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Política
12-04-2019, 10h53

Na crise, governo deveria elevar valor real do Bolsa Família

Há prós e contras em relação a dar autonomia ao BC
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

O anúncio feito ontem de criação de um 13º pagamento aos beneficiários do programa Bolsa Família vai, na prática, repor a perda inflacionária no período de julho de 2018 até dezembro deste ano. No meio do ano passado, o então presidente Michel Temer concedeu um reajuste ao benefício.

Obviamente, é uma medida positiva dar mais dinheiro aos pobres. O ideal seria reajustar o benefício, repondo a inflação ou, ainda melhor, elevando em termos reais o valor pago às famílias carentes. O 13º custará cerca de R$ 2,5 bilhões. Grosso modo, cobrirá a falta de reajuste entre julho de 2018 e dezembro de 2019.

O presidente Jair Bolsonaro faz política. Busca agradar a uma fatia do eleitorado, sobretudo do Nordeste, que preferiu o petista Fernando Haddad na eleição presidencial de outubro. Até aí, tudo bem. É a política como ela é.

Mas um programa barato e eficiente como o Bolsa Família deveria ter sido ampliado nos últimos anos, nos quais a miséria cresceu. A crise econômica tem penalizado os mais pobres.

Mas o ministro Osmar Terra tem mantido o Bolsa Família mais ou menos do mesmo tamanho sob a alegação de que coibiu fraudes e acabou com a fila de possíveis beneficiários. Ele cuida do programa desde o governo Temer.

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Risco federal

Existem prós e contras em relação à concessão de autonomia ao Banco Central, estipulando, por exemplo, mandato de quatro anos para um indicado que cumpra seu termo em período não coincidente com o do presidente da República de plantão.

Presidente é autoridade eleita. Pode errar, mas tem lastro popular. A autonomia tirará do mandatário a possibilidade de fazer política monetária. No atual estágio civilizatório do Brasil, país com histórico de rentismo, o risco é acontecer com o Banco Central o que ocorreu com agências reguladoras. Ou seja, o BC poderia ser capturado pelo mercado financeiro, que tem lobby atuante e eficiente.

O governo Bolsonaro apresentou seu projeto de autonomia do BC. Existem outros no Congresso. É tema que deve ser debatido sem paixão, sob pena de deixar a raposa tomando conta do galinheiro.

Do ponto de vista histórico, FHC e Lula fizeram acordos no fio de bigode com presidentes do BC. Funcionou razoavelmente, apesar de a crítica ter sido sempre a de uma instituição rápida para elevar juros e lenta para reduzir a taxa Selic. No período Dilma, esse acordo funcionou mal. A então presidente interveio de modo desastroso na área econômica.

O projeto de autonomia do BC que o governo enviará ao Congresso faz parte de um pacote editado ontem por Bolsonaro com 18 ações. O evento marcou os 100 dias de uma administração que conseguiu abalar a confiança no futuro da economia.

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Não curtiu

Narciso acha feio o que não é espelho, diz a canção “Sampa”, de Caetano Veloso. O ministro Sergio Moro (Justiça) não gostou da pequisa Datafolha que revelou que a maioria da população rejeita suas teses sobre segurança pública.

Moro tem dificuldade de conviver com críticas ou fatos que o desagradam. Tem uma visão autoritária da política e da imprensa. O mesmo Datafolha que apontou reprovação às ideias de Moro também constatou que ele é o ministro mais popular do governo.

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Outros temas

A prisão de Julian Assange, criador do Wikileaks, e a extensão de prazo para o Brexit também foram temas comentados ontem no “Jornal da CBN – 2ª Edição”. Ouça abaixo:

Comentários
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  1. Francisco disse:

    Kennedy, dois pontos. Primeiro: Engano seu quanto à captura das Agências Reguladoras pelo mercado. Boa parte delas foi capturada pelo governo no período Lula/Dilma/Temer. Eu trabalho em uma dessas Agências e posso afirmar sem medo. O BACEN passou por isso com a Dilma e deu no que deu. Segundo ponto: A estratégia de colar outros temas ao projeto do Ministro da Justiça usando esse tipo de pesquisa está bem evidente pois duvido que quem tenha respondido às perguntas saiba que elas não diziam respeito direto ao projeto. São interpretações. Por fim, o fato de ter uma pergunta que o resultado beneficia o Ministro (isso era evidente) é um subterfúgio para negar tal estratégia. Quanto a se ele convive ou não com críticas, se eu estivesse fazendo meu trabalho direito e alguém fizesse uma crítica totalmente descabida eu também me incomodaria. Eu não vi nenhuma notícia na imprensa apontando respostas agressivas ou autoritárias do Ministro.

    • walter disse:

      Muito bem caro Francisco, sua posição, é admirável, isenta…continuamos em campanha; fosse um governo petista, o decimo terceiro salário, seria um belo gesto ao Povo, prejudicado, não iriam se lembrar, da falta de ajustes, como ouve no governo Dilma, uma churumela, valor insignificante na época, não fez qualquer diferença, aos bolsistas; como foi uma atitude, por promessa de campanha do Bolsonaro, recebe criticas absurdas, como se fosse um grande mal…um país sério, delega poderes, ao Banco central, sem qualquer receio, já que suas atitudes, são monitoradas pelo mercado financeiro, outra questão que foi adotada no governo Lula e valia…Quanto ao Dr Moro, me admiraria, diante das perguntas prejudicadas do Datafolha, que o Povo respondesse a contento, diante do resumo…este governo caminha, e vai longe…

  2. jose disse:

    80 tiros de fusil não podem ser tratados como erro e jamais são erros. Trata-se de despreparo, de fusilamento. Erro… é pra isso que querem uma previdência diferenciada porque dão a vida pela pátria… conheço uma viúva de militar que nunca estudou e nem trabalhou…. a profissão dela é ser viúva de militar.

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