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Entrevistas
25-10-2019, 12h33

Messianismo levou Lava Jato a agir “por cima da lei”, diz Tasso

Para senador, país tem parlamentarismo ou presidencialismo branco
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Kennedy Alencar
São Paulo

Ex-presidente do PSDB, o senador Tasso Jereissati (CE) elogiou a Lava Jato, mas disse que “houve um deslumbramento em determinado momento” que levou integrantes da operação a agir “por cima da lei” devido a uma “sensação messiânica”.

“Cresceu neles uma sensação messiânica, como se fossem os únicos salvadores da pátria que poderiam, a partir daí, agir por cima da lei e sem nenhum tipo de controle legal. E isso fez com que haja um ajuste agora. Você não acaba com o espírito da Lava Jato, mas dá um ajuste no momento certo a desvio e abuso de autoridade”, afirmou Tasso em entrevista ao “Jornal da CBN – 2ª Edição”.

O senador avaliou que a operação teve “papel histórico”, pois tirou “de baixo do tapete um sistema de corrupção que estava no país inteiro, impregnado em todas áreas do governo e empresarial”.

Crítico do governo Bolsonaro, ele disse que o Congresso está governando na prática sem ajuda do Executivo, que não tem articulação política. “Você pode chamar de parlamentarismo branco ou de presidencialismo branco.”

Para ele, “nasceu [no país] uma extrema-direita muito odiosa, odienta, rancorosa”. Tasso disse que “não conhecia no Brasil” esse tipo de corrente política representada pelo presidente Jair Bolsonaro, o escritor Olavo de Carvalho e o ministro da Educação, Abraham Weintraub.

O senador avaliou que o impeachment de Dilma Rousseff foi um erro político porque desorganizou os partidos, mas foi um acerto econômico: “Do ponto de vista econômico, não foi um erro porque estávamos indo para um abismo no qual ficamos pendurados até agora. (…) Do ponto de vista político, foi um erro porque desarrumou a vida política brasileira e gerou essa predominância do ódio entre as duas correntes radicais”.

Para ele, essas correntes são o petismo e o bolsonarismo. Afirmou que o PSDB não estimulou o crescimento do ódio no debate público, mas errou ao contestar o resultado eleitoral de 2014, quando o tucano Aécio Neves perdeu para a então presidente Dilma.

Ouça a entrevista concedida ontem à noite:

Comentários
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  1. walter nobre disse:

    Fica a impressão que os 200 milhões de habitantes Kennedy são retardados, mais o poder público, os juristas e juízes; o PSDB tem muitos cadáveres nos armários até HJ, recursos improcedentes lá fora, em várias contas; as ações foram encima de fatos, e recuperação de BILHÕES, se fossem todos os julgamentos, conduzidos por uma unica instância, por membros exclusivos da operação, poderíamos condena los; O País jurídico aprovou, o MP aprovou, a policia federal apurou. O STF esta condenado a constituição, se amparando em detalhes sem objetividade, para causar descompassos, depois de tanto tempo da operação, para agradar colarinhos brancos e doleiros principalmente; não vou me ater a caso Lula, já que não precisamos reafirmar os inúmeros descompassos e excessos da ampla defesa dele, portanto não tem sentido, este carnaval fora de época, por excessos ali comemorado, com decisão combinada.

  2. Joao Brioso disse:

    O Sr. Senador Tasso teve o momento para expressar essa sua retidão, quando da ação do Temmer e Aécio, mas preferiu os proteger. Por isso, a gente não pode acreditar nas palavras dele…

  3. Claudio Freire disse:

    Nem acerto econômico foi. Tasso Jereissati não leva em conta a conjugação dos cenários externo e interno nos anos 2012-2013-2014. Até 2011, os preços internacionais das principais commodities no mercado internacional estavam valorizadas. Em 2011, os EUA introduzem forma inovadora de produzir petróleo a partir do xixto, o que elevou grandemente sua produção naquele país, com a consequente queda do preço internacional do barril de petróleo. Inicialmente, a queda não foi abrupta, mas em 2014, exatamente o ano da eleição presidencial aqui no Brasil, o preço do barril de petróleo despenca: cai de 130 dólares (2011)para 30 dólares (2014), e a maior velocidade da queda se dá entre setembro e outubro de 2014. Há gráficos na internet que mostram isto. O governo da Dilma estava tentando emplacar no Congresso medidas para atenuar esse problema financeiro, quando começaram os movimentos para seu impeachment. Nenhuma medida proposta por ela passava no congresso, e ainda vieram as pautas-bomba.

  4. Gilberto Alexandre dos Santos disse:

    Tasso Jereissati diz que o PT é radical. Bem o vimos a radicalidade durante os governos petistas. Quem primeiro insuflou este estado de coisas que hoje vivemos foi o psdb, pois contavam que herdariam o poder com o golpe em Dilma Roussef. Deram com os burros n`água, o partido saiu tosquiado das eleições e agora tentam tirar o corpo fora. A história não será condescendente com o que Aécio, Serra, Alckimin, Aloysio, FHC, Jereissati e outros tucanos e demos fizeram ao Brasil.

  5. Paulo Argolo disse:

    Como representante do “altíssimo clero” das aristocracias política e empresarial do Brasil, principais alvos da Lava-Jato, o tucano Tasso não poderia deixar de critica-la.

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2019-12-05 20:09:41