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Política
31-05-2017, 8h19

Para defesa, Fachin acelera inquérito de Temer no STF

Advogados têm receio de que depoimento à PF permita denúncia em breve
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Os advogados de Michel Temer avaliam que o ministro Edson Fachin está acelerando o inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) ao determinar que o presidente seja ouvido pela Polícia Federal antes da perícia da gravação da conversa do peemedebista com o empresário Joesley Batista. A defesa de Temer quer adiar esse depoimento até a conclusão da perícia.

Reservadamente, os advogados dizem que Fachin está criando uma espécie de “fast track”, um caminho rápido, para investigar Temer que destoaria do tradicional andamento de outros inquéritos da Lava Jato. Eles estão desconfiados de que autorizar um questionamento célere da Polícia Federal ao presidente poderia permitir ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentar em breve uma denúncia contra Temer.

O Palácio do Planalto receia que uma denúncia antes do julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) tenha efeito político e jurídico negativo para o presidente, criando um clima para agravar a crise e colocar mais pressão pela saída do presidente do cargo ou por uma decisão desfavorável na Justiça Eleitoral.

Há inquéritos pedidos por Janot em 2015 que até hoje não se transformaram em denúncias. Advogados de Temer dizem, reservadamente, que acelerar a investigação contra  o presidente seria um abuso de poder de Fachin e Janot.

Nesse contexto, eles deverão lutar para adiar o depoimento de Temer à PF até que seja feita a perícia na gravação, procedimento já autorizado por Fachin. Faz sentido a argumentação, já que essa gravação teve peso ao detonar a atual crise política. Mas o ministro do Supremo entendeu que o depoimento poderia ser tomado antes da conclusão da perícia.

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Casca de banana

Se quiser evitar a acusação de eventual obstrução de Justiça, é baixa a chance de o presidente Michel Temer nomear um deputado do PMDB do Paraná para o primeiro escalão a fim de manter Rodrigo Rocha Loures como deputado, ainda que afastado das funções pelo Supremo Tribunal Federal.

Temer foi aconselhado ontem a não indicar nenhum deputado do PMDB do Paraná para um ministério. A bancada do PMDB na Câmara não tem interesse na pasta da Transparência, mas manifestou simpatia pela Cultura, que também está sob comando interino.

No entanto, a nomeação ministerial de um deputado do PMDB do Paraná neste momento da crise poderia ser interpretada pelo Ministério Público Federal e pelo ministro Edson Fachin, relator do inquérito que investiga Temer, como tentativa de dificultar eventual prisão de Rocha Loures.

Sem o cargo de deputado, Rocha Loures perde o foro privilegiado no STF, mas continua a responder ao inquérito na corte por conexão com Temer, que também é investigado no tribunal. No entanto, fora do mandato de deputado, é maior o risco de eventual prisão de Rocha Loures.

Obviamente, isso preocupa o governo, porque uma prisão ou a ameaça de detenção poderiam reforçar a possibilidade de eventual delação premiada do ex-assessor do presidente.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. walter disse:

    Caro Kennedy, o tal Loures “carregador de malas”, esta pela própria sorte…continuará no supremo, pela importância dos fatos; o que pode ser prejudicial ainda mais…Se o supremo considerar a solicitação de adiamento da defesa, alegando que o Fachin esta com pressa; “parece uma piada de mal gosto”, esta retórica…trata se de um presidente da republica, se não tivesse culpa no cartório; deveria ser o primeiro a insistir, na agilização do processo, não é um cidadão comum; seu direito de ir e vir, fica prejudicado, numa situação criminal…este jogo é dramático para o temer…as gravações serão consideradas solidas…enquanto isso, os 200 milhões de mortais, deverão esperar mais, por soluções de menos; triste realidade…

  2. Diz o velho ditado… “Quem não deve, não teme!”… Conclusão: Ora, se o #Termer teme é porque deve… e isso já está mais do que evidente!!!

  3. Stanislaw: ISSO É MAIS UMA VERGONHA! disse:

    A conversa entre Temer e Joesley é tão grave quanto a de Gilmar Mendes e Aécio: obstrução da justiça! Não pode haver dois pesos e duas medidas, os quatro cometeram crimes!Se não houver punições o Judiciário ficará desmoralizado pois a lei é para todos, doa a quem doer!

  4. gil faria disse:

    Por quê nós temos que esperar? Será para esquecermos, pois dizem que o povo tem memória curta, e demorando tudo fica frio e deixado de lado, então eles vão fazendo tudo que desejam e vamos sempre pagando a conta.

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