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Política
12-12-2019, 9h34

Moro e Weintraub simbolizam miséria política e intelectual do Brasil

Bolsonaro e ministros estão caindo da borda da Terra
24

Kennedy Alencar
BRASÍLIA

O debate público no Brasil está muito pobre. A miséria política e intelectual do país cresceu demais nos últimos tempos.

Abraham Weintraub voltou a mentir a respeito de cultivo de drogas nas universidades federais. O ministro da Educação é a síntese dessa miséria intelectual e política. Foi leviano ao depor nesta quarta-feira na Comissão de Educação da Câmara. Levou informações falsas ao Congresso.

As universidades não têm envolvimento com plantio de maconha. Pode ter havido um caso ou outro de alguém que plantou um pé de maconha num terreno público.

É uma irresponsabilidade um ministro da Educação agir dessa forma em relação às universidades federais. Ele é um inimigo do ensino. É um semeador da ignorância e do ódio. Atua como ponta de lança dessa estratégia de guerra cultural do bolsonarismo, difundindo bobagens e mentiras.

O ministro foi ao Congresso Nacional fazer um papelão. É um cidadão que não tem condição de comandar a Educação. Fala mal e porcamente o português. Pensa mal. Espalha fake news. Repetindo: ocupa o Ministério da Educação uma pessoa que não tem gabarito para a função.

*

É um perigo para a democracia

O ministro da Justiça, Sergio Moro, é outro que deveria tomar aulas de português. Assim como  Abraham Weintraub, Moro usa mal as vírgulas em particular e o idioma de modo geral. Mas vamos deixar isso de lado _apesar de não pegar bem para quem tem formação de magistrado falar e escrever com tantos erros de português.

O importante é analisar um tuíte de Moro a respeito das críticas do presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz. Entre as queixas de Santa Cruz, está a de não ser recebido em audiência no Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Segue o tuíte como Moro o escreveu (nem é dos piores): “Tenho grande respeito pela OAB, por sua história, e pela advocacia. Reclama o Presidente da OAB que não é recebido no MJSP. Terei prazer em recebê-lo tão logo abandone a postura de militante político-partidário e as ofensas ao PR e a seus eleitores”.

Segundo Santa Cruz, os apoiadores de Bolsonaro teriam desvio de caráter.

É inacreditável que um ministro de Estado imponha condições de abandono de suposta atitude de “militante político-partidário” para receber o presidente da OAB. A manifestação é de um autoritarismo enorme.

É aquela coisa: a ideologia está sempre nos outros, a militância está sempre nos outros. Moro não é um ideólogo de direita autoritário, não é um militante de um projeto regressivo para o Brasil.

O ministro da Justiça também costuma dar aula de jornalismo a respeito de reportagens e artigos de análise e opinião que o desagradam. Exibe visão medíocre sobre o exercício da função pública, como se o cargo fosse propriedade privada dele. Ele tem de receber, sim, o presidente da OAB, por mais que fique contrariado com críticas.

Moro está ministro, mas não tem compreensão da função pública. Demonstra visão estreita do cargo e propaga um mantra autoritário contra os críticos. Se há uma discordância, rapidamente a resposta de Bolsonaro, de ministros e da milícia digital é a de uma militância partidária, uma militância jornalística, uma militância eleitoral, uma militância partidária na advocacia e por aí vai…

Isso é loucura, porque a militância está sempre nos outros, a ideologia está sempre nos outros. Moro é o senhor da razão. Trata-se de estratégia para minar a credibilidade das instituições e dos críticos a fim de impor medidas autoritárias paulatinamente, normalizando absurdos.

Temos um ministro da Justiça que também não está à altura do cargo. Repetindo: Moro é a figura mais perigosa para a democracia brasileira.

Ele é autoritário. Não tolera críticas. Tem pensamento regressivo na área de segurança pública. Manifesta frequentemente visão atrasada a respeito do projeto para o Brasil. No entanto, goza de imagem muito boa na opinião pública, fruto do trabalho como cavaleiro do combate à corrupção, de paladino da Lava Jato. Essa boa imagem tem repercussão no cenário político e nos destinos do país.

Circula nas redes sociais, por exemplo, uma foto de Moro com dois homens que levaram uma suposta obra de arte com a imagem do ministro feita com cartuchos de bala. E o ministro da Justiça acha bom exibir isso. Faz até pose com mão na cintura.

Claro que esse episódio transmite uma mensagem errada para a política de segurança pública. O responsável por essa política pública deveria tomar mais cuidado. A mensagem estimula a violência.

*

Elite irresponsável

Nesta quarta, o presidente da República falou de novo um monte de bobagens, inclusive recorrendo a informações erradas para opinar sobre a escolha do ministro da Defesa da Argentina. Bolsonaro não tem que se meter nesse assunto, ainda mais tão desinformado.

Apesar de inadequado, seria interessante que outros mandatários comentassem o nível do ministério do Bolsonaro. É um nível muito baixo. Com raras exceções, ministros não conhecem execução orçamentária. Até um estudo do governo concluiu que o programa Verde Amarelo não vale a pena, pois tem custo maior do que o benefício que pode gerar ao empregar jovens.

Mas essa equipe econômica do ministro Paulo Guedes é elogiada pelos empresários e o mercado financeiro. Essa elite deveria ter mais responsabilidade. Os empresários e o mercado financeiro precisam ter mais espírito crítico em relação ao que está acontecendo no país.

A reforma da Previdência só foi aprovada por causa do Centrão, de Rodrigo Maia, presidente da Câmara, e de Davi Alcolumbre, presidente do Senado. Não foi mérito de Guedes nem de Bolsonaro. Isso é um fato. Quem acompanha o poder em Brasília vê que a agenda econômica está nas mãos do Congresso.

Esse é um governo ruim, mas empresários e o mercado financeiro fingem não ver em nome de seus interesses. Estão se lixando para o país e o povo. Esse é o governo real que o Brasil tem. E os problemas reais que o país precisa resolver estão em segundo plano, passando ao largo do debate público.

Ontem, a Justiça revogou decisão de Bolsonaro de tirar os radares das rodovias federais. Há alto índice de mortes nas estradas. Claro que foi uma ideia absurda de Bolsonaro. Ainda bem que algum sistema de freios e contrapesos funciona.

A Justiça, o STF, o Congresso e a imprensa reagem. Ainda é possível fazer críticas no rádio, na TV, na internet e nos jornais. Muito bom.

A voracidade regressiva do governo Bolsonaro e o projeto de barbárie proposto ao país são imensos e demandam reação democrática e firme.

*

Caindo da borda da Terra

Anunciada nesta quarta, a escolha da ativista sueca Greta Thunberg como personalidade do ano pela revista “Time” foi uma infeliz coincidência para o presidente Jair Bolsonaro, que a atacou de modo infantil e descortês nos últimos dias.

Greta ganha protagonismo por defender uma causa boa, a do meio ambiente. Bolsonaro ganha protagonismo por não prezar o meio ambiente. Ao contrário da sueca, o brasileiro termina o ano com uma péssima imagem internacional, o que prejudica a credibilidade do Brasil no exterior. O país perdeu importância no mundo em 2019 e deixou de ser respeitado como potência ambiental.

Bolsonaro tem atitudes que não estão à altura do cargo. Nesta quarta, criticou a imprensa brasileira por dar destaque às falas de Greta Thunberg na COP-25 na Espanha, dizendo que a sueca fazia um “showzinho” e voltando a chamá-la de “pirralha”.

Há uma visão autoritária do presidente sobre o papel da imprensa. Esse negacionismo ambiental, mentindo a respeito do desmatamento e das queimadas na Amazônia, envia uma mensagem errada doméstica e internacionalmente.

Bolsonaro e seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, defendem posições que contrariam todos os dados científicos sobre mudança climática. Ambos negam o evidente aumento da destruição ambiental no Brasil.

Bolsonaro, seus filhos políticos e seus apoiadores estão caindo da borda da Terra com esse terraplanismo ambiental. E o mundo inteiro assiste de camarote.

Ouça abaixo os comentários feitos nesta quarta no “Jornal da CBN – 2ª Edição”:

Comentários
24
  1. Aderbal disse:

    Poxa Kennedy gostaria que todos os jornalistas expressassem em palavras como você aquilo que realmente acontece no Congresso e na política, sem medo de represarias e firme no que escreve.
    Daqui a pouco chega nesta notícia da sua página o comentário do Wagner, o passador de pano do Governo Bolsonaro e do juizeco Sergio Moro.

  2. Aderbal Junior disse:

    Poxa Kennedy gostaria que todos os jornalistas expressassem em palavras como você aquilo que realmente acontece no Congresso e na política, sem medo de represarias e firme no que escreve.
    Daqui a pouco chega nesta notícia o comentário do Walter, passador de pano do Governo Bolsonaro e do juizeco Sergio Moro.

  3. […] “O ministro da Justiça, Sergio Moro, é outro que deveria tomar aulas de português junto com Abraham Weintraub. Moro também usa mal as vírgulas em particular e o idioma de modo geral. Mas vamos deixar isso de lado – apesar de não pegar bem para quem tem formação de magistrado falar e escrever com tantos erros de português”, afirma o jornalista, em texto que foi publicado em seu blog. […]

  4. Claudio Freire disse:

    Perfeito, Kennedy.

  5. Excelente comentário do Kennedy Alencar. É difícil acreditar realmente q estamos com um governo repleto de figuras tão bizarras, tão despreparadas,como agentes públicos e como pessoas, tão ridículas, a partir do Presidente da República. O q fazer? Se esses caras continuarem, em menos de quatro anos este país será transformado num carcaça velha.

  6. Sérgio França disse:

    Um dos comentários mais ácidos contra este desgoverno! Parabéns, Kennedy!

  7. […] “O ministro da Justiça, Sergio Moro, é outro que deveria tomar aulas de português junto com Abraham Weintraub. Moro também usa mal as vírgulas em particular e o idioma de modo geral. Mas vamos deixar isso de lado – apesar de não pegar bem para quem tem formação de magistrado falar e escrever com tantos erros de português”, afirma o jornalista, em texto que foi publicado em seu blog. […]

  8. walter nobre disse:

    Kennedy, julgar ministros porque? quem deve ser absolvido ou condenado é o governo; ocorreu isto em governos anteriores, seus ministros não tinham liberdade para dar declarações sobre seus ministérios, eram condenados a desdizer; tentar argumentar sobre o Dr Moro, promoverá mais o superministro, com relação ao Weintraub, tem demonstrado muita força nesta pasta, uma pessoa culta, acima dos últimos que exerceram a função, falta traquejo; , admite não ter cacoete esperado neste ministério; não tem deixado a “peteca cair”. Falar do presidente da OAB é um capitulo a parte, não respeitar o presidente eleito com viés excessivo; independente de sua posição, deveria respeitar como representante da Ordem, tem dificuldades com seus associados.. Caro, o governo terá um Ano dificílimo , não deve ser curvar a caprichos, precisa melhorar suas relações com o congresso, aprovar planos necessários; trata se de um ano político não se conseguirá fácil, esta deve ser a preocupação deste governo…

    • Diule disse:

      É deplorável ver alguém tentando defender o atual ministro da educação. Ainda mais de forma tão enfadonha.
      Chamá-lo de culto?! Você realmente tem lido/ouvido o que ele diz? Ou é simplesmente um cego moral, que fecha os olhos para todo o retrocesso civilizatório que esse governo está impondo?

  9. BRAGA-BH disse:

    Como diria Umberto Eco: A internet deu voz a um bando de imbecis. E a grande verdade é que este bando de imbecis agora foi todo reunido dentro do Governo Federal em Brasília tendo como comandante em chefe o próprio presidente.

  10. Samuel Pereira Valério disse:

    Boa tarde.
    Antes de mais nada, quero deixar claro que não votei em Bolsonaro, tampouco em Haddad.
    Vejo que você faz críticas muito pontuais sobre o governo federal e as entendo. Contudo, não haveria outro tipo de olhar? Isso porque se empresários e mercado estão reagindo bem, pode-se apontar algum crescimento econômico.
    As falas acaloradas do presidente não são muito próprias para o cargo. É verdade. Mas, existem outras formas de se observar o fenômeno que tem ocorrido. O Brasil, em sua maioria, é conservador, sendo a prova disso os mais de 55% dos votos válidos conquistados pelo presidente eleito.
    Contrariando grande parte da imprensa e dos intelectuais universitários, Bolsonaro expande sua agenda, trazendo alguns bons resultados e outros ruins.
    Ainda, apesar de mais de onze meses no comando da nação, não se pode esperar muito mais do que está sendo feito. Mas pode-se esperar uma melhor postura, a postura de um presidente de uma nação emergente.
    A muito o que se fazer ainda…

  11. Parabéns Kennedy!

    Analise precisa e contundente. Deveria chegar a todos os Brasileiros em cadeia de rádio e televisão.

    À mídia nazifascista não importa fazer, praticar Jornalismo. São os 11 Princípios da propaganda nazista que lhes garante faturamentos milionários e, tornarem-se sócios do governo.

    Em relação ao Moro, os militares sempre estiveram por trás dele e a Lava Jato.
    A escolha para ser ministro da justiça, assim como a promessa de ser indicado para o STF, não foi de Bolsonaro, mas dos militares.
    Para os militares, Moro é uma espécie de Carl Schmitt brasileiro, pois para eles a Constituição cidadã não passa de um manifesto comunista, a ser descartada a qualquer preço. Ninguém melhor que o Moro para cumprir essa tarefa no Ministério da Justiça e futuramente no STF, afim de ajudar enterrar de vez a Constituição através da força das armas e a mudança no plenário do STF.

  12. Elber Martins disse:

    Os Ministros de Bolsonaro são um reflexo dele mesmo! Fala um monte de bobagens, insistem nas suas próprias besteiras. É difícil dizer que o melhor que nós temos se chama Hamilton Mourão! É mole?

  13. Wellington Alves disse:

    Os empresários e elite em geral sempre buscaram os próprios interesses. Clamaram pelas desonerações, não geraram empregos e jogaram Dilma na fogueira. Agora fecham os olhos a esse governo pq querem, novamente, inflar seus ganhos.

  14. Paulo Argolo disse:

    Enquanto nós somos obrigados a ouvir as arengas do Weintraub sobre plantio de maconha nas universidades federais, a indústria farmacêutica dos EUA realizaram e realizam pesquisas com sub-produtos da maconha há anos. Resultado: o Brasil está perdendo mais um bonde da história com essa discussão inútil, consequentemente, vamos gastar nossas divisas para importar canabidiol, por exemplo, e no futuro, se essa discussão inútil sobre o plantio da maconha for superada, vamos pagar royalties para os EUA até que as patentes sobre medicamentos derivados da maconha sejam quebradas. Em tempo: sabe quando não haverá mais tráfico de drogas de qualquer natureza? Quando não houverem mais consumidores, ou seja, nunca.

  15. MARCELOS DE CARVALHO CALDEIRA disse:

    Prezado Kennedy,
    Essa irresponsabilidade e o descompromisso do empresariado e do agonegócio com a democracia não é novidade. Hoje a BBC Brasil publicou um ótimo artigo desconstruindo a versão de que o AI5 foi uma reação ao radicalismo da esquerda. Nessa matéria, fica claro o distanciamento de muitos líderes políticos moderados e conservadores que tinham apoiado o golpe e que estavam descontentes com os rumos do regime. Ao mesmo tempo, comprova o apoio das lideranças empresariais ao regime. A ditadura seria um mal menor em benefício da construção do “Brasil grande”. Como se posiciona a FIESP hoje? E a CNI? Alguma liderança ou entidade empresarial se manifestou sobre as falas de Paulo Guedes e dos filhos do “Presidente” acerca de um novo AI5?
    Concordo muito com o Jessé Souza, quando descreve a “genealogia” da nossa elite, moldada na escravidão.

  16. Antonio disse:

    Prezado Kennedy. O comportamento do ex juiz sempre foi desprovido de ética, desonesto, vingativo e altamente suspeito. Sempre alegando imparcialidade. Houvesse prêmio para hipócritas e mentirosos, certamente seria laureado. Mereceria sim o troféu peroba (cara de pau) por mentir sempre descaradamente. Sabe-se lá quem ou que grupos poderosos estão por trás deste indivíduo e alguns de seus colegas do judiciário (militares, milicianos, a elite podre, inclusive a da FIESP, potências estrangeiras?). O sujeito é um depósito de ódio, perigoso para o país, para o cidadão e para a sociedade em geral. Não tem respeito pelo ser humano, defende leis que liberam assassinatos. Cada vez mais se duvida de seu conhecimento jurídico. Fala-se até que seja pau mandado, testa de ferro. E é Ministro da Justiça, pasmem! Conseguiu o cargo praticando política partidária e “lawfare”, com perseguições a Lula e ao PT. Ao lado de outros picaretas, faz parte do pior ministério que o país já teve.

  17. Claudio Cordeiro disse:

    Reflexões apropriadas do grande Kennedy, nosso Claudio Abramo do século 21. Sempre ponderações adequadas, sem rabo preso e com conhecimento dos fatos e pleno domínio do modus operandi dos picaretas.

  18. […] de Weintraub ao país vai resultar num atraso que levará muito tempo a ser corrigido. Weintraub é a síntese da miséria política e intelectual do Brasil. O ministro da Educacão não tem condição intelectual nem administrativa […]

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2020-01-20 13:09:40