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Entrevistas
23-01-2015, 16h44

‘Piso salarial não é o grande problema dos professores’

Para Mozart Neves, ser “pátria educadora” é tarefa hercúlea
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ISABELA HORTA
Brasília

Mozart Neves diz que o piso salarial não é o ‘grande problema’ dos professores. Diretor do Instituto Ayrton Senna, ele avalia que a Lei do Piso, de 2008, foi uma conquista para a categoria. “O grande problema do professor não é o piso, mas o plano de carreira. O salário médio do professor é algo em torno de 40% menor do que a média de outras profissões.”

Para o especialista em políticas públicas em educação, o lema “Brasil, pátria educadora” é uma “tarefa hercúlea”. “As reformas educacionais brasileiras eram pra ontem. O Brasil fez avanços importantes nas séries iniciais, mas, nas séries finais e no ensino médio, é uma lástima os níveis de aprendizagem atuais no país.”

Neves defende que parte dos 10% do PIB sejam destinados também ao ensino superior privado, por meio do Prouni e do Fies. “O sistema público não vai conseguir comportar sozinho o aumento de alunos no ensino superior, que é tão necessário. O que não pode ocorrer é simplesmente dar o dinheiro a universidades de sistemas duvidosos, que abrem vagas para captar o dinheiro público e colocam dinheiro na Bolsa de Valores.”

Confira a entrevista:

1 – O lema do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff é “Brasil, pátria educadora”. O que falta para sermos, de fato, uma país educador?

Ainda falta muita coisa. As reformas educacionais brasileiras eram pra ontem. O Brasil fez avanços importantes nas séries iniciais, mas, nas séries finais e no ensino médio, é uma lástima os níveis de aprendizagem atuais no país. Estamos estagnados em um patamar muito baixo de aprendizagem. O sistema é muito ineficiente. De cada 100 alunos que começam a primeira série, somente a metade termina o ensino médio. A outra metade fica pelo caminho. E os níveis de aprendizagem dos que terminam o ensino médio são muito baixos. Em matemática, de cada 100 alunos, só 19 aprenderam o que seria esperado para a disciplina. Em português, não é nada para se soltar fogos. De cada 100, 27 aprenderam o que seria esperado. Então, a gente tem uma tarefa hercúlea. É preciso avançar muito, porque o país vai precisar melhorar os níveis de aprendizagem das séries finais do ensino fundamental e, principalmente, do ensino médio.

2 – O novo ministro da Educação, Cid Gomes, foi duramente criticado pelo fato de ter dito, em 2011, que professores trabalham por paixão e não por dinheiro. Ele diz que a declaração foi distorcida, colocada fora de contexto. Como avalia a escolha do ex-governador do Ceará para chefiar o Ministério da Educação?

O Cid Gomes traz um resultado importante feito no Ceará, que começou em Sobral. Mas foi um trabalho muito focado na alfabetização e no regime de colaboração entre Estado e Município. Hoje, quem tem melhor no Brasil esse processo de colaboração entre Estado e o Municípios é o Ceará. Entendo que o ex-governador e o ex-prefeito Cid teve um papel muito importante nesse contexto. Isso gerou uma revolução no Ceará na alfabetização e nas primeiras séries do ensino fundamental. Entretanto, esses resultados não se perpetuaram ao longo de toda educação básica. O novo ministro traz esse legado de seu Estado, mas a dimensão de trabalho agora é muito maior.

A partir do momento em que a presidente Dilma Rousseff coloca o slogan de governo “Brasil, pátria educadora”, isso dá uma responsabilidade muito grande ao Ministério da Educação (MEC). O Cid vai ter de ter, então, uma musculatura de trabalho e montar uma equipe extremamente executiva para que, de fato, o cabedal político dele e a experiência do Ceará se concretize numa escala nacional. Ele precisará ter também prestígio político junto à presidente da República. A Dilma precisa ter grande confiança no trabalho do Cid para que ele se sinta fortalecido dentro do governo e o slogan “Pátria educadora” comece a sair do papel. Será preciso também ter recursos para viabilizar essa meta. E, nesse sentido, o corte no MEC foi muito significativo.

3 – Segundo dados do IBGE, em 2012, o analfabetismo no país era de 8,7% da população com 15 anos ou mais, o que correspondia a 13,2 milhões de pessoas. Esse número fez com que o Brasil ocupasse o oitavo lugar entre os países com maior número de analfabetos adultos em um ranking feito pela UNESCO em 150 países. Em 2013, o analfabetismo no país recuou um pouco e alcançou a taxa de 8,5% da população. Essa melhora não é muito tímida?

Nesse ano, acontecerá na Coreia do Sul a avaliação das metas educativas. Uma dessas metas é a alfabetização de jovens e adultos a partir dos 15 anos. O Brasil deveria chegar em uma redução em torno de 6%, mas não vai conseguir atingir a meta. Vai ficar em torno de 9,5%, 9,3%, com cerca ainda de 13 milhões de brasileiros plenamente analfabetos nessa faixa etária de 15 anos ou mais. Esse dado não considera o percentual significativo de analfabetos funcionais.

Temos uma dívida histórica na questão do analfabetismo que países da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e da comunidade europeia já venceram há muitos anos. Então, além do dever de casa que é do ensino regular, o Brasil ainda tem essa dívida com a alfabetização de sua população adulta. É bem verdade que o analfabetismo não está espalhado em todo território nacional. O problema está principalmente no nordeste. São pessoas com faixa etária superior a 40 anos que vivem nos grotões dessa região. São pessoas negras, que não tiveram tanto acesso a educação. O país tem uma enorme dificuldade a vencer no que se refere à alfabetização dessas pessoas.

4 – Uma das queixas dos profissionais ligados à educação é o baixo salário recebido pelos professores. O vencimento inicial dos profissionais do magistério público da educação básica é de R$ 1.697, com jornada de 40 horas semanais. A partir de fevereiro, o valor deverá ser reajustado em 13% e chegará a R$1.918. O piso dos professores brasileiros é adequado?

A Lei do Piso é de 2008. Foi uma conquista ter uma legislação determinando o aumento gradual do piso. Se a gente observar, houve um aumento significativo de 2008 para 2014, implementado nesse ano. A Lei tem permitido, de alguma forma, dar avanços no piso. E esse aumento aconteceu na mesma proporção em outras profissões. Então, quando a gente compara o piso do professor com outros profissionais com a mesma titulação e que estão iniciando a carreira, a diferença é da ordem de 11% a menos para os professores. Ou seja, não é tão grande. O grande problema do professor não é o piso, mas o plano de carreira. O salário médio do professor é algo em torno de 40% menor do que a média de outras profissões. À medida que o tempo vai passando, os outros profissionais vão se distanciando dos professores.

5 – Alguns municípios já manifestaram preocupação com esse reajuste e alegam não ter recursos para pagar o novo salário dos professores. A Confederação Nacional dos Municípios estima um aumento de cerca de R$ 7 bilhões nos gastos dos municípios. O que deve ser feito para solucionar essa equação? A União deveria ampliar a participação financeira para que os municípios consigam pagar o novo piso dos professores sem tirar recursos de outras áreas da educação?

Precisamos analisar a forma como os recursos são centralizados. De tudo que é gerado de impostos no país, 70% fica para a União e apenas 30% é redistribuído para Estados e Municípios. E há um percentual significativo de municípios, algo em torno de 65%, que vive basicamente do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que é gerado pela redistribuição do Estado onde se encontra, e do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). É essencial que seja repensado o poder centralizado de impostos do governo federal para resolver essa questão do piso dos professores nesses municípios.

6 –Uma das metas do Plano Nacional da Educação, aprovado no ano passado, é ampliar o investimento público em educação pública para atingir, até 2024, o equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em educação. O problema da educação brasileira é dinheiro? Separar 10% do PIB para a educação será suficiente para melhorar o ensino no país?

O Brasil investe algo em torno 6,1% do seu PIB em educação em todas as etapas, níveis e modalidades de ensino. Para atingir 10% do PIB em 10 anos, como está no Plano Nacional da Educação, precisamos ampliar em mais de 50% do que é atualmente investido. Estamos falando em algo em torno de 60%.

Há duas questões importantes: de qual PIB estamos falando? É o PIB de 2005, 2007, que estava em alto crescimento ou o que começa a encolher? Se for o PIB que começou a encolher, como está acontecendo agora, não iremos muito longe do ponto de vista do investimento relativo.

O segundo aspecto que temos que tratar: os recursos oriundos do pré-sal. O petróleo está passando por uma crise que não parece ser momentânea. Para que o pré-sal seja eficiente do ponto de vista da sua pesquisa e, portanto, da sua lucratividade, o barril de petróleo precisa estar em torno da ordem de 60 dólares. Hoje, está custando aproximadamente 50. Se esse contexto continuar, talvez será preciso elencar prioridades: vou cortar dali para colocar mais recurso em educação. Aí vamos saber se, de fato, o Brasil vai ser uma pátria educadora ou não.

7 – Na avaliação do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que foi ministro da Educação do governo Lula entre 2003 e 2004, a medida que separa 10% do PIB para educação é uma “farsa”. Segundo o senador, o PIB é um “conceito abstrato de estatística” e ninguém saberá de onde o dinheiro irá sair. Para outros críticos, no cálculo dos 10% do PIB não deveriam estar incluídos os recursos de isenção fiscal dado às instituições particulares que participam do Programa Universidade para Todos (Prouni). Na visão desses críticos, isso provocará uma distorção no cálculo e permitirá que o dinheiro destinado a melhorias na educação pública seja transferido para grupos privados de ensino. O senhor concorda essas críticas?

Não concordo. O ministro Cid Gomes está com uma posição interessante em relação ao Prouni e ao Fies (Programa de Financiamento Estudantil). Esse tema é muito debatido no Congresso: se esses do 10% do PIB são para educação ou para a educação pública. O Brasil vai precisar fazer um enorme esforço de ampliar o número de alunos no ensino superior. Temos 7,2 milhões de alunos universitários, o que representa 16,7% na faixa etária de 18 a 24 anos. Ao fim do PNE, será precisar dobrar esse percentual para 33%. Já fui reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e acho que as universidades públicas não teriam condições de fazer essa expansão sozinhas. Ou seja, será preciso contar com a contribuição do setor privado.

8 – O Prouni é um dos principais programas na área de educação do governo do PT e da presidente Dilma Rousseff. Segundo dados do MEC, o programa já atendeu mais de 1,4 milhão de alunos de baixa renda. Mas, para alguns especialistas, ao conceder incentivos fiscais às universidades privadas, o ProUni ajuda a consolidar um modelo de Ensino Superior que prioriza o lucro em detrimento da baixa qualidade de educação. Qual é sua avaliação sobre o ProUni? Como garantir a expansão de acesso ao ensino superior com qualidade?

O governo está certíssimo ao buscar alternativas para alunos menos favorecidos da educação básica, egressos do ensino médio e estudantes de baixa renda concluírem seu ensino superior. Garantir o diploma do ensino superior é uma forma de distribuir melhor a renda no país. Achei muito interessante o aperto que o ministro Cid Gomes deu agora: ‘Quero Fies e Prouni desde que sejam cursos de qualidade e que o aluno realmente faça o esforço mínimo a partir do Enem, que tenha nota mínima de 450 pontos’. Desta forma, você espera tanto do aluno, que já deve fazer algum esforço no Enem, como das universidades proponentes a ingressar nos programas.

Concordo com Cid também porque o sistema publico não vai conseguir comportar sozinho o aumento de alunos no ensino superior, que é tão necessário. O que não pode ocorrer é simplesmente dar o dinheiro a universidades de sistemas duvidosos, que abrem vagas para captar o dinheiro público e colocam dinheiro na Bolsa de Valores.

Para darmos conta da meta 12 do PNE, que trata das matrículas no ensino superior, eu faria o investimento tanto no sistema público, que sabemos que tem melhor qualidade, e no sistema privado, que já demonstrou qualidade e cursos que de fato farão diferenças.

9 – O principal indicador da qualidade do ensino do país, o Ideb, mostrou que, em 2013, o Brasil não atingiu as metas previstas para os anos finais do ensino fundamental. Para os alunos do sexto ao nono do Ensino Fundamental, a meta era de 4,4 pontos no Ideb. Mas o resultado foi 4,2 pontos. As notas do ensino médio também não foram alcançadas. O Ideb foi de 3,7, o mesmo resultado de 2011. A média prevista era 3,9 pontos. Por que é tão difícil para o país melhorar a educação nos últimos anos do ensino fundamental e no ensino médio?

O Brasil tem feito seu dever de casa nas séries iniciais do ensino fundamental. São anos em que as crianças têm uma única professora por turma. Isso é um fator muito importante. Há uma identidade entre o professor e seus alunos. De certa maneira, a gente já encontrou a tecnologia correta para fazer com que as nossas crianças aprendam nesses anos. Quando observamos as séries finais, nós deparamos com outro formato de escola onde cada turma tem um conjunto de professores. A partir desse momento, não conseguimos definir um currículo atrativo e capaz de dialogar com o mundo do adolescente. Além disso, faltam professores bem formados para dar algumas disciplinas. Esse problema se torna mais grave no ensino médio, onde há uma carência de professores extremamente elevada em matemática, química, física e biologia. Alguns professores não se formaram na área em que lecionam. Ou seja, há problema de formação e escassez de professor, associado a um currículo que não dialoga com o mundo do adolescente e do jovem.

10 – Em 2014, a USP perdeu o posto de melhor universidade da América Latina para a PUC Chile, em ranking elaborado pela consultoria britânica QS Quacquarelli Symonds University Rankings. No grupo das 10 melhores do continente, só há 3 federais brasileiras: UFRJ (4º), UFMG e UFRGS (as duas em 10º). Em outro levantamento internacional publicado em 2014 pela Times Higher Education, só há uma universidade brasileira entre as 100 melhores do mundo: a USP, que apareceu na faixa entre o 81º e o 90º lugar. O que falta para nossas universidades ocuparem lugar de destaque no cenário acadêmico internacional?

Três fatores contribuem muito para essa situação. Primeiro, o nosso sistema universitário ainda é pouco eficaz. A relação aluno/professor é muito baixa quando comparamos com universidade estrangeiras. Esse fator, tanto no ranking japonês como no da Inglaterra, tem reduzido a nota de nossas universidades mais conhecidas: USP, UFRJ, Unicamp e outras.

Outro fator que contribuiu muito é a baixa taxa de internacionalização, que seria a oferta de cursos em inglês, mandarim e francês dentro das nossas universidades, a presença de professores bilíngues. Nós, praticamente, adotamos apenas o português. As universidades estrangeiras oferecem diversas disciplinas em outros idiomas. É uma forma de ampliar a mobilidade acadêmica de nossos estudantes. Nesse sentido, o Ciências sem Fronteiras foi, na minha opinião, uma grande iniciativa do governo federal. É óbvio que é preciso fazer ajustes, mas, recentemente, vi na Europa vários jovens do programa em diversas universidades.

Ainda quanto à internacionalização, também precisamos mudar as nossas universidades para dar dupla titulação. Não somos muito flexíveis no reconhecimento das disciplinas lá de fora. O nosso sistema universitário curricular é muito duro. É preciso torná-lo mais flexível e bilíngue para que, de fato, a internacionalização esteja mais presente no cotidiano de nossas universidades.

O terceiro ponto é a inovação. As nossas universidades até que vem produzindo bastante inovação tomando como referência o número de patentes. Mas ainda temos um número baixo de patente produzidas em parceira com empresas brasileiras. As nossas empresas produzem muito poucas patentes e têm pouca articulação com as universidades. Lá fora é diferente. As universidades têm uma relação muito forte com as empresas, produzindo patentes e inovação.

Comentários
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  1. Thiago Melo disse:

    É engraçado que os profissionais mais envolvidos na educação básica são o menos ouvidos. Ouvem-se todos: ONGeiros, socialites, políticos, psicólogos, celebridades, “especialistas” e professores universitários; só não ouvem os professores da educação básica. Não é por acaso que as principais demandas da educação brasileira são ignoradas. Enquanto os professores secundaristas continuarem a ser censurados e desvalorizados por toda a sociedade, os caos só vai piorar.

    • Omar Costa disse:

      Os fatos que descrevemos são relevantes, mas num país onde a presidente disse que será a pátria educadora, e logo em seguida empurra-nos goela abaixo o Cid Gomes, e as secretarias estaduais e municipais empossam economistas para administrar as pastas da educação, dá a dimensão que nada mudará, são só falácias. No estado do RJ, 2º estado mais rico da União, o piso de um docente do ensino médio da rede estadual é de irrisórios R$1.175,39 , mais os auxílios transportes que variam de R$60,00 a R$100,00 e o alimentação de R$160,00, que decrescem de acordo com os dias letivos no mês. VERGONHOSO.

    • INVERSÃO DE VALORES! disse:

      Despertou-me atenção comentários na mídia sobre o salário de professores aposentados da USP, chegarem ao valor de R$60.000,00 (sessenta mil reais).
      Longe de querer entrar no mérito da questão, se justo ou injusto, não consegui deixar de fazer algumas comparações, não sem antes me lembrar que tais valores são atingidos por diversas outras categorias – pelo menos é o que se vê publicado na mídia, vez por outra.
      Um comentário na mídia: “esses professores universitários passam suas vidas estudando, pesquisando e portanto é mais do que justo que tenham salários compatíveis com a ‘importância social’ que têm na sociedade”.
      Há algum tempo ouvi também comentário semelhante sobre os juízes.
      E sabemos que políticos também são muito bem remunerados, tanto na ativa como em suas aposentadorias.
      Aí lembrei-me de um amigo que há 40 anos atrás fez concurso para investigador de polícia, porque cansou de tentar sobreviver com o salário de professor de nível médio.
      Como investigador de polícia, passou a vida na função de “entregador de intimações”, numa delegacia de São Paulo, fazendo uma escala de plantão.
      Abriu uma firma de extintores de incêndio, na qual trabalhava nas folgas e ficou rico.
      Fez da Polícia um “bico”, visto que como policial apenas ficaria do mesmo jeito que como professor de nível médio.
      Hoje está aposentado como investigador de polícia e a empresa de extintores de incêndio é uma das maiores do ramo.
      E o magistério “continua” perdendo milhares de professores no ensino fundamental e médio, principalmente.
      E a cada dia mais vemos advogados, repórteres, artistas, todos muito bem remunerados, felizes da vida, falando e escrevendo: “ gratuíto, adevogado, perca “, sem ao menos desconfiarem que o certo seria terem aprendido, no ensino fundamental ainda, que o correto é gratuito, advogado, perda.
      Isso sem falar que, lá no ensino fundamental, antigo “curso primário”, deveriam ter aprendido que “É PROIBIDO ROUBAR”!
      Uma pergunta que não quer calar: Será que os professores do ensino fundamental, ensino médio não têm uma função social, senão muito mais importante do que a de um professor universitário, pelo menos igual?
      Para quem achar que não, considerando apenas a gravidade de um cidadão com curso superior não dominar a “Língua Pátria”, peça a um professor universitário com salário de 60 mil reais por mês, ou um juiz, ou um político, com salários semelhantes, tentar mudar a cabeça de um “mensaleiro, ou petroleiro, ou doleiro cuequeito, ou sanguessugueiro”, convencendo-o de que ”É PROIBIDO ROUBAR”!
      Pois, com certeza, um professor de ensino fundamental e (ou) do ensino médio, bem remunerado, bem preparado, bem realizado social e profissionalmente, orgulhoso de sua função social maravilhosa, conseguirá isso, junto às crianças e adolescentes do nosso país!

  2. Omar Costa disse:

    Enquanto o ensino fundamental não for levado a sério, e as aprovações correrem a vontade para maquiar índices governamentais e não houver uma seleção ( pelo menos de Português e Matemática) para o acesso ao ensino médio regular, continuaremos a receber no 1º ano a grande maioria dos alunos analfabetos funcionais e que não dominam de fato os quesitos básicos da Matemática do ensino fundamental, que são ferramentas para a Matemática do ensino médio, para Física e Química. No caso especifico da rede estadual do RJ onde leciono Matemática e Física é fundamental também que no ensino médio, se tenha pelo menos quatro (4) tempos de Física, de Química , de Biologia e…., ao contrário dos escassos dois tempos semanais de hoje, isso quando se tem professor.

    • israel santos disse:

      Concordo contigo Omar. Na verdade o que há é uma maquiagem de aprendizagem no ensino fundamental I. Aprovações automáticas, alunos aprovados sem o dominio das competências básicas em leitura e interpretação, além dos conhecimentos nas quatro operações, etc. O ensino médio é apenas resultado do bom trabalho feito nos anos iniciais se esse bom trabalho existisse.Não desprezando os “especialistas” em educação, deveriam perguntar aos professores do ensino fundamental II e do ensino médio o que eles acham, afinal, eles não trabalham com dados estatísticos, não raras vezes forjados, mas com a realidade do que foi aprendido. Boa parte dos “especialistas” educação são acadêmicos que veem de longe ou por dados forjados por órgãos a realidade da educação no Brasil. Sou pesquisador e sei disso.
      O problema da educação no Brasil é complexo e exige a colaboração de todos Estado, professor, aluno e família.Infelizmente ainda vemos a educação como acessório para ganhar dinheiro e não fundamento para a vida e cidadania. “Se eu puder ganhar dinheiro rápido e fácil, eu não preciso estudar”. Que o digam jogadores de futebol e artistas de todo gênero.
      Abs.

  3. Alexandre Miller Bathaus disse:

    (será que alguém de “peso” irá ler?)
    Concordo que ‘Piso salarial não é o grande problema dos professores’. Sou professor titular na rede pública estadual e municipal de São Paulo, trabalhei na rede privada cerca de dez anos, completo 49 anos de idade em 2015 e estou a cerca de vinte anos na educação e a maior parte de minhas formações, busco em um grupo de estudos (gratuito) em uma Faculdade Particular (já não consigo participar a algum tempo diga-se de passagem), pois, devido a carga horário a que sou submetido para dar o mínimo de dignidade para minha família acumulo cerca de 60 horas semanais na escola, dessa forma fico impossibilitado de me matricular em um mestrado, por exemplo, mesmo tenho conquistado o direito a três bolsas. Afirmo desde o primeiro dia que pisei em uma sala de aula como professor que não começam a resolver o problema no ensino fundamental II e Médio por falta de vontade e pura incompetência: Em casos semelhantes ao meu (não são poucos), o professor que acumula cargos exonera um dos cargos, é proibido de exercer novo acúmulo, obriga esse profissional a cumprir 30 horas dentro da escola, outras 20 horas em pesquisa na Faculdade (Bolsa-Mestrado, por exemplo) de forma que tal pesquisa seja aplicada em sua unidade de ensino, pois dessa forma obriga-se o professor a ter formação continuada e mostrar resultados e pague o salário que o mesmo recebia quando acumulava dois cargos de titular, além de oferecer aumentos salariais de acordo com os resultados obtidos pela Unidade de Ensino. O problema pode ter uma abordagem inicial simples e significativa. Chega de tanto blá, blá, blá…

  4. A grande e maior verdade, a do dia a dia, é que os professores que ainda estão na ativa, estão ficando doentes, os que entram pedem pra sair, salario que não atrai ninguém, dentre estes fatores cito alguns principais:

    1. sem plano de carreira, não existe
    2. salas superlotadas, a lei diz uma coisa e os estados fazem outra, ha salas com 65 alunos
    3. salas de aulas fechando, de forma a gerar economia para o estado de sp, no caso
    4. reajustes, não são aumentos de salários, significam reposição, aumento nunca vi
    5. as escolas estão defasadas
    6. os pais não educam seus filhos, deixam apenas ir para escola
    7. de tantos problemas sociais, os professores não sabem o que fazer, nunca foram preparados para isso!
    8. salario de R$ 2415,00 para 40 hs de trabalho e o que recebe o professor do maior estado do pais, sem direito a FGTS, sem direito a vale-alimentação, esse salario é bruto por 5 anos, demora-se na media 5 anos para ter 5% a mais no salario.
    9. diretores/supervisores que não dão suporte algum, total ineficiência de seus cargos
    10.bullying, assedio moral, coações de toda ordem nas escolas/diretorias de ensino

    Como podem notar, ser professor e uma missão!
    Ensinar a quem não quer aprender, e quase impossível!
    Todo e qualquer professor nao pode atrasar 5 minutos, pois perdera 1h/aula, pois saibam que o professor ganha sim, por hora-aula, que se arrasta pelo ano e vira um dia de desconto no seu salario, isso mesmo!

    Para quem não sabe, os professores de SP, ganham R$ 12,077 por aula!!!! Isso mesmo, um cinema R$ 20,00, um lanche simples R$ 10,00, um almoço R$ 25,00, imaginem aluguel, prestação de carro, casa (quando tem sorte de ter uma), etc…, viajar, voltar a estudar, cuidar da saúde, ir ao teatro, a academia, isso não existe na realidade da vida dos professores que conheço!

    Em resumo, digo, como qualquer outro profissional comum, quem resiste as péssimas condições de trabalho? quem?

    Se não fizermos nada, ser ou ter professores vai ser uma profissão em extinção!

    A educação publica reflete bem a situação politica desse pais, existe, mas se é boa, se tem ética, se ha moral, se terá futuro e formação social, ninguém pode dizer!!

    Quando toda a sociedade for cobrar os governos, já vai ser tarde!

    Professor um espécime em extinção!

    • Ronaldo do Nascimento disse:

      Ouvir quem está na sala de aula reconhece a urgência do problema da educação sem esperar muito pela vontade de gestores públicos em lidar com a questão e que no geral só pensam a educação pelos seus custos-eficiência e sob essa alegação perdem o foco dos benefícios. Não há formulas magicas: como distribuir riqueza, desenvolver justiça social, cidadania se não for pela educação?

  5. Marcos Leandro de Abreu disse:

    Vamos lá tentar explicar porque os alunos apresentam um melhor rendimento nas séries iniciais do Ensino Fundamental e o mesmo não ocorre nos anos finais dessa etapa da educação básica e, pior ainda, no ensino médio.
    Sempre a mesma fala: formação de professores e currículo não atrativo. Concordo com essas duas “responsabilizações”, mas existem características inerentes aos alunos e suas próprias transformações biológicas e psicológicas que nunca são levadas em consideração. Todo professor – aquele que trabalha com nossos jovens – sabe que alunos dos anos iniciais são muito mais participativos e curiosos (características próprias da idade) que alunos que já adentraram a adolescência. Eu não tenho como escrever aqui todas as possíveis hipóteses que eu proporia para a discrepância entre as crianças e os adolescentes, mas vou aqui colocar o que minha prática reflexiva sobre meu trabalho me leva a concluir: o adolescente brasileiro vai à escola e lá não faz nada e não importa qual seja a metodologia, ele simplesmente não faz nada (eu já tentei trabalhar de muitas formas diferentes). Ele escuta o tempo todo dizerem que a escola tem de ser um lugar divertido (equiparação a um parque de diversões), mas estamos falando de es-co-la. Escola é um lugar onde jovens devem ir para além de um direito inquestionável, mas por uma obrigação social, pois, escola é resultado desse esforço para nos fazer melhores geração a geração. Eu tenho muito mais o que dizer sobre esses assuntos, mas sou apenas um professor de matemática da educação básica paulista e, claro, não sei nada de educação. Os estudiosos, merecedores do nosso respeito, certamente sabem bem mais que eu sobre esses assuntos. Esta última parte está sim recheada de ironia. Espero que leia Kennedy e seu eu pudesse lhe dar uma sugestão quando o assunto for educação: chame professores da educação básica para conversar, são eles os mais conscientes sobre os reais motivos do nosso insucesso educacional. Um dia, espero viver para isto, teremos uma educação que nos orgulhe que não mate potenciais e formem cidadãos de fato.

  6. fLAVIA MIRANDA disse:

    fALA SÉRIOOOOO!!!! a DEFAGEM PARA OS OUTROS CARGOS É DE 40 % ???….. RSRSRS… ISSO AINDA NÃO SIGNIFICA PARA ELE QUE O SALÁRIO É BAIXO??? COMO ASSIM??? EM QUE MUNDO ESTÁ ESTA PESSOA???? POR ISSO QUE A EDUCAÇÃO ESTA FALIDA!!!!!

  7. Domingos disse:

    “Piso salarial não é o grande problema dos professores” ?

    KKKKK, logo não teremos mais professores, será tudo por internet, os alunos terão que ser auto didatas. Carreira de professor no BRASIL, só se for masoquista, solitário, sem compromissos financeiros, sem família ou seja um sem futuro.
    VERGONHA DE VIVER AQUI, no japão o professor é a única profissão que não precisa se curvar ao imperador. Sei que podem pensar, porque vc não muda ? Não preciso de construir ou constituir uma família, um lar… Já tenho tudo que preciso, mas se um filho qiser ir embora, apoiarei com certeza.

  8. Silvana de Souza disse:

    E a professora Readaptada, meu caso, que perdeu a aposentadoria especial por ter saído da sala de aula. Ou seja, ficou doente, foi afastada, não pleiteou cargo nenhum e tem q trabalhar 30 anos e ter 55 de idade. Absurdoooooooo!!

  9. O grande problema do professor é o aluno. Para o mau professor que são milhares infestando a escola pública é que querem ser tratados como santos, anjos, abnegados e que fazem um favor enorme aos alunos apenas comparecendo na escola de vez em quando. Os pais eu se virem com uma montanha de lição de casa para os pais ensinarem em casa o que não aprenderam na escola.Depois pedem na prova e a escola fica com fama de escola forte. O grande problema da escola é o mau professor. O Educador está tão angustiado quando os pais com o rumo que a escola tomou, mas também está acuado pela multidão de maus professores. O problema é que temos que fiscalizar o professor como profissional que é. Ele tem que prestar contas e ser responsabilizado pelo aprendizado do aluno. Temos que tirar o professor do altar. Temos que parar de demonizar o aluno. Pior até a Dilma quer colocar o professor no altar, cobrar dele nem de longe ninguém fala.
    Na medida que o professor que comete um monte de erros nunca é punido cometemos erros com o Educador que erra muito menos.
    cremildadentrodaescola.wordpress.com

  10. Williams Costa da Silva disse:

    De onde saíram esses 40% a menos?
    Outra coisa, o plano de carreira não é ruim. O que torna o plano ruim é o baixo salário inicial. Exemplo do plano do estado do Rio. 1º triênio é de 10%, os demais triênios 5%. Sem contar com a diferença de 12% a cada 5 anos em que o professor sobe de nível. O professor pode chegar até o nível 9, inciando no nível 3. Piso 30h R$ 2211,25 p/ o profissional com ensino superior (daí a pergunta: De onde saíram esses 40% a menos?). Qualquer profissional de outra área com nível superior em início de carreira recebe no mínimo o dobro do salário do professor. Outro fator preocupante é o número de professores que estamos perdendo os tribunais (TJ, TRE, TRF, TCE, TCU, MPE, MPU,etc…).

  11. Roberto R. Gomes disse:

    Entre muitas outras verdades citadas aqui, é importante salientar o seguinte: não é de interesse político melhorar a educação, é por isso que não farão o investimento necessário. Vocês já imaginaram o que aconteceria se os eleitos fossem pessoas instruídas? Os ladrões, ou melhor, os políticos estariam fora do comando. É isso.

    • Pasquale disse:

      Melhorar a educação,seria como dar as únicas armas com que o povo poderia se libertar.
      Exercer a verdadeira cidadania etc.As figuras que hoje estampam e já estamparam,o quadro político em todos os ambitos,desapareceriam.
      Então definitivamente não interessa nem um pouco,dar aquilo que o brasileiro tem direito(educação).
      E vamos vivendo uma espécie de ficção,onde um finge que engana o outro.
      O aluno engana o professor,que por sua vez engana o aluno etc.
      E todos acabamos fazendo parte de uma peça de teatro.

  12. Abraão Oliveira disse:

    Além de não ouvirem os professores, como já foi dito em outros comentários, os ministros, secretários e autoridades envolvidas com a educação sabem que melhorar o sistema educacional é uma tarefa a longo prazo e eles não gostam de investir em algo que demore tanto tempo. Preferem usar números a seu favor (e eles sabem muito bem como fazer os números serem favoráveis).
    Um item muito importante que faz com o que o professor abandone sua profissão ou seja afastado por motivos médicos é a violência em sala de aula e nas redondezas da escola em que trabalha. MUITOS ALUNOS estão envolvidos com o criminosos e ameaçam professores, alunos e funcionários da escola que frequentam. Nada é feito. A polícia é ineficaz. A idéia de que todos têm que estar na escola é falsa. Os professores não têm (e NÃO TÊM QUE TER) formação pra lidar com bandido ou pré-bandido. As famílias dos outros alunos não se envolvem o suficiente com a escola. Conformam-se com as poucas possibilidades que lhes são oferecidas. Uma reforma completa no currículo escolar é muito importante mas tem que vir acompanhada de outras ações que façam os alunos interessarem-se mais por sua escola. As unidades escolares têm que ser maiores, com menos alunos em sala de aula e espaços decentes para alunos e professores.

  13. Gilberto Rabelo disse:

    Saudações ao Kennedy e aos quatro colegas que apresentaram os seus comentários. Demorei a manifestar-me quase de propósito, a fim de poder avaliar e comentar sobre a quantidade de pessoas que leram e comentaram o artigo base (somente quatro). Todos os comentários são pertinentes, visto partirem de pessoas dedicadas à causa, mostrando que as suas palavras traduzem o que está em seus corações. Ora amigos, o problema em nosso país não reside somente na educação, verifica-se, na verdade, uma grande composição de problemas ou até uma conjunção destes, como queiram. Por vezes tenho a sensação (sem ser debochado, por favor) que o navegante Pedro Álvares Cabral aportou por aqui tão somente há poucos dias (vá lá, poucas semanas), face às precariedades e necessidades, algumas básicas e (ou) fundamentais para as nossas vidas. Senhores, não é somente a educação do país que está tão falida, a nossa saúde procura a todo custo copiar os serviços médicos da AFRICA (com letras maiúsculas porque descendo de Africano e respeito por demais aquelas terras, tão maltratadas), que praticamente inexiste. Não consegui enxergar que a importação de médicos de outros países fosse a melhor, quiçá, a única solução. Estamos à beira de um colapso hídrico (expressão bastante usada atualmente nas declarações feitas aos meios de comunicação) associado a um desastroso colapso na produção e transmissão de energia elétrica. A segurança dos cidadãos que financiam os serviços públicos encarregados de protegê-los faliu e há muito tempo, vide, por favor, os mais recentes índices do avanço da criminalidade em São Paulo. Os transportes estão caros e em poucas cidades do País são eficientes e seguros. Permitam-me lembrar sobre os Quatro Tigres Asiáticos, conforme eram citados os países que deram um fantástico salto na economia há quase cinco décadas, Coréia do Sul, Singapura, Formosa (Taiwan) e Hong Kong, os quais seguiram (copiaram) o Japão em seu super desenvolvimento no pós-guerra. O desenvolvimento destes países ocorreu por uma mudança radical de políticas, sendo fundamental a educação e estes copiaram um famoso programa conhecido como “Modelo Alemão” adotado no século dezenove, o qual foi associado à fantástica “Revolução Industrial”, implantada na Alemanha. Reconheço uma grande capacidade nos profissionais brasileiros dedicados a educação, porém, falta-lhes o que foi apresentado no artigo base e nos comentários, e tudo isso fundamentado em um sólido e profissional planejamento.

  14. Daniel disse:

    A profissão de professor deveria ser uma das mais bem remuneradas, quase no mesmo patamar que medicos.
    As pessoas deveriam querer ser professores. É a profissão mais importante no meu ponto de vista. Ela prepara, orienta e serve de exemplo para os jovens.
    Quem nunca se lembra de dois ou tres professores que fizeram a diferença?

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2020-09-30 07:08:53