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Economia
29-10-2013, 18h51

Petrobras atiça especulação do mercado

Investidores temem que nova regra de preços não seja confirmada
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Na sexta passada (25/10), a Petrobras divulgou um “Fato Relevante” com o título “Política de Preços”. Na segunda (28/10), o diretor Financeiro e de Relações com os Investidores, Almir Barbassa, deu mais detalhes numa teleconferência com investidores. Poderia ser criada uma regra de reajuste automático para o preço dos combustíveis que levaria em conta o valor internacional do petróleo.

O mercado financeiro adorou. As ações da Petrobras subiram 10%. Acontece que o “Fato Relevante”, toda comunicação que pode ter impacto no preço das ações de uma companhia, é, por ora, apenas uma possibilidade.

E isso tem gerado muita especulação no mercado.

A Petrobras anunciaria que poderá mudar sua política de preços sem combinar com a presidente Dilma Rousseff, que tem feito exatamente um controle direto sobre tal assunto?

Por que o Conselho de Administração autorizou a divulgação de um “Fato Relevante” que ainda precisaria de confirmação?

Não seria prudente aguardar uma palavra final do Conselho de Administração antes de tornar público o “Fato Relevante”?

Essa história parece ter só um jeito de acabar bem. Uma mudança de verdade na política de preços, dando liberdade à empresa de reajustá-los ao sabor do cenário internacional para dar gás à empresa na hora de explorar para valer o pré-sal.

Do contrário, o “Fato Relevante” da última sexta servirá apenas para gerar incerteza e turbulência. Se no dia 22 de novembro o Conselho de Administração não aprovar uma nova política ou adiar uma medida nesse sentido, haverá uma reação negativa do mercado. Uma eventual oscilação desse tipo seria desrespeitosa com os acionistas minoritários e transmitiria ao mercado brasileiro e internacional uma ideia de improviso que turvaria o ambiente de negócios. Como jabuti não sobe em árvore, convém aguardar os desdobramentos do anúncio.

A seguir, a íntegra do comunicado da Petrobras:

Fato Relevante – Política de Preços – Rio de Janeiro, 25 de outubro de 2013

A Petróleo Brasileiro S.A. – Petrobras informa que sua Diretoria Executiva deliberou sobre uma metodologia de precificação a ser praticada pela Companhia, através da qual se tenha maior previsibilidade do alinhamento dos preços domésticos do diesel e da gasolina aos preços internacionais.

 Esta metodologia foi apresentada ao Conselho de Administração, em reunião realizada hoje, que determinou a elaboração de simulações adicionais e estabeleceu o prazo de 22 de novembro de 2013 para sua consideração. 

A Companhia manterá seus acionistas e demais partes interessadas oportuna e adequadamente informados a respeito do desenvolvimento do tema.



Almir Guilherme Barbassa, Diretor Financeiro e de Relações com Investidores
Petróleo Brasileiro S.A. – Petrobras

Comentários
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  1. Giovani disse:

    E agora à tarde, o ministro da Fazenda, que também é presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, saiu-se com essa, quando foi cercado por jonalistas com perguntas sobre o tal mecanismo de reajuste automático: “A Petrobras é que fala sobre estes assuntos”.

    Por que Mantega se esquiva? Ele também não é Petrobrás?…

    Quer dizer: divulgar uma proposta genérica, pode; detalhá-la, não.

    Qual seria a impropriedade em detalhar a proposta? A rigor, seu impacto negativo não está na informação sobre seus detalhes, mas na sua recusa. A menos que a proposta seja só pra arquibancada (leia-se especuladores), incumbida de levantar a Petrobrás na Bovespa pra evitar o vexame de uma forte baixa na sequência da divulgação de um dos balanços mais pífios da história da estatal.

    Se foi este o objetivo, ele já foi alcançado. Evitou-se as manchetes sobre a queda da Petrobrás na Bovespa em virtude do balanço. A baixa virá daí em diante, seja na recusa da proposta, seja na aprovação de um mecanismo meia-sola (longe daquilo que o mercado imaginou).

    Outro ponto que a empresa patina e não explica é o fato de que ela não tem caixa suficiente para cumprir todo o seu plano de negócios de longo prazo. E não será a proposta de reajuste automático que vai possibilitar dinheiro para pesados investimentos. Resultado: ou emite dívida (o que é complicado neste momento, visto que já alcançou alto grau de alavancagem), ou emite ações para se capitalizar (o que seria desastroso para os minoritários e para o desempenho das ações na Bovespa).

  2. Giovani disse:

    E a “Folha” de hoje divulga a irritação do ministro Mantega e da equipe econômica com a FORMA como a Petrobrás tornou público o assunto e com o MODELO de reajuste automático aprovado pela diretoria da estatal. O detalhe é que Mantega preside o Conselho de Administração da Petrobrás.

    • Existe mesmo tensão entre Fazenda e Petrobras sobre reajuste.
      Estatal quer aumentar logo. Só acho difícil a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, dar um passo sem combinar com Dilma. Tô acompanhando o caso. Abs e bom dia

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