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Geral
08-01-2015, 9h46

Massacre em Paris vai além de atentado à liberdade de expressão

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Postado por: Daniela Martins

Desde os conflitos no Kosovo e no Afeganistão, cresceram o radicalismo islâmico e a xenofobia na Europa. O ataque à revista “Charlie Hebdo” vai além de um atentado contra a liberdade de imprensa. Sem dúvida é um atentado contra a liberdade de expressão. E isso já seria suficientemente grave.

Mas é também um atentado contra o mais elementar dos direitos humanos, o direito à vida, por motivo de intolerância política e religiosa. É um ato causado pela intolerância à existência do diferente. A lógica é aniquiliar a diferença. É o completo desrespeito à vida.

Nos últimos anos, aumentou a xenofobia na Europa, com parcelas da população que rejeitam imigrantes da África e do Oriente Médio. Houve o ressurgimento de neonazistas na Alemanha, que contam com apoio de parte da população para organizar protestos contra a comunidade islâmica. A xenofobia e o radicalismo islâmico acabam alimentando um ao outro.

Há 15 ou 20 anos, antes do 11 de Setembro, em 2001, havia uma avaliação da comunidade internacional e dos jornalistas de que a solução do conflito entre Israel e Palestina poderia dar início a um novo capítulo de transformação no mundo islâmico e na sua relação com o Ocidente. Houve negociações no governo Bill Clinton que alimentaram essa esperança, mas fracassaram. Hoje, há muita dúvida se a solução da questão palestina, com a complicada e difícil convivência em dois Estados, por exemplo, seria suficiente para dar início a esse novo capítulo.

Milhares de jovens europeus decidiram ingressar no Estado Islâmico, um grupo terrorista visto como mais radical do que a Al-Qaeda. Na Europa, a solução é integrar e não segregar. É dar à juventude um horizonte de integração social e de cidadania.

Em relação ao mundo islâmico, é preciso avaliar o resultado da Guerra ao Terror que teve início no governo Bush. Os defensores dizem que ela foi necessária, que não havia alternativa. Os críticos apontam as intervenções no Iraque e na Líbia e a ajuda à desestabilização da Síria como movimentos que só resultaram em mais radicalismo islâmico.

Os Estados Unidos têm uma boa relação com a Arábia Saudita, que é uma ditadura acusada de ser celeiro de financiamento de organizações radicais. Essa política de sustentar ditaduras amigas e desestabilizar ditaduras inimigas parece equivocada.

Em relação à revista “Charlie Hebdo”, as vítimas não pode ser culpadas pelo que aconteceu. O discurso de que flertaram com o risco, indo às últimas consequências da provocação, pune as vítimas. É fato que os mulçumanos, em geral, desaprovam sátiras a Maomé, mas isso não justifica nem explica o que aconteceu. A resposta à crítica é absolutamente desproporcional e selvagem. Não é aceitável matar quem é diferente e pensa diferente. Qualquer luta deve ser sempre civilizatória.

No calor dos acontecimentos, há uma união nacional na França, que vai da esquerda à direita anti-árabe. Ocorrem manifestações por toda a Europa. Num primeiro momento, essa união é natural. Mas, num segundo momento, será importante combater as vozes da intolerância e da segregação na Europa, que certamente vão surgir. Essas vozes alimentam o terrorismo islâmico.

*

Com o decreto que anuncia o cortes nas contas públicas, o governo quer dar um sinal de um ajuste mais forte do que se imaginava nas despesas obrigatórias para tentar recuperar a confiança do mercado.

A questão da educação é importante. A presidente Dilma Rousseff diz que será a prioridade do seu segundo mandato. Cortar investimento e custeio na educação é complicado. Fazer uma escola nova é investimento, mas a merenda escolar é despesa de custeio.

O ajuste é necessário. Mas importa ver o detalhamento para saber onde estarão os cortes e como a área social poderá ser atingida.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. Pedro L Neto disse:

    Não confundir “libertinagem de expressão”, que ofende, “dito bulling”,… com liberdade de expressão

    • walter.nobre disse:

      CARO PEDRO, É ISTO MESMO…O HUMOR ESCRACHADO, É BULLING; NÃO PODEMOS SER HIPÓCRITAS…PELO MENOS EXPLICA.
      O BRASIL, ESTA VIVENDO UM PROCESSO SEMELHANTE, DE DESCASOS, COM O POVO, ABUSOS DAS AUTORIDADES, E DE AUTORIDADE…
      A DILMA POR EXEMPLO, ACHA QUE DEVEMOS OUVI-LOS; PELO MENOS, QUANDO CORTAM CABEÇAS, DE JORNALISTAS AO VIVO.
      QUANDO A FALTA DE LISURA, E INJUSTIÇAS ABUNDAM, A IGNORÂNCIA TOMA CONTA; CONCEITOS DEVEM SER REVISTOS, SOBRE RESPEITO.

  2. Danton Robespierre Machiavelli Mirabeau disse:

    Sutil ironia em face do nome, mas compartilho do texto fazendo a minha crítica (desfavorável, porém sincera e realista, ao modo francês de coexistir). Disse Napoleão (francês): – “Quem faz um trono com baionetas, não pode sentar-se nele!”. Preliminarmente, abomino qualquer forma de violência com o objetivo de demarcar território ou impor uma pretensa superioridade, isso em relação ao ataque das hostes islâmicas, desde sempre, contra as distintas religiões que se lhe opõem outros dogmas. Não haverá um limite para a liberdade de imprensa? Como reagem os outros quando os seus ícones são esbulhados, sejam da religiosidade ou não? Se alguém se manifestar sobre estar aguada a melhor safra de “Moet et Chandom”, como reagirão os franceses? Sobre a tal liberdade e voltando à máxima napoleônica, os franceses e demais Povos, sob à égide de um Direito Natural na conformidade dos seus interesses, sempre pretenderam o Espaço Vital dos Povos mais vulneráveis, dentre eles o Brasil, quando o Brasil ainda não era o Brasil. Não seria a tal lei da ação e reação…

    • marcio das graças de souza disse:

      Eu não acredito em religião alguma, mas isso não me dá o direito de vilipendiar e tripudiar nos ícones de qualquer delas. Ao que se sabe essas “vitimas” o tem feito sistematicamente, então era previsível que algo assim ia acontecer. Ressalto que não aprovo a violência física, mas também não a violência psicológica, ou seja “plantaram e colheram.

    • João Paulo disse:

      Hoje esse “Espaço Vital dos povos mais vulneráveis” são pretendidos pelos próprios governos destes povos. Vide as republiquetas africanas.

  3. Ernesto disse:

    Por outro lado, houve uma exacerbação do “direito à livre expressão”, na minha opinião.
    Quando algum muçulmano desdenha de nossos ídolos religiosos, podemos até não reagir da mesma maneira, mas a ofensa ocorreu e feriu. Nesse caso, houve exagero, não se brinca com a fé dos outros.
    Do mesmo jeito que não se pode punir as vítimas do atentado, não se pode inocentar totalmente das consequências. Não estou defendendo o ataque e os assassinatos, mas também não vejo como isentar totalmente os mortos de alguma culpa pelo que aconteceu. Quando se carrega na tinta, deve-se esperar algo em retorno – e o pessoal de lá do Oriente Médio é conhecido pela sua pequena, senão nula, tolerância.
    Resta lamentar todo o ocorrido e, novamente na minha opinão, não puxar a brasa para uma ou para outra sardinha.

  4. de aos porcos espigas e dali sairao as perolas , nao se pode fazer criticas usando a religiao como meio de ofensas, pensamentos sao para ser pensados nao ditos, ja dizia meu pai,deixem esse povo porco , eles precisam cair em ostracismo total e so assim quando a miseria reinar irao ser assolados por eles mesmos.

  5. Sergio Nau disse:

    Uns agridem com palavras e desenhos as pessoas e coisas abstratas para ganhar o seu dinheiro e outras agridem com balas sem precisar ganhar dinheiro para defender sua dignidade ou no que acreditam. Então nesse caso a palavra é RESPEITO.

    • Kalinca Cavalcanti Pinheiro disse:

      Falou tudo Sérgio! Faltou respeito de ambas as partes, e cada um reage a seu modo! Infelizmente a maneira mais praticada por estes rebeldes é de violência e muito terror!!! Triste…

  6. Kalinca Cavalcanti Pinheiro disse:

    Eu jamais defenderia a atitude tomada por estes rebeldes e quero deixar bem claro o meu repúdio a estas ações… Mas fazer piada com um assunto pelo qual homens saem arrancando cabeças com facas e serras elétricas é no mínimo um ato corajoso ou tolo demais! Acredito que não se trata de liberdade de expressão, mas sim um desafio a própria segurança, uma vez que se trata de um povo totalmente intolerante onde o simples comportamento de uma pessoa possa ser sua sentença de morte! Eu pelo menos não pagaria o preço para saber se sofreria alguma consequência, ainda mais se tratando de opiniões pessoais expressas ao mundo todo!

  7. O que o governo do “Anão Diplomático” tem a dizer sobre o ocorrido em Paris ?
    Será que irá defender o ponto de vista dos terroristas ?
    Porque as pessoas que participam em grupos deste tipo só atacam civis ?

  8. Robson disse:

    A liberdade de expressão não deve ser entendida como um bem jurídco absoluto. Tanto que há direito de resposta quando ha excesso na liberdade de direito à crítica. Ocorre que a crítica foi feita em solo frances, contra preceitos e dogmas religiosos de uma sociedade considerada inferior por nós ocidentais democratizados.
    O que os extremistas fizeram foi aplicar suas “leis” ao que consideram infrator, e aí deu no que deu.

  9. Daniel disse:

    Não podemos confundir liberdade de expressão com ofensa e desrespeito.
    Eu tive a oportunidade de conferir algumas charges e realmente achei desrespeitosas.
    Nada justifica o ato brutal dos terroristas, mas é como provocar o um cão raivoso do outro lado do portão. Você sabe que é um risco e que quando ele tiver a oportunidade vai te pegar.

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