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Geral
12-09-2019, 19h10

Negacionismo do Itamaraty sobre clima afasta negócios do Brasil

Pegal mal discurso de ministro Ernesto Araújo em Washington
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Kennedy Alencar
São Paulo

O discurso do ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores), que nega o aquecimento global e sugere um complô marxista no planeta, afasta negócios do Brasil. Simples assim.

Araújo discursou ontem em Washington na Fundação Heritage (Herança, em inglês) _uma entidade conservadora dos Estados Unidos. A sua fala pegou mal até perante esse tipo de público.

Segundo Araújo, a “justiça social” foi usada para justificar ditaduras. Um suposto “climatismo” teria a mesma finalidade agora. Ora, é uma visão dissociada da realidade, que se choca com todas as evidências científicas a respeito da ameaça real do aquecimento global.

É preocupante que o Itamaraty, que deveria ser a voz mais moderada do governo, adote tom extremista como o de Araújo. Isso traz prejuízos reais a decisões de investidores estrangeiros _uma boa parte deles andou tirando dinheiro recentemente da Bolsa brasileira. Há um abalo da confiança em relação ao futuro econômico do Brasil.

No próximo dia 24, o presidente Jair Bolsonaro promete discursar na sessão de abertura da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York. Se o presidente seguir a linha de Araújo, poderá sedimentar de vez uma imagem negativa do Brasil no exterior.

As políticas do governo Bolsonaro nas áreas ambiental e de direitos humanos têm tido péssima repercussão internacional. A imagem do Brasil piorou e corre o risco de piorar mais se o presidente da República não adotar tom mais moderado.

É incrível que estejamos vendo no Brasil militares agindo como diplomatas e integrantes do Itamaraty atuando como incendiários. No âmbito da ONU, nossos diplomas estão se alinhando a países autoritários e endossando retrocessos civilizatórios.

*

Civilização x barbárie

Autoridades públicas não podem se comportar como justiceiros ou milicianos. O deputado estadual capixaba Capitão Assunção (PSL) ofereceu R$ 10 mil a quem matasse o assassino de uma mulher no Espírito Santo.

Um deputado estadual não pode fazer um discurso de incitação ao crime, porque isso ameaça todos os cidadãos. E se um inocente morrer? E, registre-se, o verdadeiro criminoso deve ser julgado de acordo com as leis e não como se o faroeste estivesse liberado no Brasil. Obviamente o criminoso deve ser preso e punido, mas não existe pena de morte no Brasil.

Ouça comentários feitos hoje no “Jornal da CBN – 2ª Edição:

Comentários
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  1. walter nobre disse:

    Realmente Kennedy, não era a hora de mostrar qualquer bravata, diante da situação recente vivida, este excesso não contribui com o País; não precisamos rezar a cartilha dos americanos a todo momento, sabemos dos excessos de todos os lados com relação a clima, precisamos manter postura sóbria, “para inglês ver”..no fundo caro, esta violência encomendada já é realidade latente a muito tempo; com a palavra o judiciário, tantas Leis de proteção que não funcionam, nada caminha de fato para a justiça esperada. Veja o fiasco das Leis a favor das mulheres.

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2020-01-17 10:52:20