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Política
06-05-2016, 9h08

Na sombra, Cunha terá dificuldade para manter poder

Renúncia ao comando da Câmara facilitaria eleição de aliado
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KENNEDY ALENCAR
SÃO PAULO

Com um placar de 11 a zero pelo afastamento do mandato e do comando da Câmara, o Supremo Tribunal Federal mostra que será inútil Eduardo Cunha recorrer da decisão tomada ontem. Apesar do caráter liminar, será definitiva na prática.

Cunha disse ontem que não renunciaria ao mandato nem ao comando da Câmara. Foi a reação no calor dos acontecimentos, a primeira fala dele. Agora, há um debate entre os aliados do peemedebista, a chamada bancada de Eduardo Cunha, sobre que rumo seguir. Para Cunha será importante tentar manter alguma influência sobre esse grupo.

Fora do poder, isso obviamente ficará mais difícil, mas Cunha sabe segredos de diversos deputados e ajudou muitos deles a obter recursos para suas campanhas. No entanto será difícil para o peemedebista manter relevância nas sombras. O poder é cruel. Não há solidariedade em situações desse tipo. Cunha terá de se preocupar com os desdobramentos da Lava Jato e com uma eventual cassação, que agora ganha força.

Muitas vezes o político perde o cargo, mas não perde a pose. É uma confusão que se vê com frequência em Brasília. Ex-ministros se comportando como se ainda fossem ministros. Cunha não terá mais o mesmo poder.

Se ele renunciar ao comando da Câmara, facilitará as articulações para tentar eleger um eventual aliado enquanto ainda não sofre mais consequências da Lava Jato e tem maior possibilidade de intervenção política.

Outro impacto da decisão do Supremo: para o futuro governo de Michel Temer, seria melhor eleger um novo presidente da Câmara. Isso entraria na composição política para o futuro presidente aprovar medidas de seu interesse no Congresso. Um acordo desse tipo pode ser feito com Waldir Maranhão, que assumiu o lugar de Cunha. Mas Maranhão é uma figura de pouca expressão na Câmara e votou contra o impeachment, o que gera desconfiança no grupo de Temer.

De qualquer forma, a gravidade da crise vai exigir do Congresso a aprovação de um pacote de medidas. Isso é bom para Temer. Haverá uma boa vontade inicial com ou sem Eduardo Cunha.

Os aliados de Cunha têm interesse em divulgar a versão de que sem ele a coisa ficará mais difícil para Temer. Mas Cunha era um aliado extremamente incômodo para o futuro governo. Com o tempo e eventuais desdobramentos da Lava Jato, a preocupação de Cunha poderá ser decidir entre fazer uma delação premiada ou não. Isso, sim, deveria preocupar a cúpula do PMDB.

Apesar de o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, afirmar que o afastamento de Cunha deveria servir de motivo para anular a votação na Câmara sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff, isso é praticamente impossível. Foram 367 votos na Câmara. Cunha contribuiu muito para a queda de Dilma, mas devemos lembrar que os erros da presidente na economia e na política foram mais relevantes para esse desfecho.

Logo, o impeachment deve seguir o seu curso normal, com uma derrota do governo hoje na comissão especial do Senado e o afastamento da presidente do cargo por até 180 dias na semana que vem. A queda de Cunha veio tarde para ajudar a presidente. Dilma e Cunha, que passaram os últimos dois anos brigando, acabaram caindo juntos.

A decisão do Supremo sobre Cunha deixou claro os critérios da linha sucessória. Substitutos que sejam réus no STF não podem substituir o presidente em caso de ausência.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. Luiz Serra disse:

    A minha apreensão quanto ao cancelamento dos atos de Cunha, após seu afastamento, é se o STF não utilizar os caminhos jurídicos sobre se a decisão retroage ou não, como a ex tunc, que significa que os efeitos da decisão seriam retroagidos desde as lambanças e maracutaias que o Cunha praticou quando na presidência da câmara, ou seja, desde que aceitou o pedido de impeachment, mas caso seja ex nunc ,a decisão não teria efeito retroativo e somente valeria a partir da data de decisão do STF em diante. Sendo assim, o ato de aceitar o impeachment estaria valendo. Outra coisa, o STF já tinha até definido o rito do impeachment e tudo mais. Como o STF cancelaria tudo isso? A não ser que o STF entenda que o Cunha manipulou a Comissão do impeachment para que esse fosse aceito. Eu ainda espero que a maioria do STF cancele esse impeachment. Se isso vier a ocorrer é bom ficar de olho nos cães, pois virão babando de ódio e raiva, e em dobro. Tenho certeza que a mídia com suas pautas com comentários d

    • Joaquim disse:

      Luiz fique tranquilo, o PT irá espernear, mais de nada adiantará. O que mais me deixa preocupado é de como a política tem colocado o supremo numa sinuca de bico. O supremo foi obrigado a tomar uma posição que não esta amparada na constituição, por uma total falta de iniciativa da câmara. Os senhores deputados e também os senhores funcionários públicos são protegidos pela lei, por tanto tem que respeitar o seu superior, mas não teme-lo. Como temos políticos cara de pau e de todos os partidos. Como eles são capazes de distorcer um lei ou uma regra para seu favorecimento próprio. É uma total falta de moral. Nós brasileiros através das passeatas e de nosso envolvimento político, estamos mostrando a eles que a única coisa que queremos é que a lei valha para todos. Que a moral seja a do bem comum. Pode ter certeza que a vontade popular será soberana.

      • Jonnys Gomes disse:

        Joaquim, Quando o PSDB implantar o Parlamentarismo, ai sim vc verá a vontade popular ser Soberana. kkkkk

      • Tarcísio disse:

        Como somos desconhecedores da verdadeira História do Brasil! O que está em jogo, desde março de 2013 – visita do vice-presidente americano ao Brasil – não é corrupção, é a Petrobrás e as grandes empreiteiras brasileiras -(quem tiver dúvidas veja as informações prestadas pelo Snowden sobre a espionagem americana). Infelizmente, quem não viveu 1954 (morte de Getúlio), 1960-61 (Jânio, Goulart e Legalidade,) 1963 (morte de Kennedy), 1964 (Revolução de março), 1968 (AI-5), 1978 (Pró- álcool), 1982 (elevação do juros americanos e quebra do México/Brasil), 1986 (morte de Tancredo)e 1990-91 (ascensão e queda de Collor), e não aprendeu na escola e na Faculdade, não faz nem sequer ideia do que está, verdadeiramente, acontecendo no Brasil. Olá, POVO BRASILEIRO, acorda!

    • Sônia Ribeiro disse:

      Sr. Luiz: O impeachment é irreversível – esta Sra. que se diz presidente da República, criatura do Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, comprovadamente mentor do maior esquema de corrupção do mundo, estará fora em poucos dias; porém deixará um país morto, com desemprego astronômico, quebrado literalmente. Será difícil nos recuperarmos e a esperança de pertencermos ao primeiro mundo, torna-se novamente distante. Ainda temos que derrubar Renan Calheiros, Aécio Neves e sua cúpula, 80% do Congresso e 80% do Senado e tentarmos nos livrar de vez deste câncer, chamado corrupção. Os cidadãos de bem são apartidários e sabem que, infelizmente, esta corja política é tudo farinha do mesmo saco preocupada com poder e suas benesses. O povo que mais paga impostos no planeta, não tem segurança, saúde, educação e esta situação tem que mudar. Lula e Cia Ltda., nunca foram defensores do povo, mas sugadores do mesmo!!!

    • walter disse:

      Caro Luiz Serra, é uma preocupação de todos; mas o próprio supremo, fez questão de afirmar, que foi uma decisão corajosa do Teori, e pontual; demoraram demais isso sim, mas retroagir, significaria rever tudo e todos;um abismo sem fim…
      Quanto a dilma, teria alguma possibilidade de questionar, se tivessem aceitado os argumentos da REDE, que aliás, agiram para tentar proteger a dilma; a Marina é perigosa mesmo…
      Quanto ao Cunha, caro Kennedy; sua única possibilidade é tentar salvar o mandato; não acredito em renuncia, seu sucessor provisório, é um aliado “torto”; a Câmara, terá que solicitar novas eleições, para o cargo;quem deve estar muito assutado, é o renan, este sim; deveria ser destituído por tabela..

    • Luz carlos disse:

      Luiz Serra, não viaja. Nada será anulado. O STF faz tudo de caso pensado.A Lei tem o teto e o piso. Para os amigos o piso para os inimigos o teto. E patente no STF os juízes não morrem de amores pela Dilma, e querem ve-la fora do poder o mais breve possível, ate por questão de consciência, pelo fato de alguns deles serem indicados pro ela. Enquanto na Presidencia sempre tem algum remorso por não retribuir sua nomeação, mas fora do poder esse problema não existirá. A Dilma depois de passar algum tempo, poderá ser inocentada, pra compensar a indicação. E por isso que so julgaram o Cunha agora. Ele e o tal do inocente útil. Ele foi usado, e so agora depois dos efeitos da ação tomada pelo STF, o Cunha ira acordar. Ele se achava como Presidente da Câmara. Será que o fato dele ter colocado o impeachment e depois solicitado urgência no reajustes dos salários dos juízes iria amenizar sua situação no STF? Sendo um macaco velho na politica, ele já tinha noção do que aconteceria com ele.

  2. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    O parlamentarismo sempre pareceu uma boa fórmula de governança e gestão.
    Entretanto com esse parlamento… talvez seja melhor um (anti) sistema anarquista, faz tudo parecer mais coerente e digno.

  3. Sônia Ribeiro disse:

    É revoltante vermos o país no estado em que se encontra e estes políticos malditos brincando de deuses. O desemprego é assustador. O povo está vivendo à mingua. Mais um corrupto deposto do cargo. Mas ainda faltam muitos, como, Renan Calheiros, Aécio Neves, 80% deste Senado e 80% deste congresso. Será que um dia nos veremos livres deste câncer chamado corrupção?! Há que se mudar a legislação, que promoverem a reforma política, tributária, penal. Não há a menor possibilidade de convivermos mais com esta corja marginal! Sempre preocupados com o poder objetivador de vantagens ilícitas. Este PT foi a maior erva daninha de todos os tempos…..desencadeou o que existe de pior nesta classe política nojenta e sem escrúpulos. A situação só piora cotidianamente. É necessário que se retome as rédeas da governabilidade, para tentarmos sair desta estagnação que virou o país. O cidadão de bem sangra, enquanto se trava esta guerra espúria nos bastidores dos poderes! CHEGA!!!!

    • Luiz Silva disse:

      Sônia, como já coloquei aqui, seria preciso atingir o sistema político na base: cargos, verbas e campanha. Primeiro, acabar com cargos de confiança. Depois, acabar com emendas ao orçamento. Por último, tornar a campanha um mero JA FIZ ISSO/QUERO FAZER ISSO na internet. Como fazer isso acontecer? Somente com lei de iniciativa popular.

  4. O Brasil perfeito será um país privatizado, que tenha o merecido impeachment para que o cenário econômico melhore e com ajuda as empresas que estão quebrando devido a falata de fluxo de caixa.

    • Luz carlos disse:

      guilherme vieira, voce e contraditório. Quer um pais com minima intervenção do estado(país privatizado), mas quer dinheiro do estado pra subsidiar empresas falidas? Empresas falem por mal administração. Falta de percepção da economia. Tudo o que o STF faz e de caso pensado, nada e por acaso na suprema corte. Não morro de amores pelo Cunha, mas ele foi usado, pelos empresários brasileiros pra tirar um governo de cunho popular, que estava contra o capital privado. Ele jogou cedo demais e perdeu. Aos derrotados as lamentações e os ônus. Quem levou os bônus e o Temer e o STF. Se não tivesse ocorrido o Impeachment, e bem provável que ele terminaria seu mandato de Presidente da Câmara numa boa, com probabilidade de ser reeleito. Ele se achou, pensando que tinha apoio popular por causa do impeachment. Ele dificilmente seria caçado pela Câmara.

      • Luiz Silva disse:

        Cunha foi usado pelos empresários brasileiros para tirar um governo “de cunho popular” mesmo com 70% de rejeição, que estava “contra o capital privado” mesmo tendo usado a Petrobrás para beneficiar todas as grandes empreiteiras do país?

    • Adelson Veiga disse:

      concordo que o país esta quase quebrado, falta vontade política, para mudanças, a privatização eh uma maneira de ajudar a melhoras as finanças e diminuir a corrupção, combustíveis, pedágios e tudo que encarece precisa imediatamente ser revisto, pois aqui só andamos de carro, moto e transportes de carga caminhões. que aumenta e muito o custo BRASIL.

  5. Edi Rocha disse:

    O que o STF fez foi recuperar um pouco da moral do país.
    .
    É um absurdo o legislativo não cumprir sua missão. Se tivesse feito o seu dever de cassar o mandato de Eduardo Cunha, essa medida excepcional não seria necessária.
    Fica o recado. Não desrespeitem a Constituição!
    .
    Em outros países os líderes corruptos renunciam, porque sabem que “a maioria dos seus pares não serão coniventes” com os atos praticados, “não restando outra saída” (se ficar, será cassado, e rápido). No Brasil, é preciso uma mudança de comportamento nesse sentido.

    • Também precisamos de mudanças no comportamento dos eleitores.
      Que votam no “rouba mas faz”.
      Que votam no “corrupto” de estimação.
      Que votam no famoso da televisão.
      Que votam no jogador do seu time de futebol.
      Que votam no pior do que está não fica.
      Que votam no mesmo sobrenome de sempre.
      Que votam no me engana que eu gosto.
      Que votam na promessa de favores pessoais.
      Que zika! Corrupção Mata mais que mosquita!

  6. O Senado já cassou o seu Presidente Renan Calheiros?
    O Supremo já cogita cassar o Presidente do Senado Renan Calheiros?
    O Senador Renan Calheiros também está na linha de sucessão.
    Apressem -se! Chega de corruptos! Chega de corrupção!
    Vamos terminar a limpeza. Moralização!
    Que zika! Corrupção Mata mais que mosquita!

  7. Maria da Consolação disse:

    Como dizia um político, podemos até levar o caixão, mas não nos enterramos junto com o defunto. Chora Cunha!!!!

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