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Política
31-03-2020, 11h41

Mentirosos, militares divulgam fake news sobre golpe de 64

Covid-19 serve de justificativa para transformar Hungria em ditadura
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Kennedy Alencar
Washington

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo, mentiu ao divulgar nota dizendo que o golpe de 1964 “é um marco para a democracia brasileira”. A nota também foi assinada pelos comandantes das três forças.

É fake news dizer para as atuais gerações que um golpe que fechou o Congresso, cassou mandatos, matou gente e a democracia tenha sido um marco justamente na defesa da democracia. É uma tentativa canhestra de reescrever a História.

Trata-se de um crime contra a memória do Brasil e das vítimas da ditadura. Serve à divisão do país, deseduca o povo e infla conflitos.

Para piorar, o também general da reserva Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército, publicou em rede social mais uma manifestação golpista. Villas Bôas falou que “ações extremadas podem acarretar consequências imprevisíveis”, referindo-se ao desgoverno Bolsonaro e ao covid-19. “Pode-se discordar do presidente, mas a postura revela coragem e perseverança nas próprias convicções”, escreveu.

Apesar de não surpreender, a fala é abjeta. Não se trata de ter coragem tampouco de perseverar “nas próprias convicções”, mas de se comportar de forma irresponsável colocando em risco a saúde dos brasileiros. Bolsonaro tem causado dano à saúde pública.

Twitter, Facebook e Google apagaram posts do presidente da República, dada a sua falta de seriedade no que publica na internet. Quem merece reprimenda é Bolsonaro. Quem toma atitudes contra a saúde pública é Bolsonaro.

Com frequência, há relatos na imprensa brasileira sobre as alas ideológica e militar do governo, como se a segunda tivesse bom senso. Piada.

As manifestações do ministro da Defesa e do ex-comandante do Exército são puro terraplanismo político-militar. Esses generais são iguais a Bolsonaro e não ficam devendo nada para figuras da sombra como Olavo de Carvalho.

Nas redes sociais, o vice-presidente Hamilton Mourão também mentiu a respeito de 64. Que papelão. Embrulha o estômago ver isso em 2020.

*

Efeito corona

Na Hungria, o coronavírus serviu de pretexto para a aprovação de uma lei no Parlamento que é um golpe institucional, transformando o primeiro-ministro, Viktor Orban, num ditador.

A Hungria, que já era uma democracia frágil e acossada pelo autoritarismo de Orban, tem agora Parlamento fechado, eleições canceladas e primeiro-ministro que governa por decreto. É mais ou menos o que aconteceu no golpe de 64 no Brasil.

Há pressão ainda maior sobre o que restou de imprensa independente na Hungria. O coronavírus cai como uma luva para candidatos a ditador mundo afora, inclusive no Brasil. Na Europa, nasceu uma ditadura.

*

Tempos duros

Nos EUA, a certeza é que abril será pior do que março em número de casos e mortes por covid-19. Ontem, segunda-feira, foi o dia mais mortal, com mais de 500 mortes contabilizadas. Na manhã desta terça, os Estados Unidos contavam mais de 160 mil casos e mais de 3 mil mortes.

O presidente Donald Trump afirma que foram feitos um milhão de testes. Trump diz que é o país que mais testa. Em números absolutos, sim. Em números relativos, ainda está atrás da Coreia do Sul e da Itália em testes per capita.

Trump disse que as recomendações de isolamento social prorrogadas até o fim de abril podem salvar 1 milhão de vidas. É uma tentativa de tirar pressão dos hospitais, sobretudo no Estado de Nova York, que está perto do colapso no atendimento.

O presidente americano foi convencido pelos cientistas de que estava dando corda ao falso dilema de escolher entre a economia e a saúde pública. Sem salvar a saúde a pública, seria pior para a economia. Não haveria economia com uma tentativa de reativá-la antes da hora. O resultado poderia ser pior.

Trump fez uma correção de rumos no discurso e nas atitudes. Rendeu-se à realidade. Basta comparar com o que ele dizia até 15 dias, 10 dias atrás. Agora, a briga dele é com os governadores. Quer terceirizar responsabilidades, mas ouviu os cientistas, o que é bom, pois ajuda a parar de errar tanto como ele vinha errando ao subestimar o coronavírus.

*

Mais um aperto

No Distrito de Colúmbia, a prefeita de Washington, Muriel Bowser, decretou ontem ordem para os cidadãos ficarem em casa a partir da meia-noite de hoje. Ela segue orientações de maior restrição de isolamento social já decretadas em Maryland e Virginia, que fazem parte da Grande Washington, a região metropolitana.

Só será permitido sair para atividades essenciais, como comprar comida e remédio, e algumas exceções, exercícios físicos e levar o cachorro para passear. As regras valerão por um mês.

Comentários
10
  1. […] Fonte: Mentirosos, militares divulgam fake news sobre golpe de 64 […]

  2. Walter Nobre disse:

    Kennedy não sei se podemos ofender os generais, ou mesmo o presidente, com tantas demandas da oposição, nas tentativas constantes, em destituir o presidente no grito; estas deixas da generalada tem apego aos inúmeros ataques dos perdedores, nas eleições passadas, afirmar que são mentiras, já que no Brasil quem fala mais alto tem razão, estou levantando os últimos acontecimentos, mesmo antes do corona, nossa democracia esta ameaçada, e todos sabemos porque.Não concordar com autoridades faz parte de qualquer governo legitimo, quanto a ofende- los, criar certos espectros que podem desencadear violência no futuro, com tantas dificuldades Hoje em dia. O Trump resolveu de vez colocar o bloco na rua falta infra também, a situação pode ter descontrole caso não sejam rápidos nas demandas, o caos esta as espreitas não podem bobear. As medidas de isolamento são sim a melhor forma em acabar ou diminuir com esta praga, estamos fazendo sacrifício necessário para passar este momento, no mundo

  3. Miguel Eu vivi a Ditadura disse:

    Kennedy eu vivi o final da Ditadura. Sou pobre e as últimas cena do que era o governo, Estado, a força, contra o cidadão comum ainda está guardada em minha memória. Num dia comum, pela janela da sala, vimos a realidade nua e crua dessa época. Pelo barulho se anunciava, para um dia calmo,foguetes explodindo em comemoração ao jogo de futebol. Debruçamos para entender e avistamos ao longe um cidadão no chão e outro que corria. Mais acima, no morro corria policiais atirando com armamento para longa distância. O sujeito estava desarmado e de costa. Naquele momento ele rompe pela área de acesso ao nosso quinta. Instintivamente corri para a porta e antes que ele entrasse a fechei. Protegidos na casa, vimos que ele correu até a janela do quarto. O Estado, a força, o policial o alcançou: de joelhos, mão na costa. Coronhada na cabeça. Pé na cara. Carabina na cabeça. Feito um porco alvejado para abate final. Minha cunhada não aguentou e gritou: pelo amor de Deus não faça isso. O Estado, ouviu..

  4. Miguel Eu vivi a Ditadura disse:

    e ali o rapaz não teve um fim trágico. O que seguiu depois, foi pior ainda. Seu comparsa, ou cidadão em fuga, correndo de costa tinha sido abatido a 500 metros. O crime: roubo de galinha. Não é piada. Está ruim. O que se seguiu mostra o Estado na Ditadura. O rapaz que saiu vivo do meu quintal. Não chegou vivo na Delegacia. Lembro da Ditadura assim. A outra forma. Não é melhor. Era noite, e minha mãe tinha iniciado um princípio de eclampsia. Confesso que meu pai demorou para entender tudo aquilo. Corre num vizinho. Chama outro. E decidimos levá-la para uma ambulância. Minha cidade é pequena. E um corredor de curta distância faz a avenida em 4 minutos. Mas a saúde daquela época demorou 2 a 3 horas para estacionar a 600 metros de minha casa. Motivo: não existia rua asfaltada, nem calçada, e a chuva tinha aberto buracos de 1,5m a 2 metros. Nós então descemos com minha mãe em uma poltrona em oito pessoas. Bem, devido a demora, ela não sobreviveu. Onde estava o Estado? O bem da Ditadura?

  5. Miguel Eu vivi a Ditadura disse:

    Eu tenho 53 anos. Na Ditadura não tínhamos nada. A rosa era sempre vermelha. As caras bonitas pagas por ocupação dos amigos nos melhores empregos, tinham a cara do bolsonarismo. Todo ser pensante e inteligente no Brasil, sabe que o início da Ditadura teve um bom interesse. Mas o poder, na mão de militares, e empresários, pastores amigos de militares tornaram esse período em um baú de crimes que nunca serão resolvidos. Agora, nessa meia boca de um governo de um dos exemplos do que tínhamos como militar daquela época, principalmente o final da Ditadura. Percebemos como eles eram incompetentes para dirigir o país. E devido, muitos deles, seus filhos (promovidos por cabresto do pai militar), ainda estarem nas FFAAs. Temos o que temos. Eu vivi a Ditadura. Acredito que ela prestou um grande favor ao brasileiro. Ela já tinha mostrado pelo histórico. Que para comandar o Brasil não daria um governante que prestasse. Pois, no melhor que tinha. Eram pessoas que nem Bolsonaro. Um lixo de homem.

  6. jose disse:

    Ontem, escrevi aqui sobre uma previsão acerca da bagunça preanunciada pelo desgoverno federal no pagamento dos 600 reais a informais pelo fato de estar sob a função do ministro caixa 2 2x. Não deu 24 horas, e já se comprova o que eu prenunciei. Não se trata de clarividência ou feeling: é o óvbio. Ministro da economia despreparado e mentiroso desmentido por um técnico do senado e por outras autoridades. Ele quer dar o dinheiro pra banqueiros. O Estado vive em caricatura e quando é intimado a salvar vidas nega-se a fazer. Manda essa turma plantar cana no oeste paulista. Tentam estimular alguma virtude no golpe, mas ao tentar impor mentira, significa que eles têm consciência de que a maioria dos brasileiros sabe que o golpe é golpe e está imprimido na memória social. São tolos desimportantes que servem a um governo de mentirosos pra se fazerem sob pretexto de nacionalistas e patriotas. Não sabem de nada a exemplo do mussolini de Maringá que disse “os 28 Estados do Brasil” (sic.).

  7. Luiz Braido disse:

    Parabens, pelo seu texto, sempre claro, nos faz refletir sobre os jogos politicos e abrir nossa mente. Aonde vamos parar? Tenho muito medo

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