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Política
09-04-2015, 9h15

Pacote de Temer tenta equilibrar poderes no PMDB

Direitos Humanos continua prêmio de consolação
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Postado por: Daniela Martins

Com a escolha de Michel Temer para a articulação política, a presidente Dilma Rousseff vai tentar esvaziar um pouco o papel de primeiro-ministro ocupado, na prática, pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O problema é que ela agiu tarde, o que deve dificultar a missão de Temer.

No Palácio do Planalto, um ministro fez a seguinte avaliação recentemente: Dilma havia conseguido criar um primeiro-ministro de fato no país, que seria o presidente da Câmara. Assim, Cunha passou a adotar uma agenda de votação totalmente livre de compromisso com o governo. O exemplo mais recente foi a aprovação, ontem, do projeto que amplia de um jeito muito preocupante as regras para terceirização.

O senador Aécio Neves (PSDB-MG), que disputou as últimas eleições com Dilma, utilizou um termo forte ao afirmar que a presidente teria feito uma “renúncia branca” ao escolher Temer. Mas, sem dúvida, em cem dias de governo, Dilma abriu mão de mais poder do que ela imaginava que faria. E só fez isso porque não tem saída política melhor.

O vice-presidente, porém, obteve apoio do presidente do Senado, Renan Calheiros, que estava incomodado com a proeminência de Cunha no Congresso. Temer terá poder de fato sobre cargos de segundo e terceiro escalão e está tentando negociar um equilíbrio de poderes dentro do PMDB.

Isso passa por fazer o ex-presidente da Câmara Henrique Alves virar ministro do Turismo. Achar um cargo para Vinicius Lages, atual titular do Turismo e apadrinhado de Renan. Ouvir o presidente do Senado sobre a indicação para a vaga de Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal, que está aberta desde julho do ano passado. E, por último, articular a ida do senador Romero Jucá (RR), que é um hábil operador no Senado, para a presidência do PMDB.

O pacote Temer tem chance de acalmar ou, pelo menos, reduzir o ímpeto peemedebista contra Dilma. Olhando tudo isso, o senador Aécio Neves tem mais razão quando diz que a presidente é hoje refém de Joaquim Levy e do PMDB. E é justo dizer que foi Dilma quem mais trabalhou para chegar a essa situação.

*

A ida de Pepe Vargas para a Secretaria de Direitos Humanos foi uma decisão ruim. Mostra como são frágeis os argumentos da presidente Dilma para não reduzir o número de ministérios. A Secretaria de Direitos Humanos foi tratada no segundo mandato como prêmio de consolação para petistas que fracassaram na articulação política, como Pepe Vargas, agora nomeado, e a sua antecessora nos dois cargos, Ideli Salvatti.

É melhor que Direitos Humanos perca o status de ministério e seja uma secretaria dirigida por quem entende da área, que é importantíssima, do que permitir que vire um posto de mera compensação política. Sem status de ministério, o cargo seria cobiçado por gente da área e não por político procurando prêmio de consolação.

O último grande trabalho da secretaria aconteceu no governo Lula, quando foi dirigida por Paulo Vanucchi, que participou da negociação da Comissão da Verdade e divulgou um livro “Direito à Memória e à Verdade”, que colocou num documento oficial, pela primeira vez e de forma detalhada, as violações da ditadura militar.

É uma pena a escolha de Pepe Vargas para a área, que já começou com uma trapalhada, recebendo um telefonema da presidente para não anunciar sua ida para a secretaria antes que ela acertasse a saída de Ideli Salvatti.

Casos de violência policial inaceitáveis, como o do menino Eduardo de Jesus, morto no começo do mês por um tiro de fuzil no Rio de Janeiro, mereciam que a Secretaria de Direitos Humanos fosse levada mais a sério. Mas será dirigida por um político que está enfraquecido.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. voiager disse:

    Fica difícil governar nessas condições. Esteja quem estiver no poder,enquanto não fizerem uma correção nessa quantidade de legendas partidárias, a pisada é essa. rsrs

    • walter disse:

      Caro vc tem razão, mas como tudo no Brasil a nosso favor, só acontece por acaso; o Temer será o “fiel da balança”; ele sonha em ser “PRESIDENTO” DE FATO; sua mulher quer ser a primeira dama.
      o lula que não sei aonde entra, abraçando o temer contra a dilmata
      O PMDB, não vai ceder, eles farão de tudo para diminuir em 20 ministério, não só para economizar, mas para mostrarem força.
      O PT já esta com a toalha na mão, querem apenas manter as aparências, no fundo eles já eram…

  2. José Fº disse:

    A governabilidade do Brasil está na mão do poderoso Renan, então: todo poder ao Renan! Afinal é mais sensato saciar apenas o rei dos lobos e negociar a paz, do que ter que alimentar a matilha inteira e se ver acuado pela hidrofobia insana do pastor cunha. Isto até parece enredo de desenho animado, mas como loucura pouca é bobagem, ainda tenho esperança que o cunha em ataque de chilique exonere o “minister Aloisio”, neste caso eu até vou aplaudir!

  3. César disse:

    Os acontecimentos narrados na matéria demonstram bem a vontade de mudar o país que tem a Presidente da República Dilma Rousseff. Zero! Mudar para ela é mudar nomes, e não atitudes, mudar para ela é retirar daqui e colocar ali, apenas remanejando e rearranjando. Mais do mesmo! Desqualificada, fraca, incompetente, são só alguns dos adjetivos que podemos atribuir a ela. Fantoche do Ex-Presidente Lula, Marionete do PMDB, dança conforma a música, nas mãos daqueles que a manipulam.

  4. César disse:

    Só se esqueceram de um pequeno detalhe. Não combinaram com o povo brasileiro! 12/04/15 o povo vai cobrar a sua parte.

    • Alcidimar disse:

      Podem até falar por si. É democrático.
      Mas não falem pelo povo brasileiro, pois, pelo menos ainda, ele não é reacionário.
      Vocês na verdade são vazios, não tem real preocupação para com esse “povo” e ficam usando o nome do povo.
      Eu nunca vi em lugar algum tanto ódio e preconceito como existe nesse País.
      Proposta que é bom para contribuir para o desenvolvimento do País, nada.

      • César disse:

        Sim! Somos vazios, vazios nos bolsos, vazios nas carteiras, esvaziados pelos corruptos e justiceiros que estão no poder para defender o capital nacional e as empresas brasileiras dos reacionários que trabalham e sustentam este país.

  5. christhian disse:

    PELA 1° VEZ,CONCORDO COM KENNEDY – Só esqueceu de dizer que o TEMER , só aceitou essa posição de articulador político porque IMPEACHMENT ANTES DA METADE DO MANDATO , ATÉ ELE SAI FORA DO PODER E O SUCESSOR SERIA LOGICAMENTE O EDUARDO CUNHA . O resto é balela para boi dormir !!!!!

  6. Alcidimar disse:

    É impressionante como o principal responsável por esse quadro de quase ingovernabilidade seja simplesmente deixado de lado: o eleitor!
    Não foi a Dilma quem elegeu um dos piores Congressos (pleonasmo?) dos últimos tempos.
    Às vezes penso que esse país está fadado ao fracasso.
    Mesmo quando menos gente morre de fome…

    • César disse:

      E muitos mais poderiam deixar de morrer se usassem o dinheiro dos impostos dos contribuintes reacionários que foi usado nas construções de estádios de futebol, por hospitais, escolas, creches, delegacias de polícia…etc…etc…etc. O governo progressista da Presidente da República Dilma Rousseff ajudado pelo exercito de Stédile vai nos levar ao futuro com as suas intervenções em pesquisas genéticas. Estão fazendo o futuro acontecer. Se fracassarmos não será por falta tentarmos. Será puro azar de termos nascido mais ao Sul e a esquerda que os nossos vizinhos.

    • César disse:

      O povo que é tratado como gado agradece ao governo pelos estádios com grama verdinha para pastar. Assim menos gente morre de fome!

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2020-04-01 17:20:56