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Política
02-02-2017, 9h28

Placar na eleição da Câmara sinalizará menos ou mais feridas a curar

Favorito, Rodrigo Maia tenta reeleição com apoio do governo nos bastidores
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

A decisão de ontem à noite do ministro do STF Celso de Mello que manteve a legalidade da candidatura de Rodrigo Maia à reeleição à presidência da Câmara tira força do discurso que aponta um golpe regimental.

Nesse contexto, a decisão de Mello fortalece a chance de Maia (DEM-RJ) vencer no primeiro turno. A disputa na Câmara acontecerá na manhã desta quinta-feira.

Há diversos adversários que lançaram candidatura para tentar forçar uma segunda etapa. Nos bastidores, o governo joga a favor de Maia. Uma vitória em primeiro turno sinalizará menos problemas para o governo na base de apoio. Ou seja, menos insatisfações a administrar.

Se a disputa for para o segundo turno, a depender do placar, o governo Temer terá menos ou mais feridas a curar na base de apoio na Câmara _menos coesa do que no Senado.

A vitória de Eunício Oliveira ontem no Senado foi uma vitória do presidente Michel Temer, que demonstrou ter uma base de sustentação forte na Casa e suficiente para tocar a agenda de reformas.

*

Clima ruim

Nos bastidores, ministros do STF avaliam que o pedido de vista feito ontem pelo ministro Gilmar Mendes foi uma demonstração de contrariedade com a presidente do STF, Cármen Lúcia. O julgamento em questão tratava dos critérios para as autoridades que estão na linha sucessória da Presidência da República.

É um caso amplamente debatido e com votação final já avançada. Cinco ministros votaram para que réus no STF não ocupem cargos na linha sucessória. Ou seja, não podem presidir a Câmara ou o Senado, por exemplo, que são cargos ocupados por políticos que substituem interinamente o presidente da República.

Há três votos que afirmam que esses réus no STF não podem substituir o presidente da República, mas podem ficar nos seus cargos _uma tese estranha. Afinal, se a autoridade não pode desempenhar interinamente a função pública mais importante do país, por que poderia presidir uma Casa do Congresso?

Para decidir, faltavam os votos de Gilmar Mendes e de Cármen Lúcia, porque o Luís Roberto Barroso se declarou impedido.

Ministros do STF viram no gesto de Gilmar uma tentativa de impedir uma provável e iminente decisão para vetar a permanência de réus no STF nos cargos da linha sucessória. Essa decisão aconteceria no dia e hora em que Renan Calheiros presidia a sessão no Senado para escolher o sucessor. No mínimo, haveria constrangimento para Renan ou até o afastamento dele da presidência do Senado nas horas finais de seu mandato.

Na visão de ministros do STF, Gilmar achou que Cármen Lúcia quis fazer uma manobra política para ficar bem na foto perante a opinião pública e decidiu pedir vista. Evitou a decisão e um novo enfrentamento entre STF e Renan, que foi mantido no cargo em dezembro pela maioria dos ministros do tribunal.

Em resumo, esse episódio mostra que o clima interno no STF não está tão bom como tem sido vendido publicamente e que existe insatisfação com a forma como Cármen Lúcia conduz a corte.

*

Mais chumbo

A “Folha de S.Paulo” publicou hoje reportagem que traz mais detalhes a respeito de informações já divulgadas em outros vazamentos de delações premiadas. Segundo o jornal, o ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura Benedicto Júnior acusou o senador Aécio Neves de articular um esquema de corrupção na época em que governava Minas Gerais. Referiu-se à nova sede do governo de Minas.

Entre os detalhes, estão percentuais de propinas que teriam sido acertadas com diversas empreiteiras para a construção dessa obra. As acusações são gravíssimas, porque apontam participação direta de um governador de Estado num esquema de corrupção.

Aécio negou as acusações e defendeu o fim do sigilo das delações da Odebrecht.

Em relação ao segredo, ele está certo. Já vazou muita coisa das delações da Odebrecht. O sigilo só estimula vazamentos e especulações.

Tomara que o novo relator da Lava Jato no STF, que deverá ser escolhido hoje, decida em conjunto com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tornar públicas essas delações o mais brevemente possível.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. GRANDE RUI BARBOSA! disse:

    Creio que a nação vê esse ministro como uma pessoa ridícula ao extremo, desesperadamente ávida por holofotes e irremediavelmente inconformada com o fato de outro ministro “aparecer” mais do que ele – um narcisista autêntico. Isso é ruim, pelo cargo que ocupa. Fazer enfrentamento com alguém como a ministra Carmem Lúcia, o símbolo da simplicidade, da boa conduta, da sobriedade, da confiança é, sem sombra de dúvida, um absurdo!
    Só supera tal absurdo assistir à cena de Renan, Eunício e Jucá, confraternizando-se, após a eleição de ontem e lembrar do que virá disso!
    Ou lembrar da triste sina do país, que é viver as conseqüências de uma sucessão formada por um Lula, uma Dilma, um Temer.
    E ter que se conformar com a realidade:
    “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.(RUI BARBOSA).

  2. Edi Rocha disse:

    “Evitou… um novo enfrentamento entre STF e Renan”.
    Acho que por evitar esse conflito, o pedido de vista de Gilmar Mendes foi bom. Se o topo da pirâmide ficar brigando, imagine mais embaixo. As instituições precisam voltar à normalidade. Os chefes precisam entender que o país precisa ser governado.

  3. walter disse:

    Caro Kennedy, as manobras são feitas por consentimentos, seja na câmara ou no supremo; esta situação absurda, mais uma vez, que envolve mais o Gilmar Mendes, lembra a postura do Toffoli; não querem a funcionalidade plena da LEI, e de lambuja, favoreceu o Renan mais uma vez, não fosse isso, não presidiria mais o senado..Quanto as eleições no congresso, já vem com suas cartas marcadas, o sigilo mantido na lava jato, permitiu a eleição do Eunício, como permitirá do Rodrigo maia; são tão evidentes, que dá asco; querem no fundo, mais aliados, para barrar punições dos envolvidos no “caixa dois”…com relação aos vazamentos, são cartas usadas, ao bel prazer dos caciques em comando, não há lisura de nenhuma das partes; são fatos.

  4. Wellington Alves disse:

    Não sou um fã do Gilmar. Mas não adiantava nada enfrentar o Renan agora, pois a oportunidade foi perdida. O problema é que foi eleito outro sujo para o Senado.

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