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05-07-2014, 10h25

“Longe da Árvore”, de Andrew Solomon

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Daniela Martins
Brasília

    O escritor norte-americano Andrew Solomon é um dos principais convidados da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) deste ano. Em sua primeira visita ao Brasil, participará de duas palestras do evento. Ele falará sobre seu livro mais recente, “Longe da Árvore: pais, filhos e a busca da identidade”, que analisa as reações de diversas famílias cujos filhos são portadores de transtornos físicos, psíquicos ou sociais que fogem do convencional.

Não há pai e mãe no mundo que não crie expectativas em relação a seus filhos. Costumamos levar tempo para entender que eles podem ser muito diferentes de nós, ainda que carreguem nosso material genético e recebam nossa herança cultural. Mas quando o fruto cai realmente longe da árvore? Ou seja, quando os pais precisam lidar com filhos que apresentam condições que eles jamais imaginaram?

Esse é o território explorado por Andrew Solomon. O livro consumiu dez anos de pesquisas e rendeu mais de 800 páginas. Nele, o autor discorre sobre condições como surdez, nanismo, síndrome de Down, autismo, esquizofrenia, deficiência, prodígios, estupro, crime e transgêneros. Para as famílias, aprender a lidar com essas realidades pode ser tanto um imenso fardo quanto uma experiência transformadora.

É nessa dicotomia que Solomon apresenta dois extremos: a medicalização e o processo de formação de uma identidade. No primeiro, há a crença e o desejo de pais e médicos de consertar o “defeito” da criança para tornar sua vida o mais próxima possível do normal. Na outra ponta, estão aqueles que lutam para assumir a condição e fazer dela uma identidade respeitada socialmente.

O autor tem como credenciais a formação acadêmica em literatura e psicologia, além de sua história de homossexual e portador de dislexia. Essa mistura rendeu um ensaio que se equilibra muito bem entre pesquisa, análise, emoção e uma boa dose de militância. É um livro importante para aumentar o diálogo e a tolerância. E para nos ampliar como seres humanos, aceitando nossa diversidade.

O livro anterior de Andrew Solomon, “O Demônio do Meio-Dia – Uma Anatomia da Depressão”, ganhará nova edição, também pela Companhia das Letras, este mês. Ele foi vencedor do National Book Award 2001, finalista do Pulitzer 2002. É  considerado um dos cem mais influentes da primeira década do século. Vale a pena conhecer o autor.

 Foto: Annie Leibovitz

Comentários
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  1. Sandra Tolomelli disse:

    Palestras imperdíveis. Li “Longe da árvore” e estou finalizando a leitura do “O demônio do meio-dia”. São excelentes. Embora contenha muitas páginas “Longe… ” o texto não é cansativo, a leitura flui. Vale muito a pena, aprendizado fantástico.

  2. ALETHEIA disse:

    Longe da árvore é um livro obrigatório para qualquer um que educa, que cria um ser humano. Respeitar as diferenças, sejam quais forem, é um desafio dos nossos dias em que homogeneizar é a regra. Excelente recomendação.

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