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Política
06-10-2019, 12h48

Moro já isentou Bolsonaro e condenou imprensa no caso de laranjas do PSL

Ministro faz comentário indevido sobre caso e reportagem
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

O ministro da Justiça, Sergio Moro, já julgou e isentou eventual uso de caixa 2 na campanha eleitoral do presidente Jair Bolsonaro no caso dos laranjas do PSL mineiro. Também já condenou o trabalho da imprensa no mesmo tema.

Reportagem de Camila Matoso e Ranier Bragon na “Folha de S.Paulo” deste domingo revela que “ex-assessor e uma planilha implicam Bolsonaro e ministro em caixa dois” na campanha eleitoral de 2018. O ministro em questão é o do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio.

Moro postou no Twitter que o presidente “fez a campanha presidencial mais barata da história”. E foi adiante: “Manchete da Folha de São Paulo não reflete a realidade. Nem o delegado nem o Ministério Público, que atuam com independência, viram algo contra o presidente da República neste inquérito de Minas. Estes são os fatos”.

Ora, numa democracia plena, um ministro da Justiça não pode opinar ou interferir em inquéritos da Polícia Federal. Delegados têm autonomia para fazer suas investigações. O Ministério Público e o Judiciário avaliam conclusões de inquéritos e tomam as medidas que julgam cabíveis e necessárias. Alguém precisa explicar a Moro como a coisa funciona.

A Polícia Federal não é uma polícia de governo, mas de Estado. O ministro da Justiça comanda estrategicamente a PF ao nomear o seu diretor-geral em conjunto com o presidente da República. Pode fazer justificados e pontuais pedidos de investigação e determinar a política de segurança pública da pasta. Mas, repetindo, não pode se manifestar ou interferir em inquéritos como fez hoje no Twitter. A PF é a polícia judiciária no nível federal, como é a função da Polícia Civil no plano estadual.

Os delegados podem instaurar inquéritos e têm amplos poderes para investigar. Depois, o assunto passa para a esfera do Ministério Público e do Judiciário.

A reportagem traz a informação de que uma testemunha implicou o presidente num eventual caso de caixa 2, bem como uma planilha da investigação. Ora, parece um caso grave que pode propiciar investigação contra o presidente por ser eventualmente um crime conectado à obtenção do atual mandato.

Moro não tem competência legal para fazer manifestação de cunho jurídico sobre o caso. Ele criticou o trabalho da imprensa dizendo que a reportagem do jornal “não reflete a realidade”. Na prática, condenou a “Folha”, como tem o hábito de fazer quando a imprensa lhe desagrada.

Numa democracia, isso não é normal. Parece que o ministro da Justiça continua investido da toga de juiz federal e não aprendeu nada com os eventuais crimes e abusos de poder revelados pela Vaza Jato.

*

Acuando Congresso e imprensa

Além de veraz, é tempestiva a afirmação feita pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de que Moro tem uma estratégia permanente de acuar as instituições. Moro agiu desse modo na Lava Jato e mantém tal método como ministro da Justiça.

Maia deu entrevista à mesma Folha que teve o seu trabalho julgado hoje por Moro. O presidente da Câmara está certo. Acuar as instituições, como o Congresso e a imprensa, é como as democracias morrem. Não podemos normalizar condutas assim da parte de nossas autoridades públicas.

Comentários
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  1. José Anselmo de Carvalho Júnior disse:

    Lembra do caso do ex-diretor geral da PF, Fernando Segovia: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2018/02/diretor-da-pf-fala-em-arquivamento-de-inquerito-contra-michel-temer.html

    “Em entrevista à agência Reuters, ele disse que o inquérito, ainda em andamento, contra o presidente Temer sobre o setor de portos, em tese, poderia ser arquivado.”

  2. walter nobre disse:

    Kennedy, tudo o que é dito pelo ministro, por uma questão de retórica, transformam e situações convenientes a debates e criticas; trata se de um ícone hoje em dia, por ter sido analisado por pessoas comuns, que tem muito sabedoria de vida, mesmo com tantas criticas, transformaram no, em exemplo , aos mais simples e humildes, uma esperança de uma vida melhor; tentar denegrir sua imagem não faz verão; por todas estas tentativas, o próprio supremo esta pagando caro…a imprensa caro não favoreceu o Moro em nenhum momento da intercept, por que deveria ele agora faze lo…o caso rodrigo maia é pequeno e suspeito com provas, este deputado não sobreviverá outro mandato como líder da câmara, por todas as tentativas, em protelar todas as propostas vindas do planalto, falta lisura nesta afirmação; nenhum homem consegue enfrentar 550 deputados, muito menos um Juiz; esta a serviço de todos que puderem livrar a cara dele e de seu pai…falta verdade em toda esta contenda caro…

  3. Luiz Nunes disse:

    “Numa democracia, isso não é normal. Parece que o ministro da Justiça continua investido da toga de juiz federal e não aprendeu nada com os eventuais crimes e abusos de poder revelados pela Vaza Jato.” Pronto, falou tudo, só acrescentando: “Moro quem te viu, quem te vê, sobre caixa 2″.

    *

  4. jose disse:

    É genética a prática ilícita desse contraventor. Ele não consegue cumprir a lei. Ele acha que é o dono do mundo. A globo disse que ele pode e ele acreditou. O não do presidente Lula da Silva ao Luis Roberto Barroso do cinema, Padilha, tem gosto suculento de creme de cupuaçu, cobertura de calda de chocolate e biscoito champagne. Essa gentinha não perde o salto alto e acha que pode debochar de todos e de quem queiram. É ensurdecedor o silêncio da lava-jato a respeito do pronunciamento do ministro Gilmar Mendes do STF. Mas ainda estão no lucro porque não estão merecidamente presos. Existem CNJ e CNMP no Brasil? As siglas significam respectivamente: conselho nacional de justiça e conselho nacional do ministério público. No AM, há uma desembargadora afastada há anos recebendo seus vencimentos na maior normalidade do mundo. Lula tem 73 anos de idade, está preso sem prova e espera há meses julgamento de habeas corpus.

  5. […] Alencar escreveu em seu blog: “Moro não tem competência legal para fazer manifestação de cunho jurídico sobre o caso. Ele […]

  6. Miguel Angelo disse:

    Moro começou grande diante a Lava Jato. Mas sua grandeza vinha da teatralidade jurídica contra a corrupção, enquanto atrás das cortinas, embaixo do tapete da Lava Jato, não se via a ilicitude aplicada como fosse a lei. Moro, já pelo que vimos na Vasa Jato, que até agora ninguém ousou dizer que é mentira, pois, a cada dia mais verdades são apresentadas, com personagens, discurso, enredos da trama que levou o Brasil a perder 4 anos de governo, diante um desgoverno pleno de uma mentira dita militar, onde nem de longe é. A falta de caráter, é figura que não prevalece politicamente. Moro já devia ter saído do governo. Não sai, porque é capaz de virar simplesmente o que é. Um advogado, que fez curso em Harvard, para aplicar em Curitiba, toda sua ganância política. Onde a lei virou arma da barbárie contra o povo. Pois Lula, é só boi de piranha. E toda vez é jogado no rio. Quando Moro e suas “Curitibetes” tentam a vitrine da fama para política. Há Moro! Se pau de Chico chega a você Francisco.

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2019-10-19 05:18:13