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Política
06-11-2018, 21h18

Moro mostra convergência de ideias com Bolsonaro

Juiz abraça agenda conservadora do presidente eleito
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KENNEDY ALENCAR
SÃO PAULO

Futuro ministro da Justiça, o juiz federal Sergio Moro mostrou hoje ter muita convergência de pensamento com Jair Bolsonaro em temas conservadores.

Numa entrevista coletiva em Curitiba, Moro apoiou a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos nos casos graves, como crimes que resultam em morte, lesão corporal grave e estupro. Ele disse que seria possível debater a flexibilização da posse de armas, desde que limitada para impedir que tal mudança abasteça o crime organizado. Também avaliou a possibilidade de flexibilização do porte de um modo mais restrito do que a posse de arma.

Essas são três bandeiras conservadoras de Bolsonaro que ganharam a chancela do juiz que se tornou símbolo do combate à corrupção no Brasil. Não é pouca coisa para Bolsonaro receber aval de Moro nesses temas.

Recuando da narrativa insustentável de que não assumirá função política, Moro disse que a pasta da Justiça é um posto “predominante técnico”. Ele disse que precisará fazer política, voltando a descartar participação partidária ou eleitoral.

Indagado a respeito de possível criminalização de movimentos sociais a partir do que pensa Bolsonaro, Moro respondeu genericamente que excessos devem ser respondidos na forma da lei. Ilegalidades devem ser punidas, mas não abraçou a tese bolsonarista de transformar ações do MST  (Movimento Sem Terra) e do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) em atos de terrorismo. Achou essa tese inconsistente. O juiz também disse que os direitos das minorias serão respeitados.

O juiz admitiu a possibilidade de alguma regulamentação das hipóteses previstas em lei que permitem a um policial matar. Ou seja, deixou aberta porta para atender ao desejo de Bolsonaro de ampliar o chamado “excludente de ilicitude” _situações em que se admite matar legalmente.

Moro voltou a chamar de “fantasia” e de “álibi” as acusações do PT de que perseguiu Lula judicialmente e ganhou uma “recompensa” ao aceitar integrar o governo de Bolsonaro. Afirmou que condenou Lula em 2017, quando a eleição de Bolsonaro parecia improvável. Lembrou que tribunais superiores confirmaram decisões suas. Disse que agiu legalmente ao divulgar detalhes do acordo de delação do ex-ministro Antonio Palocci Filho na reta final do primeiro turno.

Moro admitiu que recebeu “sondagem” de Paulo Guedes, futuro ministro da Economia, no dia 23 de outubro _cinco dias antes do segundo turno. Esse detalhe o assombrará politicamente, pois mostra uma negociação anterior ao resultado eleitoral. Isso é ruim para a narrativa de isenção que Moro quer dar aos seus atos como juiz.

Outro momento constrangedor foi o questionamento sobre o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Onyx admitiu que recebeu dinheiro de caixa 2. Tão crítico em relação a esse tema, o juiz respondeu que o futuro colega de ministério se retratou do erro que cometeu. Reiterou respeito pelo deputado federal, dizendo que Onyx deu apoio às dez medidas contra corrupção que integrantes da Lava Jato tentaram aprovar no Congresso.

O fato concreto é que ele abraçou a agenda de Bolsonaro. Apesar de ter dito que não se move por um projeto de poder, acabou de empenhar seu prestígio a favor de projeto de poder conservador de um presidente com ideais de extrema-direita.

Moro repetiu que, na Justiça, pretende priorizar o combate à corrupção e o crime organizado. Afirmou que a oportunidade de fazer isso em nível nacional, reduziria seu “temor” de que a Lava Jato pudesse ser enterrada. Soou como recado ao STF de que vai para Brasília para enfrentar os integrantes da corte que são críticos da Lava Jato.

Moro suavizou Bolsonaro, chamando-o de figura “ponderada” e de “homem bastante sensato”. Afirmou que, em caso de conflito, a última palavra será do presidente. Mas deixou claro que, diante de eventual negativa, pensaria se continuaria no cargo.

*

Bom exemplo

A longa entrevista coletiva de Moro, respondendo a todas as questões, deveria servir de exemplo para Bolsonaro. Falta uma entrevista clássica do presidente eleito nesse sentido.

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Boa lembrança

Na solenidade de comemoração dos 30 anos da Constituição de 1988, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, deu alfinetadas em Bolsonaro. Mais do que honrar a Constituição com palavras, é preciso que ela seja cumprida com atos, ela disse. O presidente aplaudiu todas as falas, exceto a de Dodge.

*

Mau sinal

O anacronismo das ideias expressadas por Bolsonaro e seus futuros ministros é mau indicador para um começo de governo. A estratégia “ame-o ou deixe-o”, revelada no discurso de 21 de outubro, no qual Bolonaro falou de comunistas e fantasmas vermelhos, remete ao pior da ditadura militar e a um mundo dos anos 60 do século passado.

Ouça abaixo os comentários no “Jornal da CBN – 2ª Edição”desta terça:

Comentários
7
  1. walter disse:

    Exatamente neste ponto caro Kennedy, o Bolsonaro e o Moro são privilegiados; esta conversa dos dois foi a mais fácil; para conduzir um projeto tão ambicioso, o presidente não poderia ter maior sorte; claro, deu carta branca, ao ministro Moro, uma barbada, tudo caminhará bem demais…ninguém esta a vontade, sabe que as coisas não correrão como esperavam; nosso presidente tem uma memoria…pelo menos nas lembranças, e nos desafetos que pretende expurgar…atacar um homem que foi esfaqueado, até HJ a justiça não deu retorno, dos mandantes de fato, falar mal dele!…deveria ter sido uma comemoração dos trinta anos sem rusgas…não vai prejudicar ninguém de bem, quem comete atrocidades, invasões, pichações; quem ultrapassar os limites da Lei, terá sim, com o que se preocupar; não vejo nenhuma perseguição especifica…voltaremos a regularidade, onde os meliantes, que agem a vontade, vão pensar duas vezes, antes de cometerem atentados; sem progressão de pena; Dr Moro não veio a Toa…

  2. […] Fonte: Moro mostra convergência de ideias com Bolsonaro | Blog do Kennedy […]

  3. joão disse:

    Moro convergir com Bolsonaro….. nenhuma novidade…. seu conjunto atitudes já demonstravam isso…. e foi um de seus grandes cabo eleitorais…. ao assumir o ministério está apenas rasgando a fantasia (toga)… melhor assim pois que político tem estar em cargo político….. e vai ter os enfrentamentos políticos….

  4. mano disse:

    prezados: vamos ver quem será a eminência parda e quem aparece mais neste governo: Paulo Guedes, Sérgio Moro, Onyx Lorenzoni, Tereza Cristina, Magno Malta, etc. A brigalhada pelo poder vai ser grande. Algo similar na luta pelo poder ao seriado da netflix HITLER’S – CIRCLE OF EVIL?

  5. Wellington Alves disse:

    Nem Moro acredita nas desculpas esfarrapadas que deu. Onyx pediu desculpa e tudo certo? É só Lula se desculpar entao (de uma corrupção que não houve, deixe registrado)? E esse slogan de ame-o ou deixo-o não cola mais. Não deixo e oponho-me.

  6. É HORA DA MÍDIA PREGAR A UNIÃO DE TODOS OS BRASILEIROS EM PROL DO PAÍS! disse:

    Chega de tantas entrevistas com Bolsonaro e seus futuros auxiliares, procurando “pelos em ovos”, valorando declarações pretéritas em detrimento das atuais, num claro desserviço à nação. O momento não é mais do “disse não disse eleitoral”, e sim de “ação”. Todos sabem o que pensam os que estão assumindo a direção do país. A mídia deve, sim, a partir da posse do novo governo, “cobrar” medidas efetivas de solução dos problemas que o novo governo herdará: crescimento econômico; apoio à Lava Jato na continuação do combate à corrupção, levando aos tribunais os que estão com processos engavetados, aguardando prescrição ou decisões monocráticas de ministros descaradamente a favor de corruptos, dentro do STF; efetividade da segurança pública no combate ao crime organizado etc. É hora de “bola prá frente” e a mídia tem papel nisso, mas primeiro com incentivo! É hora de união de todos os brasileiros – excluindo os corruptos na cadeia!

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2018-12-18 23:43:34