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Economia
08-08-2013, 10h15

Novo leilão de aeroportos virou encrenca

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Virou uma encrenca a disputa pelas concessões dos aeroportos de Confins e do Galeão. Nos bastidores, as empresas que ganharam o direito de administrar Viracopos, Brasília e Guarulhos ainda brigam para entrar em condição de igualdade no novo leilão.

Crédito: Fabio Motta/AE

Crédito: Fabio Motta/AE

A presidente Dilma Rousseff chegou a defender uma regra para impedir que empresas que já administram aeroportos pudessem participar da nova concorrência. Ela ficou insatisfeita com operadoras que ganharam as concessões realizadas no ano passado.

Na opinião da presidente, saíram vencedoras companhias com menos experiência do que grandes atores. Ela está preocupada com a qualidade dos serviços. E ainda usa o razoável argumento de evitar a concentração no setor aeroportuário.

Mas o desejo de limitar a concorrência poderia permitir um questionamento na Justiça. E, na prática, reduz o preço dos bens públicos que serão dados em concessão. Com menos competidores, menos chance de um preço maior.

Há um agravante numa hora de turbulência internacional, na qual o dólar diminui o interesse dos investidores por países emergentes: o Tesouro está precisando de dinheiro para engrossar o superávit primário (a economia do setor público para manter a dívida pública sob controle).

Para tentar agradar a gregos e troianos, a solução aventada no Palácio do Planalto foi permitir a participação de empresas que possuem as concessões de Viracopos, Brasília e Guarulhos. Mas com a imposição de um limite: elas poderiam ter até 15 pontos percentuais dos 51% de capital privado. Os outros 49% permanecerão com a Infraero. Parecia, assim, resolvido o problema.

Mas as empresas já estabelecidas no setor interpretam essa regra como uma trava. Elas fizeram chegar ao Palácio do Planalto a mensagem de que seria ruim colocar dinheiro para ficar com uma fatia pequena de um negócio que poderia render altos lucros. Ou seja, julgaram a regra desestimulante.

Afinal, a alta demanda e a infraestrutura ruim, segundo os analistas, são indicativos de rentabilidade se bons projetos forem postos em prática.

O limite de 15% também soou como uma tentativa do governo de forçar composições entre quem já está dentro do jogo com quem ainda está fora. Existem bons argumentos para defender a trava bem como a sua eliminação.

Em Brasília, ocorre um embate neste momento _o leilão está previsto para o final de outubro. Problema: nos bastidores, essa disputa tem se dado num grau de agressividade que poderá causar mais ruídos do que os jatos que decolam de Confins e do Galeão.

Comentários
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  1. João Saraiva disse:

    Acompanho você na CBN e na TV. Fico feliz de contar com sua análise equilibrada neste novo canal. É difícil encontrar um comentarista político que ainda persiga a imparcialidade, mesmo que esta luta seja em vão, pela própria natureza humana. Boa sorte no novo caminho. Estarei por aqui todos os dias, pode acreditar.

  2. LexQuaresma disse:

    Espero q ñ haja cartel nem nada parecido.

  3. Eberth disse:

    Parabéns, pelo novo espaço e por sua coerência ao comentar as noticias. Como na CBN, aqui também lhe pretigiarei

  4. Luis Fermando Manzano disse:

    Eu ainda acredito que o papel do estado é dar as agências reguladoras condições de garantir que os investidores tenham sua remuneração justa, e fazer com que as concessionárias entreguem aquilo que se comprometeram. Qualquer outro tipo de intervenção, não me agrada. Faça as exigências necessárias antes do processo e deixe aquelas habilitadas disputarem.

  5. Leomardo Minucci disse:

    Faço uma pergunta, caso a embraer não tivesse sido privatizada, seria o transporte aéreo tão emergente no país? Enquanto nosso governo empresário tiver impressão digital na área de infraestrutura, nada vai andar, literalmente…quanto às estradas, hoje o transporte aéreo só é tão emergente porque nossas rodovias são precárias… Ferrovias meu Deus, como pode ter tão pouco investimento nisso? Culpa do nosso empresário estatal que regula até o que deve ser servido dentro do trem… Parabéns pelo blog Kennedy, ficou boa esse design doferente. Abs

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