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Política
08-01-2019, 21h55

Meritocracia e fim de ingerência política soam falsas sob Bolsonaro

Filho de Mourão tem promoção relâmpago no BB
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Kennedy Alencar
São Paulo

A promoção de um filho do vice-presidente da República, Hamilton Mourão, a assessor do presidente do Banco do Brasil contradiz o discurso do governo Bolsonaro de fim de influências políticas nas indicações para cargos públicos.

Antonio Hamilton Rossell Mourão, assessor da Diretoria de Agronegócios do Banco do Brasil, foi promovido ontem a auxiliar do presidente da instituição, Rubens Novaes. O ato aconteceu no primeiro dia de Novaes no cargo.

O vice-presidente diz que o filho tem competência, honestidade e merecia uma promoção faz tempo. Mas houve repercussão negativa entre os funcionários do Banco do Brasil.

Como o novo presidente da instituição pode avaliar em um dia a competência do novo subordinado direto? Haja mérito para tal indicação relâmpago, com a coincidência de a descoberta acontecer depois de o pai ter virado vice-presidente da República. Baita meritocracia!

Esses foram comentários correntes hoje entre funcionários do BB. A rede interna de comunicação ficou congestionada com questionamento ao discurso de meritocracia e de fim de ingerência política do presidente Jair Bolsonaro.

A promoção é inusual pela falta de senioridade do filho do vice-presidente como também pela triplicação do salário.

O ato é evidência de que o discurso do governo é um, mas a prática é outra. Começa mal um governo que apregoa o fim de indicações políticas, o uso inédito de nomeações técnicas e anuncia a meritocracia como meta privada e inspiração para políticas públicas. Diante de tantos fatos que vieram à tona nas últimas semanas, isso soa falso sob Bolsonaro.

*

Hipocrisia federal

Surgiu nova suspeita contra o chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Segundo o jornal “Zero Hora”, ele usou, quando deputado federal, 80 notas fiscais para contratar serviços de consultoria tributária por meio de suas verbas de gabinete.

Houve 29 notas fiscais emitidas em sequência pela empresa contratada por Lorenzoni.

Pelo padrão estabelecido pela Lava Jato, esse método de emissão de notas fiscais é, no mínimo, suspeito.

O ministro da Casa Civil é mais um integrante do governo que, na prática, contradiz o próprio discurso.

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É mesmo pra valer?

O governo analisa se deixará militares de fora da reforma da Previdência. Em 2017, o déficit representado por um aposentado militar era 16 vezes superior ao de um pensionista do INSS.

Se o governo quer mesmo acabar com fábrica de desigualdades na Previdência, tem de incluir militares, magistrados, procuradores da República, ministros do STF e de tribunais superiores numa reforma para valer.

Ouça os comentários feitos hoje no “Jornal da CBN – 2ª Edição”:

Comentários
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  1. J K disse:

    Nenhuma notícia, nenhuma medida anunciada até aqui que aponte na geração de empregos. Fica parecendo que o Brasil se resolve na reforma da previdência, a população desempregada que quer trabalhar pra ter um salário e contribuir com sua parte tributária vai arrumar um emprego na mesma hora em que sair no D.O.U. Assim fica difícil.

  2. walter disse:

    Olha Kennedy, não tenho condição de afirmar, que o filho do Mourão, possa ter sido abençoado nesta promoção; para começar, deve se verificar, se é de carreira, se tem curriculum, para termos uma opinião fidedigna, sobre esta promoção; prefiro maiores apurações, tenho certeza da lisura do General, um Homem probo, com curriculum dele e de sua mulher, excepcional…Quanto ao Onyx mais uma vez, que sejam apuradas todas as possíveis denuncias, se for condenado, por qualquer ato, que possa contrariar o esperado, será extirpado, automaticamente…ninguém fez a reforma da previdência, devem permitir, o formato que será esboçado; quanto masi economica melhor…até então, precisa ser feita, masi que isto, precisa ser aprovada, com brevidade…

    • Wellington Alves disse:

      Tenho certeza da lisura do General, hahaha é muita ingenuidade…

    • Miguel Ângelo disse:

      Walter, como seu amigo e leitor do que escreve aqui. No governo militar, o da Ditadura, sempre foi assim. Para defender ou criticar qualquer coisa tem que se aprofundar na história. Se você tiver mais de 50 anos, como eu que te escrevo, tem algo errado contigo procure ajuda. Leia sobre os elefantes brancos, procure no jornalismo as notícias de escândalos envolvendo a gestão militar (que não deve existir em nenhum lugar do mundo – motivo – ela prestigia a limitação dos comandados [do povo] onde o soldado raso tem que ser menos sábio do que o capitão, senão ele diz: vai você fazer). Nas nomeações do amigo, e do filho do vice. Você e os brasileiros só estão revendo a forma de preenchimento de vagas nas entidades públicas. Os militares no governo, pensam que nem o Judiciário: primeiro eu e os meus, depois quem mais babar as bolas doces. A Boris Casoy: É uma vergonha. Cadê o assessor preso? Onde está a Lava Jato? Quem é honesto não tem lado. Ser nacionalista. Não é ser Bolsonaro.

  3. Cesar Ferreira disse:

    Muito acertada a sua colocação, o problema é que as pessoas que elegeram esses políticos irão achar isso a coisa mais normal do mundo, porque elas também gostariam de estar lá. As pessoas está fazendo comparações entre os R$8,00 retirados do salário do mínimo com os milhões desviados durante a gestão do PT. Acham a comparação razoável, mas desconhecem a realidade de quem precisa efetivamente dos R$8,00 que representam um dia de passagem de ida e volta para o trabalho, as vezes um almoço e por ai vai. Bolsonaro desde o início da sua campanha e agora travestido de presidente da república foi incapaz de ter um discurso pro ativo, conciliador, sem acirrar os ânimos. As suas falas e atos até agora não assusta, pois ele, nas entrelinhas, disse que iria fazer isso o tempo todo e o seu séquito ministerial não é diferente. O que deveria realmente nos preocupar, é que ainda temos 1451 dias nesse desgoverno.

  4. O que é melhor para o país: meritocracia ou nomeação política? disse:

    Acho que nada a ver ter sido escolhido o filho do vice-presidente, visto que cargo de confiança é da competência de quem escolhe. O nomeado tem que se enquadrar à meritocracia prometida pelo Presidente Bolsonaro para cargos nomeados. Na meritocracia tem que haver competência e idoneidade moral e, com a confiança plena do assessorado quanto ao nomeado, está fechada a questão. É bom lembrar que Antonio Hamilton Rossell Mourão é funcionário de carreira do Banco do Brasil, concursado! E que o que mais revoltam funcionários públicos concursados, nos três poderes, são as nomeações de gente não concursada, muitas vezes sem nenhum conhecimento da função e até à área para a qual é nomeado, atendendo apenas a interesses políticos. Isso sempre ocorreu e é uma vergonha. Não parece ser o caso em tela. Não parece que o Presidente Bolsonaro continuará com essa prática nociva ao interesse público.

    • Miguel Ângelo disse:

      Se você não é funcionário público, não tem noção nenhuma do que é nomeação dentro das instituições públicas. Não é verdade o que disse. Quando é nomeado alguém de fora, e isto é possível e impossível (dependendo de qual órgão você esteja falando). O que preocupa o funcionalismo é ter a frente o perseguidor. Olhe tudo que Bolsonaro fez. Na Apex colocou um inculto onde precisava de um homem que sabia falar inglês e outras línguas fluentemente pôs um amigo por nomeação na Petrobrás. Isto é fazer o que quer, sem noção do que precisa ser feito. E depois, do perseguidor, o que mais assusta é o funcionário público de amigo de político. Que sempre costuma vir acompanhado de incompetência ou menor produção dos que estão na fila de promoção. Não é meritocracia o que Mourão e o amigo receberam. Isto é a governança pública dos militares. Alicerce do que se constituiu o Judiciário Brasileiro. E suas decisões que prejudicam até hoje o desenvolvimento. Isto é uma forma de corromper o que é certo.

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