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Política
17-07-2019, 11h34

Moro tenta minimizar fatos graves e intimidar imprensa

A lei é para todos, inclusive para os aplicadores da lei
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

O ministro Sergio Moro (Justiça) tentou minimizar a importância de fatos graves e intimidar jornalistas quando postou ontem o seguinte tuíte:

“Sou grande defensor da liberdade de imprensa, mas essa campanha contra a Lava Jato e a favor da corrupção está beirando o ridículo. Continuem, mas convém um pouco de reflexão para não se desmoralizarem. Se houver algo sério e autêntico, publiquem, por gentileza”.

Ora, jornalistas de diversos veículos checaram a autenticidade do arquivo do site “The Intercept Brasil”, que contém mensagens trocadas no Telegram por estrelas da Lava Jato, como Moro e o procurador da República Deltan Dallagnol.

Ao lançar dúvida a respeito de um material verdadeiro, o hoje ministro da Justiça joga na confusão e demonstra ter visão autoritária sobre o papel da imprensa numa república plenamente democrática. Moro também confunde instituições e pessoas, algo próprio do patrimonialismo brasileiro.

Não há nenhum ataque à Lava Jato.

Não há nenhuma defesa da corrupção.

Há cobrança para que órgãos com poderes correcionais investiguem condutas individuais de integrantes da Lava Jato que podem ser enquadradas como crimes. Esse tipo de cobrança reforça o combate à corrupção, não o enfraquece.

Em nome do combate à corrupção, um agente da lei não pode cometer crimes. Pela lei brasileira, um juiz não pode atuar como acusador. Ninguém merece ser julgado por um magistrado que já tomou partido. O arquivo do “Intercept” deixa claro que Moro, quando juiz, comandava de fato a Operação Lava Jato, o que contraria a lei.

Após a Operação Mãos Limpas, investigação italiana dos anos 90 que enfraqueceu a máfia, surgiram formas mais sofisticadas de corrupção. Industrializar palestras a partir da fama obtida com investigações de corrupção na Lava Jato é um modo mais sofisticado de corrupção, usando laranjas e aventando formatos de empresa ou instituto para evitar “críticas”? O Conselho Nacional do Ministério Público decidiu averiguar se os procuradores Deltan Dallagnol e Roberson Pozzobon recorreram ou não a tal sofisticação. Leia reportagem da “Folha de S.Paulo” a respeito desse tema.

O tuíte de Moro é um expediente para usar seu poder de ministro de Estado a fim de intimidar a imprensa. Quando ele tira foto ao lado do general Eduardo Villas Bôas e publica no Twitter, dá a entender que possui o apoio do Exército para justificar a sua conduta quando juiz, o que hoje está sob suspeita, de acordo com diversas reportagens de diferentes veículos e jornalistas que tiveram acesso ao arquivo do “Intercept Brasil”.

É preciso respeitar o direito de defesa de Moro, as opiniões e a importância dele no combate à corrupção no Brasil. No entanto, se houve condutas que podem configurar crimes, elas têm que ser investigadas e punidas. A lei é para todos, inclusive para os aplicadores da lei.

*

Escolha

O Brasil precisa escolher um caminho: república de bananas ou democracia plena. No fundo, é disso que se trata. Este é o desafio da atual geração de brasileiros, especialmente de jornalistas. Os fins não justificam os meios.

*

Necessidade

Ler Darcy Ribeiro e ouvir Chico Buarque são atitudes fundamentais para entender a coisa toda.

*

Omissão

Raquel Dodge optou pelo corporativismo. A nota que divulgou após a reunião de ontem com integrantes da força-tarefa da Lava Jato deixa isso claro. Essa nota foi divulgada no site do Ministério Público Federal após o comentário que fiz ontem no “Jornal da CBN – 2ª Edição a partir dos 7 minutos e 19 segundos no áudio abaixo. O comentário sobre o tuíte de Moro começa aos 9 minutos e 10 segundos.

Comentários
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  1. Marco Mariutti disse:

    boa noite kennedy. obrigado pelo seu comentário de hoje na cbn. parabéns! você não acha que essa normatização do absurdo começou quando bolsonaro homenageou brilhante ustra em plena câmara dos deputados? como é que ninguém fez nada naquele momento? ele deveria ter sido processado.

  2. Maurício Gomes Lacet disse:

    Kennedy, você gostou da notícia da liberação do FGTS?

  3. Irla Souza disse:

    Prezado, Kennedy. Sou ouvinte assídua de seus comentários na CBN. Sobre a hostilidade que a imprensa vem sofrendo por parte da população, penso que esta mesma imprensa liderada pelo Grupo Globo vem plantando o ódio ao PT há décadas. O monstro do ódio agora morde a mão de quem o alimentou. O jornalismo no Brasil é vendido aos interesses da elite, nossa imprensa é marrom. Estão entre os responsáveis pela destruição do país. Raros são como voce que realizam um trabalho honesto. Abraços.

  4. JOÃO disse:

    “O Brasil precisa escolher um caminho: república de bananas ou democracia plena”….. Kennedy o brasil já fez sua escolha…. acho a pergunta é outra…. se quer continuar república de bananas ou voltar à democracia….

  5. Andre Cavalcanti disse:

    Moro tenta desacreditar o mensageiro. Esta e uma estrategia utilizada por autocratas mundo afora, vide Putin, Assad, Erdogan, Duterte, Xi Jin-Ping, Trump, etc. Agora ha rumores de que a PF esta de olho em Greenwald. Cheiro de bananas abundam. Por qual motivo? Moro e sua claque curitibana nao tem coragem de confirmar a veracidade do conteudo das mensagens. Falam que tudo e produto de “hackeamento”. Mas Greenwald nunca usou tal palavra. Moro repete uma mentira ad nauseam na esperanca de que ela se torne fato. Cabe ao povo brasileiro perceber tal desfacatez e exigir a cabeca dele. Moro nao tem lugar no futuro do Brasil. Moro e mais um desastre na triste politica nacional. Mostrou quem era quando aceitou trabalhar para Bolsonaro.

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2019-12-05 20:12:00