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Política
29-11-2016, 9h02

Para Planalto, Cunha faz chantagem e busca delação

Ex-presidente da Câmara sabe que Moro não pode investigar Temer
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

No Palácio do Planalto, a leitura política sobre as perguntas da defesa de Eduardo Cunha a Michel Temer foi a de que o ex-presidente da Câmara fez insinuações a respeito da conduta do presidente a fim de se posicionar publicamente para tentar negociar uma delação premiada com a Procuradoria Geral da República. Nas perguntas apresentadas no processo contra Cunha que tramita sob os cuidados do juiz Sérgio Moro, o peemedebista insinua que conhece segredos de Temer.

Além de ser ouvido na qualidade de testemunha, Temer não pode ser investigado por Moro, porque presidente tem foro privilegiado. De acordo com a Constituição, só o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, poderia pedir a abertura de uma investigação contra o presidente da República. E esse eventual inquérito ou processo deve tramitar no Supremo Tribunal Federal. Cunha e sua defesa sabiam disso.

Na avaliação do governo, Cunha e sua defesa tinham ciência de que algumas perguntas seriam barradas por Moro por força legal, mas estavam interessados no estrago político ao torná-las públicas. Chantagem sempre foi uma arma política de Eduardo Cunha.

Em relação a Moro, o cuidado se explica: ele já foi criticado pelo ministro Teori Zavascki por ter divulgado um telefonema da então presidente Dilma Rousseff, que tinha foro privilegiado, com o ex-presidente Lula. Seria ilegal permitir perguntas que sugerem investigação de Temer.

*

PEC do Teto deve ser aprovada

A crise política que teve início com o escândalo que derrubou Geddel Vieira Lima da Secretaria de Governo deve gerar fumaça no Congresso, mas não fogo. Ou seja, o governo está confiante na aprovação da PEC do Teto em primeiro turno no Senado com um placar robusto.

O líder do PMDB na Casa, Eunício Oliveira (CE), disse a Temer que a proposta deverá ter 59 ou 60 votos entre os 81 senadores. Se esse placar se confirmar, será uma vitória importante, porque será uma demonstração de força em meio à crise política que derrubou o ministro Geddel.

Serviria também como sinal de cacife no Congresso para enfrentar tentativas de levar um pedido de impeachment adiante e para mostrar que o governo ainda teria força para aprovar uma reforma da Previdência.

A data do envio da reforma da Previdência dependerá de um encontro de Temer com sindicalistas. A reunião estava marcada para esta quinta, mas poderá ser transferida para segunda. Se isso acontecer, o presidente deseja enviar a reforma da Previdência ao Congresso na próxima segunda ou terça-feira.

*

Erro político

Temer errou ao minimizar a gravidade da crise desencadeada pelo lobby imobiliário do ex-ministro Geddel. Ele disse que “qualquer fatozinho” abala o país e traz instabilidades passageiras que “não podem ser levadas a sério”.

O escândalo que derrubou o ministro Geddel não é um “fatozinho”. Pelo contrário. É um caso de corrupção emblemático e que retrata uma cultura da classe política que ainda persiste em plena Operação Lava Jato.

Esse caso pode ter desdobramentos negativos para o governo, por exemplo, quando forem reveladas gravações feitas pelo ex-ministro Marcelo Calero.

 

Comentários
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  1. Bruno disse:

    Ainda,me espanta que não tenham abordado as, principais,fragilidades do Poder Executivo.Pois, são essas que estão sob disputa e que permitem a evasão de recursos públicos,sobretudo, por resultar em tamanha ineficiência no que se refere aos resultados das políticas públicas.Em, momento algum,menciona-se a necessidade de empoderamento das instituições públicas,não é óbvio que enquanto um presidente, um partido, tiverem autonomia para nomear cargos para a Controladoria, Supremo, Advocacia Geral,tudo isso, ainda,vai perdurar?Como,também, não vieram a fundo nas nomeações descriteriosas,sem nenhuma exigência ou crivo técnico, no corporativismo de carreiras abastardas que, juntamente, comprometem toda a execução, tendo como principal fator, simplesmente,a falta de gestão.Não por acaso,a grande maioria,dos recursos desviados estão sob o pretexto das áreas técnicas como obras e tecnologia da informação.Portanto, acabar com a ingerência,influência política e priorizar a técnica é fundamental!!!

    • Denilson disse:

      Caro Bruno, não abordaram porque não há interesse. Há muitas coisas e verdades que não tem interesse que sejam abordados

    • walter disse:

      Caro Bruno exatamente, falta gestão, e ninguém entende a falta de supervisão, dos órgãos constituídos para agir, em caso de descompasso dos poderes; NUNCA SÃO EFICIENTES PELO MENOS…
      Quanto ao governo provisório do temer, se faz de “madre Teresa”; “seu linguajar coloquial, confunde nossos poliglotas analfabetos”; enfim, é fato, que suas palavras são sob medida, para não se contundir, mas seus companheiros, fazem pedidos difíceis de atender; no entanto, com todos os erros, vai aprovar a PEC DO TETO, para o bem do País, e respirar um pouco.

  2. Alberto disse:

    Ou a PEC do teto ou ficar sem teto.A escolha é livre.O “agora é tarde e Inês é morta” pode ser tarde mesmo.

  3. mano disse:

    Prezados: não entendo como uma demonstração de força do governo Temer aprovar projetos no Congresso atual. O problema é que este Congresso que aí está, seja na Câmara ou no Senado, apesar de ter aprovado o impeachment da presidente Dilma não goza de credibilidade popular há muito tempo, portanto não tem como o legislativo agir de forma diferente, caso contrário estaria atirando no próprio pé. Tudo será aprovado sem muita resistência do Congresso a não ser que uma força externa apareça e seja muito forte ao ponto de levar o povo novamente às ruas para pedir o impeachment deste governo. O caso Gedel Vieira x Marcelo Calero ofereceu esta motivação. A salvação deste governo é melhorar a economia para retomar o crescimento e reduzir o desemprego o mais breve possível, porém está demorando muito e não se vê uma luz no final do túnel, muito pelo contrário, o que se vê é um apagão. Do jeito que tá, as panelas estão ficando cada vez mais vazias e só servirão para panelaço.

  4. Roberto disse:

    “o cuidado se explica”.Você é mesmo um fanfarrão.

  5. Moises Silva Santos disse:

    O que me deixa indignado é a inocênçia dos orgãos de justiça que ficam a mercê das manobras deste marginal do colarinho branco, que para o bem da nação deveria se aprofundar ao máximo nas delações e punir com rigor da lei estes corruptos, e para se dar inicio a isto a reformulação das leis, da constituição para os dias de hoje,seria o inicio.

  6. Click Jogos disse:

    Para Cunha o que sobrou foi isso. Ele não tem muitas alternativas e claro, a defesa dele foi instruída a fazer exatamente isso. E Temer não foi escolhido à toa. E para a sorte de Temer, Moro não pode investigá-lo e mesmo que pudesse, ele demonstrou sobriedade ao vetar diversas perguntas quem enfraqueceriam a presidência do Brasil e só favoreceriam o próprio Cunha.

  7. ANDRE disse:

    O Eduardo Cunha foi feito de otário, assim como a Dilma pelo ardiloso Temer, se ver que não tem saída o Cunha vai dar o troco. A tendência é este governo definhar cada vez mais.

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2019-07-20 05:35:17