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Entrevistas
28-08-2015, 6h00

Levy está “isolado” e ajuste é “rudimentar”, avalia Aécio

Hoje não há motivo jurídico "claro" para impeachment, diz tucano
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Presidente nacional do PSDB, o senador Aécio Neves afirma que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, “está cada vez mais isolado dentro do governo”. O tucano considera ainda o “ajuste fiscal absolutamente rudimentar”

Contrário à recriação da CPMF, o antigo imposto do cheque, Aécio diz que o PSDB votará contra e que a base do governo não deverá apoiar a medida. Critica Levy: “Não há nada, nenhuma medida, que minimamente acene para a retomada do crescimento”.

Na opinião de Aécio, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) deveria deixar a presidência da Câmara dos Deputados se o Supremo Tribunal Federal aceitar a denúncia contra ele: “Aí fica muito difícil a permanência dele. (…) A aceitação de denúncia por parte do Supremo tira as condições, acredito eu, mínimas de condução da Câmara dos Deputados”.

Indagado se existe hoje motivo jurídico para um eventual impeachment da presidente Dilma Rousseff, Aécio responde: “Acho que ainda não está claro. Eu reconheço isso.” O presidente do PSDB diz que “não torce pessoalmente por esse desfecho”.

A seguir, três vídeos com a íntegra da entrevista, feita na manhã de quinta-feira, em Brasília. Abaixo deles, há uma versão em texto.

Parte 1 – “Quem desestabilizou o governo foi o próprio governo”

Parte 2 – ‘Se virar réu, Cunha deve se afastar da presidência da Câmara’

Parte 3 – “Presidência da República é destino”

O sr. vê hoje razões políticas e jurídicas para o impeachment da presidente Dilma?

Em primeiro lugar, é preciso que se diga que impeachment, ao contrário do que muitos alardeiam, é uma previsão constitucional. O Brasil viveu, e não faz muito tempo, um processo de impeachment. E as instituições continuaram funcionando adequadamente. No caso, o [impedimento do] ex-presidente Collor. Feita essa ressalva, é preciso que haja as condições jurídicas e políticas. Nós temos hoje dois tribunais com processos distintos avaliando o comportamento da presidente da República. O Tribunal de Contas, onde já existe um parecer mostrando que ela descumpriu a Lei de Responsabilidade Fiscal, fazendo com que os bancos públicos financiassem responsabilidades do Tesouro, o que fere o âmago da Lei de Responsabilidade Fiscal. Por outro lado, o TSE investiga se houve dinheiro de propina, dinheiro desviado da Petrobras, para alimentar o caixa da campanha da presidente da República. Não faço prejulgamentos. Nós temos que fazer enquanto oposição é garantir que esses tribunais funcionem com absoluta liberdade. Analisem de forma técnica as denúncias que ali chegam e, em havendo crime, claro que as consequências têm de ser pagas. A lei é pra ser cumprida por todos, inclusive pela presidente da República.

Hoje já há razão jurídica?

Acho que ainda não está claro. Reconheço isso. Mas nada impede que dentro de algum tempo isso ocorra, porque as denúncias são muito graves. Nós temos aí a Operação Lava Jato, que o Brasil inteiro acompanha. A cada dia há uma denúncia nova e se aproximando muito da presidente da República. A presidente disse outro dia da legitimidade do seu mandato. Nós concordamos…

Conquistada no voto.

O voto tem [legitimidade]. Legitima. Mas eu ouvi uma declaração muito oportuna do ministro João Otávio Noronha do TSE (Tribunal Superior Eleitoral): “O voto legitima desde que ele tenha sido obtido legitimamente”. Se o voto, eventualmente, foi obtido de forma fraudulenta, foi obtido com dinheiro de propina ou com as instituições se submetendo ao interesse do candidato, isso tira a legitimidade do voto.

Mas isso não foi apontado até agora em relação à presidente.

Não foi. Nós estamos tendo absoluta serenidade. Como você disse no início, sou presidente hoje do maior partido de oposição. Nossa posição é de respeito absoluto à Constituição. E mais: de blindagem, de proteção a esses tribunais para que eles possam julgar e até absolver a presidente da República se for o caso. Mas o que é grave hoje, a meu ver, deve ser motivo de enorme preocupação para todos nós, é a perda crescente de capacidade de governança da presidente da República. Hoje nós temos um quadro econômico que se deteriora a cada dia, com a inflação de alimentos já acima de dois dígitos há muito tempo, tirando comida da mesa do trabalhador. Os juros na estratosfera. Hoje, cerca de 55 milhões de brasileiros estão com prestações atrasadas há mais de 90 dias. Além disso, temos uma economia parada que vai crescer…

O sr. acha a crise econômica mais grave do que a crise política? Muitos empresários apontam a crise política como um agravante da economia. E até acham que a oposição por ser tão aguerrida contribui para esse clima de instabilidade. É a visão desse empresariado. Queria a sua opinião.

Não acho. Não acredito que seja de um empresariado sério, porque seria responsabilizar a oposição pela irresponsabilidade do atual governo. A crise econômica na qual nós estamos mergulhados hoje, com o desemprego crescendo de forma avassaladora no país inteiro, e que infelizmente vai continuar a crescer, como eu disse, com juros saindo de controle, com a economia crescendo negativamente, com inflação na lua, é responsabilidade deste governo, que não tomou as medidas que precisava ter tomado mesmo quando alertado por nós, por todos economistas e por todos que estavam percebendo o que estava acontecendo no Brasil. E por que não tomou? Porque valia à pena um objetivo: ganhar as eleições.

Ela reconheceu nesta semana que poderia ter feito uma inflexão antes.

Eu acho que não reconheceu. Na verdade, me permita a franqueza com que eu vou me dirigir a seus telespectadores, a presidente estabeleceu a mentira como método. Ela mentiu durante a campanha eleitoral, porque eu busquei esse debate. Você se lembra dos debates, inclusive aqui no SBT. Eu falei: “Presidente, o Brasil precisa de ajuste e tem de ser feito rapidamente”. “Não, o Brasil está uma maravilha. O Brasil vai crescer muito no ano que vem. A inflação está sob controle.” Isso são palavras da presidente da República. Quando eu dizia, “Presidente, estão assaltando a Petrobras. A senhora confia no tesoureiro do seu partido?”. Eu perguntei a um metro de distância dela. “No senhor João Vaccari?”. “Claro. Não tem problema nenhum que eu saiba na Petrobras.” Ele está preso hoje. Não é possível que ela queira dizer a nós, brasileiros, que não sabia daquilo que estava acontecendo no seu entorno. [problema no som: Essa crise é responsabilidade do atual governo. E é um crise não só econômica, já virou social e que afeta principalmente os mais pobres].

Na convenção do PSDB, o sr. fez a previsão de que a presidente Dilma não chegaria ao final do mandato. Mantém essa previsão ainda?

Olha, é um sentimento que eu tenho. Por essa razão que nós falávamos agora há pouco. A economia parou de avançar. A crise que era econômica se transforma uma crise social. E, quando você olha pro Congresso, qual é a agenda deste Congresso? Não existe. A presidente terceirizou a economia para alguém que pensa e pratica tudo que ela combateu durante toda sua vida, que é o ministro Levy, a meu ver, cada vez mais isolado dentro do governo. Terceirizou a condução da política para o PMDB e para o vice-presidente Michel Temer, a quem desprezou durante todo seu primeiro mandato e fazia questão de mostrar isso. Agora, quase como jogando-se numa boia, transfere a agenda do país para o Congresso Nacional. Falta à presidente aquilo que é essencial para qualquer governante em qualquer nível, que é credibilidade, confiança.

O sr. acha que ela vai cair?

Depende muito mais dela do que das oposições. Se ela readquirir essas condições de governabilidade pode ser até que se sustente. E é direito dela concluir seu mandato. Ela deixará de cumpri-lo se perder ela própria as condições, seja de governabilidade e também legais. Os processos que estão em curso são muito graves e podem inviabilizar seu governo se as decisões dos tribunais forem contrárias à presidente da República.

Na entrevista que ela deu ao SBT há duas semanas, ela falou de uma cultura golpista no Brasil e que, no entender dela, não teria condições de se materializar por falta de condições políticas. Ela aponta questões como a discussão da renúncia. Perguntei a ela sobre isso. Ela disse que jamais renunciaria. Esse tipo de discussão não alimenta uma cultura de golpe no país ou é legítimo um ex-presidente da República, como o Fernando Henrique Cardoso, falar que ela deveria renunciar? O sr. acha que ela tem de renunciar? Isso não desestabiliza o governo?

Quem desestabilizou o governo foi o próprio governo, porque mentiu aos brasileiros. Hoje mesmo o insuspeito ex-ministro Delfim Netto, um dos principais conselheiros do ex-presidente Lula e dela, disse simplesmente que ela destruiu a economia brasileira para se reeleger. Então, hoje ela paga a conta da irresponsabilidade com que agiu. Não somos nós da oposição. Nós não temos esse poder de gerar tamanha instabilidade no país.

A acusação de golpismo incomoda o senhor?

De forma alguma, porque os que usam esse argumento são os que se negaram a assinar a Constituição, que prevê essas saídas e os mesmo que gritavam lá atrás “Fora, FHC”. Foram os mesmos que foram pra rua para derrubar o presidente Collor e, naquele momento, não consideravam golpismo. O PSDB não conduzirá o desfecho dessa crise. O que nós temos que fazer enquanto partido de oposição é garantir a solidez das nossas instituições. Julguem a presidente. Absolvam se as provas não forem consistentes. Mas, se eventualmente ela cometeu delitos durante a campanha eleitoral e permitiu que eles fossem cometidos, nós não somos uma republiqueta, onde haja um salvo-conduto para o presidente da República. Todos têm de cumprir a lei. Em especial, o maior mandatário deste país.

Esse ponto é importante. A Folha de S. Paulo escreveu um editorial nesta semana em que está dito lá: “Se o julgamento do impeachment é sobretudo político, não se deve ignorar que ele também contém muito de jurídico. Uma deposição assentada em razões banais traria instabilidade interna e mancharia a imagem do país aos olhos da comunidade internacional”. O New York Times e o Financial Times publicaram também algo parecido. O sr. está liderando as pesquisas para a sucessão presidencial. Não teme que um eventual impeachment de Dilma ou uma saída dela antes de 2018 abra um precedente para o Brasil voltar a ter uma instabilidade que teve no passado. E, no futuro, num eventual governo Aécio, ser vítima dessa instabilidade que pode ser criada?

Eu começo pelo início da sua pergunta. Nada mancha mais a imagem de um país do que um governo leniente e complacente com a corrupção, que se beneficia desse tipo de dinheiro pra vencer as eleições, que não toma as medidas que a responsabilidade obrigaria que tomasse e transfere hoje à classe trabalhadora, com desemprego, com inflação alta e com juros na estratosfera, o custo mais alto desse ajuste. Nada pior para um país do que o desgoverno como o que nós temos hoje.

Mas um impeachment por razão banal não seria?

Eu acho que por razão banal jamais haverá impeachment. E eu pessoalmente nem torço por esse desfecho. Agora, nós temos que escolher se no Brasil a legislação vale para o presidente da República ou só vale, por exemplo, até governadores de Estado. Aí vamos estabelecer o seguinte: no caso do presidente da República, pra não gerar instabilidade, ele pode usar dinheiro de propina, ele pode pegar as empresas públicas, como os Correios, e colocar pra fazer campanha pra ele? Ele pode usar a cadeira de rádio e televisão durante a campanha eleitoral pra fazer proselitismo eleitoral? Pode burlar a Lei de Responsabilidade Fiscal pra se eleger e está tudo certo? Eu prefiro que o Brasil seja um país onde a lei seja para todos. Não acho que uma razão banal levaria ao afastamento da presidente da República. Mas ela tem de ter a oportunidade, como vem tendo nesses tribunais, de se defender.

As instituições estão funcionando…

Esse é o lado bonito de tudo isso, se é possível enxergar uma coisa bonita nesse cenário tão nebuloso que nós temos pela frente. Mas isso acontece hoje. As instituições funcionam. A imprensa funciona com absoluta liberdade. Os tribunais estão julgando. Vamos dar a oportunidade para a presidente se defender. Você vê, em relação ao Tribunal de Contas, a dificuldade da defesa é tão grande que, mais uma vez, eles pedem prorrogação, mesmo tendo aí dezenas, centenas de pessoas mergulhadas em defender a presidente da República. Depende da presidente e dos tribunais, portanto das instituições democráticas que o Brasil tem, o desfecho dessa crise.

Um argumento que é invocado pela presidente Dilma e pelo PT quando sofre uma acusação de estelionato eleitoral é lembrar que, em 1998, o então presidente Fernando Henrique Cardoso negou que fosse desvalorizar o real, mas, em 1999, quando assumiu, houve a desvalorização. De certa maneira, foi o aconteceu agora com a Dilma na campanha. Ela negou que fosse fazer um ajuste, negou a gravidade da crise. Está admitindo e fazendo um ajuste. Qual é a diferença em termos de estelionato eleitoral do que aconteceu em 98 e 99 e o que aconteceu em 2014 e em 2015 na sua opinião?

Em primeiro lugar, é uma desculpa absolutamente covarde, não é? Na verdade, o PT tem buscado isso. O PT, quando pego com a boca na botija, com seus tesoureiros presos, com a segunda figura mais influente do partido da sua história, o ex-ministro José Dirceu, na cadeia, costuma dizer o seguinte: “Ah, lá era assim também”. É quase como aquela história…

É uma má defesa, não é?

É quase como aquela história do batedor de carteira, que rouba a carteira da madame na feira e sai gritando “pega, ladrão!”. Quem conhece minimamente a história econômica do país sabe que as diferenças são colossais. Lá, houve iminência, a premência, a necessidade de fazer aquela alteração porque…

Mas já se sabia em 98. Em Brasília, já se discutia no PSDB a necessidade de fazer essas coisas.

Longe de haver um consenso. Longe naquela época de haver um consenso. Hoje…

O Serra , por exemplo, era a favor de uma desvalorização.

Mas não havia consenso na equipe econômica.

O Malan…

Pergunta para o ministro Malan ou para o próprio Armínio Fraga. Não havia um consenso. Não houve uma ação deliberada: “Vamos ganhar a eleição e depois vamos fazer as maldades”. Quando eu disse durante a campanha eleitoral que nós precisávamos fazer ajuste, você se lembra a resposta da presidente: “O Aécio está preparando um conjunto de maldades para os trabalhadores”. Eu disse: “Não, estou dizendo com responsabilidade. O Brasil precisará de medidas amargas, mas, o quanto antes elas forem tomadas, menor será o preço para a população brasileira.” “Não, o Aécio quer fazer maldade.” Acabou a eleição, elevou-se os juros, inflação fora de controle e desemprego colossal. E o trabalhador, aquele que menos tem, pagando o preço da conta. E quem recebe o Bolsa Família há mais de um ano não tem reajuste. Então, aqueles que o governo do PT dizia defender, e são esses que estão hoje mais indignados, são aqueles que estão pagando o preço mais duro desta crise.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez uma crítica ao comportamento da bancada do PSDB na Câmara e também no Congresso em relação a algumas votações. Por exemplo:  o governo Fernando Henrique criou o fator previdenciário e o PSDB votou a favor da flexibilização. O ponto deste argumento é se o PSDB não agrava a situação econômica do país. O sr. é o presidente do partido. Ao votar contra projetos que defendeu no poder e que são importantes pra flexibilizar a economia…

Recebo bem essa crítica, mas eu a refuto totalmente. Por uma razão clara e começo por dizer: a sorte do PT, e essa é uma vantagem que o PT tem em relação a nós e jamais será superada, é que ele tem o PSDB na oposição e não o PT na oposição. Imagina uma situação como essa se nós fôssemos o governo, como é que o PT estaria agindo. O que ocorre…

Mas aí não é o mesmo argumento: o PT fazia no passado, então, nós podemos fazer agora?

Não. É o que eu vou dizer. Não há irresponsabilidade alguma. Eu estou dizendo que eu contesto…

O sr. acha que não é correta essa crítica?

Não. Eu vou dizer por quê. Na Câmara, é natural que o embate se dê. Nós temos um embate ali em que medidas do ajuste o próprio PT algumas vezes votou contras as próprias propostas do governo. É querer demais cobrar que a oposição vote a favor do governo. Mas no Senado nós viemos corrigindo todas essas questões. Em relação ao fator previdenciário, eu assumi durante a campanha eleitoral um compromisso de, conversando com as centrais sindicais, encontrarmos uma forma de flexibilizá-la. E a nossa votação, nós falávamos isso durante nossas reuniões a favor da mudança, possibilitou essa flexibilização, porque a proposta que o governo…

O sr. acha correta a flexibilização?

A proposta que o governo veio a apresentar é adequada. Nós dissemos isso. O que nós fizemos foi um jogo político: pressionamos para que houvesse uma flexibilização que, a meu ver, não será a razão do desequilíbrio maior da Previdência. Então, o que nós fizemos foi fazer política. Nenhuma matéria relevante de descontrole fiscal ou de agravamento da crise terá o apoio do PSDB. Agora, não é possível que o governo que não consegue controlar a sua base queira que seja a oposição e o PSDB a fazer isso. Mas eu posso tranquilizar o Brasil que o PSDB tem tido absoluta responsabilidade, impedindo inclusive que matérias gravosas do ponto de vista fiscal sejam sequer colocadas em pauta.

Senador, o sr. sempre faz um discurso incisivo em relação à corrupção quando fala do PT. Na semana passada, o Eduardo Cunha, presidente da Câmara, foi denunciado ao Supremo Tribunal Federal. O sr. deu uma declaração muito mais cautelosa dizendo que as pessoas têm de responder às acusações, têm direito de defesa e dizendo que era um assunto interno da Câmara. Aí não tem dois pesos e duas medidas? O sr. não está sendo condescendente com o Eduardo Cunha, acusado de receber US$ 5 milhões de propina, e mais duro com o PT por uma questão do jogo político?

Acho que não. Acabei de dizer agora há pouco em relação à presidente da República. Ela tem de responder àquilo que determina a lei e tem de ter direito de defesa. Eu acho que as acusações em relação ao presidente da Câmara são extremamente graves. Ele tem o dever de respondê-las. E obviamente terá o direito de defesa.

Ele tem condições de continuar presidindo a Câmara?

Ele vai ter de se defender. Obviamente, é uma questão que a Câmara tem de decidir. Eu sou muito cauteloso, porque não pertenço àquela Casa. Mas do ponto de vista…

Já presidiu a Câmara.

Mas hoje sou senador e, obviamente, nós temos uma bancada na Câmara. Eu repito o que digo em relação à presidente da República. As acusações são extremamente graves. Eles tem de ter direito de defesa, mas, se comprovado o cometimento de crime, obviamente não terá condições, nem ele de conduzir a Câmara nem ela de conduzir o país.

A aceitação da denúncia pelo Supremo, o sr. acha que ele deveria se afastar se a denúncia for aceita?

Eu acho que aí fica muito difícil a permanência dele. É a minha opinião pessoal. Obviamente, repito: quem decide isso é a Câmara. Mas, no meu sentimento, a aceitação de denúncia por parte do Supremo tira as condições, acredito eu, mínimas de condução da Câmara dos Deputados. Obviamente essa votação quem faz é a Câmara.

Mas é a sua opinião.

É a minha opinião como presidente do partido e é muito clara. Não é diferente em relação à presidente da República. Eu não a condeno previamente, apenas acho que ela não pode ter um salvo-conduto. Me permita esse parênteses rápido. Nós temos o instituto da reeleição, que é posterior à Constituição, que determina que o presidente da República não pode ser responsabilizado por atos cometidos anteriormente ao exercício do mandato. Essa é a questão que está colocada. Mas nós precisamos rediscutir isso, porque senão o que estamos sinalizando: eu sou candidato à reeleição hoje, isso serve pra presidente, mas serve pra governadores e prefeitos. Se o que eu faço agora, se eu me eleger amanhã, não posso ser responsabilizado pelo que fiz? Imagina o que estamos sinalizando para o país. Faz-se tudo para ganhar a eleição…

Na verdade, o crime de corrupção tem uma característica, que juridicamente se chama continuidade delitiva. Isso quer dizer o seguinte: os efeitos de um crime de corrupção se estendem por além daquele mandato. Pasadena, por exemplo, que ficou tão famosa a compra desta refinaria que trouxe prejuízo de mais de US$ 1 bilhão à Petrobras e aos brasileiros. Isso foi feito em 2006, inclusive com a aprovação da presidente da República. Nós estamos vendo que os efeitos daquela ação, o dinheiro da corrupção, a propina que veio sendo paga e beneficiou campanhas eleitorais como agora a Lava Jato mostra, se estenderam para muito além daquele período de 2006. Foi além de 2010. Então, a questão central é essa. A investigação, aquilo que nós defendemos, inclusive é isso que nós estamos buscando junto à PGR, a Procuradoria Geral da República, a nossa ação construída pelo extraordinário jurista Miguel Reale mostra isso. Ok, a Constituição diz que a presidente não pode ser responsabilizada porque isso foi cometido no mandato anterior, mas ela tem de ser investigada. Até para que ela cumpra eventualmente a sanção após…

Um ato irregular de uma campanha à reeleição tem conexão com o mandato seguinte, ainda que a campanha à reeleição tenha sido feita no primeiro mandato. Então…

Mas a interpretação inicial foi, a primeira decisão do procurador-geral, é que não se pode investigar o presidente da República. Tanto que pela mesma delação onde há uma acusação que o ministro Palocci, segundo um dos delatores, o ex-ministro da Fazenda teria pedido R$ 2 milhões pra campanha da presidente, essa mesma declaração levou à investigação em relação ao ministro Palocci e negação da investigação em relação à beneficiária deste recurso por ser a presidente da República. É apenas isso que não fica claro para as pessoas. A minha preocupação… Esqueça esse mandato atual, pensando no futuro… Não podemos dar salvo-conduto aos governantes para dizer o seguinte: para ganhar a eleição faz-se o diabo, como gostava de dizer a presidente da República. Se fizeram, e aí? Ninguém responde por isso? É a grande questão.

Vamos falar de economia de novo aqui. O sr. é contra ou a favor da volta da CPMF? O governo está discutindo…

Sou absolutamente contra. Essa é a radiografia mais clara, isso desnuda a falência dessa gestão do PT. De um lado, nós estamos tendo um ajuste fiscal absolutamente rudimentar, ancorado em dois pilares. Um: aumento de tributos. A CPMF é absolutamente nesta linha, como já aconteceu com Cide e outros tantos. E, de outro lado, supressão de direitos. Esses são os dois pilares que sustentam esse ajuste do Joaquim Levy. Não há nada, nenhuma medida, que minimamente acene pra retomada do crescimento, como, por exemplo, as agências reguladoras profissionalizadas, um cenário que permita, mesmo que a médio ou longo prazo, a redução da taxa de juros. Não. Só recessão. As medidas são altamente recessivas. E, por outro lado, nós estamos vendo o patrimônio brasileiro indo embora. Há poucos dias atrás, ouvi o discurso de uma senadora muito aguerrida do PT dizendo: “Que absurdo, os tucanos queriam vender a Petrobras, os tucanos queriam vender o pré-sal”. Hoje nós assistimos, na calada da noite e na bacia das almas, a Petrobras botando à venda parcelas do seu patrimônio e dos seus ativos como, por exemplo, 25% da BR Distribuidora, mas não por uma visão estratégica. Não sou nem contra…

É uma necessidade de caixa, não é?

Pode até ser que isso seja necessário para trazer investidores estrangeiros, mas não…

É uma necessidade de caixa.

É uma necessidade de caixa pra diminuir o endividamento que a empresa alcançou em razão do descontrole lá atrás.

Apesar de ser contra a CPMF, o sr. acha que ela tem chances de ser aprovada no Congresso, a base do governo pode aprovar?

Eu acho que não. Nenhuma medida que significa aumento de carga tributária terá o apoio da oposição. Acho que, muito dificilmente, da base. Hoje nos jornais você deve ter visto isso cedo: o governo dizendo que vai vender um pedaço da participação da Infraero nos aeroportos. Eu me lembro quando a presidente, tardiamente e aí corretamente, mas tardiamente, cedeu às necessidades das concessões e dizia: “Não, isso é pra fortalecer a Infraero, que vai ficar com 49% de participação dos nossos aeroportos, é muito diferente das privatizações do tucanato.” O que eles vão dizer agora? Estão vendendo por que? Porque a Infraero tem um prejuízo anual de R$ 500 milhões. Porque desgovernaram o Brasil.

Aécio, o nosso tempo está acabando aqui e tem umas perguntas que são importantes. Eu me lembro de uma entrevista que nós fizemos em 2014. O sr. me disse que não ia deixar o PSDB ir para a direita. Na Câmara, recentemente, o PSDB deu apoio ao projeto de redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Apesar de lá no Senado ter optado por uma mudança no Estatuto da Criança e do Adolescente. O sr. preside o PSDB. O PSDB hoje é um partido centro-direita? Ele foi pra direita?

Não. Eu não acredito que seja. É um partido de centro, com raízes muito fortes na social-democracia europeia. E apenas para relatar esse caso especifico, você sabe que nós somos minoria no governo. Nós temos na Câmara dos Deputados, de 513 parlamentares, nós temos 10% disso. Obviamente, não temos poder definidor. Mas foi a ação…

Mas é o principal partido da oposição.

Mas vamos lá. Vou te dizer. Foi a ação do PSDB, mesmo sendo minoritário, mas pela respeitabilidade que o partido tem, que impediu que a proposta votada fosse a pura e simples redução linear da maioridade penal para 16 anos. Foi a ação do PSDB que levou a uma negociação que diminui a maioridade naquela proposta apenas para crimes contra vida. E essa proposta agora vai para o Senado.

O sr. a acha boa?

Acho que ela precisa ser aprimorada. O que eu defendo é em casos extremos. Defendi durante a campanha eleitoral. Eu tenho uma vantagem. Posso falar hoje as mesmas coisas que eu falava na campanha eleitoral. Não há nada melhor para um homem público do que dizer a verdade. Infelizmente, é o oposto do que ocorre com a presidente da República. Você se lembra? Eu fui para a televisão durante a campanha eleitoral num tema que é polêmico pra dizer o seguinte: no caso de crimes hediondos, de crimes de reincidência, aqueles Champinhas da vida, em caso extremamente graves, aí começa a diferença em relação à proposta da Câmara, ouvido o Ministério Público da Criança e do Adolescente, que vai caracterizar ali, fazendo uma análise inclusive psicológica daquele delinquente ou daquele cometeu o crime, se ele é perigoso para comunidade e, a partir daí, ele apresenta um relatório ao juiz, ouvido o juiz…

Ou seja, o sr. pretende mudar no Senado esse projeto da Câmara?

A nossa proposta é restabelecer o projeto do senador Aloysio Nunes que coloca novas salvaguardas. A redução pode acontecer em crimes absolutamente graves, nos quais quem cometeu é um risco para o sociedade. E quem vai dizer isso: o Ministério Público e o juiz do caso.

O sr. sempre teve fama de um político conciliador, moderado. Quando era governador de Minas Gerais tinha uma boa relação com o então presidente Lula. A campanha eleitoral do ano passado foi muito dura. A gente viu no debate do SBT um embate muito duro entre o sr. e a presidente. O sr. hoje está com um figurino mais agressivo, mais incisivo na comparação com aquele Aécio que governou Minas Gerais. Pergunto pro sr. se essa percepção que tenho é real, se o sr. mudou em relação ao político que era e se isso não pode estimular, senador, uma intolerância no debate público que vá transformar a política brasileira em um eterno Fla-Flu?

Eu não mudei. A situação do Brasil mudou. Quando nós assistimos a um governo que vem fazendo o que faz o governo do PT, um governo que se apodera do Estado Nacional única e exclusivamente para ficar no poder, que dilapida patrimônio publico, e não sou eu que digo. Quem tá dizendo é a Justiça que prendeu mais um tesoureiro do PT, uma das principais figuras do partido. Se eu não elevo tom, como presidente do principal partido da oposição, para denunciar isso, eu não estaria cumprindo o meu papel. Mas eu não faço a política do ataque pessoal. Do ataque direto.

Não o preocupa a intolerância no debate público, não? Está muito mais…

Mas a intolerância não vem da gente. Quem dividiu o país durante a campanha eleitoral entre nós e eles, entre ricos e pobres, não fomos nós. Ao contrário! Quem, por exemplo, quis desmoralizar uma candidatura correta e honrada como a da Marina mentindo…

Mas o sr. também atacou Marina.

… foi o PT. Jamais com a deslealdade que fez o PT. Se tivesse feito, ela não teria me apoiado. Os regimes populista ou os que têm esse viés quando se fragilizam, eles têm como último recurso a divisão de classe. Isso acontece aqui. Acontece na Venezuela agora. Vem acontecendo na Bolívia. Preocupa muito. Mas a matriz dessa divisão entre nós e eles, entre ricos e pobres, elite branca, vem deles. Vem do PT. Eu, se um dia, não sei se isso vai acontecer até porque já tive minha chance e não venci as eleições, mas o que nós queremos é um governo de unificação do país. Um governo que tenha grandeza de discutir falando a verdade para os brasileiros e possa unir o país e não dividir o país como o PT tentou fazer até aqui.

Por que o sr. não foi nos dois primeiros protestos e foi no último? O que mudou?

Eu acho que eu fiz o que era absolutamente correto. Era muito importante que fosse percebido que esses protestos eram protestos da sociedade civil. Não eram manifestações partidárias ou de quem perdeu a eleição. Esse foi sempre o meu cuidado. Era importante…

Mas, quando o sr. vai, partidariza.

Vamos lá. Era importante que se percebesse que essa indignação era natural, não era conduzida, não era liderada por partidos políticos. Por isso, eu fiz essas declarações e com toda cautela não fui aos primeiros. Chegou o momento do encontro entre a rua, a indignação e a política representativa, até pra que essas manifestações possam ser canalizadas e terem alguma consequência. Convidado pelo movimento, fui a essas manifestações…

Irá novamente?

Fui muito bem recebido, de uma forma que me emocionou profundamente, porque, na verdade…

Mas irá novamente?

Não sei se vão ter novos eventos. Temos de avaliar as características desses eventos. E eu sempre fiz questão de dizer: nós, do PSDB, não somos protagonistas. Esses movimentos são de cidadãos brasileiros indignados com a mentira, com a corrupção, com a incompetência deste governo. Mas o PSDB e a oposição são parte da sociedade e estavam lá exatamente como uma parcela também indignada com tudo que está acontecendo neste país.

O sr. falou de um governo do PSDB, até de um eventual governo do sr. No PSDB, hoje, se nota muito claramente uma disputa nos bastidores entre o sr. e o governador Geraldo Alckmin. O sr. perdeu as eleições em Minas no ano passado, mas foi muito bem votado em São Paulo, que é a base do Alckmin. Pelo calendário eleitoral, o Alckmin, em 2018, é um nome cogitado pra disputar o Palácio do Planalto. O sr. perdeu a eleição e aparece hoje nas pesquisas como o tucano mais bem posicionado e foi o tucano que teve melhor desempenho nas disputas contra o PT. Nesse processo de escolha do próximo candidato, o sr. considera sua candidatura natural, haverá prévia, será feito um acordo político?

A questão fundamental é o PSDB demonstrar ao país que está em condições de encerrar esse ciclo de governo do PT e iniciar um outro. Responsável, virtuoso, de retomada de investimento na economia, de resgate das nossas conquistas sociais. A respeito da escolha do candidato, existem várias formas de se dar. E obviamente todas elas têm de respeitar a democracia interna. O PSDB, mais uma vez, como esteve na última eleição, vai estar unido lá adiante, porque na política as coisas mudam com muita rapidez. Minas, por exemplo, a última pesquisa mostra que hoje eu teria 70% dos votos e atual presidente 12%, alguma coisa assim. Então, é natural que as pesquisas sejam um dos instrumentos da decisão, mas, felizmente, o PSDB tem candidaturas possíveis da qualidade do Geraldo Alckmin.

O sr. quer ser candidato?

Se o governador Geraldo Alckmin for o candidato do PSDB, eu terei imensa honra em mais uma vez apoiá-lo. Mas essa decisão o partido vai tomar no tempo certo.

O sr. tem o desejo de ser candidato em 2018?

Ninguém pode ser candidato apenas porque tem o desejo.

Mas existe o desejo?

Não, eu não sei. Olha, eu cumpri meu papel. Olhando nos seus olhos: saí desta campanha de cabeça erguida. Eu recebo isso por onde eu ando hoje no país. Eu ando pelas ruas, eu vou no restaurante, eu pego táxi, eu vou no cinema, eu vou em eventos políticos. Eu percebo que as pessoas compreenderam minha mensagem. Isso pra mim já é algo extraordinário. Como a Marina dizia, né? Na política, às vezes você ganha perdendo, que é o caso da presidente da República, hoje sitiada e ilhada, não pode ir em lugar nenhum sem nenhuma proteção. E, às vezes, você também perde ganhando. Eu considero que a nossa derrota eleitoral foi uma grande vitória política. O tempo é que vai dizer. Eu jamais diria: “Sou candidato porque quero ser candidato”. Mas, se amanhã o partido achar que seja eu que tenho as melhores condições, obviamente, eu tenho de estar pronto pra isso. Mas felizmente…

O sr. se considera pronto?

Nós temos Alckmin, nós temos Serra. Eu acho que sim. Mas não só eu. Eu acho que outros nomes do país estarão prontos também. Esse não é um problema de hoje. O PSDB, eu posso garantir pra você o seguinte, tem um projeto para o Brasil. Nós reunimos os brasileiros mais qualificados em absolutamente todas as áreas. Ao contrário da presidente, apresentamos um programa. Por isso, há necessidade de um programa. Ela não apresentou e hoje executa o que não é o dela. Temos um programa a apresentar ao Brasil. Estamos reciclando esse programa. Estamos fazendo debates que se iniciam agora, neste ano ainda, em todas as regiões do Brasil para atualizar esse projeto. E, quando chegar a hora, o PSDB vai estar pronto.

Há algum mal estar entre o sr. e o governador Alckmin? Há relato de bastidor…

Zero.

De que ele está insatisfeito com a intervenção do sr. em alguns diretórios estaduais, trocando presidente lá em Sergipe. A imprensa…

Eu vi isso no jornal, mas é uma desinformação até de um amigo meu. Na verdade, essa troca em Sergipe foi feita com patrocínio também do governador Geraldo Alckmin. Foi o primeiro a ser consultado sobre ela. Nossa relação é extraordinária. É claro que a imprensa especula sobre tudo. Mas posso garantir uma coisa pra você: o PSDB, na hora da disputa, vai estar unido, porque nós merecemos nos livrar do governo do PT.

Mas só um pode ser candidato. Tem uma disputa.

Pra mim não tem dificuldade nenhuma. Ser presidente da República não é um projeto de vida. Como dizia meu velho avô Tancredo Neves: “Presidência da República é destino”.

Comentários
36
  1. genesio rosa disse:

    Na realidade a verdadeira intenção dos tucanos é derrubar o PT e abafar todas essas apurações de corrupção antes que chegue neles. E só não chegou porque ele é blindado pela mídia/ MP/PF em conluio.

    • MARCO AURELIO disse:

      Amigo, bom dia!

      Fui eleitor de Lula nas 2 eleições..não votei em DILMA..A verdade é que o ciclo do PT CHEGOU AO FIM. O Aécio ou outro candidato, trará ao menos esperança de mudança e credibilidade junto ao povo e economia mundial. DILMA NEM O PT ,possuem CREDIBILIDADE MORAL NEM COMPETÊNCIA ADMINISTRATIVA,para gerir nosso país.. Em termos políticos,ídem, ficaram no PODER 13 anos e foram incompetentes em se quer prender nenhum integrante da OPOSIÇÃO EM 12 ANOS,Ao contrário das instituições jurídicas com GENOÍNO,DIRCEU, VACCARRY,DELÚBIO e sua base de sustentação vários.
      A verdade é uma só: chega!! Na oportunidade, gostaria de saber a OPINIÃO DO KENNEDY,NÃO O BLOGUEIRO, mas do cidadão como EU e os milhões indignados com a conjuntura do nosso pais?

    • lourenço fiorillo disse:

      Pois é… Deixando um pouco a política de lado, qual é a realidade do Brasil? Não tenho dúvidas do seguinte:

      1 – A criminalidade está aumentando. Está desenfreada.
      2 – A economia continuará piorando, porque as medidas de ajuste fiscal são recessivas. São uma bola de neve ao contrário.
      3 – Não houve nem haverá nenhuma reforma política.
      4 – Quem está no poder, ou usufrui dele, nunca largará o osso.
      5 – A impressa, obviamente capitalista, só serve aos seus interesses.
      6 – A Justiça, com raras exceções, é incrivelmente lenta, em muitas casos corrupta e sempre ineficiente. O código penal é arcaico. Não há nem haverá espaço físico para prender todas as pessoas que já tem mandato de prisão. A maior parte dos policiais é corrupta.
      7 – A maioria dos elitores votam no candidato que supostamente lhe trará maior retorno pessoal, e não o que será o melhor para o conjunto da população. Não tem a capacidade de pensar à longo prazo, ou imaginar que um país com economia e intituições fortes trará benefícios futuros a todos. Quem vençe as eleições é o populista, não o melhor candidato.

      Esse quadro me indica que a única solução é uma ruptura do atual modelo. Não um impechment, entregando o poder ao PMDB, ou uma impugnação, entregando o país ao PSDB. Imagino os seguintes caminhos:

      1 – Nas próximas duas eleições, não reeleger ninguém. Em todos os cargos eletivos.
      2 – Um golpe popular, socialista ou não.
      3 – Um golpe militar, que colocaria um militar ou civil no poder, seguido de uma ditadura de patriotas inteligentes.

      Acredito que nenhuma dessas opções acontecerá.

  2. Glub Snorkel disse:

    Também não há nenhuma razão clara para alguém ter votado em Dilma, a não ser propaganda enganosa e ignorância total, completa e absoluta do eleitor.

    • Vander disse:

      Engano seu amigo, teríamos votado até num cachorro cego para não ver o PSDB de volta ao poder. Quem viveu os anos 90 com o FH não quer vê-lo de volta jamais, prova disso é que nem os candidatos do partido querem tê-lo nos palanques.

      Ou você não lembra dos 45% de juros ao ano, inflação de 12,5%, dólar em 3,50 (realidade, não o de hoje que tem inflação de 15 anos embutida), salario mínimo de US$50 (hj é US$ 200), desemprego em 18%, gasolina aumentando 300% em 8 anos?

      abraço,

      • César disse:

        Vander, a gente sabe! A cegueira é tanta, que nunca viram nada, não sabem de nada, não perceberam nada. Até um cachorro cego seria melhor! Pelo menos farejaria a sujeira e o odor putrefato, que exala de tanta corrupção.

  3. Arthur disse:

    Oh, até que enfim aécim tomou juízo em parar com esse eterno discurso de impedimento. Agora pelo bem do país é aguentar a Dilma e trabalhar, porque com certeza não corremos mais perigo do PT ganhar outra eleição !
    Os empresários começam a se planejar pro futuro, sem o governo do PT !

  4. Marcus Marx disse:

    Aí ele diz: “A imprensa funciona com absoluta liberdade…”
    Será? Vamos perguntar à imprensa mineira? Vamos perguntar aos twiteiros processados ou à produtora REBECA MAFRA?

  5. Vander disse:

    Este é o “Aécio morde & assopra”, ou o “Aócio neves”, o senador que mais falta do que trabalha. Ou ainda o “comentarista político” da rede globo. Nunca será presidente, porque foi mais fácil desconstruir a imagem dele em 1 mês de segundo turno do que tirar doce de criança. O rabo dele ta muito preso em MG e nos escândalos abafados pela imprensa e pelos tribunais.
    Nunca colocaremos o país nas mãos deste sujeito.

  6. Antonio Nogueira disse:

    Aécio, depois de sua derrota para DILMA, criou grupos de fascistas nas redes sociais com o intuito destabilizar o governo DILMA, sempre incentivou o golpe contra a democracia. Agora vem com essa história que é preciso que haja as condições jurídicas e políticas. O que mudou nesse período é que ele começa a ficar isolado dentro do próprio partido e perde força seu único espaço de visibilidade para estar se apresentando como paladino da moralidade. Quanto aos seus movimentos só lamento vai ficar na saudade, sozinho pois o Aécio não quer levar o nome de golpista. Ele está transferindo essa responsabilidade para os movimentos fascistas do qual o PSDB financia. Penso que ele descobriu tarde de mais para mudar de ideia ele continua sendo um GOLPISTA.

  7. E.Silva disse:

    Ele está com esse discurso, porque percebeu que a pecha do golpismo grudou nele!

  8. silverio disse:

    Quem conhece a política sabe que ele mentiu o tempo todo. Quem acredita que o PSDB é só honestidade? O congresso no governo do PSDB era honesto? Esse governo da Dilma está limpando as instituições corruptas desse país. O PSDB em breve será desmascarado.

  9. Reinaldo Faria Tavares disse:

    Impedimento não interessa ao Aécio, não o levará à presidência mas o Temer. Sua esperança é a impugnação da campanha Dilma, que retira os dois, para dar-lhe o diploma.

  10. DARIO disse:

    creio eu que em todos governos, sempre existiu corrupção, só que antes não se via falar em cpi, sera que se fizer um levantamento dos ultimos 8 mandatos, nao irao encontrar nada, o sr FHC por exemplo no governo dele ninguem levou nada digamos da petobras, ou de outro lugar, politica para mim, quase todos politicos estao la para enriquecer, faça um levantamento nos bens e conta bancaria de todos politicos desde vamos dizer 1980, olha irão se surpreender hem rsssssssssssss

  11. Ricardo Pires disse:

    O PSDB acusa e deve mesmo acusar, acho que quem praticou corrupção no Brasil tem pagar, porem antes de sermos políticos temos que ser cidadães Brasileiros.
    E não ficar como a oposição, de camarote torcendo para que o Brasil caia em desgraça. O Brasil é de todos, e não do PT ou do PSDB,em momentos de crises independente dos culpados temos que nos juntar para melhorar e não ficar tentando piorar, querer piorar o Brasil não é coisa de Brasileiro.

  12. CRISTIANO N. CAMPOS disse:

    Ele não quer o impeachment pois cai no colo do Cunha (PMDB). Ele gostaria da anulação das eleições, é o que estão tentando no TSE. Mas esquecem que LULA vem forte em novas eleições, daí a tentativa de ligar LULA a corrupção. Mas o Aécio já foi mencionado>>>>>>>>>

  13. Giovanny disse:

    Esse cara é mais enrolado que bobina, não apresenta nenhum projeto, nenhuma saída e só sabe falar mal do PT. Esta agora alisando até a Marina. Prestem atenção ao que ele fala. Esta se borrando de medo, pois mais uma vez foi citado. Vamos ver até quando irão blindá-lo. Não acredito nele, não acredito que Levy esteja do lado do governo, e vamos ficar atento ao desenrolar desse rolo todo que ai esta. Na verdade, não temos hoje em quem acreditar.

  14. Luiz Alberto disse:

    Cara de pau. Tornou-se problema pessoal com a Dilma. Respostas dão voltas e acabam nela… A perda das eleições não lhe fez bem. Faltou esclarecer sobre a mesada de Furnas, 10 milhões para abafar CPI e por aí vai. O PT não está sozinho nas falcatruas. Chame o Alckmin rápido…

  15. César disse:

    Aguardarei a conclusão da Operação Lava Jato, com paciência serenidade. Respeitando as decisões judiciais e a constituição brasileira.

  16. Carlos Crispim disse:

    Como uma oposição dessa a Dilma só sai se quiser, realmente não há motivos para impeachment, somente umas 10 toneladas de escãndalos, estelionato eleitoral, crime de responsabilidade na Petrobrás, recebimento de dinheiro sujo na campanha, mentiras deslavadas, endividaemnto público, pedaladas fiscais de BILHÕES, levou o Brasil à bancarrota, multa da SEC… Realmente não há motivos para o impedimento…

  17. antonio barbosa disse:

    As mudanças na cultura do povo brasileiro estão apenas no começo. Hoje já se sabe que o PT através do Foro São Paulo desejava implantar o comunismo no Brasil, mas falhou. Começou com Roberto Jefferson e agora a pá de cal será o petrolão. Lula é um fantasma falando para as paredes. Nada do ele diz se escreve. É um morto vivo político. Alias um dos piores aliados de Dilma, pois veio dele as maiores críticas ao seu governo. Entretanto o PSDB foi o partido que rejeitamos em 2002 porque nos assolava com altos impostos e achatamento salarial, apesar do país estar sob controle, porém este controle era sob os ombros da classe média e pobre, ao passo que os ricos sempre foram beneficiados, como o Proer. Aécio nunca foi líder de nada, apenas usa o nome do avô e por isso teve alguma projeção no cenário político, entretanto porém, nunca foi uma opção real da classe média e pobre e, se recebeu votos da mesma, foi por pura falta de opção de outras candidaturas fracas e sem expressão, exceto por Marina Silva, que sempre esteve na disputa para dividir os votos e deixar o PT em vantagem, porque obviamente ela nunca deixou de ser petistas, ao menos por ideologia marxista. Há sim uma falta de liderança política de expressão no Brasil que una as diferentes necessidades que hoje se estrangulam num funil muito estreito: saúde, educação, segurança X investimento em setores críticos como: portos, aeroportos, estradas, ferrovias, energia. Aliado a tudo isso hoje temos a pior relação comercial da história que leva qualquer um a bancarrota, ou seja, depender de um único comprador, a China. Somos de fato um desastre em política externa. Então quem realmente poderia mudar este panorama tragicômico? Bolsonaro? Apesar de ser a única oposição real no Brasil, ele não tem apoio suficiente para tanto. Joaquim Barbosa? Ele não é bobo, alias, de bobo não tem nada. Foi embora para Miami e de lá não sairá. Já fez sua parte muito bem feita, e olha que com o garfo do diabo apontado para ele. Então quem? Ninguém, esta é a verdade. Estamos num vácuo político de lideranças representativas. Renan e Cunha, ambos investigados pela lava-jato, fora tantos e tantos outros. E é isto que os empresários mais temem, e por isso estão com os dois pés atrás, porque o futuro do Brasil se tornou um mistério de incertezas políticas e por consequência econômicas. Pobre povo brasileiro que nadou, nadou no governo FHC e agora vai morrer na praia do governo do PT. Daqui para frente só Deus sabe.

  18. Marcel disse:

    Como já foi Dito Antes, quando se tem um Mandato tão extenso como o ATUAL fica mais FÁCIL de avaliar pois todos indicadores Sejam os positivos ou NEGATIVOS são ampliados tornando a avaliação mais simples a administração atual de nosso pais e a melhor já vista em todos os tempos! basta examinar os gráficos, são os melhores resultados de todos os tempos, nunca se viu nada igual! se formos comparar com o governo do PSDB que precedeu o atual nem se fala!.. Cronologicamente é O MESMO RESULTADO SÓ QUE DE TRAZ PRA FRENTE! estamos chegando ao Ápice agora pode comparar!

  19. César disse:

    Ele não está livrando a Presidente Dilma Rousseff de culpa. O que ele está dizendo é que para o processo de impeachment ter inicio, tem que seguir por um caminho, passo a passo, sem atropelar o processo legal. Até para que depois, os petistas fanáticos não venham com está história de golpe. Se todo o processo foi feito dentro das normas legais, seguindo os ritos do processo. Não haverá duvida, de que o impedimento é legal e foi por motivo justo. Para petista tem que desenhar, senão eles não vão aceitar nunca, que ela cometeu crimes na administração do país. Para eles, os crimes cometidos pelos outros, anulam os crimes cometidos por eles.

  20. Mas, é MUITA CARA DE PAU desse ser, se colocar nesse lugar tão limpinho e cheiroso! Vai catar coquinho aécio never!

  21. Marco disse:

    O questionamento sobre o Ministro da Economia, o entrevista criticou ou concorda com a gestão dele, pois mudou o ruma da prosa também nesse assunto!!

  22. Illuminati disse:

    Nosso problema é bem maior do que a crise economica. Nosso sistema político está falido, moralmente, administrativamente e financeiramente falido.

    Seus protagonistas jogam “escravos-de-Jó” com suas responsabilidades. Não existe “mea culpa”. Todos são limpos, corretos, bem intencionados, porém sempre vítimas de golpismo dos adversários.

    Analisando as entrevistas concedidas por eles fica-se com a impressão de uma discussão típica das mesas redondas do futebol. Longas justificativas são elaboradas para coisas simples, para erros brutais e facilmente visíveis, para ilegalidades praticadas, para mentiras declaradas. Finda a reunião cada um sai exatamente com a opinião que chegou.

    Nosso deteriorado sistema democrático hoje é composto por tres correntes, duas dominantes:

    1) um partido populista que perdeu sua identidade filosófica e que se apoia nos votos dos assistidos e dos funcionários publicos que não desejam mudanças na chefia. Este partido se sustenta no poder promovendo a redistribuição continua da renda através da máquina arrecadadora tributária. Como administração pública é um fracasso. Recorre ao discurso de palanque para motivar a parcela da população que o apoia por motivos assistencialistas, para perpetuar o seu poder.

    2) uma oposição elitista, formada por burgueses, apoiada pelo tecnicismo e que não transparece a menor preocupação com a população menos favorecida. É calcada em filosofias européias, tais como o tradicional e ultrapassado patrimonialismo portugues: “aos inimigos, a lei”. Sempre contaram com o apoio do empresariado e da mídia, que lhes oferecem sempre o apoio e o silêncio necessário no que se refere aos seus erros e desacêrtos. E é desta forma que se pode definir seu envolvimento na crise atual. Agem como conspiradores, mas posam como oposicionistas e legalistas.

    3) outros partidos menores e de menor interesse. Defendem ideologias sonhadoras com pirotecnia, para esconder sua falta de representatividade. São bairristas, setorizados, com discurso que é ao mesmo tempo apaixonado e vazio. Criticam sem reservas a tudo e a todos, porém apresentam propostas que não se sustentam a mais elementar das análises. Seu comportamento pode ser bem definido como sendo semelhante ao das hienas, que atacam em bando as vítimas enfraquecidas ou as carcaças em estado de putrefação. Se eleitos para governo seriam facilmente pulverizados pelos partidos maiores que os esmagariam trabalhando em conjunto com seus atuais pequenos parceiros políticos.

    Como traço comum temos que todos mentem, iludem, enganam, trapaceiam e levam às profundezas abissais a máxima de que os políticos não tem caráter.

    Não quero o retôrno da ditadura militar, pelo simples motivo de que os tempos passam e as coisas não se repetem do mesmo jeito que eram. Porém vivi aqueles tempos e na comparação fria de cidadão que na época não era envolvido nem com mídia e nem com política, percebo que hoje em dia as invasões à privacidade e o desrespeito ao direito civil, tanto de pessoas como de empresas, são muito maiores. E isto é ignorado apenas porque é feito com o objetivo de espoliar financeiramente a população.

    Eu tenho o direito humano de não permitir ser escravizado por uma política bolivariana, ou não tenho? Se não tenho, que diferença há entre a ditadura que vivemos e o governo bolchevista disfarçado de democracia que temos agora?

    Diria que não devemos clamar por uma nova ditadura, pois que já vivemos em uma. Apenas que esta se especializou em afrontar os direitos financeiros do ser humano, disfarçando-se de instituição assistencialista e benevolente, que protege a população carente, para a qual é feito um “bolo”, que não sabemos e jamais saberemos como é dividido.

    Mas ainda bem que ainda temos instituições políticas democráticas que nos defendem, e sempre poderemos contar com indivíduos dedicados como Cunha, Collor, Renan, Temer, e com os pitacos iluminados de Lula, FHC, Sarney, Delfin e tantos outros seres divinos e imortais. Além, é claro, de nosso super herói, o paladino Aécio.

  23. Daniel disse:

    Ele não que impeachment. Quer impugnação do mandato para novas eleiçoes.
    Só acho que, dentre todos os acontecimentos e todas as polemicas no congresso e senado, ele aparece muito pouco. Não vejo ele nas fotos e lances das discussoes politicas no congresso.
    Mas entre ele e a Dilma, com certeza ele.

  24. Alberto disse:

    Infestação do sonambulismo!!!!

  25. mario machado disse:

    Como sempre, a alusão de quebra da Previdência Social… Ainda que essa caia a um estado de “falência”, ela não pode ser deficitária! Ao governo central cabe a reposição para formar o mínimo estoque financeiro a que a Instituição previdenciária possa arcar com as suas obrigações de modo muito tranqüilo. Não há como sair dessa assertiva clara e perfeita. O PSDB e o seu líder maior, FHC, foi, para os aposentados, um “padrasto” negando-se aos direitos constitucionais de não se “diminuir” os valores de todos os ganhos dos cidadãos, nativos ou não, sejam eles ativos ou aposentados; em segundo lugar, o senhor Aécio diz que não há base a um “impeachment” – julgamento rigoroso de contas do governo por órgãos competentes e cujos resultados, sendo de caráter fidedigno e estabelecendo crimes de “lesa pátria”, caracteriza o impedimento do governante inidôneo. Contudo, nota-se que o mesmo aceita todos os vieses e apóia, muito veladamente, a ação jurídica contra um Chefe de Estado. Ele diz “não” quando quer dizer “sim”. Sou mais pelo sim! Como cidadão, vejo o meu universo pátrio se ir mergulhando a um poço sem fundo, a um charco de lama putrefata que emporcalha toda a economia e nos leva juntos. O equilíbrio trazido pela adoção do REAL já há muito se afogou nesse aludido charco.

  26. Verita disse:

    Só li, não vi porque tenho estômago fraco. Aécio, aquele que tem palpite pra tudo e nenhum caráter ou limpeza em seus propósitos. Aquele que quase conseguiu me fazer virar petista. Aquele que nem em seu estado conseguiu nada. Aquele que denota desespero, porque uma hora se vai chegar nele. Nas últimas eleições anulei meu voto. Fosse hoje, votaria em Dilma, sem pensar duas vezes. Agradeço todos os dias não termos este cara na presidência. Um inútil. Um beócio. Rudimentar é sua inteligência e seu caráter. Muitos a meu lado estão “garrando nojo”!

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2019-03-21 19:16:41