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Política
28-12-2018, 9h22

Pelo padrão Lava Jato, Queiroz já teria sido preso

É ruim começar governo com suspeita de corrupção
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Pelo padrão estabelecido pela Lava Jato no Judiciário e no Ministério Público nos últimos anos, já teria sido decretada a prisão temporária ou preventiva de Fabrício Queiroz, ex-assessor parlamentar e dublê de motorista e segurança de Flávio Bolsonaro, deputado estadual fluminense e senador eleito.

O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) rastreou movimentação atípica de R$ 1,2 milhão em conta bancária de Queiroz no período de janeiro de 2016 a janeiro de 2017. Funcionários da Assembleia Legislativa e uma ex-assessora do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) fizeram depósitos na conta de Queiroz. Nathalia, ex-assessora do presidente eleito, é filha de Queiroz.

Em entrevista concedida ao SBT anteontem, o ex-assessor parlamentar não deu explicação específica sobre essa movimentação, afirmando que o faria em depoimento futuro ao Ministério Público. Ele faltou a quatro depoimentos alegando ter grave problema de saúde.

O caso Queiroz sugere uma série de perguntas às autoridades.

Como o Judiciário e o Ministério Público vão agir num imbróglio que envolve a família Bolsonaro?

A falta de explicação de Queiroz fragiliza a sua situação jurídica e eleva a suspeita de que ele seria um laranja para arrecadar parte de salários de servidores da Assembleia Legislativa do Rio e também de uma então funcionária do gabinete do deputado federal Jair Bolsonaro. Nessa hipótese, houve extorsão da parte dele ou existiu esquema com autorização superior?

É fundamental que o Ministério Público ouça os funcionários que abasteceram a conta de Queiroz. Quantos depoimentos já foram tomados ou estão marcados?

Outra pergunta: a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, tomará alguma providência em relação à ex-assessora de Bolsonaro e filha de Queiroz? Afinal, há dinheiro federal depositado na conta do ex-assessor parlamentar.

A Procuradoria Geral da República fez denúncia recente contra o senador José Agripino Maia (DEM-RN) por associação criminosa e peculato, acusando-o de ter mantido um funcionário fantasma durante 7 anos.

Houve vazamento da investigação do Coaf e alerta para as exonerações de Queiroz e sua filha Nathalia? Pai e filha foram demitidos no mesmo dia, 15 de outubro, dos gabinetes de Flávio e Jair Bolsonaro. Se ocorreu um vazamento, poderia ser apontada eventual obstrução de Justiça?

Todo político deve satisfações à opinião pública.

Um político que se elegeu presidente com o discurso de combate a corrupção e de moralidade no trato da coisa pública não pode deixar de dar mais explicações sobre as atividades da ex-assessora Nathalia Queiroz em seu gabinete.

Integrantes do futuro governo buscam minimizar a importância de um caso com potencial explosivo. É negativo que uma nova administração comece com tamanha nuvem de suspeita.

O futuro ministro da Justiça, Sergio Moro, disse em entrevista em 11 de novembro ao “Fantástico”, da Rede Globo, que também teria a função de auxiliar Bolsonaro a avaliar eventuais casos de corrupção. Moro disse que seria possível fazer “juízo de consistência” sobre tais acusações e agir, eventualmente demitindo ministros.

O caso Queiroz parece merecer mais atenção do ex-juiz Moro.

Como figuras importantes da Lava Jato agiriam nessa situação? Alguma medida preventiva já teria sido tomada, por exemplo, para evitar eventual contato de Queiroz com quem fez depósitos na sua conta bancária?

Ontem, o Ministério Público do Rio de Janeiro divulgou nota afirmando que o ex-assessor de Flávio Bolsonaro comprovou a gravidade de seu quadro de saúde e que daria o depoimento após eventual cirurgia para retirar um tumor do intestino.

Ao longo da Lava Jato, operação que serve de inspiração para o Judiciário e o MP de todo o país, houve medidas duras contra investigados que estavam gravemente doentes, como conduções coercitivas a quem não havia sido intimado a depor e até prisões temporárias e preventivas.

*

Naufrágio político

Vice-governador eleito do Acre e deputado federal, Major Rocha fez pedido ao Conselho de Ética do PSDB para expulsar o senador e deputado federal eleito Aécio Neves. Acusado de corrupção, Aécio virou um problema para os tucanos.

Uma ala quer sua expulsão ou que o político mineiro tome a iniciativa de deixar o partido. Outro grupo diz que há mais tucanos acusados de corrupção e que Aécio não deveria pagar o pato sozinho.

Há quatro anos, Aécio perdera a eleição presidencial para Dilma, mas era um promissor líder da oposição e um nome com forte chance de ser eleito para comandar o país em 2018. Seu ocaso reflete o caminho de autodestruição trilhado pelas escolhas políticas do PSDB nos últimos anos.

*

Sigmaringa Seixas

O advogado e ex-deputado federal Sigmaringa Seixas morreu no dia de Natal, aos 74 anos. Ele foi um dos responsáveis pela moldura da atual composição do Supremo Tribunal Federal.

Bem-humorado, brincava que tinha certos arrependimentos em relação a ministros que chegaram ao tribunal com o seu apoio. Ele foi um conselheiro importante do então presidente Lula em relação a questões políticas em geral e ao Supremo em particular.

Bom articulador, era o canal de Lula com ministros do STF. Ele era próximo do ex-presidente, que não teve autorização da Justiça para comparecer ao velório e sepultamento do amigo. Foi filiado ao PT e ao PSDB e manteve pontes entre os dois partidos no auge da rivalidade entre petistas e tucanos.

Figura doce e firme, Sigmaringa demonstrou coragem quando o Brasil mais precisava dela. Foi um atuante advogado de direitos humanos durante a ditadura militar de 1964, defendendo perseguidos políticos. É um exemplo a inspirar atitudes contra o autoritarismo e o preconceito.

*

Verde

O documento com a agenda de 100 dias do futuro governo Bolsonaro é genérico. Mostra que propostas ainda estão em estágio embrionário. O tempo da transição de governo não parece ter sido bem aproveitado.

Há temas, como a reforma da Previdência, que já estão num grau de maturidade alto no Congresso. Mas a estratégia do novo governo não está clara em relação a essa reforma. A conferir.

Ouça os comentários feitos ontem no “Jornal da CBN – 2ª Edição:

Comentários
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  1. As práticas não éticas e no fundo desonestas infelizmente são comuns no Brasil. Esses apequenados políticos vivem à margem dos grandes temas tratados no parlamento, bem como, são desprezados para os formadores de opinião e dos lobistas. Atuam como satélites fora da órbita principal das casas de leis. Por isso, pegam aquilo que seus braços alcançam. Normalmente não estão envolvidos em grandes corrupções, mas limitam-se a desvios éticos ficando com parte dos salários de funcionários fantasmas que eles próprios indicam. O ato pode ser criminoso vez que serve de apropriação de dinheiro público por vias travessas. Isso pode ser constatado em câmara de vereadores, deputados estaduais e federais e também no executivo. O Brasil precisa alterar o clientelismo de 500 anos.

    • p/Roberto Maransaldi - Para o Brasil entrar nos trilhos: "O Brasil acima de tudo, Deus acima de todos"! disse:

      Sou Jair Bolsonaro, até debaixo dágua. Mas creio que o exemplo tem que vir de cima e, se ficar comprovada culpa, mesmo de seus filhos, a justiça tem que doer neles também. É comentário que isso ocorre Brasil afora, entre políticos eleitos e assessores que são colocados em cargos e doam parte dos salários para o político que os nomeou. Se é crime, que se puna, desde que comprovado. O que precisamos ter em mente é que todo ser humano é falível, mas que todos devem ser medidos com o mesmo peso. Nada de dois pesos e duas medidas, pois isso tiraria toda a força que nosso querido Presidente deve ter, para tirar nosso país dessa corrupção institucionalizada. Não pode haver proteção: nem para Lula, Aécio, Temer, Renan, Jucá, Gleisi, Gilberto Carvalho, Cunha, Cabral, Padilha, Barbalho, Moreira Franco, Gilmar Mendes, Lewandovski, Toffoli, Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, João sapateiro, Zé do açougue, Mané do bar etc etc etc. “O Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”!

      • walter disse:

        Muito bem colocado caros; se o Capitão, não quisesse correr o risco, jamais teria chamado o DR Sergio Moro, que é unanimidade, entre todos…tenham certeza, jamais irá compactuar com o Mau feito, seja lá de quem for…esta foi a mensagem inicial do presidente, que tomou corpo…não há meios termos a corrupção, deverá ser aniquilada, e seus autores devidamente condenados…o projeto do Dr Moro, deve seguir ao congresso, para anexar a prisão em segunda instância, a constituição…acabará com os excessos do supremo, que deita e rola, sobre este tema, não resolvendo de vez esta situação…Se as Leis forem cumpridas, sem distinção; estaremos seguindo por caminhos firmes e seguros, acabando com o excesso de bandidos, principalmente do colarinho branco…nem mesmo a aposição, poderá ter duvidas deste objetivo sagrado…

  2. Wellington Alves disse:

    Claro que o rigor do Judiciário e do MP não se aplicará a esses amadores. Não é do PT, quem liga? Farão a feira toda.

  3. Alberto disse:

    Não só o caso do Queiroz,mais de todos os envolvidos na Listagem do COAF,de todas as “ideologias” e partidos.Aliás o maior volume de movimentação de “aceçores”dessa Listagem é a do gabinete de André Ceciliano(PT),em torno de 40 milhões.O que dá em Chico tem de dar em Francisco,simples assim.The end.

  4. Carlos Domiciano disse:

    Infelizmente no Brasil, pau que bate em Chico não bate em Francisco ou Francisquinhos, e além do mais o Chico que precisava estar (a)batido já o foi.
    Enquanto que com o Queiroz, com uma certa comiseração, condescendência, da mídia inclusive, tudo vai ficando no seu devido lugar…

  5. antonio sousa disse:

    Está cada dia mais difícil, para mim, acreditar na justiça em nosso Brasil.
    Com mesmo sentimento devem existir outros brasileiros.
    Pelo silencio, nas ruas e nas praças, leva-me a inferir que esse meu sentimento, não é compartilhado por muitos.

  6. walter disse:

    Querem atingir o Bolsonaro através do filho, caro Kennedy; pelo depoimento do Queiroz, não há nada que seja contundente, para qualquer ilação, contra o Capitão; isto é o que verdadeiramente importa, tem um fato bastante claro, a rede bobo, insiste, em tentar ressuscitar defuntos; a doença do acusado, e condenado pela imprensa, me parece verdadeira, já que o cidadão, tem cirurgia marcada…querem ver sangue, podem esquecer, não haverá nada; este tipo de pessoa, que vai a imprensa, e dá uma declaração, tão firme, não vai gerar uma vírgula contra o filho, do presidente; este assunto vai cair no esquecimento e fim…AQ intenção do lula, em querer sair da cadeia, para ir a um enterro, tornou se comico, mesmo sendo um aliado como o Seixas…Quanto as criticas ao Bolsonaro, como presidente, precisam deixa lo assumir..

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  9. Silvio Ferreira disse:

    O mais grave deste tratamento dócil e apadrinhado do MP do RJ é que ele certamente terá efeito vinculante pondo a perder toda a investigação na AL do Rio.Todos os Queirozes, e são muitos, serão blindados a partir deste perdão. Está ficando muito comum este mudança de legislação em nível ordinário e ao sabor dos ventos, o juiz moro segue à frente neste quesito.

  10. J K disse:

    Os personagens centrais vem sendo sistematicamente atacados pelos “flancos”. Ao invés de focar esforços em atirar no chefe, o mais eficiente tem sido procurar os escorregões dos auxiliares, que parece são inevitáveis. As chefias, sabedoras de estarem permanentemente vigiadas, tem terceirizado as falcatruas, possivelmente com o argumento “faz que eu garanto se der m*”. Típico sistema usado por orcrim’s , máfias, onde o capo não põe a mão pra não deixar digital.
    A artilharia deve estar carregada. Se ele assumir para tratar de reformas que ataquem o povão ao mesmo tempo que remexe nos interesses do funcionalismo privilegiado, eu penso que acabará por enfrentar resistência maior. Melhor fará se iniciar por medidas como retomar algumas obras importantes, tal como comperj, metro e rodoanel de SP, refinaria no NE. Essas seriam medidas que geram emprego e melhorará o otimismo do brasileiro, o que ajudará em apoio às reformas.

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