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Política
01-11-2018, 21h31

Moro na Justiça é gol de Bolsonaro, mas ruim para Lava Jato

Juiz federal entra no xadrez eleitoral para 2022
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, marcou um gol político ao convidar Sergio Moro para ministro da Justiça. O juiz federal tem preparo técnico, biografia e prestígio para a função.

No entanto, ao dizer sim a Bolsonaro, Moro enfraquece a Lava Jato e compromete politicamente decisões que tomou no passado em relação ao ex-presidente Lula. Isso é ruim para a imagem da maior operação de combate à corrupção da história do país. Tira credibilidade da Lava Jato, fortalecendo críticas a uma agenda política de Moro.

Moro é o juiz que deu a sentença que tirou Lula da eleição. A saída do petista do páreo facilitou a eleição de Bolsonaro, que agora atrai para o governo um algoz de seu adversário. O próprio Bolsonaro disse hoje que o trabalho lhe favoreceu politicamente. A condenação de Lula no caso do apartamento no Guarujá é frágil no entender de boa parte da comunidade jurídica e também deste jornalista.

O ex-ministro do STF Carlos Ayres Britto criticou a decisão de Moro, avaliando que ela compromete a imagem de independência entre os Poderes e macula o Judiciário. Reservadamente, um ministro do Supremo considerou o episódio lamentável pelos mesmos motivos e acrescentou algo sobre o momento da sondagem ou convite feito a Moro para a Justiça.

Se a sondagem ou convite ocorreu durante a campanha eleitoral, isso traria, sim, embaraços e questionamentos à imparcialidade do juiz federal. De acordo com o vice de Bolsonaro, Hamilton Mourão, Moro foi abordado na campanha por Paulo Guedes, assessor econômico e futuro ministro da Economia.

O presidente da Ajufe (Associação de Juízes Federal), Fernando Mendes, aprovou a decisão de Moro, conforme entrevista dada ao “Jornal da CBN – 2ª Edição”. Segundo Mendes, a ida de Moro para a Justiça não compromete juridicamente decisões tomadas por ele no âmbito da Lava Jato _algumas já confirmadas por tribunais superiores.

Lembrete: o próprio Moro descartou há dois que entraria para a política. Em outra oportunidade, disse que tal caminho traria prejuízo ao seu trabalho na Lava Jato. Com a eleição de Bolsonaro, ele mudou de ideia. É um direito dele, mas há bônus e ônus por tal decisão.

*

Afinidades eletivas

Haveria ainda a encrenca política que seria uma eventual demissão de Moro. Reza a lenda que não se nomeia ministro que não possa ser demitido. No entanto, a história mostra que ministros indemissíveis acabaram caindo, como ocorreu com Antonio Palocci Filho (Fazenda) no governo Lula e com Clóvis Carvalho (Casa Civil) na gestão FHC.

Quem tem voto é o presidente. Ministro é cargo de confiança. É fusível que, se queimado, pode ser trocado.

Será importante ver as posições de Moro em relação a ideias de Bolsonaro que podem incentivar a piora da segurança pública no país, como redução da maioridade penal e aval para uma polícia mais letal do que a já violenta corporação brasileira.

Moro será um freio a posições extremistas de Bolsonaro ou comunga de ideias tão conservadoras?

*

Opção de direita

Outro aspecto: Moro entra no xadrez eleitoral para 2022. Se o governo Bolsonaro for mal na economia, ele poderia preservar capital próprio para concorrer pelo campo de direita. Mas tudo dependerá do desempenho de Moro na superpasta da Justiça sob as ordens de um presidente de extrema-direita.

*

Tarde

A entrada da Polícia Federal no caso Marielle Franco, a fim de apurar eventual obstrução policial à solução do caso, é uma boa notícia. Pena que venha tarde. São inexplicáveis a omissão e a inação do ministro Raul Jungmann (Segurança Pública) e da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, nessa tragédia brasileira.

Ouça os comentários no áudio abaixo:

Comentários
12
  1. walter disse:

    Caro Kennedy, sinceramente não é nada disso, já te fiz previsões de certos fatos, conclusões foram próximas ou exatas…o convite da parte do Presidente, foi um gol de placa, já que seu ministério, não estava vitaminado até então; diante do seus princípios, nomear e delegar poderes, não o constrange, esta sendo exímio nas escolhas, para não cometer deslizes…terá alguém, com interesses em agregar valores a lava jato, através de medidas, corretivas, ou de ajustes em procedimentos na Lei….mais um fator vai ajudar, o Dr Moro diretamente…o STF passará a respeita lo, considerando que em Dois anos, será companheiro deles; pode fazer muita diferença na casa, para não ter mais um desafeto ali…acredito, que em 2022, será lembrado, mas este não é seu objetivo; somente uma ecatombe poderia demove lo, de seu objetivo prático… quanto ao disse que me disse, não tem jeito, é normal os futurólogos…quanto ao Jungmann, deveria ter agentes diferenciados de fora, no caso Marielle, culpa dele..

  2. mano disse:

    prezados: pode até ser um gol, porém questionável de impedimento. Faltou a arbitragem (VAR)! O pior ainda está por vir: não vai ganhar o jogo porque não vai jogar como uma equipe e não tem experiência na condição de executivo. Julgar é fácil, fazer acontecer é mais difícil. Juiz não cumpre meta, não sofre penalidade e fica por isso mesmo. Em regra, Executivo que não atinge objetivo e não cumpre meta, “VAI PRA RUA”.

  3. NSK disse:

    Creio que isso é o tipo de atitude que seria eticamente inaceitátel em qualquer país razoavelmente democrático e civilizado. A máscara caiu e demonstra que o processo e a prisão do Lula foram atos políticos.

    Será que vão convidar o Tacla Durn para a posse?

  4. […] Fonte: Moro na Justiça é gol de Bolsonaro, mas ruim para Lava Jato | Blog do Kennedy […]

  5. Eugenio Barros disse:

    Não acredito que o Moro seja um pau mandado, mas podemos ter nessa nomeação um caso da lenda de Lampião, que segundo contam mandou fazer uma sandália com o calcanhar para frente para fugir das volantes. O caso aqui seria conter a sangria da Lava a Jato, afinal ainda tem muita gente que o agora Ex Juiz julgaria, muita gente do MDB, PP, DEM, dentre outros. Vindo da política, não podemos confiar em nada, nem no MORO

  6. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    A Lava Jato não precisa se eternizar, sob o risco de banalizar.
    O importante é o combate à corrupção, e isso será implementado por um Ministério da Justiça eficiente, com metodologia e isenção.
    O futuro ministro tem todo o instrumental para o sucesso da missão

  7. Carlos Augusto de Souza disse:

    A operação Lava Jato, é uma missão impossível, porque a esfera maior do Judiciário, o STF, que poderia dar apoio a esta necessária operação, a boicota a todo momento, logo o magnifico trabalho do Juiz Sergio Moro, não surtira muito efeito dentro dessa sociedade,(Casta) de políticos, empresários, funcionário públicos de alto escalão e seus amigos ministros do STF (corruptos e corruptores), como ministro da justiça com certeza terá condições de usar melhor os seus conhecimentos e preparo em favor do Brasil.

  8. BÔNUS OU ÔNUS, EIS A QUESTÃO. disse:

    Eu me lembro perfeitamente quando lula, líder sindical, em entrevista ao saudoso HELIO RIBEIRO, na década de 70, rádio Bandeirantes – “Jornal do Meio Dia”, afirmou “categoricamente” ao jornalista/entrevistador, que “JAMAIS SERIA POLÍTICO, JAMAIS SE CANDIDATARIA A QUALQUER CARGO PÚBLICO, JAMAIS DEIXARIA DE SER LÍDER SINDICAL”. O que aconteceu depois, é desnecessário dizer.
    NB – Quanto a mais, ou menos, “bônus ou ônus”, acho que depende exclusivamente da conduta de cada um.

  9. Quando Moro mandou Lula para a cadeia, ninguém poderia nem imaginar que Bolsonaro viria a ser presidente. Poucos meses antes do primeiro turno, o que se pensava era que a candidatura de Bolsonaro se desidrataria rapidamente assim que a campanha começasse. No passado, Moro chegou até mesmo a evitar Bolsonaro num aeroporto.

  10. Paul Muadib disse:

    Como é mesmo o nome que se dá ao juiz que depois da partida comemora com o time vencedor ??

  11. Adivar Ferreira de Aguiar disse:

    Caro Kennedy
    Realmente a preocupação com a lava-jato e sua continuidade procede.Por outro lado,penso que o Moro precisa sair para que a operação demonstre,com outras pessoas em sua gestão,que é sólida e definitiva,sem depender exclusivamente de um único magistrado.
    O Moro tem o direito de dar outros passos,e espera-se,que no Ministério da Justiça,saiba contribuir para o aperfeiçoamento do combate a corrupção e segurança pública,em ambito nacional.
    Todo o restante que se fala são ilações que carecem de fundamentos lógicos,mas próprios de periodos de radicalização,mas que,se Deus quiser,vão passar.Independente de divergencias de opinões,naturais e normais,torçamos para que o Brasil se una…abraços..

  12. renata frias disse:

    Palmas para o Bolsonaro que acertou em cheio nesta escolha!

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2018-12-16 11:18:54