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Política
17-11-2016, 9h17

Lava Jato põe foco em contratos de empreiteiras com Estados

Cartel aplicou com governadores modus operandi da Petrobras
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Com a prisão do ex-governador Sérgio Cabral, a Lava Jato passa a uma fase em que coloca mais foco na investigação dos contratos do cartel de empreiteiras com governos estaduais. A operação de hoje, Calicute, é sinal disso.

É importante que a Lava Jato investigue contratos de obras públicas das mesmas grandes empreiteiras que montaram um cartel na Petrobras. O modus operandi aplicado no nível federal na Petrobras também se estendeu aos Estados.

Cabral foi atingido por revelações da Andrade Gutierrez, empresa que ainda terá de fazer complementos às delações premiadas de seus ex-diretores. Depois do que disseram executivos da Odebrecht, ficou claro para os investigadores que delatores da Andrade Gutierrez e da Camargo Corrêa fizeram contenção de dano.

Em outras palavras, protegeram alguns políticos. É fundamental que não haja seletividade no combate à corrupção.

Já fazia algum tempo que se esperava a prisão de Sérgio Cabral, levando em conta o conjunto de informações reveladas pela Operação Lava Jato a respeito de contratos de obras públicas na época em que ele governou o Rio de Janeiro.

Cabral é um dos peemedebistas mais importantes. Comanda o grupo político que governa o Rio desde 2007. São quase dez anos no poder. Ele elegeu seu vice, Luiz Fernando Pezão, como sucessor. Cabral teve estreita ligação com Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara e peemedebista que está preso em Curitiba.

Jabuti à vista

Nos bastidores, o principal assunto ontem na Câmara era retomar a anistia ao caixa 2, apesar da deplorável invasão de manifestantes de extrema-direita ao plenário da Casa ter desviado um pouco a atenção da imprensa sobre esse perdão.

A classe política tem pressa. Quer votar essa anistia antes da homologação das delações da Odebrecht e de novas informações das colaborações já dadas pela Andrade Gutierrez e Camargo Correa. Deputados querem aprovar e remeter o projeto para o Senado ainda neste ano.

Há várias frentes de ação. Existe uma pressão sobre o deputado federal Onyx Lorenzoni, que é o relator da comissão especial que analisa aquelas dez medidas de combate à corrupção defendidas pelo Ministério Público.

Lorenzoni se recusa a colocar a anistia no seu relatório, mas tipificará o crime de caixa 2. Uma hipótese seria um deputado apresentar uma emenda ao relatório. Outra seria uma emenda coletiva, de um grupo de partidos.

E há ainda a famosa saída jabuti, que é acrescentar a anistia ao caixa 2 em algum outro projeto que esteja na ordem do dia na Câmara. Mas tem havido dificuldade para achar quem queira colocar o jabuti na árvore, dado o desgaste público de tal gesto.

Uma corrente defende que o texto seja explícito sobre a anistia e diga que práticas passadas de caixa 2 não poderão ser classificadas como corrupção ativa, corrupção passiva ou lavagem de dinheiro ou tráfico de influência.

Obviamente, se passar, é um tema que será levado ao Supremo Tribunal Federal e que poderá configurar algum tipo de desvio de finalidade ou abuso de poder. Afinal, tal anistia seria um casuísmo para salvar corruptos e corruptores, criando uma lei de impunidade seletiva.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. João Alberto Afonso disse:

    Caro Kennedy:- A penúria em que se encontra a quase totalidade dos Estados, estava evidente que a corrupção também estava instalada. Enfim, o Brasil, em quase seu todo, nos últimos anos, foi entregue a pior escória da sociedade. Note bem, o Estado de São Paulo não fica atrás, só que nada está sendo noticiado em relação a existência ou não de investigação e olha que a questão dos trens do Metro e CPTM são de domínio público. Ainda, com a prisão de Sergio Cabral e sua quadrilha, fica sem efeito a ladainha dos principais membros do PT de que há perseguição por parte do Moro.

    • walter disse:

      Exatamente caro João Alberto, estão fazendo a lição de casa, prendendo o Cabral, que já deveria estar preso; estranho esta correria, para prende-lo no RIO, já deve ter alguma manobra; afinal em seu Estado, fica livre do MORO, esta estranho…
      Quanto ao Caixa Dois, estão forçando a natureza; existe um LOB, que vem direto do Temer, uma covardia para livrar os “amigo malandros”; dependemos de um esforço, dos não envolvidos. Se for ao Senado, será outra luta, mais desigual; nossa única chance, é a interferência do Supremo, em último caso; não se pode isenta los de forma retroativa…devem responder, e devolver…sabe Deus quanto estes meliantes desviaram…

  2. Gustavo disse:

    Caro Kennedy,
    A ação de hoje da PF serve como tapa-boca para a mídia crica que vê excessos por parte de MPF, TRF4 e PF. Mais uma vez, não pode haver seletividade. O que me chama a atenção é o lobby de alguns (ou vários) políticos para se fazerem delações seletivas. A partir disso querem instituir abuso de autoridade e crime de responsabilidade aos juízes, procuradores e PF. Mais uma vez falo: tem pouco rebenque no lombo dessa gente. Imagine o crime de responsabilidade imposto agora contra magistratura: Sabe quando conseguiriam pegar os corruptos??? NUNCA!!!! Quanto maior à ação, maior deverá ser a reação. A ação da lava-jato tem sido branda. Mais contundência traria mais respeito da política.

  3. Edmar disse:

    Aguardamos ansiosamente a chegada de uma operação desta ao estado de PERNAMBUCO através da delação de Marcelo Bahia.
    Dinheiro de Enriquecimento ilícito obtido através de propina e repassado a herdeiros através de espólio ou gasto em campanhas políticas tem que ser devolvido a União.

  4. Antonio disse:

    Enquanto isto o sujeito que está na presidência, na maior cara dura, faz mais um banquete (pagos com o dinheiro do povo) para dezenas e dezenas de convidados em Brasília, aliciando políticos sem ética e honestidade para aprovação de uma PEC que pune os trabalhadores, a educação e a saúde. Estes mesmos políticos que agora querem se eximir do crime de Caixa 2. Haja “cara de pau”.

  5. Antenor disse:

    Kennedy, na sua matéria você registra que “… Cabral teve estreita ligação com Eduardo Cunha…”. Você esqueceu de registrar que o Cabral tinha estreitas relações também com LULA. Inclusive, circulou um vídeo no You Tube em que os dois (Lula e Cabral), humilham um garoto, da comunidade, que desejava praticar tênis num espaço público e que não conseguia. Só sei que ambos (Lula e Cabral)demostraram, ali, “estreitas relações” e grandes preocupações políticas com a argumentação do menino. Será que, se puxar o fio do Cabral o Lula não está amarrado nele?

    • Gustavo disse:

      Caro Sr. Antenor,
      é verdade sua declaração sobre este vídeo porque eu o ví também e lhe parabenizo pela sua colocação a respeito do Lula. Onde está o fio da meada do Cabral se puxar mais um pouco o Lula estará junto.

  6. Irineu disse:

    Se lê no texto que, “nos bastidores, o principal assunto ontem na Câmara era retomar a anistia ao caixa 2, apesar da deplorável invasão de manifestantes de extrema-direita ao plenário da Casa ter desviado um pouco a atenção da imprensa sobre esse perdão”. Não entendi se voce achou que seria boa a aprovação da “versão Waldir Maranhão” para perdoar o caixa 2, já que a invasão, deplorável que foi, atrapalhou a aprovação do projeto. Voce é contra ou a favor da anistia?

  7. Arnaldo disse:

    Haja cadeia pra colocar tantos politicos corruptos. O que me espanta é que eles tem uma saude de ferro enquanto estão nos roubando. Quando são presos todos ficam doentes. Deveriam ficar na cadeia o resto da vida, Garotinho, Cabral, Renan, Juca, Cunha e tantos outros. Uma vergonha para nosso país.

  8. joao dias disse:

    No Governo de Fernando Henrique Cardoso, a dívida dos Estados e com todos os Esqueletos, passaram a ser da União, para que as unidades federadas, partindo do zero de dívidas, trabalhassem, com seriedade, na gestão e administração dos recursos arrecadados, mais as transferências não obrigatórias.O que estamos vendo hoje, é os Estados praticamente falidos, pela gestão irresponsável dos recursos transferidos pela sociedade e pessoa jurídica. Foi um vendaval de contratação de Pessoal, para atender interesses pessoais e políticos e uma infinidade de obras faraonicas, pensando em interesses escusos, alem de abusos nos incentivos e isenções fiscais e tributárias. Não é legitimo a Uniao socorrer a irresponsabilidade, como premio. E nesse período todo, não se priorizou a educação, a saude, a segurança pública, o saneamento básico e a habitação. É justo o Ministério Publico descobrir para onde e como foram gastos. O Povo cobra satisfação . Precisamos da reforma urgente do Estado brasileiro.

  9. joao dias disse:

    No caso específico do Rio de Janeiro, Estado privilegiado com a Copa do Mundo e as Olimpíades, alem de ter uma das principais receitas arrecadadas, recebeu a fundo perdido e em transferencias não obrigatórias da União, bilhões de reais. Além disso, com a transferencia da dívida dos estados, para a União, o Estado ficou em posição mais privilegiada , ainda, contando tambem com parte dos recursos gerados pela Petrobras. E, hoje, continua classificado como um dos maiores devedoras da União, como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do SUL.Esses Estados são responsáveis por mais de 70% da dívida com a União. Em resumo, os Estados ricos continuam prejudicando os Estados mais pobres que não tem força política e economica.

  10. mano disse:

    Prezados: O provérbio popular “quem se mistura com porco farelo come” deve mudar para: Quem se mistura com o PMDB farelo come. O PMDB é o cupim do Brasil.

  11. João Grilo disse:

    “Em outras palavras, protegeram alguns políticos”…
    Um doce pra quem adivinhar de que partido…

  12. juliano disse:

    Pelo que me consta o Sergio Cabral apoiou o Aécio e sua turma para presidente ou não?

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