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Política
15-08-2019, 6h09

Lula acerta acordo para Haddad apoiar reeleição de Gleisi para presidir PT

Frente de esquerda, Haddad, Bolsonaro, Huck e Doria planejam 2022

Kennedy Alencar
RIO DE JANEIRO E BRASÍLIA

O jogo político para renovar a direção do PT em novembro foi acordado com o ex-presidente Lula, que mesmo da prisão dá as cartas no partido.

O ex-presidente pediu que o ex-ministro da Educação e candidato derrotado à Presidência no ano passado, apoiasse a reeleição da deputada federal Gleisi Hoffmann (PR) para a presidência do PT. Lula confia em Gleisi.

Há acordo em andamento para que Fernando Haddad presida a direção-executiva da Fundação Perseu Abramo, um think thank petista. Ele substituiria o economia Marcio Pochmann.

Governadores do PT também terão maior influência na formação da Executiva Nacional e do Diretório Nacional, o que deverá arejar e amenizar posições mais duras do pestismo nos últimos anos.

Muitos ouvintes do “Jornal da CBN – 2ª Edição” veem Lula como um problema. Indagam como ele influencia tanto o PT preso em Curitiba. Avaliam que isso dificulta o surgimento de novos nomes.

É uma visão de parcela da população que acha a influência negativa ou uma pessoa monstruosa. Outra parcela enxerga o ex-presidente como um Deus, como um ativo político do partido.

Até quando Lula dará as cartas no jogo interno do PT? Ora, até quando ele for a figura mais importante do PT. Para uma parte significativa dos brasileiros Lula é o principal e mais importante político do Brasil e, certamente, estará entre os três maiores, como Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschet. É a política como ela é.

Enquanto Lula tinha expectativa de ser candidato à Presidência em 2018, ele aparecia liderando as pesquisas. A Vaza Jato mostra uma interferência política no Brasil para evitar a eleição de Lula _só não vê que não quer.

Mesmo preso, o Lula tem poder político. O presidente Jair Bolsonaro sentando na cadeira de presidente tem a caneta cheia de tinta, tem poder.

A política como ela é é assim. Podemos gostar ou não dela.

Lula preso pode causar problemas, mas também soluções. Ele está promovendo uma pacificação dentro do PT. Está aparando arestas dentro do PT, porque considera um passo importante para tentar formar uma frente de esquerda para enfrentar Bolsonaro em 2022.

Quer atrair para essa frente nomes como Flávio Dino, governador do PC do B, reaproximar-se de Ciro Gomes do PDT, voltar a ter laços fortes com o PSB, contar com uma aliança com o PSOL de Guilherme Boulos e Marcelo Freixo. Atrair setores democráticos do Centrão, do MDB, do PSDB e até da Rede.

Se essa frente sair do papel, deixando mágoas e egos em segundo plano, terá chance de frear o retrocesso bolsonarista em curso.

Bolsonaro joga cada vez mais de forma radical para manter seus 30% e garantir uma das vagas no segundo turno contra essa frente.

*

O jogo de Huck e Doria

O apresentador de TV Luciano Huck, assessorado pelo ex-presidente do Banco Central e o ex-governador Paulo Hartung, busca aval da Globo, operação delicada devida às normas de conduta ética da casa que podem se chocar com o sonho do apresentador.

Huck diz ter pesquisas que mostram penetração significativa no eleitorado do Nordeste, uma fortaleza petista. Ou seja, acha que herdaria votos de Lula. Ele crê ser bem no Sul-Sudeste pelo perfil de “bom moço”. Acha que pode tirar parte de um eleitorado que hoje é majoritariamente bolsonarista. Está sonhando alto para 2022.

Outro nome no páreo é o do governador João Doria (PSDB-SP), que, apesar das negativas oficiais, quer se afastar da extrema-direita bolsonarista e continuar fustigando o antipestimo. Doria montou secretário com nível presidencial _nomes mais preparados do que da equipe de Bolsonaro.

Os planos de Huck e Doria são serem candidatos de direita mais moderados e que possam bater em Bolsonaro e no PT. Mas tem analista que acha que os absurdos de Bolsonaro lhes deram os 30% necessários para chegar à segunda etapa. Dificilmente a outra vaga não seria da esquerda e centro-esquerda se deixarem picuinhas de lado e fizerem acenos para fatias conservadoras que votaram em Lula.

Ouça esse comentário a partir dos 7 minutos 26 segundos no áudio abaixo:

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