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Política
29-07-2019, 21h12

Moro e Dallagnol perderam condições de exercer seus cargos

Estratégia de contestar #VazaJato lembra expediente de empreiteiras
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

Reportagem publicada hoje pela “Folha de S.Paulo” revela que o então juiz Sergio Moro, hoje ministro da Justiça, achava fraca, em termos probatórios, a delação do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci Filho. Mesmo assim, ele decidiu torná-la parcialmente pública em 1º de outubro do ano passado, a 6 dias do primeiro turno da eleição presidencial.

A reportagem confirma a interferência política no processo eleitoral feita por Moro, que logo depois aceitaria ser ministro da Justiça do governo Bolsonaro. O relato da “Folha” foi feito com base no arquivo do “Intercept Brasil”. O Ministério Público recusou a delação de Palocci, mas a Polícia Federal fechou acordo com o ex-ministro da Fazenda.

Pelos critérios que Moro e o procurador Deltan Dallagnol usaram na Lava Jato, ambos estariam hoje sendo investigados, denunciados e processados por tudo o que veio à tona desde junho, quando surgiram as primeiras revelações da #VazaJato.

Além de perder a condição política de ser ministro da Justiça, um efeito desse episódio é mostrar a inadequação de Moro para o eventual posto de ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).

Na semana passada, o presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), João Otávio Noronha, afirmou que recebeu telefonema de Moro informando-o de que ele fora alvo de hackers e que o material obtido pela Polícia Federal seria destruído.

Ora, Moro não poderia ter tido acesso a essas informações. Somente o delegado responsável pelo inquérito, o Ministério Público e o juiz do caso poderiam tratar do assunto. Provas só poderiam ser destruídas com ordem judicial.

Assim como Moro, o procurador Deltan também perdeu as condições de atuar como procurador da República por tudo o que já foi revelado a respeito dele na #VazaJato.

A estratégia de defesa de Moro, Dallagnol e de integrantes da força-tarefa da Lava Jato, que lançam dúvidas sobre a autenticidade das mensagens trocadas no Telegram, lembra o expediente inicial utilizado pelas empreiteiras no início da Lava Jato. A estratégia das empresas de negar fatos ficou insustentável após as revelações que mostraram o cartel que montaram na Petrobras.

Ouça a avaliação feita no “Jornal da CBN – 2ª Edição” sobre a reportagem da “Folha” a partir dos 7 minutos e 35 segundos no áudio que está no fim deste texto.

Aos 5 minutos e 55 segundos no áudio abaixo, ouça também comentário sobre a afirmação do presidente da República de que “não há indícios fortes” de que o cacique Emira Wajãpi tenha sido assassinado por garimpeiros no Amapá. Essa é mais uma declaração irresponsável. O presidente da República e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, têm feito afirmações que estimulam o desmatamento e a violência no campo.

Comentários
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  1. Auta Gagliardi Madeira disse:

    Grande jornalista Kennedy Alencar; profissional sério, detentor de acuidade intelectual ímpar, equilibrado e elegante nas suas opiniões, mesmo falando de repulsivas ilegalidades.
    Parabéns ao jornalista!
    Auta Gagliardi Madeira – advogada em Brasília.

  2. Parabéns Kennedy pelo seu excelente trabalho. Fico pensando como pode o Brasil viver dessa forma desde 2016, é inaceitável e por um outro lado a gente consegue visualizar aquelas pessoas que estão em nossa volta…totalmente mau caráter, porque não tem outra explicação para você apoiar tal safadeza que esses tidos como heróis tem esse tipo de comportamento. Deveriam estar no mínimo afastados das suas funções e se condenados além da prisão devolverem todo o dinheiro obtido do início da lava jato.

    abs

  3. Miguel Ângelo disse:

    Estamos vendo lixo como luxo, e vilões como heróis. Não nos importa como povo quem é a fonte. Pelo andar das carruagens, muito do não dito, não entregue por estas “possíveis” fontes. Não é provado ainda. Poderá ser alterado pelo próprio Moro, ou PF. Afinal, quem neste momento está de posse dos trabalhos executados pela PF, para garantir a segurança dos dados? A PF, que se sujeita a Moro? Não duvidamos que eles estão alterando para garantir Moro, Deltan e Força Tarefa nota zero; fora das grades. Já deviam estar afastados e investigados. Todos de Curitiba, e também da PF a frente destas missões que colocaram Lula na prisão, e deixaram solto Bolsonaro. Nosso presidente é um crime vivo: internacional, contra os princípios de boa vizinhança, contra as FFAAs negociação no colo de Trump, contra o bom senso, contra a religião cristã. O Cristianismo se envergonha dos crentes que o apoiam. Um arauto que já declarou guerra a soberania, a fé cristã, aos diferentes, aos aposentados, as crianças…

  4. luiz disse:

    sempre acompanho seu trabalho aqui e o parabenizo pela seriedade e qualidade , me divertia bastante ler os comentarios de outros leitores, em especial alguns bons defensores deste governo mas desapareceram , nao os vejo mais aqui . fiquei triste mas continuarei a lhe acompanhar e prestigiar . abraços !

  5. Mariza disse:

    Kennedy, o PT perdeu porque esqueceu da Periferia e passou o ano inteiro pensando no Lula Livre.
    O melhor dos mundos hoje é ver o Bolsonaro falando os horrores que ele fala e a esquerda distraída com o assunto Bolsonaro. As reformas estão ocorrendo sem mensalão e o PT vai passar os próximos 3 anos brigando com o Moro e berrando Lula livre. Erros são cometidos apenas 1 vez, na segunda vez é burrice.

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