares dele, lá em Roraima? Ninguém fala mais nada… será que já aconteceu uma operação abafa? A lei não é para todos? E sobre o Renan Calheiros? Se a Justiça anda esquecida, o povo não esqueceu não! A lei tem que ser para todos, doa a quem doer!

  5. Henrique disse:

    Olha só a situação, tenho 47 anos, e trabalho desde 1984 com carteira assinada, quando tinha apenas 14 anos, o que soma 33,5 anos de contribuição.
    Se esta regra entrar em vigor hoje, eu não entrarei na regra de transição, eu terei que trabalhar até os 56 anos, o que somaria um total de 42 anos. Isto é justo? Após trabalhar os 35 anos em que fui obrigado a pagar a contribuição? e com 42 anos de contribuição, eu vou receber um percentual maior do que 100%?
    A saúde já está comprometida, o que é diferente de uma pessoa que começa a trabalhar aos 18, 20 anos de idade.
    Até mesmo se houvesse o furo na previdência(cade o resultado da cpi ninguém fala), a regra de transição deveria ser mais justa, e não levar em conta a idade mas sim o tempo que falta.

  6. Rizzelli disse:

    A quem quiser compreender o que seja Democracia, deve ler Montaigne. Ela é tudo menos o que disseram e dizem Sarney, Collor, FHC, Lula, Dilma, Aecio, Temer, Anaestesia, Pimentel e todos os que estão nessa vitrine de horrores que se tornou o país após a polaridade adolescente “mortadela x coxinha”. Na Democracia, como dizia Montaigne, os representantes do povo irão decidi questões de rotina, mas as questões de grande impacto na vida da população só poderão ser decididas por consulta popular. É por isso que os melhores exemplos democráticos são França e Alemanha. Ante a menor tentativa de o governo usurpar essa regra, o povo vai às ruas e reage. Isso começou a acontecer no Brasil em 2013, mas o povo se acovardou agora. Nem uma panela foi batida na “deforma” trabalhista. Nem um “fora Temer” foi ouvido. “Nem Dilma, nem Temer”, esse deveria ser o lema ideal para o momento presente. Agradecemos, pelos relevantes serviços prestados à nação, a Sarney, Collor, FHC, Lula, Dilma, Temer, Aecio,…

  7. Rizzelli disse:

    … Juca, Bonifácio, Ibrahim e todos os velhos e cansados nomes de sempre. O ano de 2018 é um ótimo momento para renovação das cadeiras do Parlamento. Meus votos irão para outros nomes, que não figuram nessa lista e em nenhuma das tradicionais. Há um suposto “Livro dos Congressistas”, citado na edição da Tribuna do povo que circulou de mãos em mãos no mês passado, distribuida nos sinais de trânsito, que, pelo jeito, será um impresso que conterá a relação dos nomes dos parlamentares que votaram a favor da “deforma” trabalhista e dos que já teriam confirmado apoio na pretensa e irreal “deforma” previdenciária, para que todos possam saber quem são e os interessados doravante se abstenham de votar neles. O impresso será distribuído em várias cidades do país e em certos pontos como feiras e mercados populares, DCE’s, DA’s, etc. Desconhece-se sua autoria, mas tudo indica que deve ser compilado por estudantes e movimentos que estão nas redes sociais.

  8. Rizzelli disse:

    O Brasil é um país que entrou na modernidade apresentando-se tecnologicamente como alguns avanços. Não se pode negar os avanços em construção civil, engenharia de produção e tecnologia hospitalar, dentre outros. Tradicionalmente, porém, sua governabilidade ainda é no estilo colonial. Parlamentares lidam com os assuntos da população como Senhores Feudais em relação a serviçais. Qualquer revisão previdenciária, a considerar as grandes democracias do mundo, só deve ser levada a efeito começando pelo sistema de previdência e salários das três funções do Estado. Só após acordarem na reforma de suas próprias remunerações, tributações e previdência é que poderiam propor algo para a população. Devem dar o exemplo. Fora disso não há legitimidade democrática. O Brasil tem nessa crise uma oportunidade imperdível de encerrar a fase histórica dos Parlamentares que cultivam a obscuridade em seus “terreiros” ou “colônias” eleitorais e partir para uma consciência democrática de maior seriedade.

    • Sebastiao Augusto Canabrava disse:

      Rizzellei, a relacao de deputados e senadores que votaram pela reforma trabalhista e’ muito facil de ser encontrada (assim como a relacao dos que votaram para inocentar Temmer, os que votaram pelo impeachement e certamente os que votarem pela reforma da previdencia). Basta acessar o site da camara e do senado. Tambem o UOL, o Estadao e outros grandes jornais teem esta relacao. Tambem podemos pegar pelos partidos: Pmdb, Psdb, Ptb, PP, Prb, Pr sao os principais. Todos os congressistas destes partidos votarem conta o trabalhador.

  9. Edélcio Walmir Salvador disse:

    Boa Tarde!!!!!
    O mais coerente é não ter reforma nenhuma sem resolver todos esses casos de corrupção.Devolvam tudo para os cofres públicos e cortem as aposentadorias milionárias desses políticos todos e veremos os resultados. Viva o povo BRASILEIRO!!!!!!!!

  10. Jussara Pontes da Cruz disse:

    Primeiro, a camapanha do relator da reforma, Artur Maia, foi financiada pelos bancos, que tiveram as suas dívidas com a previdência perdoadas. Segundo, o conselheiro da reforma Marcelo, está ligado as empresas de previdencias privada. Terceiro, o Temer perdoou divídas de ruralistas, bancos, JBS e outras empresas. A rede Globo, SBT, Record, e outras que devem dinheiro para previdência têm interesse na reforma, pq vão entrar no Refis. Finalizando, não há déficit, os auditores fiscais da receita federal e a PCI já comprovaram isto. O governo mente e a imprensa ajuda nesta mentira.

  11. Paulo disse:

    O servidor público foi demonizado, satanizado, pela campanha governista pró-Reforma da Previdência (mesmo não fazendo parte do Regime Geral de Previdência, pois os recursos para o pagamento de benefícios de pensão e aposentadoria do servidor saem dos cofres do Tesouro Nacional). Até jornalistas críticos e conscientes embarcaram nessa, sob a batuta (ou a pauta, pra ser mais exato) dos patrões. Tudo isso buscando obter apoio junto à população, em geral, para a tal Reforma, baseados no ódio e na divisão forçada da sociedade entre “cidadãos comuns” e servidores. Um desserviço à sociedade brasileira, idealizado, provavelmente, por uma equipe adrede preparada, da área empresarial, ligada ou com origens no marketing. A 1ª vez, em mais de 35 anos, que ouço o “patrão” falando mal, em público, dos “empregados”. Sou servidor, e, à semelhança de nossos detratores (jornalistas e empresariado, em geral), prezo muito, para além de outros argumentos, pelo princípio de que o combinado não sai caro.

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2019-02-19 23:50:54