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Política
03-07-2019, 9h37

Pedido da PF ao Coaf contra Greenwald parece tentativa de intimidação

Se não houver fundamento, é ataque à liberdade de imprensa

Kennedy Alencar
BRASÍLIA

O pedido da Polícia Federal para que o Coaf investigue Glenn Greenwald parece ser uma tentativa de intimidar o jornalista do “The Intercept Brasil”. A PF precisa mostrar as fundamentações e suspeitas levadas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras para justificar a investigação.

Vencedor do prêmio jornalístico de maior prestígio dos Estados Unidos, o Pulitzer, Greenwald é um repórter respeitado, bem como o site de notícias que fundou no Brasil. O “The Intercept Brasil” publicou uma série de reportagens com interesse público que expõe o modus operandi dos principais atores da Operação Lava Jato.

As revelações incomodaram estrelas da investigação, como o ex-juiz Sergio Moro, hoje ministro da Justiça e chefe da PF. O procurador Deltan Dallagnol também aparece em conversas reveladas pelo site e outros veículos de imprensa que fizeram parceria com o “The Intercept Brasil”.

Há trechos que advogados consideram que podem ser configurados como crimes de prevaricação e obstrução de justiça. A imparcialidade de Moro como juiz desaparece com a leitura do material publicado até agora.

Para que se justifique o pedido ao Coaf, a polícia necessita ter algo muito consistente. Se for uma investigação para retaliar e incomodar Greenwald, é um ataque à liberdade de imprensa. Por isso, são necessárias explicações sobre os fundamentos para uma investigação direcionada contra o jornalista americano que vive e trabalha no Brasil.

Em depoimento ontem na Câmara, Moro tangenciou o assunto. Disse que não interfere em investigações da PF. Aliás, o ministro da Justiça adotou perante os deputados federais uma estratégia defensiva do ponto de vista político e jurídico.

Com um pouco mais de pimenta, o depoimento de ontem foi um repeteco do dado ao Senado há cerca de duas semanas. Moro evitou responder diretamente a algumas perguntas. Buscou classificar revelações de interesse público como um ataque à Lava Jato. Insistiu em duas teses. Afirmou não saber se as conversas atribuídas a ele e a integrantes da Lava Jato são verdadeiras. Depois, afirmou que, no caso de não serem falsas, não haveria crime.

No embate político de ontem na Câmara, Moro saiu arranhado. Foi chamado de “juiz corrupto” e de “juiz ladrão” pelo deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ), que comparou a ação de Moro como magistrado ao comportamento de árbitro parcial que beneficia um time de futebol e depois recebe “recompensa” (nomeação para ministro da Justiça). Segundo Glauber Braga, Moro ficará mal nos livros de história.

As dificuldades na tramitação da reforma da Previdência e mais uma crise criada pelo vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) também foram temas da participação de ontem no “Jornal da CBN – 2ª Edição”. O comentário a respeito do pedido da PF ao Coaf contra Greenwald pode ser ouvido a partir dos 6 minutos e 25 segundos no áudio abaixo:

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