aki

cadastre-se aqui
aki
Política
08-11-2019, 20h59

Livre, Lula escolhe Bolsonaro e Lava Jato como inimigos, mas também sinaliza paz e amor

Para petista, fake news roubaram eleição de Haddad
5

Kennedy Alencar
BRASÍLIA

No primeiro discurso ao deixar a prisão, Lula escolheu os inimigos: Bolsonaro e integrantes da Lava Jato. Mostrou disposição para o embate, dizendo que roubaram a eleição de Fernando Haddad. Foi alusão à onda de fake news que beneficiou o atual presidente em 2018. E sinalizou que pretende liderar a oposição ao dizer que viajará pelo Brasil a partir da semana que vem.

Nas conversas que teve nos últimos dias, Lula avaliou que se enganou quem apostou que a cadeia o enfraqueceria. Ele se sente fortalecido, especialmente após as revelações da Vaza Jato que dão sentido ao discurso de vítima de abusos da Lava Jato.

Agora, a prioridade é conseguir anular no Supremo Tribunal Federal a sentença do ex-juiz Sergio Moro sobre o apartamento do Guarujá. Isso poderia abrir caminho para a sua volta ao jogo eleitoral, mas o ex-presidente enfrenta dez processos e tem ciência das dificuldades jurídicas.

Para evitar a armadilha de ser igualado a Bolsonaro, o ex-presidente afirmou que saiu sem ódio da prisão e que, aos 74 anos, só tem espaço para amor no coração.

Numa cena que emocionou a plateia que ouvia o discurso, ele beijou a namorada Rosângela Silva ao apresentá-la aos apoiadores da vigília que o acompanhou durante 580 dias. E ainda brincou dizendo que conseguiu arrumar na prisão uma paixão que teve a coragem de aceitar se casar com ele.

Lula deverá alternar movimentos mais incisivos com o estilo paz e amor. Leu muito na cadeia. Demonstra mais desejo de comprar brigas com a elite que não comprou quando foi presidente. Nesse sentido, há um Lula mais radical.

Mas ele é também um moderado. Toda a carreira política do petista mostra que os momentos de sucesso aconteceram com movimentos pela conciliação. Diante de um país dividido e com ódio no debate público, ele vai procurar fazer um discurso contrário ao do presidente Jair Bolsonaro.

Para Lula, Bolsonaro continuará a radicalizar e não deixará espaço para alternativas mais à centro-direita, como o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), ou o apresentador de TV Luciano Huck. O petista não crê que Doria ou Huck consigam tirar de Bolsonaro uma das vagas no segundo turno em 2022. A outra vaga, ele crê, será do campo de esquerda e centro-esquerda.

Há no centro político brasileiro a esperança de um líder que sinalize desejo por mais diálogo. Partidos como MDB e PP acreditam que Lula poderá seguir essa linha. Se o ex-presidente souber dialogar de forma mais ampla, e no passado ele o fez, terá sucesso. Se entrar numa raia muito petista, de só apontar inimigos por todos os lados, poderá se dar mal politicamente.

Foi importante Lula não generalizar ao criticar instituições como a Justiça, a PF, o Ministério Público e a Receita. Ela falou de um “lado podre” desses organismos. Isso mostra desejo de buscar apoio nessas instituições daqueles insatisfeitos com Moro e a Lava Jato.

É correto não generalizar. Pessoas até podem errar e causar danos às instituições. Mas essas não podem ser demonizadas por condutas individuais. Instituições estão acima das pessoas.

Ouça o comentário especial feito hoje no “Jornal da CBN – 2ª Edição”:

Comentários
5
  1. JORGE DOS SANTOS RODRIGUES disse:

    Chegou a hora do revés. Ciro, mais uma vez, tomou o rumo errado. Doria não passa da Av. Paulista. Muito neófito para uma cenário de gente grande.

    • walter nobre disse:

      O lula deve planejar melhor, quem são seus supostos inimigos, e dar o tempo necessário, antes de causar descompasso ao País, com supostas greves contra coisas erradas; não pode esquecer, o bolsonaro esta apenas a Um ano no poder, não pode ser acusado pelo governo Dilma por exemplo; A estratégia do PT é por demais inocente, ao causar este governo, sem considerar a dilma em seu discurso, não dá para ignorar todos os fatos. Convocar a população, lembra a chamada do Collor, quando vieram os caras pintadas,,,deveria ter mais tato; estamos transitando por momentos difíceis, com um desemprego herdado, com muitas convulsões a nossa voltam, pelo mesmo motivo…

  2. Paulo Argolo disse:

    Lula deveria ter escolhido a corrupção como inimigo.

  3. jose disse:

    Decisão do STF foi ao sabor da política?, perguntou ironicamente o vice-presidente da república, general da reserca Hamiltom Mourão. Nessa fresta, cabe também uma pergunta, mas esta sem ironia e focada unicamente nos fatos: a prisão do Lula pelo atual ministro do governo adversário político do ex-presidente foi uma toga à política para impedi-lo de disputar a eleição pra presente em 2018 tida como vencedora a nos basear nas pesuisas da época? diante de evidências de perseguição e de parcilaidade do então magistrado e hoje ministro da (in) justiça, o que faz o presidente eleito com 30% dos votos brasileiros enfatizar a importância do então magistrado em sua eleição? No cenário em que houvesse decência, o atual chamaria uma eleição para ser disputada nas claras no mano a mano. É sonho, porque o poder alicia mais do que a honra, a vergonha e a decência juntas. Mas fica a singela dúvida a dizer ao general que lugar de milico é nos quarteis pois a lembrar a experência no período 1964-1985

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados

Não serão liberados comentários com ofensas, afirmações levianas, preconceito e linguagem agressiva, grosseira e obscena, bem como calúnia, injúria ou difamação. Não publicaremos links para outras páginas devido à impossibilidade de checar cada um deles.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

 
2019-11-21 16:12:53