aki

cadastre-se aqui
aki
Economia
14-08-2017, 8h34

Mudança de metas evidencia fracasso do ajuste fiscal de Meirelles

Governo expande mais os gastos e fere imagem da equipe econômica
16

KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Se não houver mudança de última hora, as metas fiscais deste e do próximo ano deverão ficar mesmo em R$ 159 bilhões negativos. Podem ser fixadas um pouco acima de R$ 159 bilhões, mas abaixo de R$ 160 bilhões, para efeito de propaganda.

Essa era a posição que o presidente Michel Temer sinalizava bancar até ontem, mas haverá mais uma reunião hoje para acertar detalhes. Se confirmadas as novas metas, será uma elevação de R$ 50 bilhões em relação às previsões para 2017 e 2018.

Os números atuais são de um deficit de R$ 139 bilhões neste ano e de R$ 129 bilhões no próximo, somando R$ 268 bilhões. Agora, a conta deverá ser elevada para R$ 318 bilhões e uns quebrados. Essa revisão corresponde a um erro de previsão de quase 20% em relação às metas previstas. É um erro de cálculo significativo ao estimar receitas e despesas.

Como o Congresso se recusa a aumentar impostos, sobretudo das fatias mais ricas do funcionalismo público e da iniciativa privada, a conta cairá mais pesadamente sobre os ombros dos mais pobres, porque a dívida pública crescerá ainda mais. Isso sempre cobra um preço mais alto dos mais pobres, porque significa orçamentos ainda mais apertados, inclusive para a área social.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, defendeu no fim de semana um número menor de rombo para o ano que vem, mas ouviu críticas do Planejamento e da área política de que seria uma decisão irrealista. Aliás, o time político queria fixar um rombo ainda maior, porque crê que essas novas metas talvez não sejam atingidas.

*

Maquiagem fiscal

Há um arranhão na credibilidade da atual equipe econômica. Na prática, ela está adotando uma medida que criticou duramente no governo Dilma. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, assumiu dizendo que o novo time econômico trabalharia com metas realistas. Está havendo uma maquiagem fiscal semelhante às que ocorreram no governo Dilma.

Uma diferença é que essas maquiagens eram mais frequentes na gestão petista. Outra diferença é que o presidente da República não desautoriza publicamente o ministro da Fazenda. Portanto, isso ajuda a evitar um enfraquecimento maior da equipe econômica perante o mercado.

A credibilidade não é destruída, porque o mercado gosta da atual equipe econômica e avalia que ela age com responsabilidade. Mas o ajuste fiscal proposto por Meirelles fracassou. Houve, na prática, uma expansão fiscal desde o ano passado.

Ou seja, houve aumento de gastos, com concessões à elite do funcionalismo e aos lobbies empresariais mais fortes. O governo está aumentando o nível de despesas para evitar que falte dinheiro para o custeio da máquina pública e uma paralisação de serviços essenciais. Programas sociais já têm sentido fortemente o peso da tesoura dessa equipe econômica.

Além de elevar as metas, o governo deve anunciar corte de gastos e prometer mais receitas extraordinárias com programas de privatização. O Banco Central e o Ministério da Fazenda derrubaram uma ideia do BNDES de criar um fundo de investimento em infraestrutura com base numa parte das reservas cambiais.

Não há perspectiva de aumento do investimento público. A aposta será dobrada em relação aos projetos de concessão de bens públicos à iniciativa privada. Esses projetos de concessão estão com dificuldade de sair do papel devido à insegurança dos investidores.

Como o Congresso não quer aumentar imposto, restou o discurso da privatização e de dar continuidade às reformas. Apesar de a equipe econômica tentar dourar a pílula, haverá dificuldade para aprovar a reforma da Previdência no Congresso.

Os deputados e senadores estão pensando cada vez mais nas eleições do ano que vem e cada vez menos em medidas para superar a crise econômica e para distribuir socialmente o custo do ajuste. O Brasil precisa voltar a crescer de forma significativa, mas há pouca chance de que isso ocorra com a atual política econômica.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
16
  1. Elaine disse:

    Não era só tirar a Dilma e colocar o Temer no lugar que tudo se resolveria como num passe de mágica?
    A classe média e a Lava Jato são as principais responsáveis por esse caos institucional a que estamos vivendo.
    A primeira porque saiu às ruas contra a corrupção (na realidade era contra o PT) e a Lava Jato contribuiu para derrubar a Dilma e colocar Temer e os asseclas de Eduardo Cunha no poder.
    Cadê as panelas? Cadê a classe média protestando contra tudo isto?
    O campo conservador vai levar uma surra nas urnas o ano que vem.
    A conferir

    • walter disse:

      Cara Elaine, a dilma saiu por inoperância, depois de deixar 170 Bi de estouro, é importante imaginar sem qualquer apego, que o temer do ponto de vista do PT…deveriam torcer para que seu governo dê certo; nesta questão não há panelas suficientes, este governo é o menos pior que foi deixado pela PT da dilma…acredite…ninguém no PT jamais admitem que erraram, tem um numero record de condenados no partido, por usurparem o País…não vejo ninguém considerar tal fato…o lula é culpado e ficará provado em última instância…vale a pena, voltarem para a escola da dilma, para aprenderem que “perdão foi feito pra gente pedir”; nada vai acontecer na economia do Brasil, se todos não se unirem em prol desta causa, pós catástrofe…

    • geninho disse:

      Deus esteja atento ao nosso apelo…quantos dissabores seriam abreviados. Interessante é dizer…eu não precisaria mais votar…mas só de apoio estarei lá…PT saudações!
      Minha mulher diz que eu não devia ser tanto efusivo nas colocações… pois seria mal interpretado…mas e daí`? E daí que eu não quero deixar muito do abacaxi que aí está para filhos e netos…pq não sei na verdade qual a deles. Afinal eu sei um bocado da História do Brasil…e assim retrato um pouco disso com Veni, Vidi..Vici! Pois…pois…

    • Stanislaw p/Elaine. disse:

      O problema não foi trocar Dilma por Temer, Elaine, isso foi consequência da lei. Além da quadrilha do PT, é preciso colocar a do PMDB, do PSDB e as dos apoiadores dessas três quadrilhas na cadeia. Renovar o quadro político atual! A Lava Jato não tem feito acepção de pessoas: Lula, Cunha, Aécio, Temer, Renan, Jucá não são do PT e pela Lava Jato todos esses já estariam na cadeia! Mas é grande a pressão da ladrãozada da política contra a Lava Jato, aumentada por “Disenterias Verbais e Decrepitudes Morais” do Judiciário, embaçando para que a ladrãozada não vá para a cadeia!
      Ainda mais a elite econômica e a elite do funcionalismo público a apoiar a ladrãozada política, para que estes não mexam em seus privilégios. É tudo muito problemático, Elaine, e só com o povo nas ruas a conta não vai ficar somente para os mais pobres.

  2. Gustavo von Kruger disse:

    Falta um pouco de endurecimento da equipe econômica, mas é difícil em um governo com DNA tão semelhante ao governo que substituiu (Afinal o fato de serem da mesma chapa evidencia essa afinidade para além da conveniência eleitoral). Mas o pior é que o Meirelles ainda acredita no próprio sonho presidencial, e na hora H fala o Meirelles aspirante a político, abafando o Meirelles técnico. Sua gestão no Banco Central foi mais firme, porque o político ainda não tinha aspirações sobre o técnico.

  3. walter disse:

    Infelizmente caro Kennedy, nunca ficamos sabendo de fato, o tamanho dos problemas de caixa…esta fragilidade de números, nem sempre condizem com a verdade…o maior problema do temer, é a inoperância inicial, pós tormenta; tem se a impressão, que o fato do presidente permanecer…volta se a prancheta, vai definir quais rumos devem ser seguido, quando todos já sabem a lição de casa…se não for feitas as reformas; iniciando pela previdência, já que a reforma política vai demorar pelo visto, teremos cada vez mais dificuldades; inclusive, na questão ajuste fiscal, se o congresso como todo, continuar a agir com preconceito; este será o grande desafio deste governo…

    • Francisco de Deus disse:

      Ô Walter, traduz esse negócio aí porque eu não entendi lhufas. Também seria bom esclarecer a que preconceito você se refere. Preconceito contra golpistas? Preconceito contra corruptos? Preconceito contra entreguistas?

  4. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    O problema da meta fiscal é que nenhum dos 3 poderes quer perder as mordomias, altos salários, assessores, jatinhos da FAB, etc.
    Alguém se lembrou da gráfica do Senado ? Maior trem da alegria !!

  5. João disse:

    Caro Kennedy, você tem razão em denunciar o fracasso do ajuste fiscal dessa equipe econômica, mas o fracasso maior é da política econômica como um todo que até agora não fez nada digno de nota para tentar reativar a economia. Só austeridade e ajuste fiscal, mesmo fracassando, é o que sai da toca do Meireles. Com isso, a receita fiscal despenca e não tem corte que baste. Enquanto essa equipe persistir na linha da austeridade pouco ou nada vai mudar.

  6. Fernando M disse:

    Na minha opinião não se pode colocar tudo na “conta” do Meirelles, com tanta influência politica em todos os setores fica difícil acreditar que ele não tenha submetido-se ao presidente Temer, com as denuncias contra Temer existiu uma certa desvirtuação da realidade econômica do Brasil, tentou-se de certa forma mostrar um cenário econômico melhor que o real, cargos que deveriam ser cortados não formam, mesmo porque foram ofertados mais cargos e emendas parlamentares ao congresso, na contra partida da absolvição de Temer, acredito que o o erro do governo Temer foi não dar a autonomia necessária a Meirelles.

  7. Sergio Boudoux disse:

    Fracasso de ajuste de Meirelles? Os grandes derrotados somos nós que estamos num barco afundando lentamente, um país que está há anos numa recessão profunda. O cara tem feito o melhor possível, com todo o desgaste foram aprovadas várias reformas, a economia voltou a contratar pouco mas voltou. É preciso simplesmente reconhecer que o Governo precisa fazer mais, e isso não tem nada de negativo.

  8. Cláudio César Chadud de Azevedo disse:

    O governo deveria ter mais visibilidade de seus atos, deveria agir de forma profissional independentemente de ideologias de partidos ou mesmo influência corporativas, é como se tivesse dirigindo um grande caminhão sem freios rumo ao abismo achando que algo de bom vai parar a catástrofe, não vai. Como uma empresa mal administrada, irá quebrar ao ponto de não se levantar, ao ponto de deixar oportunidades em aberto aos aproveitadores do caos.
    Como podemos deixar que os fatos chegarem ao nível que estão, uma equipe de malabaristas políticos e financeiros tomarem conta da situação, quando é que a anestesia dos brasileiras passará? Penso que o Sr. Henrique Meirelles já está com vergonha da nova empresa que pegou para administrar e consertar, deveria ser coerente e pedir para sair. Governo do Brasil, essa é a sua melhor equipe?

  9. Edson Pereira da Silva disse:

    Essa dificuldade no ajuste fiscal é mais uma prova de que a República Brasileira é incompetente e ainda não mostrou a que veio.

  10. ANDRÉ FERREIRA disse:

    E muito simples quitar o tal rombo que nem sabemos se é verdadeiro e só tirar uns 400 deputados para que um pais precisa de tanto parlamentar e esses carregam uma tropa de assessores o povo não tem noção deste custo e ai vem certos jornalistas afirmando que reforma da previdencia é necessaria urgente para que para sobrar mais para toda cambada sem contar ainda com o numero de senadores. Governantes só sabem repassar para o cidadão comum arcar com tudo gostaria de saber se essa corja passaria o mês com R$ 937,00 de aposentadoria na boa. Outra coisa presencie jornalistas criticando altos salários de funcionários publicos que por exemplo um advogado iniciante na iniciativa privada começa em média com um piso de R$ 3.000,00 e da AGU R$ 20.000,00 só que nenhum jornalista comenta que a maioria destes funcionários se preparam muito para enfrentar um concurso e fazer uma carreira além disso a maioria banca pai mae filhos sobrinhos etc;

  11. cesa disse:

    De fato fracassou o tal ajuste fiscal, que na prática nunca teve chance de funcionar, pois em cima de um deficit de 170 BI em 2016, ainda acrescentaria a inflação passada todos os anos seguintes. Ou seja, teria um deficit perene e ainda corrigido monetariamente. ISTO ERA UM PLANO DE JIRICO que qualquer um com um mínimo de entendimento financeiro veria que não iria funcionar.
    Porque então o “mercado” aceitou? Porque é em grande medida também muito incompetente e incapaz de criticar. Botaram panos quentes dizendo que a equipe econômica era competente (e outras bobagens de quem quer ficar em cima do muro). Agora que fracassou ainda não admitem abertamente (com exceção de uns poucos independentes)— basta ver os principais jornais como evitam dizer o óbvio. A verdade é uma só: o Meirelles foi incompetente desde que aceitou o deficit de 2016 no anos passado, em junho de 2016, só que ninguém teve a coragem de dizer isto.
    O resultado será o calote da dívida pública num futuro próximo.

  12. Fernando disse:

    O grande administrador americano Deming sempre dizia ‘Não se gerencia o que não se mede”, como pode-se ter confiança e credibilidade em um governo que não sabe o quê deve? O descontrole das contas publicas cria um ambiente de imprevisibilidade, coloca em dúvida a capacidade do Brasil em honrar seus compromissos,isso é péssimo para o Brasil, seria uma catástrofe o Brasil ter um déficit de 360 bi neste biênio.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados

Não serão liberados comentários com ofensas, afirmações levianas, preconceito e linguagem agressiva, grosseira e obscena, bem como calúnia, injúria ou difamação. Não publicaremos links para outras páginas devido à impossibilidade de checar cada um deles.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

 
2019-08-18 08:16:05