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Geral
26-02-2018, 8h43

Jungmann na Segurança Pública sinaliza mais improviso

General no comando da Defesa quebra tradição
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KENNEDY ALENCAR
Londres

O jornal “O Estado de S. Paulo” informa na edição de hoje que o ministro da Defesa, Raul Jungmann, assumirá o comando da nova pasta extraordinária da Segurança Pública. O governo deverá criar a pasta hoje, por meio de medida provisória. Na Defesa, segundo o jornal, o comando passaria ao número dois da pasta, o general da reserva Joaquim Silva e Luna, hoje secretário-geral do ministério.

Se confirmadas essas mudanças, elas sinalizam mais uma vez improviso do governo na questão da segurança pública. Outros nomes sondados para a Segurança Pública rejeitaram a possibilidade de assumir o posto.

O presidente Michel Temer preferia manter Raul Jungmann na Defesa. Essa demora para o anúncio do titular de uma pasta extraordinária deixou Temer sem opção. Outro sinal de improviso foram as declarações do ministro da Justiça, Torquato Jardim, dizendo que haverá a criação de poucos cargos de comando e a transferência de departamentos que já estão em operação e com suas políticas definidas.

Se é isso, haverá pouca mudança, apenas de organograma. Essas declarações mostram que será algo mais cosmético do que um ministério pensado para mudar a linha de ação da segurança pública no Brasil.

A criação da Segurança Pública como pasta extraordinária é outro problema. Provavelmente, candidatos a presidente dirão que manterão a pasta em definitivo. Tudo isso está sendo feito sem um debate profundo sobre um problema complicado.

Parece algo na linha Donald Trump, presidente do Estados Unidos que sempre tem soluções simplistas para problemas complexos, como armar professores para reagir a tiroteios com estudantes.

No caso brasileiro, mais uma vez, o marketing está prevalecendo em detrimento de uma política pública mais amadurecida para tratar de um problema tão grave. A intervenção federal no Rio e a criação desse ministério estão sendo feitas no improviso e sem planejamento.

*

Quebra de tradição

Por mais que o general Joaquim Silva Luna tenha capacidade técnica e administrativa, porque ele já toca a máquina na prática como secretário-geral da Defesa, há a quebra de uma tradição altamente simbólica para um país que viveu uma ditatura militar de 21 anos.

Desde a criação, em 1999, o comando da Defesa sempre esteve em mãos civis. Alguns desses ministros não foram bons. Entendiam pouco da área. Outros não conseguiram respeito dos subordinados militares. Alguns realmente deram peso à pasta, como Nelson Jobim e Celso Amorim. Mas todos eram civis. Simbolizavam a obediência militar a um comando civil.

O presidente Michel Temer está em franca aproximação com os militares. Entregar o comando da Defesa a um general gera empatia com os comandantes das Forças Armadas e a cúpula militar. Mas quebra uma tradição tão simbólica, o que é um retrocesso político.

*

Direitos humanos

Nos últimos dias, os jornais têm mostrado cenas de militares fotogrando moradores de comunidades carentes no Rio de Janeiro. É uma ação que desrespeita os direitos humanos dos moradores.

Eles estão sendo tratados como suspeitos, numa espécie de fichamento para controle futuro. No Brasil, é fácil desrespeitar os direitos dos mais pobres. Não se imagina um levantamento desse tipo na zona sul do Rio nas áreas em que há consumo de drogas pelos mais ricos.

É medida típica de estado de sítio. Não há nada na intervenção federal que autorize uma ação nessa linha. Além desse aspecto, essa política de registro fotográfico de moradores é mais um exemplo de improviso.

Não é uma política pública pensada, mas algo que se faz emergencialmente para mostrar que algo está sendo feito. Há um ingrediente de humilhação nesse tipo de abordagem.

Na Inglaterra, há um debate sobre a política de “stop and search”, que é parar alguém na rua, pedir identificação e fazer uma busca por eventual arma branca, como uma faca.

Em tese, essa abordagem só pode ser feita se houver um comportamento suspeito que a justifique. As estatísticas mostram que jovens negros e da periferia são os mais abordados. Uma parcela da população defende o aumento desse tipo de abordagem em face do crescimento de crimes cometidos com facas. Outra parcela é contra, por entender que se trata de ação de pouco efeito e que é aplicada de forma preconceituosa contra jovens negros.

O fichamento de moradores de comunidades carentes no Brasil está muito mais para uma ação que denota preconceito e improviso do que para uma política pública efetiva de combate ao crime

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. Wellington Alves disse:

    O poder das facções (grupos terroristas, na minha opinião) vem em especial do tráfico. Mas não fatura milhões vendendo para pobre. Classe Média Alta é um cancer na sociedade.

  2. walter disse:

    Caro Kennedy, quando o temer admitiu, precisar dos militares, foi tudo em função do Rio, e seu governador do partido, que admitiu em alto e bom som, ser incompetente para controlar seu estado; face aos descompassos de outros estados também, por motivos semelhantes; foi obrigado admitir que o crime organizado, esta vencendo batalhas; trouxe o exercito para dentro da conversa, muda tudo, inclusive procedimentos e condições impostas por eles…tudo ali, envolve lei e ordem e condições básicas, com nomeações próprias…temos que admitir, que o RISCO é enorme,na perda do comando; o Jungmann, aliás, um Homem sério, longe de um torquato, “maria vai com as outras”; passará a ser um arbitro, não mais ministro; valerá as indicações dos generais, e devem ser homens de farda…A Lei e a Ordem, acabam com aventureiros de plantão, e os “direitos humanos”, terão que se adequar aos novos tempos…

  3. ANDRE disse:

    Quando se trata do desrespeito aos direitos dos mais pobres, o STF se cala. Aos pobres só a dureza das leis. Se alguém se recusar a tirar a famigerada foto, usando o seu direito, provavelmente será espancado/preso, pelo simples fato de ser pobre, para deleite de alguns fascistas saudosos dos castigos das senzalas. Temos que ficar de olhos abertos, o fato da pasta ser entregue a um militar, pode ser mais um passo para um futuro golpe na nossa democracia.

  4. SÓ FAXINA GERAL NAS ELEIÇÕES, PARA DAR JEITO EM TANTO DESGOVERNO! disse:

    Não dá nem para definir o que a gente sente quando liga a televisão e vê, sentados numa mesa , Temer, Padilha, Moreira Franco, Carlos Marun, etc, decidindo problemas nacionais de relevância! Que será que os brasileiros fizeram para sofrer tanta vergonha, desesperança, indignação? Até quando vamos ter que suportar, após um desgoverno do PT, tanto vilipêndio interminável desse desgoverno do PMDB? E o pior é observar as opções para mudar tudo isso… farinha do mesmo saco…

  5. Agora o que nos interessa, como cariocas:
    Somos também um espaço com um grave componente militar na disputa por território entre diversos agentes, com o agravante da presença de servidores do Estado, milicianos, para o controle do tráfico e crimes conexos. Dimensioná-lo faz parte da cidade horizontal da cidadania plena nos termos do Estado democrático de direito. Então, a fim de que a coerção seja reduzida ao “conteúdo civilizatório” da segurança pública, indispensável que as favelas não sejam o lugar destinado à militarização da disputa. Seguinte:
    O comando da intervenção contempla a possibilidade de avaliação responsável da discriminalização? Qual o impacto, pelo conhecimento que o comando da intervenção deve ter, da discriminalização no esvaziamento do interesse do grande capital internacional do tráfico&armas no uso de áreas pobres da periferia do capitalismo como logística?

  6. Fabio disse:

    O Temer ilegitimo saber que nao tem apoio popular e que é o presidente mais odiado da historia do Brasil.
    Assim sendo tenta se aproximar dos militares, pois estes nunca se preocuparam com os anseios da população brasileira.

  7. César disse:

    Não há tempo para discussões mais profundas!… a situação é emergencial!… A Segurança Pública tem que agir, tem que fotografar, seja aonde for!… não vejo preconceito, porque isso onde ocorre, é onde há mais marginalidades!…

  8. VITÓRIA DO BRASIL SOBRE A LADRÃOZADA: "FORÇAS ARMADAS NOS MORROS; LAVA JATO NOS PALÁCIOS; FAXINA GERAL PELAS URNAS"! disse:

    Com essas três medidas, “iniciais”, com ordem, dentro da lei, ignorando e enfrentando os “DISENTERIAS VERBAIS E DECREPITUDES MORAIS” que, juntamente com políticos corruptos ainda tentam “ESTANCAR A SANGRIA” – o país sairá vitorioso contra a corrupção que dominou o país!
    Forças Armadas, Lava Jato e Faxina geral pelo povo nas urnas, não elegendo candidato “suspeito, investigado, processado, réu, condenado, preso”, tirarão o Brasil do mar de lama em que se encontra – moral, político e econômico!

    • Wellington Alves disse:

      Lugar do exército não é no morro. É na fonteira, barrando a entrada de armas. E a polícia, na classe média alta, para barrar a compra de drogas que fortalece o tráfico.

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2018-09-22 14:13:42